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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Museus em alta

Acompanhei a matéria na tv mais cedo, deste mesmo órgão de mídia. O aumento do público em si é fato relevante e suscita bons debates. Mas cabe ir um pouco além dos números. Tem hora que eu gostaria que o WB estivesse errado, mas "Nunca há um documento da cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento da barbárie"(a quem quiser se aprofundar, indico esse texto curto de Jeanne Marie Gagnebin).
Convido à reflexão, e a título de incentivo, vamos fazer uma enquete depois e o melhor comentário ganhará créditos bárbaros com o professor. Prometo considerar a opinião do público rsrs. 




sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A paisagem sonora como patrimônio cultural

Dentre as pesquisas que venho realizando nos últimos anos, um dos principais veios é o que relaciona a música popular e o patrimônio cultural urbano, na forma das canções, seus significados e memórias atribuídos socialmente, especialmente em lugares relacionados e nas formas institucionais e informais de apropriação e patrimonialização ali catalizadas. Os estudos sobre espaço urbano que empreendo, desde o início da pós-graduação, me levaram ainda ao conceito de paisagem sonora, o que rendeu investigações bastante instigantes e muitas gravações, vídeos e fotografias, realizadas especialmente em conjunto com pesquisadores do Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM) da UFMG. Há alguns anos cedemos uma pequena parte desse material para figurar na exposição O Museu e a Cidade sem Fim em 2013. 

Alguns dos principais trabalhos realizados sobre essas temáticas estão disponíveis aqui.

Uma possível confluência destes interesses vem da progressiva criação sítios eletrônicos e arquivos digitais públicos e privados, muitos deles de caráter colaborativo, constituindo coleções de registro em áudio ou audiovisuais referentes a paisagens sonoras, reconhecidos como patrimônio cultural. Quando estive em Londres em 2015 apresentando um dos trabalhos do CCNM assisti uma matéria da BBC bem completa sobre a política que o National Trust estava adotando para registrar os sons da costa inglesa. Na disciplina que leciono este semestre no PPGCI-UFMG "Memória, patrimônio e informação", se de um lado costumo criticar o que podemos chamar de uma fetichização do tecnológico, por outro estou sempre promovendo junto com a turma debates que englobem formas historicamente variadas de registro. Assim, recebi com satisfação esse material gentilmente encaminhado pela discente Pétalah Lotti, um conjunto de links que permite conhecer bons exemplares de projetos associados ao assunto. Fica meu agradecimento e o convite aos leitores para navegar no mar internético de sons que nos levam a tantas cidades e partes do mundo. 

Mapa sonoro de Lisboa

Cities and Memory

MAPA SONORO DA CIDADE DE SÃO PAULO

sábado, 8 de abril de 2017

Há controvérsias

 A Revista Época publicou online agora em abril uma matéria com o seguinte título: 
Lei obriga os museus brasileiros a tomar mais cuidado com seu acervo [ver completa]

 (Foto: Pedro Farina/ÉPOCA)

Em tempo, queria dizer algumas coisas. Tornou-se um clichê que as matérias que abordam o patrimônio cultural recorrentemente partam de pautas calcadas na polêmica e na denúncia. É desagradavelmente irônico que se mencione o estatuto dos museus numa matéria assim, e nos 8 anos em que está em vigor não deva ter sido citado em matérias que abordassem seus efeitos positivos. Não quero varrer as falhas para debaixo do tapete, mas simplesmente analisar a forma como a grande imprensa cobre esses assuntos. Como formadores de opinião que são, esses veículos perdem sistematicamente a oportunidade de levar ao cidadão uma informação mais qualificada a respeito do trabalho que é feito pelas pessoas que atuam no Ibram, nas instituições museológicas e outros órgãos que atuam no campo do Patrimônio. Adoram também se autopromover lançando mão do que na verdade foi realizado justamente por aqueles que criticam. Vejamos:

