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segunda-feira, 18 de julho de 2022

Os espaços de socialização da comunidade LGBT de Belo Horizonte

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE CIÊNCIAS DA INFORMAÇÃO
DISCIPLINA METODOLOGIA HISTÓRICA EM MUSEUS

Beatriz Queroz Figueiredo
Camila Bueno Marques Salera
Ingrid Ferreira das Dores Andrade
Isabelle Iennaco
Maíra Paula Gil
Raphaela Luiza Damato Lima

O trabalho “Espaços de socialização da comunidade LGBTQIA +” foi concebido por alunas no sexto período do curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais. O intuito do estudo consistiu na busca de uma maior compreensão do porque esses espaços são considerados LGBT friendly, bem como entender as pessoas LGBTs como sujeitos sociais que circulam ao mesmo tempo de forma livre, segundo a lei escrita e restrita, levando em conta os espaços que são de fato seguros para a existência queer.


https://www.guiagaybh.com.br/a-cidade 


A escolha dos locais: Café Cultura Bar, Café com Letras, Café Cine Belas e o próprio Cine Belas ocorreu em virtude da presença desses espaços no Guia Gay BH. O fato de um encontrar-se relativamente perto dos demais foi fator fundamental na escolha. Outro ponto importante é a localização na região da Savassi, conhecido point LGBT da cidade onde andam, segundo as pessoas mais conservadoras,“pessoas estranhas” e com roupas igualmente estranhas. A presença dos locais supracitados no Roteiro GLBT BH do “Jornal Rainbow”, acervo do professor Luiz Morando foi essencial para a consolidação de nossa escolha. O trabalho do referido docente de coleta e seleção para a construção da coleção que foi ponto de partida para esse trabalho deu-se em virtude da ausência de um número significativo de publicações acerca da temática LGBT na atualidade, ao menos no que diz respeito à realidade brasileira.


Com a realização do trabalho, temos como objetivo a aplicação das metodologias para a realização de uma pesquisa histórica e a laboração da mesma baseada em bibliografia, trabalho de campo, análise e purificação das fontes para a construção de algo sólido acerca dos espaços de socialização da comunidade em questão. A metodologia aplicada foi: visita ao acervo do professor Luiz, pesquisa bibliográfica e realização de entrevistas. A efetivação das últimas foi primordial para entendermos a realidade desses estabelecimentos, suas relações com a população LGBT e a efetiva acolhida ou não da diversidade, tendo em vista duas negativas de entrevista quando o assunto foi revelado.


O Café Cultura Bar mudou de dono há onze anos e o local que antes era um café cultural atualmente apresenta a proposta de ser um bar. O público alvo aparentemente segue sendo, segundo a entrevista com um funcionário da casa “mais de esquerda”. A tentativa dupla de realização da entrevista com algum funcionário do Café com Letras foi frustrada, assim como ocorreu no Café Cine Belas. O Cine Belas Artes (atual Una Cine Belas Artes), que também fez parte de nossa pesquisa, foi inaugurado como cinema em 1992 e conta com um histórico cultural e de resistência que vai muito além de sua trajetória como cinema de arte. O local anteriormente era a sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG. Fomos bem recepcionadas quando em trabalho, contudo, tivemos que falar com várias pessoas até que alguém concedesse uma curta entrevista sobre os frequentadores LGBTs.


(...)os atuais grandes centros urbanos não podem ser considerados simplesmente como cidades que cresceram demais - daí suas mazelas e distorções. A própria escala de uma megacidade impõe uma modificação na distribuição e na forma de seus espaços públicos, nas suas relações com o espaço privado, no papel dos espaços coletivos e nas diferentes maneiras por meio das quais os agentes (moradores, visitantes, trabalhadores, funcionários, setores organizados, segmentos excluídos, “desviantes”, etc.) usam e se apropriam de cada uma dessas modalidades de relações espaciais. (MAGNANI, 2002, p.8)


Durante a realização da pesquisa foi possível constatar a presença senão de algum grau de preconceito, ao menos certo receio em tocar nesse “tema tabu” que é a população LGBT. Os espaços sociais podem, de acordo com Miége ser locais “ de resistência, uma auto-organização diante do espaço público burguês, no âmbito dos movimentos sociais”. Conseguimos constatar que mesmo sob uma represália muitas vezes sutil como “os olhares, as atitudes veladas, os comentários” descritos por Peret, a população LGBT segue frequentando os espaços e transformando ora um cinema de arte, ora um café em pontos de encontro relativamente seguros para a comunidade.


