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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Entre Memórias e Córregos: uma intervenção museológica no Museu Histórico Abílio Barreto

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA
MUSEOLOGIA II
LUIZ HENRIQUE ASSIS GARCIA
FUNÇÃO SOCIAL DOS MUSEUS
DENISE GUIMARÃES FERREIRA
CARLOS HENRIQUE NUNES
RAFAEL DE OLIVEIRA
MADISON ALEX MARTINS SILVA
BELO HORIZONTE, MG
NOVEMBRO DE 2025

Entre Memórias e Córregos: uma intervenção museológica no Museu Histórico Abílio
Barreto

 
O Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) abriu suas portas e sobretudo sua escuta para
receber uma ação museológica desenvolvida pelos estudantes do terceiro período do curso de
Museologia, numa parceria que reforça o vínculo entre formação profissional, instituições de
memória e a comunidade que as circunda. Sob coordenação de Ana Portugal, o museu
acolheu com entusiasmo a proposta acadêmica orientada pelo professor Luiz Henrique Assis
Garcia, consolidando um espaço de intercâmbio entre saberes, práticas e experiências.
A intervenção, realizada no mês de novembro e integrada à exposição de longa duração
“Belo Horizonte fora dos planos”, buscou reacender discussões sobre o Córrego do Leitão,
um dos importantes cursos d’água que marcaram não apenas a geografia, mas também o
cotidiano e a história afetiva de Belo Horizonte. Hoje quase invisível sob o asfalto da
Avenida Prudente de Morais, o córrego tornou-se ponto de partida para um diálogo mais
amplo sobre urbanização, memória e diálogo da população.



O processo de pesquisa e a construção da intervenção

Para desenvolver o trabalho, o grupo de estudantes realizou uma pesquisa que confrontou
imagens históricas e registros fotográficos contemporâneos, criando uma linha do tempo
visual capaz de evidenciar as transformações do território. Este procedimento, comum à
metodologia museológica, trouxe à tona questões sobre o planejamento urbano de Belo
Horizonte e suas consequências sociais, ambientais e culturais. Afinal, que cidade foi
projetada? Que cidade emergiu? E que cidade ainda desejamos construir?
Além disso, foram realizadas entrevistas com moradores que vivenciaram o período da
canalização do Córrego do Leitão. Muitos relataram a presença da água correndo a céu
aberto, as brincadeiras infantis, as dinâmicas dos bairros vizinhos e, sobretudo, o impacto das
obras que alteraram a paisagem de forma definitiva. Esses depoimentos constituíram um
patrimônio imaterial valioso, capaz de conectar diferentes gerações ao mesmo espaço urbano.
Todo esse conteúdo foi reunido em uma página digital acessível através de um QR Code
instalado no saguão do museu. Durante os meses de novembro e dezembro, visitantes podem
escanear o código e navegar pelos materiais da pesquisa, fotografias comparativas, relatos e
reflexões, ampliando sua compreensão sobre a cidade e sobre os elementos que se ocultam
sob sua superfície.


 

Link para o site: https://corregodoleitao.my.canva.site/inicio/

A Roda de Conversa: ativando o museu como espaço vivo
O ponto alto da intervenção ocorreu no dia 8 de novembro, quando foi realizada uma Roda de
Conversa aberta ao público. Estudantes, moradores, visitantes e equipe do museu se reuniram
no saguão para trocar percepções, lembranças e inquietações sobre as mudanças urbanas que
moldaram o bairro e o próprio córrego.
A dinâmica da conversa mostrou como o museu pode funcionar como um espaço de encontro
e escuta, no qual diferentes vozes se articulam para pensar a cidade. As falas revelaram não
apenas informações, mas afetos: histórias familiares, lembranças da infância, críticas ao
processo de urbanização e reflexões sobre como a população pode participar das discussões
que impactam seu cotidiano.


Para muitos participantes, a sensação era de reencontro com um passado que ainda vive,
mesmo que soterrado pelas camadas de concreto. Para outros, especialmente os mais jovens,
tratou-se de um primeiro contato com uma dimensão histórica da cidade que raramente
aparece nos discursos oficiais.

Impactos e reflexões sobre a função social do museu
A experiência demonstrou como ações museológicas simples, porém bem estruturadas,
podem ativar a função social dos museus: promover o diálogo, estimular a consciência crítica
e valorizar memórias que pertencem à coletividade. O Museu Abílio Barreto, ao acolher esse
projeto, reafirmou seu papel como instituição que não apenas preserva a história de Belo
Horizonte, mas também cria pontes entre passado e presente.
O museu, neste caso, funcionou como catalisador de debates e como território de
convivência. Em uma cidade marcada por intensas transformações urbanas, pensar o espaço
público, os cursos d’água, a memória e a participação cidadã é fundamental para construir
formas de pertencimento e responsabilidade coletiva.


A intervenção, assim, extrapolou o âmbito acadêmico. Tornou-se um exercício de escuta e
diálogo, trazendo à tona a importância de se compreender que a história da cidade não está
restrita aos livros ou às vitrines das exposições lá está também escondida nos córregos
canalizados, nas lembranças de quem os viu correr e nas possibilidades de futuro que ainda
podemos imaginar.