 "Assim foram criadas relíquias como a forca que matou Tiradentes, a espada que Pedro I ergueu no Grito do Ipiranga, a farda usada por Marechal Deodoro na Proclamação da República, criações que a reportagem de ÉPOCA tenta desmistificar ao longo desta reportagem."
A forma como o texto é redigido dá a entender que a desmitificação dessas relíquias é fruto da reportagem, e não que é um trabalho feito há décadas por inúmeros pesquisadores, ao qual a reportagem está tendo acesso por entrevistas ou pesquisas (não quero generalizar aqui, mas repórter de hoje não faz pesquisa, liga pro pesquisador, pergunta o que quer saber, só escreve se gostou da resposta, nem sempre fala obrigado e muito menos cita quem lhe forneceu a informação). Há um tremendo equívoco na redação mesmo, pois basta ler a matéria para perceber que o questionamento sobre o objeto está sendo feito na própria instituição. Mas aqui sejamos francos. Os museus falham absurdamente em levar esse conhecimento, esse questionamento sobre seu acervo, as lacunas de documentação e inconsistências da aquisição para o público. Não conseguem muitas vezes ver que uma abordagem crítica desses artefatos e da forma como passaram a figurar em seu acervo e exposições seria formadora de uma forma que a reverência acrítica e acobertada por narrativas nebulosas jamais pode ser.
Outra coisa irritante é como adoram imputar tudo à instância pública, como se não houvessem várias instituições privadas que incorressem nessas mesmas falhas - e talvez a maioria delas, muitas vezes laudatórias porque foram criadas para exaltar pessoas, empresas, grupos sociais específicos que costumam ser seus patrocinadores.
Mas essas não são, nem de longe, as principais controvérsias a serem abordadas quando se trata dos museus brasileiros. Por mais que tente a matéria não consegue evitar o senso comum e uma visão meio fetichista, concentrada na suposta autenticidade que poderia ser apurada dos itens que elenca.Ora, sendo assim, se a espada fosse comprovadamente de D.Pedro I, por exemplo, a construção de uma interpretação sobre a Independência poderia continuar lançando mão da relíquia 'autenticada'? Mesmo picotadas pela impiedosa edição que comumente as redações aplicam às falas dos especialistas, podemos entrever nos trechos que restaram que o posicionamento dos profissionais é crítico e revela, ao contrário do que a matéria insinua desde a manchete, que não é ter ou não a lei que faz o museu reinterpretar seu acervo, e sim a atuação de pessoal capacitado e comprometido, especialmente se tiver boas condições de trabalho. O que a matéria apura, em relação a isso? 
A controvérsia mesmo, a meu ver, recai sobre o sentido social e político das instituições, no caso com o foco da matéria recaindo um pouco mais para os museus históricos, e, portanto, para as interpretações da História do Brasil que eles ajudam a produzir e difundir. Seria realmente querer demais que a revista conseguisse elucidar para o leitor a compreensão atual que historiadores, museólogos e demais profissionais envolvidos nesse trabalho desenvolveram sobre o que é o resultado das investigações em História e como a controvérsia e o embate de interpretações são constitutivas do que será a sua narração, e que, muito mais que autenticar o que quer que seja, o objetivo maior é auxiliar o público a desenvolver a capacidade de refletir sobre como e porque uma determinada versão do passado é produzida, como os artefatos compõem as tramas, e como o conhecimento da História é transformado por meio de incessantes contestações baseadas no estudo das evidências.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Museologia, patrimônio e cultura no pensamento latino-americano

Este semestre ofertarei a disciplina optativa Museologia, patrimônio e cultura no pensamento latino-americano, às sextas. Fugindo um pouco do padrão, ela está estruturada a partir da leitura completa do seminal livro Culturas Híbridas, de Néstor García Canclini. A partir das formas de entrar e sair da modernidade, como ele mesmo diz, estabeleceremos roteiros possíveis para pensar sobre as implicações da história latino-americana para o cenário museológico no continente e no mundo, as relações entre história, tradição e memória contextualizadas pela dinâmica cultural híbrida, a questão do(s) lugar(es) da cultura popular considerando o fenômeno da globalização e a emergência de objetos culturais híbridos, buscando entender como são produzidos e circulam, como seus sentidos são disputados e transformados, como são escolhidos os monumentos e colecionados os acervos, e como finalmente, podemos entender melhor nossas complexidades e atuar em cenários institucionais ou informais, desenvolvendo políticas culturais nas áreas da museologia e do patrimônio condizentes com os desafios que essas complexidades impõem. 


Uma amostra da bibliografia proposta para auxiliar as discussões. A intenção é abranger diferentes temas, tipologias museológicas e contextos locais, na busca de uma disposição panorâmica que possa complementar o roteiro de leitura do livro e permitir aprofundamento em questões específicas.