Uma questão que à primeira vista não ficou muito clara acerca dessas vivências tidas como “fora do normal” é o medo de simplesmente falar sobre a população LGBT. Após um exercício mental de ler nas entrelinhas à moda de Zadig no conto de Voltaire “O cão e o cavalo” - conseguimos perceber que a vida cor de rosa é apenas uma licença poética concedida à Édith Piaf, nem sempre as informações encontram-se claras o suficiente à primeira vista, logo, uma análise mais aprofundada pode acabar com construções utópicas. Sobre a prática da pesquisa em campo, nos conta Georges Duby que: “A distância entre essa verdade que o historiador persegue e que se esquiva sempre, e o que manifestam os testemunhos que está em condições de interrogar” é um processo inerente da purificação das fontes tão necessária para a construção de algo com alicerces sólidos.


Referências Bibliográficas


MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. Revista brasileira de ciências sociais, v. 17, p. 11-29, 2002.


MIÈGE, Bernard. Mutações no espaço público contemporâneo: Sete considerações fundamentais sobre o espaço público contemporâneo. In: SOUSA , Mauro Wilton de; 


PERET, Luiz Eduardo Neves. Pegação, Cidadania e Violência: as Territorialidades do Imaginário da População LGBT do Rio de Janeiro. Revista Contemporânea ed.14, vol.8, n1, 2010. p. 63 - 76


GINSBURG, Carlo. Sinas: raízes de um paradigma indiciário. Mitos, emblemas, sinais. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p.143-179. 


VOLTAIRE. O cão e o cavalo. In: CONTOS. São Paulo: Nova Cultural, 2003. cap. 3, p. 14-17.


DUBY, Georges. A História Continua. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1993, 162 p. (Caps. III, IV)

O QUE SÃO OS NOSSOS LUGARES DE ONTEM HOJE? UM ESBOÇO CARTOGRÁFICO DOS ESPAÇOS LGBTQIA+ DE BELO HORIZONTE (1970-1990)

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – UFMG

ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

CONSERVAÇÃO E MUSEUS II

PROFESSORA: Luiz Henrique Garcia

ALUNA: Alice Rodrigues, Elison Vitor, Flávia Torres, Daise Garcia, Evelyn 



Todos os dias, a gente acorda, se conecta à internet e se informa, informa e opina sobre o lugar que mora. Posta fotos, vídeos e faz outras infinidades de coisas que nos dizem sobre hábitos cotidianos dessa cidade. São coisas que dizem sobre o lugar e suas dinâmicas. Quando pensamos a cidade como geografia das experiências, os lugares adquirem identidades tão diversas quanto as subjetividades que os ocupam, sejam para construir experiências significativas, sejam como espaços de fluxo.

Nesse espectro das dinâmicas sociais (especialmente na modernidade e todo o seu aparato contemporâneo), o espaço acresce a elas o sentido do novo. Os lugares se movimentam dentre os espaços da cidade e a cidade se transforma a cada demanda da especulação imobiliária, tendências econômicas, políticas, demográficas e ideológicas. Ver imagens da Belo Horizonte dos anos 1970, nós, 90's e 00's kids, é como avistar o desconhecido e reconstruir imagens de um cotidiano desconhecido. E esse cotidiano está além da objetividade daquele lugar. O cotidiano dos anos 1970 está repleto de uma forma de se vestir, de falar, de uma estética material, ideologias e pessoas que minimamente compartilhamos o fundamental nos dias de hoje. Não porque se perde, mas porque a cidade é esse lugar rotativo e transformador a cada geração, a cada demanda de pensamento. 