CENTRO DE MEMÓRIA E DOCUMENTAÇÃO MANOEL HYGINO DOS SANTOS [Santa Casa]

UFMG - ECI - Curso de Museologia

MUSEOLOGIA II 

Prof.: Luiz H. Garcia

Grupo: Beatriz Fonseca, Clara, Julia, Karen, Viviane e Zaya.


CENTRO DE MEMÓRIA E DOCUMENTAÇÃO MANOEL HYGINO DOS SANTOS

Centro de Memória Santa Casa da Misericórdia


O Centro de Memória e Documentação Manoel Hygino dos Santos é o espaço responsável por salvaguardar a história da Santa Casa de Belo Horizonte , além de promover ações culturais, educativas e de preservação.

Reconhecido pelo Ibram

Espaço com temática Ciências Exatas, da Terra, Biológicas e da Saúde

Possui plano museológico

Participa de eventos museológicos que ocorrem em Belo Horizonte


___________________________________________________________________________

ROTEIRO


Você conhece… O Centro de Memória da Santa Casa?


Também conhecido como Centro de Memória e Documentação Manoel Hygino dos Santos, o Centro de Memória da Santa Casa é um espaço que propaga os anos de história do Hospital Santa Casa, localizado na área hospitalar de Belo Horizonte, onde também está situado o Centro de Memória da instituição.


A Santa Casa da Misericórdia é a instituição médica mais antiga de BH, sendo inaugurada juntamente com a cidade, em 1897.


São 127 anos de uma história que merece ser conhecida e reconhecida pela população belorizontina e que é honrosamente reavivada pelo Centro de Memória e Documentação Manoel Hygino dos Santos.


O Centro de Memória é localizado na Antiga Maternidade Hilda Brandão, prédio inaugurado em 1916 e a primeira maternidade de Belo Horizonte. A antiga maternidade é tombada pelo IEPHA-MG (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), que reconhece sua importância devido a sua arquitetura e seu valor histórico-médico. Além do Centro de Memória, na Antiga Maternidade também funcionam a provedoria, a diretoria e os setores administrativos da Santa Casa BH.

 

Exemplar do folder proposto: 




Exposição – Teatro FELUMA / Centro de Memória da Faculdade Ciências Médicas

 Exposição – Teatro FELUMA



 

Como graduandas do curso de Museologia pela Universidade Federal de Minas gerais (UFMG), nos foi proposto na disciplina Museologia II, escolher uma instituição para a fazermos um projeto de intervenção, como uma das integrantes do grupo faz estágio na Faculdade Ciências Médicas a escolhemos para este trabalho. O grupo é composto pelas seguintes alunas do 3º período da graduação:

Helena Costa Vilela Cecilio; Jaqueline dos Santos Alves; Sofia Fernandes de Abreu Penido; Rebeca Dias Alves.

A escolha da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais como foco para nossa proposta inicial, nos deu liberdade para iniciar a delinear o que gostaríamos de fazer. Inicialmente visamos fazer um estudo de público, analisar o perfil dos visitantes buscando melhorias no Centro de memória, tanto na exposição como nas mediações que são ministradas. Entretanto, esse tipo de pesquisa/avaliação já é realizada pelas instituições Feluma, assim, optamos por um caminho diferente.

Após analisar a CPA e os comentários feitos ao Centro de Memória, um se destacou, já que o denominava como “um lugar morto”, o que na visão dos que vivem cercados de história não fazia sentido, a memória representa a vida, o acervo carrega a vida de muitas pessoas que auxiliaram na estruturação da faculdade e da própria medicina mineira. Portanto, com o desejo de levar toda essa vida que enxergamos no interior da exposição e da Reserva Técnica, decidimos que a nossa intervenção social e missão, seria externalizar e resignificar esse acervo para os alunos, colaboradores e visitantes da Fcmmg.



Todos os cursos representados através do acervo do Centro de Memória:

 

Medicina

Fisioterapia

Enfermagem

Psicologia

Odontologia

Fonoaudiologia

- Laboratório Portátil de Urina

(Exposição)

- Aparelho Coluna Cervical

(Armário entrada)

- Pote de Algodão

(Exposição)

- Livro de Diagnósticos

(?)

- Conjunto 5º Cúpula

(CM Odonto)

- Audiômetro 

(Exposição)

- Caixa com equipamentos de Otorrino

- Bolsas Quentes

(Armário Entrada)

- Seringas e Agulhas 

(Reserva Técnica)


- Casinha de Boneca 

(Reserva Técnica)

- Livros 

(CM Odonto)

- Orelha ou Laringe; (Modelo Anatômico)

- Estojo de Ampolas

(Caixa A4h)

- Ultrassom

(Armário Entrada)

- Talas de madeira 

(Reserva Técnica)

- Família Terapêutica

(Exposição) 

- Tampo e pia 

(Reserva Técnica)


  

TOTAL: 17 Itens do Acervo e 2 Itens anatômicos sintéticos (empréstimo pendente).
 