P.S. 2018
Após 2 anos vou novamente ofertar a disciplina Museologia, patrimônio e cultura no pensamento latino-americano (código TGI061 - TOPICOS EM INFORMAÇÃO E CULTURA D  ) às sextas-feiras no 1ºsem. de 2019. Acho que poderei fazer muitos incrementos em relação à primeira edição, em razão das viagens a trabalho que me permitiram colher material relevante em Havana, Montevidéu e Buenos Aires, do aproveitamento de pesquisas, especialmente aquelas que venho realizando junto com o grupo ESTOPIM, das disciplinas que ofertei na pós-graduação (em que cheguei a aproveitar textos que descobri montando esse programa aqui também) e do atual investimento que vamos fazendo em internacionalização para participar do Programa Print proposto pela CAPES. Mas sobretudo porque a distância no tempo da perspectiva para pensar o que foi bem sucedido e o que não, além de trazer as urgências dos contextos em transformação. Dentre os planos para estimular os trabalhos incluo realizar uma exposição sobre arte e engajamento político na América Latina, provavelmente tendo como carro-chefe a obra do uruguaio Joaquín Torres Garcia, autor, entre outros, de América Invertida (1943).



Bibliografia auxiliar

BERRÍOS, Pablo Salvador. El arte latinoamericano a través de la curadoría: políticas de representación y modos de inserción. PragMATIZES-Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, n. 9, 2015.

BIALOGORSKI, Mirta. Artesanías y patrimonialización en el Museo de Arte Popular José Hernández: el Banco de la Memoria del Campo Artesanal. Temas de Patrimonio Cultural 8, p. 31, 2004.

BURÓN DÍAZ, Manuel. Los museos comunitarios mexicanos en el proceso de renovación museológica. Revista de Indias, v. 72, n. 254, p. 177-212, 2012.

CARNOVALE, Vera. Memorias, espacio público y Estado: la construcción del Museo de la Memoria. Estudios AHILA de Historia Latinoamericana, v. 2, 2006.

COUSILLAS, Ana. El ciclo De la Feria al Museo: notas sobre la expe-riencia de exposiciones de artesanías urbanas curadas por artesanos en el Museo de Arte Popular del GCBA. Temas de Patrimonio Cultural 8, p. 47, 2004.

DE CARLI, Georgina. Vigencia de la Nueva Museología en América Latina: conceptos y modelos. Revista ABRA, v. 24, n. 33, p. 55-75, 2004.

ISE, María Laura. Arte Latinoamericano en los ochenta y noventa: una mirada desde algunas exhibiciones y catálogos. Nómadas, n. 35, p. 31-47, 2011.

LLOSA, Vargas. El Perú no necesita museos. El Comercio, March, v. 8, 2009.

NAVARRO, Óscar. Museos y museología: apuntes para una museología crítica. Museología e historia: un campo de conocimiento, XXIX Encuentro Anual del ICOFOM/XV Encuentro Regional del ICOFOM LAM, v. 5, p. 385-394, 2006.

PONCE, Ariel Guillermo. LA INFLUENCIA DE LOS CONTEXTOS INTERCULTURALES EN UN MUSEO DE LA ARGENTINA. Revista del Centro de Investigaciones Precolombinas, p. 63.

SABATÉ BEL, Joaquín et al. De la preservación del patrimonio a la ordenación del paisaje: intervenciones en paisajes culturales en Latinoamérica. 2011.

SALGADO, Mireya. Museos y patrimonio: fracturando la estabilidad y la clausura. Íconos-Revista de Ciencias Sociales, n. 20, p. 73-81, 2013.

SERVIDDIO, Fabiana. Ser latinoamericano: lo precolombino como herramienta del discurso latinoamericanista en los años setenta.

SUESCÚN POZAS, María del Carmen. Los museos de Arte Moderno y la reconfiguración de lo local a través de lo foráneo: Transformando a Colombia en un País" abierto". Memoria y Sociedad, v. 3, n. 6, p. 135-142, 1999.

TAGÜEÑA, Julia. Los museos latinoamericanos de ciencia y la equidad Latin American science museums and equity. História, Ciencias, Saúde–Manguinhos, v. 12, p. 419-27, 2005.