Durante a pesquisa que empreendemos sobre os espaços de sociabilidade LGBTQIA+ em Belo Horizonte dos anos 1970 e 1980, nós nos deparamos com um universo social totalmente adverso ao de 2022. Durante o levantamento dos dados, encontramos muitas saunas e boates inauguradas na cidade, primordialmente nos anos 1980 (e essa abertura advém do fortalecimento das lutas LGBTQIA+ ao longo do século XX). Ao filtrarmos os metadados de pesquisa, nós nos deparamos com vários artigos de opiniões, peças teatrais, entrevistas em jornais de grande circulação na cidade dedicadas ao tema. Isso demonstra a significância da cidade e seus lugares para as subjetividades que nela habitam, que os lugares não são espaços neutros e a sua edificação, especialmente os lugares de sociabilidade, expressam as lutas daqueles que dedicam as suas vidas pelo direito de ocupá-los. Falar de cidade é falar de direitos, e assim cartografamos alguns desses lugares e os apresentamos tal qual são hoje mediados pela seguinte pergunta: o que a imagem do presente permite narrar sobre o passado? Nessa pesquisa, ao fotografarmos o hoje com o intento de sabermos que há naqueles endereços hoje, questionamos como seria? Quem frequentaria? Quais vivências ocorreram ali? Essa a intrigante pergunta sobre o lugar; para além do que era, quais memórias se constituíram ali? Qual o significado desses lugares quando se pensa a sociabilização? Dentre esses lugares há saunas dedicadas ao público masculino. Qual a importância desse espaço para a promoção de encontros, o conforto e segurança para a expressão da sexualidade, afetos e dos encontros? Quando se pensa em bares ou nas festas LGBTQIA+ em que havia um círculo principal de amigos e se estendia à agregados e pessoas recém conhecidas que encontravam ali um ambiente seguro para experienciar o universo queer ou até mesmo as festas panfletadas entre os membros da comunidade… há tudo nisso uma dinâmica social e a rotatividade ou, melhor dizendo, a revitalização, a reinvenção e as novas significações desses lugares e do espaço urbano em si. Isso diz sobre as nossas lutas diárias enquanto pessoas, enquanto coletivos, independente das classificações das nossas identidades e dos interesses que sustentam as nossas ocupações.

0 - Cartografia de Belo Horizonte: locais visitados

01 - SOHO: Rua Santa Rita Durão, 674. Funcionários

02 - TOCA: Rua Aimorés, 1855. Lourdes

03 - ALIÁS: Rua Gonçalves Dias, 2217. Lourdes


04 - ZUUM: Av. Bias Fortes, 541; esquina com Bernardo Guimarães. Lourdes

05 - LULU: Rua Leopoldina, 415. St. Antônio

06 - CARBONARA RESTAURANTE: Praça Raul Soares, 350. Centro

07 - VAPORE - Rua Timbiras, 2523. Lourdes

08 - SAUNA NETURNO: Rua Guajajaras, 2099. Barro Preto

09 - PHSYQUE AND BODY THERMAS: Rua Timbiras, 2040. 
Lourdes

10 - EROS MIX CLUB: Rua Aimorés, 1840. Lourdes

11 - JOSEFINE: Rua Antônio Albuquerque, 729. Savassi

12 - RAINBOW: Rua Goitacazes, 1361. Barro Preto


13 - BELAS ARTES, ESPAÇO URBANO: Rua Gonçalves Dias, 1581. Lourdes

14 - CINE SHOPPING ROMA: Av. Santos Dumont, 477. Centro

15 - CAFÉ BELAS ARTES: Rua Aimorés, 1840. Lourdes

16 - CAFÉ COM LETRAS: Rua Antônio Albuquerque, 718. Lourdes

17 - CAFÉ DO CASTELO: Rua da Bahia, 1149. Centro

18 - GIZ BAR: Av. Contorno, 2395. St. Tereza 


REFERÊNCIAS


BOURDIEU, Pierre. Espaço físico, espaço social e espaço apropriado. São Paulo: Estudos Avançados. 2013.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. Revista Brasileira de Ciências Sociais [online]. 2002, v. 17, n. 49 [Acessado 13 Abril 2022] , pp. 11-29.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. Volume 1. São Paulo: Editora Terra e Paz S.A, 1999. Pp. 571

MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. Revista Brasileira de Ciências Sociais [online]. 2002, v. 17, n. 49 [Acessado 13 Abril 2022] , pp. 11-29.