Com o auxílio do nosso Professor Luiz Henrique Assis Garcia e da Museóloga Paola Andrezza Bessa Cunha, conseguimos entrar em contato com os participantes/supervisores do Instituto Cultural Ciências Médicas e apresentar nossa proposta. A exposição de curta duração: De Volta Para o Futuro Ciências Médicas, teria como objetivo principal mostrar a evolução nos modos de se praticar e aprender dos cursos oferecidos pela faculdade. O acervo selecionado seria separado em 6 cúpulas, emprestadas do Centro de Memória do Campus II da Fcmmg, utilizando cada uma delas para representar os respectivos cursos de Medicina, Fisioterapia, Enfermagem, Psicologia, Odontologia e Fonoaudiologia.

Os expositores seriam transferidos até o Foyer do Teatro Feluma e organizados na parede lateral, em frente às paredes de vidro. As legendas seriam feitas através de um sistema de enumeração, em que se posiciona o número à frente do objeto e na cúpula a legenda completa sobre seu nome, época, curso e utilidade, para que assim não houvesse uma poluição visual. À frente de tudo, no início da exposição haveria um Banner para contextualizar os visitantes sobre tudo.

No período que a exposição estivesse disponível deixaríamos uma urna para que os visitantes pudessem expressar sua opinião, além de sugerir para que visitassem ao Centro de Memória (localizado no primeiro andar da instituição). Com o auxílio da planilha de visitantes, já utilizada no CM, e a urna, faríamos a análise para ver se o projeto atingiu seu objetivo de trazer mais pessoas para dentro do Centro de Memória e formar esse vínculo com o passado, entendendo a participação deles nessa história. Toda essa pesquisa seria disponibilizada à Fcmmg.

Gostaríamos de transmitir que um dia tudo que a Faculdade possui no acervo, já foi o cotidiano de muitos alunos e profissionais, e fazer com que percebam como hoje constroem a história que será admirada pelos futuros alunos, colaboradores, visitantes e familiares. A memória se torna viva quando se tem a oportunidade de participar dela e é perpetuada por aqueles que a admiram.


Casa do Baile: preenchendo o espaço em branco

 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA
DISC.: MUSEOLOGIA II 

PROF. LUIZ HENRIQUE ASSIS GARCIA

CURSANTES: ANA SOPHIA NUNES SILVA, FERNANDA VEIGA DIAS, KETTY MARA GOMES, LAISA DANIELLA XAVIER DA CUNHA, MARIANA HELLEN DE JESUS, RENATA CABRAL MORAES

BELO HORIZONTE, 2025

Casa do Baile: preenchendo o espaço em branco


INTRODUÇÃO


A Casa do Baile, projetada por Oscar Niemeyer e inaugurada em 1942, integra o conjunto arquitetônico da Pampulha e chama atenção pela leveza das curvas e pela relação com a lagoa. Ao longo do tempo, o espaço ganhou diferentes usos e hoje continua despertando curiosidade em quem passa pela orla, seja para visitar a exposição, descansar ou apenas observar a paisagem. Estudos sobre a Casa do Baile destacam justamente essa variedade de percepções, mostrando como a arquitetura moderna se combina com experiências afetivas e espontâneas dos visitantes, que se apropriam de diferentes formas do edifício. Essa ideia serviu como ponto de partida para pensarmos nossa proposta de intervenção.




PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NA CASA DO BAILE

A intervenção “Casa do Baile: Preencha o Espaço em Branco” nasceu do desejo de criar um momento de escuta dentro da própria visita. Queríamos oferecer ao público a chance de se expressar livremente, registrando sensações, críticas, lembranças ou interpretações pessoais sobre o espaço, ou seja, algo que fosse simples, mas que colocasse o visitante no centro da experiência. Nosso objetivo principal era compreender como diferentes pessoas constroem significado para o lugar e de que forma a Casa do Baile é vivida.

Para isso, no dia 7 de novembro de 2025, realizamos a ação na entrada da Casa, próximo à saída da mostra. À medida que as pessoas finalizavam a visita, nós as abordávamos e entregávamos um pequeno bloco de notas e uma caneta. O convite era direto e aberto: escrever ou desenhar qualquer impressão que a passagem pela Casa do Baile tivesse despertado. Não havia perguntas orientadoras nem expectativa de resposta específica, a proposta era justamente permitir que cada pessoa preenchesse o espaço em branco a partir de sua própria vivência.





ANÁLISE DAS RESPOSTAS

As mensagens recolhidas mostram como a Casa do Baile é percebida de formas múltiplas e afetivas. Algumas respostas revelam encantamento pela paisagem e pela arquitetura, outras apontam questões de uso, horário de funcionamento ou sensação de pouca ocupação do espaço. Aparecem também lembranças pessoais, memórias familiares e comentários sobre a exposição visitada. Entre as respostas, destacam-se:

“Bela obra arquitetônica, mas o espaço é mal utilizado.”


“A Casa do Baile lembra minha família.”


“Gostei da história do lugar.”


“Entrei para usar o banheiro, mas o lugar é bonito.”


“A experiência que eu mais gostei foi de tocar nos livros.”


“Uma experiência fantástica. Eu e minha família sempre viemos ver essa obra de arte.”


