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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Dia em diálogo com a museologia

Antes de mais nada parabenizo aos museólogo/as pelo dia de celebração de seu ofício. Quis o destino que em circunstâncias ímpares eu viesse a trabalhar em um museu, na condição de historiador, por 8 anos, e depois viesse a lecionar num curso de graduação em museologia, completando agora 10 anos de sua existência, em que atuei integralmente, inclusive, por um biênio, como coordenador do colegiado do curso. Cumprimento colegas, ex-aluno/as e estudantes, esses futuros profissionais que tenho a satisfação de ajudar a formar. Contabilizo, com muita folga, uma experiência de diálogo e colaboração, que torna a labuta na área mais valiosa e criadora. Só posso agradecer por isso.

Deixo aqui um registro de atividade recente que me deu grande alegria, participar de uma das mesas comemorativas dos 10 anos do curso [programação completa pode ser acessada aqui]. Como minha fala foi francamente baseada em textos de conjuntura, publicados nos últimos 5 anos por ocasião da Semana nacional de museus, reuni também os links para estes artigos, cuja quantidade de acessos me deixa mais que satisfeito, mas não custa aproveitar a oportunidade para fomentar ainda mais o diálogo entre os historiadores e museólogos, que tantos bons frutos tem gerado. 


Artigos publicados pela Revita Museu (online)

Museus para uma sociedade (in)sustentável (2015)
A paisagem no museu, o museu na paisagem (2016)
Há controvérsias: museus no tempo da pós-verdade e da aquém-história (2017)
Públicos, museus e o espaço da cidade: intensificando conexões (2018)
Museus para a Igualdade: experiências de ensino e extensão através da disciplina Função Social dos Museus (ECI/UFMG (2020)

sábado, 18 de maio de 2019

Todo dia é dia dos museus

Vai chegando ao fim uma semana particularmente movimentada, de trabalho, mobilização, realizações, ensejada pela Semana Nacional dos Museus, o Dia Internacional dos Museus e, inevitavelmente, pela conjuntura política brasileira.
Realizamos o Colóquio Internacional Patrimônio em Foco - Metodologias Participativas: dimensão social dos museus e do patrimônio cultural, através do grupo de pesquisa ESTOPIM. Depois, com calma, espero fazer uma postagem exclusiva sobre o evento. 
Rolou no dia 15 uma belíssima manifestação em defesa da Educação, uma das mais fortes em que já estive. Grande alento ver as pessoas se mobilizando novamente, em torno dos seus direitos e dos valores democráticos. 
Para mim tudo isso representou uma injeção de ânimo, num tempo em que ele anda faltando. Há projetos a seguir, e outros a começar, mesmo com as dificuldades que se apresentam. Isso também inclui o blog Metamuseu. Novidades virão. 
Mas tanto trabalho também nos faz eleger prioridades. Este ano deixei de mandar texto para o volume comemorativo da Revista Museu. Sendo assim, resolvi dar uma revisitada nos que enviei anteriormente, considerando válido reeditar o convite para que sejam lidos. Todos, aliás, vão muito bem de acessos, o que dá sensação de retribuição pelo tempo que consumiram. 

2016
A paisagem no museu, o museu na paisagem

"De imediato a escolha do tema “Museus e Paisagens Culturais” provoca diferentes possibilidades de reflexão, a partir do que está colocado como relação. Pensando no que escrever, acabei optando por tratar de alguma maneira da própria relação, da forma como se pode pensá-la historicamente. A pergunta que me move, portanto, tem dois lados, ou dois pontos de visada: de um lado interrogo como a paisagem entra no museu, e de outro como o museu entra na paisagem. Mas se quisesse poderia reformulá-la pela síntese: como museus e paisagens são mutuamente permeáveis."[+ na página]

2017
Há controvérsias: museus no tempo da pós-verdade e da aquém-história

"O espaço que oferece a Revista Museu é salutar para que possamos articular a docência e a pesquisa, o estudo de longo prazo e o comentário de conjuntura. É muito importante que um campo de conhecimento como a museologia possa também desenvolver o hábito de interferir nas arenas em que o debate se colocar, não só na academia, mas na sociedade de modo geral. O tema da 15ª Semana de Museus, Museus e Histórias controversas: dizer o indizível em museus mostra-se muito afinado com o tempo em que estamos e demonstra a disposição para romper silêncios e reconhecer esquecimentos, um exercício de crítica e autocrítica indispensável ao amadurecimento do nosso fazer. O questionamento e o dissenso são, indubitavelmente, o oxigênio da democracia. Os museus também não podem respirar bem sem eles." [ + na página; P.S.: esse me rendeu até uma réplica do jornalista, tão ruim que não me dei ao trabalho de treplicar] 

