UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA
ECI 271 - PESQUISA HISTÓRICA EM MUSEUS
Professor: Luiz Henrique Assis Garcia
Discente: Beatriz Fonseca Lemos Magalhaes, Clara Helena Moreira Aki, Izzadora Bethonico Aragão Araújo, Julia Mattos Paim, Viviane Janine Lucio Francisco, Zaya Silva Andrade
2026
A História do Techno em Belo Horizonte
METODOLOGIA
A pesquisa foi realizada a partir da análise bibliográfica de artigos e matérias online que estabeleceram o suporte teórico necessário para o entendimento da trajetória do techno desde seu surgimento no mundo até a sua chegada no Brasil. Com base nas leituras, foi possível traçar um denominador em comum do movimento do techno que se apresenta como um ato de resistência sociopolítica, possibilitando a formulação da temática trabalhada na pesquisa.
Por isso, é importante enfatizar que os termos e conceitos utilizados no presente trabalho fazem parte do vocabulário da bibliografia, que, por sua vez, fornece um conteúdo que direciona o leitor à uma análise sociológica que não se aprofunda nas especificidades musicais. Dessa maneira, a palavra “techno” é aqui entendida como corpo social e movimento político de expressão de comunidades e indivíduos marginalizados e/ou vulnerabilizados que reivindicam o direito aos espaços urbanos por meio da experimentação da música eletrônica.
DESENVOLVIMENTO
Para começar a discussão da pesquisa, faz-se necessário pontuar a origem do techno enquanto movimento, bem como sua relação com crises políticas e econômicas. Ele surge no início da década de 1980, em Detroit, quando a cidade passava por uma profunda crise econômica, em função do declínio da indústria automobilística. Assim, fábricas foram abandonadas, deixando espaços vazios e ambientes sombrios na cidade. Esses ambientes vazios serviram como estímulo criativo para as comunidades afrodescendentes e queers de Detroit, que começaram a experimentar os sons, com batidas metálicas e sintetizadores, inspirados também por outros gêneros musicais como Funk e Soul, surgindo, então, uma nova expressão musical: o techno. Nesse sentido, considerando as tensões que assolavam a geopolítica mundial, o techno, que se mostrava uma válvula de escape pelo frenesi do som e uma reivindicação da juventude às mazelas políticas, espalhou-se e deixou de fazer parte somente da cultura afro-americana, alcançando a Europa e também a América do Sul.
Sob essa perspectiva, na metade da década de 1980, essa nova forma de expressão da música eletrônica, chega a Europeu, mais especificamente Reino Unido e Ibiza, onde o som assume uma nova forma: a Acid House. A Acid House é um subgênero da house music, que iniciou-se em Chicago e que utilizava o sintetizador Roland TB-303 para criar timbres graves, “ácidos” e repetitivos. Assim, começaram as primeiras raves do Reino Unido, que, impulsionadas pela música Acid House, aconteciam de forma clandestina e uniam a música eletrônica ao uso de ecstasy. Novamente, diante de uma forte repressão sociopolítica, no auge do conservadorismo do governo Thatcher, a juventude britânica daquela época encontrou nas raves uma oportunidade de expressão da liberdade, outrora privada. Depois, o techno chega em Berlim e ascende em popularidade após a queda do muro, em 1989, sendo transformado outra vez e marcado pelos graves profundos e pela sonoridade industrial e sombria que se manifesta ainda no techno berlinense atual. O som “fechado” e introspectivo do techno de Berlim, reconhecido, inclusive, como patrimônio imaterial pela Unesco, se deu provavelmente pelo comportamento recluso e frio da juventude alemã do final do século XX.
Finalmente, ainda antes da ascensão do techno em Berlim, a Acid House chega do Reino Unido à cidade de Belo Horizonte, em 1988, por meio do bar The Great Brazilian Disaster; O bar, hoje extinto, foi idealizado por algumas figuras marcantes da cena noturna de BH da década de 1980 e por um dj, o Mr. Acid e o empresário Marcos Relli, que trouxeram discos de música do exterior e decidem introduzir a Acid House aos sets de música da casa noturna. A partir da década de 80 diversos clubs surgiram em BH, como o Deputamadre, a boate mais longeva de música eletrônica da cidade. No entanto, os clubs não contemplavam a diversidade que deu origem à cena, devido a elitização dos espaços. Dessa forma, em meados da década de 2010, festas e coletivos de techno surgiram como forma de resistência a essa elitização e exclusão de grupos sociais. Coletivos como Masterplano e 101Ø, por exemplo, ao realizarem festas em ruas, galpões, estacionamentos, viadutos e prédios abandonados, transformam temporariamente esses locais em espaços de convivência, arte e liberdade. Além disso, nota-se que o público dessas festas é composto majoritariamente por grupos historicamente marginalizados ou dissidentes - especialmente pessoas LGBTQIAP+, artistas independentes, jovens periféricos e sujeitos ligados à cultura underground - que encontram nessas experiências coletivas formas de acolhimento e expressão identitária.
CONCLUSÃO
Diante dessa discussão, é possível concluir que a ocupação da cidade pela música, pela dança e pela experiência festiva do techno pode ser interpretada como uma disputa simbólica pelo direito à cidade e pela celebração de corpos e identidades marcados pela exclusão social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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interessante demais ver como bh
ResponderExcluirestá inserida nesse contexto. O trabalho foi super original