 






CONSIDERAÇÕES FINAIS


A intervenção mostrou que gestos simples de escuta podem fortalecer a relação entre visitante e instituição. Ao convidar as pessoas a deixarem suas impressões, abrimos um espaço de diálogo que complementa a mediação tradicional e aproxima o público do patrimônio. Afinal, a Casa do Baile não é apenas um ícone arquitetônico, é um lugar que ganha sentido a partir das pessoas que passam por ele todos os dias.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SOUZA, Carolina Pimentel; TAMEIRÃO, Daniela; FARIA JUNIOR, Evandro José; MACHADO, Giovanna Maria de Paula; MELO, Thays Lucas de. Que lugar é esse? Visitas espontâneas e seu público na Casa do Baile. In: Museus, Educação e Território: experiências educativas na Pampulha. Belo Horizonte: Fundação Municipal de Cultura; Instituto Lumiar, 2024. p. 121-125.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

A Escola de Ciências da Informação como objeto de memória

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Graduação em Museologia
Função social dos Museus.
Prof. Luiz Henrique Assis


Alunos: Frederico Augusto João B.M.S.
Gabriela Guerra Fortunato
Lorena Eduarda da Silva Luz
Lorena Gonçalves Moreira




A Escola de Ciências da Informação como objeto de memória





Belo Horizonte, 13 de Novembro de 2024


Introdução

A Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) possui uma rica história de 75 anos, marcada por transformações e memórias que refletem não apenas o desenvolvimento da instituição, mas também a experiência coletiva dos que a frequentam. Nosso grupo propõe uma intervenção focada em preservar e destacar as memórias afetivas ligadas ao prédio, reconhecendo seu valor como patrimônio tombado e seu potencial como objeto de memória coletiva.


Ao utilizarmos o prédio da Escola de Ciência da Informação como objeto de memória, buscamos enfatizar a função social da museologia de resgatar e valorizar as experiências e narrativas da comunidade. Ao criar uma intervenção de memória afetiva, queremos promover o engajamento da comunidade acadêmica com o espaço e ressignificar o prédio como um ‘museu vivo’ que abriga lembranças e histórias coletivas, transformando o prédio em um "objeto de memória", refletindo sobre seu passado e as mudanças que sofreu ao longo do tempo


As etapas consistiram em:


Coleta de depoimentos: Conduzir entrevistas presenciais ou virtuais com membros da comunidade acadêmica (alunos, professores, funcionários, ex-alunos) para capturar histórias e experiências afetivas relacionadas ao prédio.


Mapeamento Temático: Organizar os depoimentos em categorias como “Primeiras Impressões”, “Mudanças ao Longo do Tempo”, “Eventos Marcantes” e “Lugares Memoráveis”.


Seleção dos Espaços: Identificar locais específicos do prédio para a instalação dos relatos de acordo com o conteúdo de cada um, criando uma ligação entre a memória e o espaço físico.


Montagem: Posicionamos os murais de memória e interativos para que os visitantes pudessem interagir adicionando suas próprias memórias.

A intervenção foi organizada em pontos estratégicos das escolas, com cada relato sendo feito em locais relevantes e simbólicos, criando uma conexão entre a memória relatada e o espaço onde ocorreu. Os depoimentos foram disponibilizados em murais colaborativos nos corredores da ECI e FAFICH nos dias 04 e 11 de Novembro. O público alvo foram os servidores que atuam trabalhando diariamente no prédio da Escola de Ciências da Informação, alunos graduandos (prioritariamente museologia) e frequentadores diários que passam pelo local selecionado.


As perguntas para a intervenção:


1- Que sensação o prédio da ECI te passa?

2- Me fala uma memória, uma história que ficou marcada pra você que aconteceu no prédio da ECI?

3- O que você pensou quando pisou a primeira vez no prédio da ECI?

4- Porque você gosta do Prédio da ECI?

5- O que o Prédio da ECI te faz refletir?


Respostas obtidas


Um exemplo das respostas obtidas foi do seguinte estudante da UFMG do prédio Belas Artes:


1- Sensação de calma;

2- O dia que fui ver os gatinhos;

3- Gostei das plantinhas descendo nos andares;

4- Porque é bem arborizado e ventilado;

5- O convívio com a natureza.


Outra resposta obtida de um estudante da Faculdade de Letras foi:


1- Paz e quietude.

2- Eu ter ficado lendo no ECI até dar o horário de ir embora.

3- Que ele parece um cenário de ficção científica.

4- Porque ele não tem poluição visual e é pouco movimentado.

5- Que os outros prédios deveriam ser como ele.


Conclusão

Após entrevistar profissionais da ECI, estudantes da Belas Artes, Faculdade de Letras, Instituto de ciências exatas, Faculdade de veterinária, Faculdade de Ciências Humanas e demais departamentos concluímos que a divulgação e a lembranças das memórias afetivas em relação ao prédio da ECI são latentes. Grande parte do público se sente acolhida e deseja compartilhar o sentimento de calma com os outros alunos, servidores e transeuntes da ECI, tornando um ambiente que é ideal para criar novas memórias e descansar no tempo livre.

O edifício da ECI, portanto, não é apenas um espaço físico destinado ao aprendizado ou ao trabalho acadêmico; ele carrega uma carga simbólica e afetiva que, ao longo do tempo, vai se transformando e se fortalecendo. Para muitos, esse é um local que transcende a função estritamente institucional e vínculo com a UFMG. Ele se tornou um lugar de convivência, de pausas para o descanso mental, mas também de partilha e interação, criando uma rede de relações que ultrapassa as fronteiras do campus. Portanto, é fundamental que a universidade, os responsáveis pela gestão dos espaços acadêmicos e os alunos reconheçam essa relação afetiva com o prédio da ECI, não apenas como um símbolo de história e tradição, mas como um ativo que promove o bem-estar e a coesão social.