2018
Públicos, museus e o espaço da cidade: intensificando conexões 

Neste Dia Internacional dos Museus o ICOM propôs o tema “Museus hiperconectados: Novas abordagens, novos públicos”. Fiquei particularmente movido pela atenção guardada no texto da proposição em não resumir as conexões ao elemento digital. [...] Num dos tremendos paradoxos que constituem o mundo ‘hiper’ em que vivemos, as ferramentas que permitem comunicação instantânea e contatos imediatos, estão longe de garantir a densidade das conexões no plano da sociabilidade e da cultura. [...] Penso, resumidamente, que nem velocidade nem quantidade dão a melhor medida do que seria uma hiperconexão. Pode ser mais proveitoso considerar a densidade dessa conexão, sua multilateralidade, sua fertilidade, sua relevância para aqueles que dela participam, dentre outros critérios que poderiam ser elencados.  [+ na página]

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As datas comemorativas cumprem o papel de dar destaque àquilo que celebram. Mas, por contraste, deixam a ver que às vezes, sobre o mesmo objeto de atenção, paira, por longos períodos, uma notável falta de interesse. De repente são tantas atividades simultâneas para as quais nem sempre é possível se desdobrar. A imprensa, por exemplo, costuma se mover freneticamente em torno dessas datas e fora delas não dar praticamente nenhuma notícia ou destaque para museus, exposições e atividades da área. Silêncio que via de regra se rompe quando ocorrem fatos graves, como incêndios, roubos, e outros problemas. Me impressionou, neste sentido, essa questionável matéria de O Globo Mais da metade dos brasileiros acha os museus monótonos. Artistas e curadores dão ideias para 'espanar o pó' das instituições, um festival de senso comum opiniões pouco embasadas e enviesadas de gente que nem pesquisador da área é, e privilegiando o espaço a entes privados e animadores culturais.Quando picaretas como Marcelo Dantas e Gringo Cardia viram referência, aí quer o quê? Também truco a pesquisa e as conclusões, para não falar de seu realizador, Oi Futuro. Vamos ver os resultados e os métodos direito, mas seria importante passar a debater esse tipo de coisa que sai na imprensa, sempre sazonalmente e condicionado por ocasião. Enquanto remexemos as cinzas do Museu Nacional, me parece um despropósito ficar dando guarida a iniciativas de custo astronômico e concepção questionável como o Museu do Amanhã.
Por isso mesmo renovo minha disposição em manter esse blog, e começarei em breve uma iniciativa para ampliar o espaço para noticiar e debater o cenário museológico através da coluna "Em dia com a museologia", de forma diametralmente oposta à que adota esse tipo de noticiário. Já deixo aberto o convite a quem quiser se integrar a esta iniciativa. 



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Museologia, patrimônio e cultura no pensamento latino-americano

Este semestre ofertarei a disciplina optativa Museologia, patrimônio e cultura no pensamento latino-americano, às sextas. Fugindo um pouco do padrão, ela está estruturada a partir da leitura completa do seminal livro Culturas Híbridas, de Néstor García Canclini. A partir das formas de entrar e sair da modernidade, como ele mesmo diz, estabeleceremos roteiros possíveis para pensar sobre as implicações da história latino-americana para o cenário museológico no continente e no mundo, as relações entre história, tradição e memória contextualizadas pela dinâmica cultural híbrida, a questão do(s) lugar(es) da cultura popular considerando o fenômeno da globalização e a emergência de objetos culturais híbridos, buscando entender como são produzidos e circulam, como seus sentidos são disputados e transformados, como são escolhidos os monumentos e colecionados os acervos, e como finalmente, podemos entender melhor nossas complexidades e atuar em cenários institucionais ou informais, desenvolvendo políticas culturais nas áreas da museologia e do patrimônio condizentes com os desafios que essas complexidades impõem. 


Uma amostra da bibliografia proposta para auxiliar as discussões. A intenção é abranger diferentes temas, tipologias museológicas e contextos locais, na busca de uma disposição panorâmica que possa complementar o roteiro de leitura do livro e permitir aprofundamento em questões específicas.