PERET, Luiz Eduardo Neves. Pegação, Cidadania e Violência: as Territorialidades do Imaginário da População LGBT do Rio de Janeiro. Revista Contemporânea ed.14, vol.8, n1, 2010. p. 63 - 76.

QUEIROZ, Luiz Gonzaga Morando. Vestígios de proativismo LGBTQIA em Belo Horizonte (1950-1996). Revista Unilab. vol 1, n. 4, 2008.

SANTOS, Leonel Cardoso dos. Gradientes Hierárquicos ‘na Balada’: Etnografia, Corpos e Sociabilidades nas Boates GLS de Belo Horizonte. 2012. 116 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2012.

MIÈGE, Bernard. Sete considerações fundamentais sobre o espaço público contemporâneo. 2014

Scott, J. (2017). Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade.  V. 20 n. 2. Porto Alegre, 1995


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Colaboração Grupo de Estudos SOMMUS + Projeto de Extensão Engaja e Retratistas do Morro

O Projeto Retratistas do Morro está na reta final da campanha de financiamento coletivo de um livro que resulta de diversos esforços empreendidos no âmbito do projeto. Para conhecer e apoiar: https://www.catarse.me/retratistasdomorro
 

 
Como forma de contribuir para este esforço final até dia 12/06/2022, o Grupo de Estudos SOMMUS e o projeto de extensão Engaja (clique para saber mais) vão sortear 2 exemplares do livro a todos que compartilharem este conteúdo no intuito de fortalecer a campanha. Basta compartilhar a postagem nas respectivas redes sociais, deixar o nome nos comentários ou enviar um email para portfoliomuseologia@gmail.com após o compartilhamento. Faremos o sorteio no dia seguinte ao encerramento da campanha e comunicaremos o resultado através deste blog e da página do SOMMUS no Instagram. Os ganhadores deverão buscar o livro no local na data de lançamento a ser divulgada oportunamente.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

O entorno da história: o Museu das Minas e do Metal e sua edificação em diferentes tempos de BH

Realizei ontem, a convite da equipe do Museu das Minas e do Metal, uma palestra que marcou minha volta às atividades externas presenciais abertas ao público. Eis uma descrição sintética, da forma como consta no canal do Youtube do museu:

"No ano em que o Prédio Rosa, sede do MM Gerdau, faz 125 anos, o Museu traz conversas e ações ao longo de 2022 para celebrar esse edifício histórico e a cidade de Belo Horizonte, também inaugurada em 12/12/1897. A proposta desta conversa é abordar as transformações no prédio e no espaço urbano ao seu redor, destacando as modificações no uso e consequentemente nas formas de apropriação por parte dos citadinos, especialmente a partir de sua conversão em museu. Essa atividade pertence ao ciclo "Patrimônio em foco" de atividades de extensão do grupo ESTOPIM, grupo de pesquisa do Prof. Luiz Henrique Assis Garcia, convidado desse encontro, mestre e doutor em História pela UFMG, onde é professor do curso de Museologia e do PPG em Ciência da Informação da ECI/UFMG. A mediação ficará por conta de Luiza Macedo, assessora da Direção do MM Gerdau, Doutoranda e mestre (2020) em Estudos do Lazer pela UFMG."
 
 
Tenho recebido ótimos retornos de colegas e pessoas próximas que assistiram, e realmente fiquei muito satisfeito com o resultado, mérito que divido com a ótima mediação da Luiza e o trabalho da equipe que operou câmeras e computadores garantindo ótima qualidade de imagem, som, e direção da transmissão que deu dinâmica ao alternar entre a palestra em si e os slides que elaborei. Além de tudo, eu estava muito à vontade e me diverti bastante, o que pra mim não é incongruente com o rigor acadêmico de tudo que falei. Convido os leitores do blog a dar uma conferida!