A ECI não é apenas um prédio: ela é um lugar de vivência, de expressão e de reflexão, onde as memórias construídas são parte de uma história maior que se renova constantemente, mantendo viva a identidade do campus e a conexão entre as pessoas que o habitam.





Bordado Livre


Universidade Federal de Minas Gerais
Faculdade de Museologia
Função Social dos Museus
Docente: Luiz Henrique Assis Garcia
Discentes: Aparecida Milena Rocha, Kamila Ferreira, Monaliza Melo, Sofia de Carvalho, Vitor Santos


Bordado Livre



Belo Horizonte, 21 de novembro de 2024


Introdução

A oficina “Bordado Livre”, que ocorreu no dia 01 de Novembro de 2024, se desenvolveu a partir de uma exposição realizada pelo Centro de Memória da Educação de Contagem baseada no projeto da professora Rosana Araújo, que tinha como objetivo ensinar mulheres idosas a bordar. A exposição em si mantinha o foco na história e percurso da professora, do projeto, além da ancestralidade e o saber-fazer do bordado.

Professora Rosana durante a oficina - Fotografia: Kamilla Ferreira



Para a realização da oficina, foi mantido a ideia principal de tentar manter a intimidade trazida nas aulas do projeto, onde as alunas sentavam em círculo e podiam compartilhar histórias e experiências sobre a prática, e pelo ato de bordar em si, pois, sabendo que os participantes da oficina seriam trabalhadores da Secretaria de Educação de Contagem, onde o Centro de Memória se encontra, a intervenção surge como uma nova forma de interação com o espaço, que também é um ambiente de trabalho, com o Centro de Memória e com a exposição.


Desenvolvimento

Dessa forma, a oficina ocorreu durante aproximadamente 2 horas no refeitório da Secretaria, sendo organizada em conjunto com o Centro de Memória da Educação de Contagem, com o limite de 20 participantes. A professora Rosana disponibilizou material próprio para o desenvolvimento da oficina, com intuito de ensinar dois pontos básicos de bordados aos participantes. Como resultado da oficina, seria produzida uma manta de “retalhos” com as obras feitas pelos participantes.

Por fim, a oficina ocorreu de forma onde foi possível manter uma energia intimista com bastante conversa entre os participantes e a professora, sendo estas mais focadas na relação das mesmas com o bordado, resgatando memórias de parentes que também bordavam e outros aspectos.

Posteriormente à oficina, foi realizada uma pequena entrevista com alguns dos participantes a fim de saber qual foi o impacto da oficina. Uma das participantes comentou como seria difícil, em seu dia a dia, conseguir tempo para aprender algo na área e que essa teria sido uma ótima oportunidade para isso. Isso pode mostrar uma ressignificação do espaço de exposição que, por estar dentro da Secretaria, acaba recebendo mais visitas de seus próprios trabalhadores e, através da oficina, pode servir como um tipo de escapatória para arriscar um tipo de arte nova ou apenas ter um momento bom, como apontado por algumas, mesmo em ambiente de trabalho.

 

Participantes da oficina - Fotografia: Kamilla Ferreira


Conclusão


A arte da costura e bordado são íntimas e todo, desde as mãos ao material usado, assim como o lugar e companhia que é feito significam muito no processo. Ertzogue, em seu texto “Quando o Bordado e a Memória se Entrelaçam”, nos diz sobre o processo de produção de arpilleras feitas por mulheres durante o regime de Pinochet que “é no modo de costurar que a memórias e a oralidade se entrelaça, pois nas oficinas onde produziam uma peça coletiva, elas compartilhavam histórias de vida” (p.106), uma situação que também pode ser observada no caso apresentado, porém em situação bem mais feliz.


Referencias:

ERTZOGUE, M. H. Quando o bordado e a memória se entrelaçam: imagem e oralidade em Arpilleras amazônicas. História Revista, Goiânia, v. 23, n. 3, p. 104–120, 2019. DOI: 10.5216/hr.v23i3.51464. Disponível em:https://revistas.ufg.br/historia/article/view/51464. Acesso em: 20 nov. 2024.

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM CENTROS DE MEMÓRIA DA JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARA DISCUTIR A DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA

 
Universidade Federal de Minas Gerais

Escola da Ciência e da Informação

Disciplina: Função Social dos Museus

Professor: Luiz Henrique Assis Garcia

Aluno(a): Alessandro De Oliveira Rezende, Camila Amanda Moreira Baldassini, Isabela Taylor Santos, Luciana Almeida Tonholli, Maria Moreira Rodrigues


RODA DE CONVERSA


PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM CENTROS DE MEMÓRIA DA JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARA DISCUTIR A DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA


Os museus e centros de memória possuem uma função social fundamental: preservar o patrimônio cultural e histórico, além de promover a democratização do conhecimento. No âmbito das instituições de Justiça, esses espaços se tornam ferramentas valiosas para conscientizar a sociedade sobre seus direitos e aproximá-la do sistema judiciário.