P.S. 2018
Após 2 anos vou novamente ofertar a disciplina Museologia, patrimônio e cultura no pensamento latino-americano (código TGI061 - TOPICOS EM INFORMAÇÃO E CULTURA D  ) às sextas-feiras no 1ºsem. de 2019. Acho que poderei fazer muitos incrementos em relação à primeira edição, em razão das viagens a trabalho que me permitiram colher material relevante em Havana, Montevidéu e Buenos Aires, do aproveitamento de pesquisas, especialmente aquelas que venho realizando junto com o grupo ESTOPIM, das disciplinas que ofertei na pós-graduação (em que cheguei a aproveitar textos que descobri montando esse programa aqui também) e do atual investimento que vamos fazendo em internacionalização para participar do Programa Print proposto pela CAPES. Mas sobretudo porque a distância no tempo da perspectiva para pensar o que foi bem sucedido e o que não, além de trazer as urgências dos contextos em transformação. Dentre os planos para estimular os trabalhos incluo realizar uma exposição sobre arte e engajamento político na América Latina, provavelmente tendo como carro-chefe a obra do uruguaio Joaquín Torres Garcia, autor, entre outros, de América Invertida (1943).



Bibliografia auxiliar

BERRÍOS, Pablo Salvador. El arte latinoamericano a través de la curadoría: políticas de representación y modos de inserción. PragMATIZES-Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, n. 9, 2015.

BIALOGORSKI, Mirta. Artesanías y patrimonialización en el Museo de Arte Popular José Hernández: el Banco de la Memoria del Campo Artesanal. Temas de Patrimonio Cultural 8, p. 31, 2004.

BURÓN DÍAZ, Manuel. Los museos comunitarios mexicanos en el proceso de renovación museológica. Revista de Indias, v. 72, n. 254, p. 177-212, 2012.

CARNOVALE, Vera. Memorias, espacio público y Estado: la construcción del Museo de la Memoria. Estudios AHILA de Historia Latinoamericana, v. 2, 2006.

COUSILLAS, Ana. El ciclo De la Feria al Museo: notas sobre la expe-riencia de exposiciones de artesanías urbanas curadas por artesanos en el Museo de Arte Popular del GCBA. Temas de Patrimonio Cultural 8, p. 47, 2004.

DE CARLI, Georgina. Vigencia de la Nueva Museología en América Latina: conceptos y modelos. Revista ABRA, v. 24, n. 33, p. 55-75, 2004.

ISE, María Laura. Arte Latinoamericano en los ochenta y noventa: una mirada desde algunas exhibiciones y catálogos. Nómadas, n. 35, p. 31-47, 2011.

LLOSA, Vargas. El Perú no necesita museos. El Comercio, March, v. 8, 2009.

NAVARRO, Óscar. Museos y museología: apuntes para una museología crítica. Museología e historia: un campo de conocimiento, XXIX Encuentro Anual del ICOFOM/XV Encuentro Regional del ICOFOM LAM, v. 5, p. 385-394, 2006.

PONCE, Ariel Guillermo. LA INFLUENCIA DE LOS CONTEXTOS INTERCULTURALES EN UN MUSEO DE LA ARGENTINA. Revista del Centro de Investigaciones Precolombinas, p. 63.

SABATÉ BEL, Joaquín et al. De la preservación del patrimonio a la ordenación del paisaje: intervenciones en paisajes culturales en Latinoamérica. 2011.

SALGADO, Mireya. Museos y patrimonio: fracturando la estabilidad y la clausura. Íconos-Revista de Ciencias Sociales, n. 20, p. 73-81, 2013.

SERVIDDIO, Fabiana. Ser latinoamericano: lo precolombino como herramienta del discurso latinoamericanista en los años setenta.

SUESCÚN POZAS, María del Carmen. Los museos de Arte Moderno y la reconfiguración de lo local a través de lo foráneo: Transformando a Colombia en un País" abierto". Memoria y Sociedad, v. 3, n. 6, p. 135-142, 1999.

TAGÜEÑA, Julia. Los museos latinoamericanos de ciencia y la equidad Latin American science museums and equity. História, Ciencias, Saúde–Manguinhos, v. 12, p. 419-27, 2005.

VIÑUALES, Rodrigo Gutiérrez. Museos y espacios para el arte contemporáneo en Buenos Aires. Notas de actualidad. In: Museología crítica y arte contemporáneo. Prensas Universitarias de Zaragoza, 2003. p. 351-373.