VIÑUALES, Rodrigo Gutiérrez. Museos y espacios para el arte contemporáneo en Buenos Aires. Notas de actualidad. In: Museología crítica y arte contemporáneo. Prensas Universitarias de Zaragoza, 2003. p. 351-373.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Memória em prosa e imagem: o Museu Paulista na USP, 1963/2013

Sinopse

Memória em prosa e imagem: o Museu Paulista na USP, 1963/2013

O documentário registra e problematiza a voz de pessoas cujas vidas entrelaçaram-se, de forma profissional e pessoal, à trajetória histórica do Museu Paulista, particularmente durante o processo de sua integração à Universidade de São Paulo. São os lugares que constituem referência de memórias individuais e sociais, propiciando e/ou interditando pesquisas, produção de conhecimentos e narrativas. O relato oral ajuda a relativizar a aparente neutralidade da documentação produzida com o fim deliberado de preservar do esquecimento transformações que modificaram o perfil do Museu nos últimos 50 anos. Como observou Ecléa Bosi, lembrar não é reviver, mas refazer, reconstituir, repensar com imagens do presente as experiências, esperanças e vivências do passado. Sublinhando o peso do presente nos processos de rememoração, as vozes aqui reunidas não foram confrontadas com aquilo que as fontes disponíveis sobre o tema sugerem ou conservam, pois o objetivo foi valorizar o que foi lembrado, o que foi escolhido para narrar pela mediação do momento atual e da equipe que trabalhou na filmagem e montagem deste audiovisual.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Museus, culturas, antropologias

Repassando o texto Museus, culturas, antropologias da coluna Sentidos do mundo (Ciência Hoje), mantida desde fevereiro de 2011 pelo antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte, pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) [completo, aqui].


"Ao lado das instituições tradicionais, de disposição mais universalista, como os museus ‘nacionais’ e os de ciência, proliferam atualmente importantes iniciativas de valorização e legitimação dos modos de vida, das culturas, de segmentos dominados ou desfavorecidos das sociedades modernas.
Quer se trate de culturas indígenas, de comunidades periféricas urbanas, de enclaves rurais ou de atividades artesanais ou alternativas, a disposição em registrar, objetivar, sistematizar testemunhos físicos, estáveis, dessas experiências identitárias parece tornar-se um recurso importante para a autoestima e para as lutas políticas de todos esses atores da cena pública moderna. Um bom exemplo é o do Museu da Maré (RJ), que se apresentou naquele seminário.
 
Essa é uma das muitas características dinâmicas que atravessam atualmente a relação entre museus, culturas e antropologias. A mesma tensão entre instituição e vida social se apresenta no desafio de tornar os museus mais ágeis e eficientes na comunicação com os saberes que representam e com as populações que desejam influenciar.
Num momento em que a própria objetivação excessiva do conceito de ‘cultura’ é motivo de crítica no pensamento antropológico, a luta por representação e expressão ‘cultural’ dos grupos minoritários cresce na agenda circundante, impondo intensa reflexão e cuidadosa participação dos antropólogos na assessoria a tais iniciativas.
Grandes desafios para nossa museologia, amparada pelo ativo Ibram, mas sempre oscilando, como nossas classes populares, na linha intermediária entre a dura miséria e alguma digna pobreza.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Procure conhecimento, meu filho

O porteiro José Carlos da Silva, 52 anos, costuma repetir o mesmo programa nos dias de folga. Pega o metrô na rua da Consolação, desce na estação da Luz e adentra o seu paraíso: a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
"Gosto de passar o dia inteiro na Pinacoteca admirando a coleção do Almeida Júnior. Sou apaixonado por arte e louco por Caravaggio", diz. "Vou mais a museus e bibliotecas do que ao cinema, porque é de graça."

Uma história singular, mas que sugere várias reflexões interessantes, inclusive sobre os museus e seus públicos. Sempre acreditei que não se pode nivelar por baixo a linguagem e os conteúdos de uma exposição, e que ela deve oferecer justamente o estímulo para a busca do conhecimento. A história do José Carlos, ainda que só dele, diz muito sobre quão variado e fora do esperado pode ser o público que frequenta uma instituição museológica. É preciso aprender com ele, e estar à postos para oferecer mais possibilidades de estudo. Louvo a oferta de bolsa feita pelo MASP: "Um ano inteiro estudando arte, melhor ano da minha vida". Este público interessado, sedento pelo conhecimento, mas isolado dos museus por uma série de barreiras visíveis e invisíveis pode estar logo ali, no entorno mesmo.
Uma discussão que costumo propor em disciplinas como Função Social dos Museus e Museu e Cidade.Dentre tantas leituras indicadas eu destaco o texto de  Ana Rosas Mantecón. Usos y desusos del patrimonio cultural: retos para la inclusión social en la ciudad de México, publicada nos sempre bem cuidados Anais do Museu Paulista. Alguns trechos que destaco:

