terça-feira, 30 de junho de 2026

Da janela lateral: a inclusão possível

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Escola de Ciências da Informação - ECI Curso: Museologia - Disciplina: Pesquisa Histórica em Museus

Professor: Luiz Henrique Assis Garcia Aluna: Fabíola Moreira Neves



Da janela lateral: a inclusão possível


Pesquisa e vivência da Arte urbana presente em edifícios, arte essa observada através das janelas do transporte público por pessoa com mobilidade reduzida.

Pesquisa individual realizada por discente com mobilidade reduzida, no transporte público em Belo Horizonte, registrando imagens do Projeto CURA no trajeto diário entre a minha  residência e a UFMG, nos trajetos de ida e volta.


Vislumbrar Belo Horizonte como um museu a céu aberto. Não  se paga para ver fachadas de prédios históricos, murais artísticos,  arte urbana e mesmo arquitetura moderna e contemporânea presentes nas ruas do centro da cidade.

Como não foi possível para mim participar de um grupo de trabalho coletivo, realizei individualmente as pesquisas e elaboração deste artigo.

Minha ideia inicial seria analisar e comparar os murais do Projeto CURA com outras artes urbanas distribuídas pelo trajeto dos ônibus que utilizo para chegar à UFMG. No decorrer da pesquisa decidi analisar somente do ponto de vista dos murais do CURA. 

O Projeto CURA - Circuito Urbano de Arte, foi criado no ano de 2017 por artistas mulheres e busca a democratização da arte. Se definem como “arte pública em movimento”. 

O título “Da janela lateral:a inclusão possível”, faz alusão ao fato de que pessoas com mobilidade reduzida como eu, e que não têm a possibilidade de frequentar museus e galerias assiduamente, podem sim ter acesso à arte através do treino do olhar aproveitando as viagens de coletivos urbanos, diariamente ou não, para observar as artes em grafite e pinturas murais, em especial do Projeto CURA. Também de determinados pontos de ônibus podemos admirar as artes nos prédios no centro de Belo Horizonte.

Mesmo sendo uma experiência de cunho subjetivo, me interessei em realizar entrevistas informais com pessoas no interior dos coletivos e nos pontos de embarque. Foram doze entrevistas entre homens e mulheres. Desse grupo, somente duas pessoas não haviam notado os murais do CURA, ficando surpresas quando apontei para elas as artes. Nas demais entrevistas, todos já haviam percebido e admirado as artes, mas nenhuma dessas pessoas tinha conhecimento do Projeto CURA. Esse desconhecimento sobre a origem das artes não evitou que os entrevistados admirassem os murais pintados nas laterais (empena cega) dos prédios tanto como  passageiros sede coletivos e carros de passeio ou como pedestres circulando pelo centro de Belo Horizonte.

Em minhas observações optei por não pesquisar os autores das artes fotografadas pois, para mim, a arte fala ao coração. O artista urbano pode, muitas vezes, ser invisibilidade, mas a sua arte não. Ela fala à mente e ao coração e deixa uma semente de esperança.

Observação: as fotos dos murais foram tiradas do interior e dos pontos de embarque de quatro linhas diversas de ônibus e, por esse motivo, algumas artes se repetem por terem sido fotografadas de ângulos e de ônibus diversos.


Referências:

MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. O museu na cidade/a cidade no museu: para uma abordagem histórica dos museus de cidade. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 5, n. 8/9, p. 197-206, set/1984-abril/1985.

Projeto CURA - Circuito Urbano de Arte. Site: https://www.cura.art/sobre-n%C3%B3s Acesso em 04/06/2026.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. Muito além do espaço: por uma história cultural do urbano. Estudos Históricos. Rio de Janeiro. V. 8, n° 16, 1995. pp. 279-290.


GALERIA - ALGUMAS ARTES - CURA BH
















Registro fotográfico realizado por Fabíola Moreira Neves do interior dos ônibus e nos pontos de embarque para os coletivos no centro de Belo Horizonte.

Fotos: arquivo pessoal da discente autora deste trabalho. 


Um comentário:

  1. muito original e importante esse tema, inclusive mostra maneiras alternativas de viver a cidade

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