No contexto de um projeto acadêmico da disciplina Função Social dos Museus, do curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi proposta uma intervenção educativa nos centros de memória das instituições de Justiça de Minas Gerais. O objetivo foi discutir como esses espaços podem contribuir para a democratização do acesso à justiça e aproximar a população dos valores e práticas judiciais.


A pesquisa abrangeu várias instituições da Justiça de Minas Gerais. Destacam-se:


Centro de Memória da Justiça Eleitoral: Focado em processos eleitorais e sua evolução. Contato: smemo@tre-mg.jus.br.

Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho: Resgata a história de conflitos trabalhistas e sua resolução. Contato: memoria@trt3.jus.br.


Embora esses espaços tenham grande potencial, foram identificadas dificuldades, como falta de organização e limitações no acesso, que impactam negativamente sua capacidade de engajamento público.


Roda de Conversa com Estudantes


Como parte da intervenção, foram organizadas rodas de conversa com estudantes de Direito, visando discutir a relevância dos centros de memória para a democratização do acesso à justiça. O diálogo foi enriquecido por visitas a centros de memória, onde se analisaram os seguintes pontos:


Importância dos espaços de memória para a formação cidadã.
Desafios para torná-los mais acessíveis e participativos.
Contribuições para o aprendizado sobre o sistema judiciário e seus serviços.





Resultados da Intervenção


As atividades mostraram que os centros de memória podem ser efetivos na educação sobre direitos e no fortalecimento da cidadania, especialmente ao informar sobre:


O papel da Defensoria Pública e dos juizados especiais no acesso à justiça.
Caminhos para acessar serviços jurídicos e compreender os processos judiciais.
No entanto, os estudantes ressaltaram que a falta de divulgação e algumas dificuldades estruturais prejudicam a visibilidade e o impacto desses espaços.


Conclusão

Os centros de memória das instituições de Justiça possuem um enorme potencial para promover o acesso à justiça e à educação cidadã. No entanto, é essencial superar desafios organizacionais e ampliar ações educativas, garantindo que esses espaços cumpram plenamente sua função social.


Sugestões de melhoria:

Aumentar a divulgação dos centros de memória.
Oferecer mais atividades interativas, como rodas de conversa e oficinas.
Estimular parcerias com instituições de ensino para engajar novos públicos.


Referências bibliográficas


A importância dos centros de memória para as instituições e para a sociedade. Disponível em: <https://www.itaucultural.org.br/a-importancia-dos-centros-de-memoria-para-as-instituicoes-e-para-a-sociedade>. Acesso em: 20 nov. 2024.

Acesso à Informação. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/transparencia-cnj/acesso-a-informacao>. Acesso em: 20 nov. 2024.

Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Disponível em: <https://www.tre-mg.jus.br/institucional/memoria-eleitoral/centro-de-memoria-TRE-MG>. Acesso em: 20 nov. 2024.

Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. Disponível em: <https://portal.trt3.jus.br/escola/institucional/centro-de-memoria>. Acesso em: 20 nov. 2024.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Democratizando o acesso à Justiça: 2022. Brasília: CNJ, 2022. Acesso em: 20 nov. 2024.

O Acervo Artístico da UFMG e sua função social



Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Ciências da Informação

Bacharelado em Museologia - Função Social dos Museus

Docente: Luiz Henrique Assis Garcia
 
 
Discentes: Alice Martins; Clarissa Tomasi; Helen Batista; Letícia Albuquerque; Rafael Pereira Santos e Suzane Rodrigues Brito

O Acervo Artístico da UFMG e sua função social

O intuito dessa atividade é traçar uma discussão com um grupo de pessoas que frequentam o campus Pampulha da UFMG, e que, em teoria, têm contato com as obras do Acervo Artístico da UFMG (AAUFMG) que estão em espaços externos. A proposta está em abordar os usos e percepções atuais dessas obras, como ocorre o contato do público com esse acervo, sobre as dificuldades atuais e necessidades de acessibilidade, e quais seriam as propostas ideais de usos e atividades para esses objetos, em consonância com uma visão social do patrimônio e da arte, onde estes, em conjunto com os museus e demais instituições culturais, devem atuar de forma ativa e conjunta com a sociedade. Para isso, foram selecionadas 15 obras, entre painéis e esculturas, e suas imagens foram impressas, juntamente com um mapa do campus Pampulha, para facilitar a identificação do local ao qual cada obra pertence. Foi proposto aplicar essa dinâmica com os discentes do 1º período do curso de museologia da UFMG, intencionando por adiantar uma abordagem social da museologia com esses estudantes.

Sobre o Acervo Artístico da UFMG

Trata-se de um acervo que se constituiu desde a formação da UFMG, em 1927, sendo composto por aproximadamente 1500 obras de arte de diferentes tipologias, datadas desde o século XVI até a atualidade. Foram adquiridas, em sua maioria, por meio de doação e se encontram espalhadas entre 33 prédios dos diferentes campi da UFMG e em locais externos aos prédios, no campus Pampulha.