"La sacralización y monumentalización del patrimonio imponen barreras para que la población pueda apropiárselos en su vida cotidiana y están en la base de procesos de exclusión social"
[...] el reto no es aumentar audiencias, sino acrecentar la comprensión de los mecanismos de exclusión y las fuerzas actuantes en la institución y en el campo cultural, con el fin de poder intervenir en ellos; entablar diálogos cada vez más abiertos con sectores interesados y participantes y, de acuerdo con ello, de este modo brindar una gama variada y compleja de servicios adecuados, en relación con las colecciones u objetivos del museo y con las características socioculturales de los públicos efectivos y potenciales. El reto es que la relación museo-sociedad sea el verdadero soporte y fuerza de la institución.[...]
No se trata pues de simplificar o espectacularizar los recursos useográficos para hacer más rentable la institución, sino de atraer y atender a la mayor diversidad posible de públicos, reconociendo que el objetivo principal es el combate a la inequidad en el acceso a la cultura. [leia o texto completo]



Néstor García Canclini e Ana Rosas Mantecón

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Um problema de pesquisa

http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/02/15/mae-e-proibida-de-amamentar-no-mis-e-mulheres-fazem-mais-um-mamaco/                                         Crédito da imagem: Foto: Matrice/Fonte: Folha de São Paulo

Um trecho da matéria:
"No dia 5 de fevereiro, a modelo Priscila Navarro Bueno, 23, estava visitando a exposição do David Bowie com o marido e a filha Julieta, de sete meses. Ela conta que logo no início da exposição a menina quis mamar e ela retirou o seio para alimentar a filha. “Cinco minutos depois um monitor veio até mim e perguntou se eu queria amamentar num local mais reservado, eu disse que não pois queria ver a exposição e ele se retirou”, comenta.
Priscila conta que continuou vendo a exposição até que uma segurança a cutucou. “Quando virei, ela olhou diretamente para os meus seis dizendo ‘ah, você não está amamentando’ já que a minha filha estava dormindo e não mais mamando”, diz. Segundo a mãe, as pessoas no entorno ficaram olhando e em seguida chegou uma outra monitora recomendando que “fosse para uma sala mais reservada pois não era permitido amamentar no MIS.”
A mãe conta que ela e o marido questionaram e a funcionária voltou a dizer que era proibido e que ela poderia fazer uma queixa no site caso não concordasse. “Fiquei envergonhada e sem saber o que responder, fui embora por estar constrangida”, comenta. Segundo Priscila, ela e o marido tinham visto apenas a primeira parte da exposição." F.S.P., 15/02/14 



Saindo um pouco da rotina das postagens, dessa vez o blog Metamuseu vem propor um problema de pesquisa e convidar seus frequentadores a deixar posições e hipóteses nos comentários
Como entender as restrições quanto à amamentação no espaço das instituições museológicas? 








sábado, 14 de dezembro de 2013

Museu, espaço e poder

No próximo semestre irei lecionar, às sextas-feiras pela manhã, a disciplina optativa Museu, espaço e poder.
Apenas para dar um aperitivo de como será, compartilho aqui a ementa, os objetivos e um primeiro esboço da bibliografia. Deixo desde já espaço aberto para comentários, sugestões e demandas de quem se interessar em cursá-la. 
Abraço
Prof. Luiz H. Garcia

Ementa:
O papel dos museus modernos na constituição das identidades nacionais; A representação do Outro nos museus etnográficos; Museu, cultura e imperialismo: tempo, espaço e relações de poder; A construção do cenário museológico internacionalizado: redes, fluxos e intercâmbios; Formas de encenar o nacional e o regional nos museus brasileiros; Identidades e transculturações; Museus, globalização e hibridações culturais; Megaeventos e transformações na cidade globalizada: o lugar dos museus.


Objetivos:  
Refletir sobre papel histórico dos museus na constituição das identidades e na produção de representações sobre o tempo, o espaço e os grupos sociais. Discutir os museus como espaços em que estão imbricadas diferentes relações de poder. Compreender a emergência do cenário museológico internacionalizado e sua articulação com as hierarquias postas no espaço-tempo da modernidade. Aprofundar a discussão sobre Identidade e Cultura a partir dos estudos culturais e dos debates contemporâneos.  Debater o lugar dos museus no contexto de realização dos megaeventos e das transformações na cidade globalizada.