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Monumentos na cidade de BH: o Busto de Anita Garibaldi e o Monumento ao Expedicionário



Universidade Federal De Minas Gerais
Escola de Ciência da Informação
Metodologia de Pesquisa Histórica em Museus
Professor: Luiz Henrique Garcia
Grupo: Camila Pinho, Raphael Cassimiro

Monumentos na cidade de BH: o Busto de Anita Garibaldi e o Monumento ao Expedicionário

A pesquisa em questão busca entender a relação da cidade com seu patrimônio através de dois monumentos na cidade de BH: o Busto de Anita Garibaldi e o Monumento ao Expedicionário (popularmente conhecido por monumento do pracinha). Ambos são estátuas que representam conflitos históricos e ambas foram movidas fisicamente de seu local original e, com a realização da pesquisa, buscamos entender o motivo que foram foram movidos de lugar, como foi a integração de seus antigos e novos espaços com a cidade e como principalmente o cidadão belorizontino vê e percebe essa mudança.

O busto em bronze de Anita Garibaldi, heroína brasileira que lutou bravamente na Guerra dos Farrapos, é de autoria do italiano João Bassi. Em 1913 foi instalado na praça Rui Barbosa, uma das principais da cidade. Houve um caso de perseguição contra a imagem de Anita por conservadores que não aceitavam o destaque dado a uma mulher guerrilheira que tinha se separado do marido. O busto transitou sem lugar pelo parque municipal até 1929, onde foi instalado em sua atual residência a Ilha dos Amores, projetada especificamente para abrigar o monumento.


Idealizado por Antônio Nascimento, um ex - pracinha, o Monumento ao Expedicionário foi erguido em memória dos mineiros que durante a II Guerra Mundial perderam a vida nos campos da Itália. Sua inauguração ocorreu em 1952, na Praça Rio Branco, popularmente conhecida por Praça da Rodoviária. No ano de 1981, em razão das modificações efetuadas na praça, foi transferido para a Praça Carlos Chagas. Posteriormente, devido os protestos dos ex- pracinhas que reclamaram da estátua estar fora do centro da cidade onde poderia ser vista por um número maior de pessoas, foi transferida para a Praça Afonso Arinos em 1986 e, em 2012, também questões de manifestações contra o monumento, foi movido para canteiro central da avenida Francisco Sales, no bairro Floresta, em frente ao museu das Força Expedicionária Brasileira onde ficou por um tempo até ser movido para dentro do museu. Atualmente o museu encontra-se localizado na Rua dos Tupis onde o monumento foi integralizado como parte do acervo.



Devido à pandemia, decidimos fazer uma pesquisa de público com os moradores através de dois grupos de Facebook sobre a cidade, o “Fatos e Fotos da Antiga Belo Horizonte” e “Fotos Antigas de Belo Horizonte”. Definimos quatro perguntas que englobam o tema, que foram: 1- No seu dia-a-dia, você costuma passar por algum monumento? Sabe a história dele ou tem algum laço afetivo próprio para nos contar? 2- Você já viu um dos dois monumentos citados acima? Conhece sua localização? 3- O que você acha das mudanças de localização? 4- Você acredita que a mudança de sua localização interfere no seu significado? Como?. As perguntas renderam uma série de comentários que foram de extrema ajuda para descobrir não só a percepção dos moradores como também informações que não foram possíveis de achar de forma online como a atual localização do monumento do pracinha.

Pela análise dos comentários feitos na publicação foi percebida uma relação bem próxima dos moradores com a cidade que não tardaram a dizer o quanto apreciam a existência dos monumentos e que gostariam principalmente de contar com mais informações e placas de identificação no qual fosse possível se informar sobre a história por trás da imagem. Sobre o busto de Anita o morador Paulo Rimsa definiu que “colocar o busto da Anita no meio de uma lagoa é o mesmo que escondê-lo” o que fica provado no comentário de Ramiro Gomes de Faria que disse que “o busto eu nunca vi e nem sabia que existia, apesar de ter morado no centro por anos”.

O Monumento ao Expedicionário foi muito comentado pelos moradores, que relataram com desgosto as depredações da estátua enquanto ela residia na praça Afonso Arinos. Wellington Fernandes relatou que “passava quase que diariamente por ele, à caminho do colégio. Já tive o desprazer de vê-lo desrespeitado das piores formas possíveis. Já vi essa estátua com sutiã, com boca breada de batom vermelho, com um cigarro colado com chicletes, também na boca e com um rato morto pendurado com barbante na baioneta”. A questão financeira como um impedimento de acesso à informação e como isso cria uma barreira entre o morador e o monumento também foi ressaltado nos comentários como o de Carlos Gilberto Queiroz que disse “me desculpe pela sinceridade, mas nos dias atuais com tanta diferença social só quem tem tempo para símbolos históricos são os ricos que ostentam nomes de parentes que foram importantes no passado, a classe de maior necessidade de sobrevivência interessa é com a própria sobrevivência de seus familiares.”