A proposta

Foram elaborados um cronograma e um roteiro com perguntas norteadoras das discussões, embasadas nos textos e discussões da disciplina Função Social dos Museus. A atividade se iniciou com uma apresentação da dinâmica; a divisão da turma em 3 grupos, cada um recebendo um kit de imagens e um mapa. Com isso foram propostas perguntas sobre o reconhecimento das obras, sua possível localização, como aconteceu a descoberta dessas obras, se estas estão bem localizadas e possuem uma relação evidente com os prédios próximos ou deveriam estar em outras localidades. Após essa etapa, foi realizada uma explanação sobre o Acervo Artístico da UFMG, sua formação, usos dos acervos e disponibilização de informações, visando fornecer insumos para as discussões seguintes. Na sequência, foi proposto que os grupos conversassem sobre as formas como as obras são expostas atualmente e quais pontos seriam essenciais para uma melhor apreensão dessas para o público, assim como possíveis novas abordagens, apresentações desses objetos e a composição atual e futura desse acervo, os alunos foram convidados a escolherem uma única palavra para definir suas ideias.

Como ocorreu a dinâmica e impressões do grupo

Durante o andamento da dinâmica, percebeu-se que a maioria dos estudantes teve contato com pelo menos alguma das obras selecionadas, ainda que não tivesse conhecimento de todas elas, e suas localizações. Como o grupo era bastante heterogêneo - daí a escolha pelo 1º período - foi possível colher percepções distintas sobre a composição desse acervo. A atividade evidenciou a necessidade da gestão do AAUFMG ter mais ações que permitam à comunidade uma melhor fruição desse acervo, seja disponibilizando-o na sua totalidade de forma virtual, inserindo mais informações sobre as obras nos seus locais de exibição e, talvez o ponto mais significativo, estabelecer diretrizes mais democráticas e plurais na aquisição de novas obras. Palavras como “acessível, disponível, diverso, valorizado e digitalizado” apareceram como mote de “como esse acervo deveria ser”, em contraponto a palavras como “inacessível, omisso, elitizado, restrito, estático” apareceram quando perguntamos como esse acervo aparenta ser atualmente. Ao fim, foi possível perceber que ações, de certa forma simples, como ofertar mais informações sobre as obras, ou mesmo ações de divulgação, pavimentam um caminho de maior aproximação com o acervo como um todo. Entretanto, como desdobramento dessas ações, fica claro que a percepção e desejo do público por um acervo diverso, que retrate questões contemporâneas da arte da sociedade, bem como a reflexão sobre como grafites podem fazer parte desse acervo, são prementes e devem ser incorporadas pela gestão de modo que a comunidade possa se apropriar e estabelecer outros vínculos com o acervo artístico da UFMG.

 


 

                Seleção de obras para a dinâmica                              Mapa do campus Pampulha

 


Aplicação da dinâmica com os alunos do 1º período de museologia.


Bibliografia

ARANTES, A. A. Revitalização da capela de São Miguel Paulista, in: Produzindo o passado: estratégias de construção do patrimônio cultural. São Paulo: Brasiliense: CONDEPHAAT, 1984. 255p.

CURY, Marília Xavier et al. Repensar o museu e a museologia a partir da prática colaborativa com os povos indígenas: Entrevista com Marília Xavier Cury. MIDAS, [S. l.], ano 2024, n. 18, p. 1-1, 13 jun. 2024. Disponível em: <http://journals.openedition.org/midas/5097>. Acesso em: 6 nov. 2024.

UFMG. Sobre o Acervo Artístico da UFMG. Belo Horizonte, 2024. Disponível em: <https://acervos.ufmg.br/inweb/acervoartistico/termosCondicoes.aspx?&Lang=BR&&c=sobre&IPR=2192>. Acesso em: 6 nov. 2024.


segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Dedo de Prosa no Museu Histórico Abílio Barreto

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – ESCOLA DE CIÊNCIAS DA INFORMAÇÃO - GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA

DISCIPLINA FUNÇÃO SOCIAL DOS MUSEUS

TRABALHO FINAL – ALFREDO L. VIEIRA, DAISE G. CARVALHO, MARIA BEATRIZ M. SILVA, VITOR G. SANTOS

“DEDO DE PROSA” NO PARQUE DO MUSEU HISTÓRICO ABÍLIO BARRETO

1 - capa do trabalho


Para elaboração do trabalho final desta disciplina, consideramos que o museu, enquanto instituição, assume a função social de servir a sua comunidade, estabelecendo comunicação contínua com a mesma. Além disso, através de ações articuladas com o acervo, ele deve munir a sociedade de aparato representacional potente, capaz de projetar questões concernentes ao contexto daquelas pessoas, fazendo-as refletir sobre estruturas e processos presentes em suas próprias vidas. Podemos observar a importância deste processo através de um trecho da Mesa Redonda de Santiago que fala que o museu 

“pode contribuir para o engajamento destas comunidades na ação, situando suas atividades em um quadro histórico que permita esclarecer os problemas atuais, isto é, ligando o passado ao presente, engajando-se nas mudanças de estrutura em curso e provocando outras mudanças no interior de suas respectivas realidades nacionais.” (Mesa Redonda de Santiago, 1972)


Para explorar os efeitos que o museu exerce ao cumprir (ou não) sua função social, consideramos pertinente nos focar em um museu de cidade. O Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) foi inaugurado em 1943, com o objetivo de dedicar-se à produção e à difusão de conhecimento sobre a cidade de Belo Horizonte. Porém, esta pesquisa se foca muito menos no edifício sede ou no casarão da Fazenda do Leitão, e sim nos jardins do museu. Esses jardins, segundo descrição encontrada no site da Prefeitura de Belo Horizonte, foram concebidos para serem locais de educação e lazer. Certamente há uma programação cultural frequente nos jardins, e o museu possui acervo em sua área externa, porém algumas dúvidas permanecem: esses eventos convidam a população a desfrutar do museu como um todo? Os jardins são vistos apenas como espaços de entretenimento sem relação nenhuma com o MHAB? As pessoas que frequentam esse espaço estão cientes de que ele pertence ao conjunto arquitetônico e de funcionamento do museu? E como averiguar as noções que as pessoas têm a respeito do museu e de seus jardins?