Bibliografia Básica

ARANTES, Antônio (org.) O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000.

CLIFFORD, James. Itinerarios transculturales. Barcelona: Gedisa, 1999. 493 p.

FEATHERSTONE, Mike (org.). Cultura global. Petrópolis: Vozes, 1999.

HALL, Stuart. Da diáspora. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2003.



 Bibliografia Complementar

BENNETT, Tony. The birth of the museum. London: Routledge. 1995.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

BREFE, Ana Cláudia Fonseca. O Museu Paulista: Affonso de Taunay e a memória nacional 1917-1945 . São Paulo; Ed. da UNESP, 2005. 333 p.

DURAND, Jean-Yves. Este obscuro objecto do desejo etnográfico: o museu. in: Etnográfica, 2 (11). Revista do Centro de Estudos de Antropologia. Lisboa: CEAS / ISCTE. pp 373-385.

GARCIA Canclini, Néstor. A globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2003.

GARCÍA CANCLINI, Néstor. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da interculturalidade. 2.ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2007 283 p.

GOLDSTEIN, Ilana. Reflexões sobre a arte "primitiva": o caso do Musée Branly. Horiz. antropol. [online]. 2008, vol.14, n.29 [cited  2013-08-27], pp. 279-314. HANNERZ, Ulf Fluxos, Fronteiras, Híbridos: Palavras-Chave da antropologia transnacional. MANA 3(1):7-39, 1997.

HARVEY, David. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa cientifica: os museus e as ciências naturais no seculo XIX. São Paulo: Hucitec, 1997. 369 p.

MACKENZIE, John M. Museums and empire: natural history, human cultures and colonial identities . Manchester: Manchester University Press, New York: distributed exclusively in the USA by Palgrave Macmillan, 2009. xv, 286 p.

NACIONAL (BRASIL). Museus nacionais e os desafios do contemporâneo. Rio de Janeiro: Museu Historico Nacional, 2011. 295 p.

ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 2000.

SANTOS, Boaventura de Souza. Modernidade, identidade e a cultura de fronteira. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 5(1-2): 31-52, 1993 (editado em nov. 1994).

SANTOS, Myrian Sepulveda dos. A escrita do passado em museus históricos. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2006. 142 p.

SARLO, Beatriz. Cenas da vida pós-moderna. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997.


WILLIAMS, Raymond. Cultura. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Fazer pesquisa, formar público e criar sentido

Uma iniciativa simples dos Imperial War Museums do Reino Unido mostra como é possível fazer pesquisa, formar público e criar sentido para coleções e instituições.Para acompanhar clique aqui. Há também uma proposta de interação via internet. Talvez nem seja tão promissora...

Live events
Each artwork in the Imperial War Museums’ collection is full of unanswered questions, from its location to the types of planes depicted in a dogfight. To help solve these mysteries we will be running a series of live events around the country, bringing people together to help answer some of these tantalising questions. Will be posting more details about upcoming live events soon and updates on what has been discovered, so watch this space.



tradução:
Cada obra de arte na coleção dos  Imperial War Museums é cheia de perguntas sem respostas, de sua localização aos tipos de aviões descritos em um combate aéreo. Para ajudar a resolver estes mistérios, realizaremos uma série de eventos ao vivo em todo o país, reunindo as pessoas para ajudar a responder a algumas destas questões tentadoras. Serão postados mais detalhes sobre os próximos eventos ao vivo em breve e atualizações sobre o que foi descoberto, por isso esteja atento a este espaço.
 
Uma iniciativa nesta mesma linha ocorre há 10 anos no Arquivo Público  da Cidade de Belo Horizonte. O projeto Cestas da Memória "promove a valorização da memória dos funcionários públicos e dos cidadãos belo-horizontinos por meio do reconhecimento de fotos e documentos da cidade. Neste mês o projeto completa 10 anos de existência.Até agora, o projeto já identificou cerca de 18.000 fotografias do acervo do APCBH". (ver página do APCBH no facebook)
 
 
 
Nos trabalhos que realizei à frente do setor de pesquisa do Museu Histórico Abílio Barreto constatei a importância desse tipo de atividade, especialmente se conseguimos incluir o público de forma que sua participação se caracterize pelo diálogo com os pesquisadores, e que os resultados sejam compreendidos como contribuição que ajuda a reforçar o sentido público das ações das instituições museológicas.
Luiz H. Garcia