É visto que as pessoas da cidade se identificam com os elementos da paisagem urbana e criam uma relação com o patrimônio ao passar e conviver com os monumentos, que contam uma história de um determinado local a partir das memórias que ele evoca e o ambiente que ele se instala. Os significados de um monumento e os significados atribuídos a ele podem tomar rumos imprevisíveis de acordo com as mudanças ocorridas na sociedade e nas gerações e, durante essa mudança, podem haver uma série de manifestações que marcam um monumento como a depredação, uma pixação, uma restauração e também sua mudança de localização. Esses fatores são percebidos e sentidos pelos moradores que são peças fundamentais para se entender a história do monumento.


Referências Bibliográficas:

CRUVINEL, Eduardo Henrique de Paula. Monumentos, memória e cidade [manuscrito]: estudos de casos em Belo Horizonte. Dissertação (Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável) Escola de Arquitetura, UFMG, Belo Horizonte.

GARCIA, Luiz Henrique A. Possibilidades abertas: relações entre pesquisa e acervo em uma exposição de museu histórico. Cadernos de Pesquisa do CDHIS. Uberlândia: UFU, V. 23, N. 1 , 2010, pp. 23-39.

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Memória e cultura material: documentos pessoais no espaço público. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 11, n. 21, p. 89-104, 1998.

WENDERS, Wim. “A Paisagem Urbana” In: Revista do Patrimônio Histórico. Rio de Janeiro: IPHAN, n. 23, 1994, p.181-189.



sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A paisagem sonora como patrimônio cultural

Dentre as pesquisas que venho realizando nos últimos anos, um dos principais veios é o que relaciona a música popular e o patrimônio cultural urbano, na forma das canções, seus significados e memórias atribuídos socialmente, especialmente em lugares relacionados e nas formas institucionais e informais de apropriação e patrimonialização ali catalizadas. Os estudos sobre espaço urbano que empreendo, desde o início da pós-graduação, me levaram ainda ao conceito de paisagem sonora, o que rendeu investigações bastante instigantes e muitas gravações, vídeos e fotografias, realizadas especialmente em conjunto com pesquisadores do Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM) da UFMG. Há alguns anos cedemos uma pequena parte desse material para figurar na exposição O Museu e a Cidade sem Fim em 2013. 

Alguns dos principais trabalhos realizados sobre essas temáticas estão disponíveis aqui.

Uma possível confluência destes interesses vem da progressiva criação sítios eletrônicos e arquivos digitais públicos e privados, muitos deles de caráter colaborativo, constituindo coleções de registro em áudio ou audiovisuais referentes a paisagens sonoras, reconhecidos como patrimônio cultural. Quando estive em Londres em 2015 apresentando um dos trabalhos do CCNM assisti uma matéria da BBC bem completa sobre a política que o National Trust estava adotando para registrar os sons da costa inglesa. Na disciplina que leciono este semestre no PPGCI-UFMG "Memória, patrimônio e informação", se de um lado costumo criticar o que podemos chamar de uma fetichização do tecnológico, por outro estou sempre promovendo junto com a turma debates que englobem formas historicamente variadas de registro. Assim, recebi com satisfação esse material gentilmente encaminhado pela discente Pétalah Lotti, um conjunto de links que permite conhecer bons exemplares de projetos associados ao assunto. Fica meu agradecimento e o convite aos leitores para navegar no mar internético de sons que nos levam a tantas cidades e partes do mundo. 