Para realizarmos a proposta, nos dividimos em 2 duplas, e cada uma visitou o museu para realizar a pesquisa de campo em dias diferentes, a primeira dupla foi em um dia de semana, onde não havia muito movimento e as pessoas estavam menos acanhadas a interagirem com os entrevistadores, já a segunda dupla, foi em um domingo, onde especialmente, ocorreu a realização de um show no local. Neste dia, foi bem mais fácil a realização do trabalho, pois as pessoas estavam mais abertas para o diálogo (inclusive um dos entrevistadores tomou uma cerveja oferecida pelo entrevistado). Foram realizadas entrevistas bastante amistosas nesse dia, houve uma grande troca de experiências, principalmente por parte dos entrevistados, onde eles compartilharam diversos momentos e fatos de sua vida, que principalmente, se relacionavam com o museu. O clima amistoso estava mais que comprovado, pois ao longo das entrevistas as próprias pessoas que estavam passeando pelo local, estavam interagindo entre si, comentando sobre diversos assuntos, sendo eles, política, o museu, o cantor que se apresentou e etc.



2 - Visitantes do jardim do Museu Histórico Abílio Barreto e Casarão ao fundo


Já pelos resultados, podemos extrair algumas coisas interessantes, primeiro devemos observar a faixa etária dos entrevistados, que flutua em uma média entre os 35 e 60 anos (haviam algumas que tinham idades fora desse espectro). Outra coisa interessante a se notar é sobre o que as pessoas acham do local, uma grande maioria fez grandes elogios, falas como “local de terapia” e de “descanso emocional” foram frequentes, mostrando que a calmaria e a tranquilidade do lugar é um ponto forte na atração do público., e sobre a duração da permanência dos visitantes na praça é bem variável , tendo visitantes que informaram ficar no local por até 4 horas, assim sendo possível concluir que falta de tempo para a visitação ao museu, não é um problema na maioria dos casos. Já sobre a pergunta que falava sobre a entrada no museu, podemos identificar 2 respostas interessantes, uma onde o entrevistado disse que o museu era interessante, mas “não muito convidativo” e outra onde um estrangeiro entrevistado disse não ter entrado pois o idioma predominante no museu é o português. Essas respostas nos levam a pensar numa possibilidade de intervenção no museu que faça com que ele seja mais atrativo para o público, podendo ser por exemplo, a inserção de legendas em outros idiomas (visto que Belo Horizonte é uma cidade que atrai muitos turistas) e também alguma ação que faça com que o público se sinta cativado a entrar. Sobre a história da casa onde o museu está localizado, grande parte estava ciente, mas quando falamos sobre o outro prédio, a situação muda, vários entrevistados diziam não saber sobre a função do edifício, mostrando a nós uma noção territorial do museu limitada (deve ser combatida com ações que introduzem a área local e os seus arredores aos visitantes da praça). Após o final da entrevista, convidamos os entrevistados a participarem de uma roda de conversa e uma visita ao museu, para conversarmos um pouco sobre o lugar e fazer uma troca de experiências, porém, nenhum entrevistado se disponibilizou.

REFERÊNCIAS

IBRAM, Instituto Brasileiro de Museus & Programa Ibermuseus. Mesa redonda sobre la importancia y el desarrollo de los museos em el mundo contemporáneo: Mesa Redonda de Santiago de Chile, 1972.

MOUTINHO, M.. Sobre o conceito de museologia social. Cadernos de Sociomuseologia Centro de Estudos de Sociomuseologia, América do Norte, 1, Mai. 2009.

PREFEITURA DE BELO HORIZONTE. Museu Histórico Abílio Barreto - MHAB. [S. l.], 25 jan. 2018. Disponível em: https://prefeitura.pbh.gov.br/fundacao-municipal-de-cultura/museus/mhab. Acesso em: 9 out. 2022.

PREFEITURA DE BELO HORIZONTE. BH em Cantos: Museu Histórico Abílio Barreto. [S. l.], 17 ago. 2017. Disponível em: https://prefeitura.pbh.gov.br/noticias/bh-em-cantos-museu-historico-abilio-barreto. Acesso em: 9 out. 2022.

ROSAS MANTECON, Ana. Usos y desusos del patrimonio cultural: retos para la inclusión social en la ciudad de México. An. mus. paul. [online]. 2005, vol.13, n.2 [cited  2014-08-19], pp. 235-256 .

SANTOS, M. Capítulo IV - reflexões sobre a nova museologia. Cadernos de Sociomuseologia Centro de Estudos de Sociomuseologia, América do Norte, 18, Jun. 2009.