Mapa sonoro de Lisboa

Cities and Memory

MAPA SONORO DA CIDADE DE SÃO PAULO

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Optativa Museu e Cidade - edição 2018

Após um certo hiato, este semestre irei ofertar novamente a optativa Museu e Cidade. Já fiz algumas atualizações no programa e adianto que o diferencial dessa edição deverá ser a maior intensidade de trabalhos de campo. Espero também aproveitar material novo que recolhi durante a participação em eventos acadêmicos o ano passado e incorporar de forma bastante intensa as discussões, leituras e análise que estamos fazendo no contexto do grupo de pesquisa ESTOPIM, do qual sou um dos coordenadores. Nosso objetivo será refletir sobre o lugar dos museus na cidade, entendida como fenômeno histórico e social, considerando seu papel na cultura contemporânea. O foco principal será a questão do entorno dos museus, articulada a uma perspectiva de participação do público que ultrapasse a temática do acesso. 
Uma amostra do programa:

Ementa:
A cidade como fenômeno histórico e social. A experiência da modernidade e os museus no contexto urbano. Museus na cidade contemporânea: globalização, transformações no espaço e culturas urbanas. Cultura, memória e espaço público.










Bibliografia Básica
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes do fazer. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
HARVEY, David. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992.
SCHORSKE, Carl E. Viena fin-de-siècle: política e cultura. São Paulo: Cia. das Letras, 1990.
SENNETT, Richard. Carne e pedra: o corpo e a cidade na civilização ocidental. Rio de Janeiro: Record, 2003.


Bibliografia Complementar
APPADURAI, Arjun e BRECKENRIDGE, Carol. Museus são bons para pensar: o patrimônio em cena na Índia. Musas: Revista Brasileira de Museus e Museologia, n.3, p.10-26. Rio de Janeiro: Iphan, Demu, 2007.
ARANTES, Antônio (org.) O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000.
ARANTES, Otília. Os novos museus. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, n.31, p.161-169, out. 1991.
BALIBREA, Mari Paz. Memória e espaço público na Barcelona pós-industrial. Revista Crítica de Ciências Sociais, 67, Dezembro, 2003, pp. 31-54.
BARBUY, Heloisa . O Brasil vai a Paris em 1889: um lugar na exposição universal. Anais do Museu Paulista (Impresso), São Paulo, v. 4, p. 211-261.
BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
BONATES, Mariana "El Guggenheim y mucho más" - monumental urbanism and signature architecture in Bilbao. Pós. v.16 n.26, São Paulo, dezembro 2009, p.62-90.
CHAGAS, Mário & ABREU, Regina. Museu da Maré: memórias e narrativas a favor da dignidade social. Musas: Revista Brasileira de Museus e Museologia, n.3, p. 130-152. Rio de Janeiro: Iphan, Demu, 2007.
CHARLOT, Monica; MARX, Roland (Org.). Londres, 1851-1901: a era vitoriana ou o triunfo das desigualdades. Rio de Janeiro: J. Zahar, c1993.
DICKINSON, Greg; BLAIR, Carole; OTT, Brian L. Places of public memory: the rhetoric of museums and memorials . Tuscaloosa: University of Alabama Press, c2010. viii, 282 p.
FABRIS, Annateresa. Fragmentos urbanos: representações culturais. São Paulo: Studio Nobel, 2000.
FREIRE-MEDEIROS, Bianca. Favela como Patrimônio da Cidade? Reflexões e polêmicas acerca de dois museus. Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro: FGV, Vol. 2, No 38, 2006, pp.49-66.
FORTUNA, Carlos; LEITE, Rogério Proença (orgs.). Plural de cidade: novos léxicos urbanos. Coimbra: Almedina, 2009.
GARCIA Canclini, Néstor. A globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2003.
GIANNOTTI, Marco. À margem da rua: o novo espaço público. ARS (São Paulo) [online]. 2010, vol.8, n.16, pp. 33-37.
HAYDEN, Dolores. The power of place: urban landscapes as public history. Cambridge, Massachusetts: The MIT press, 1996.
HARVEY, David. Espaços de esperança. São Paulo, Loyola, 2004.
HERZFELD, Michael. A place in history: social and monumental time in a Cretan town. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1991.
HUYSSEN, Andreas. Escapando da amnésia... in: Memorias do modernismo. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
LEFEBVRE, Henry. O Direito à Cidade. São Paulo: Centauro Editora, 2008.
LEITE, Rogerio Proença. Contra-usos da cidade: lugares e espaço público na experiência urbana contemporânea. 2. ed., rev e ampl. Campinas, SP: Ed. da UNICAMP; Aracaju: Ed. da UFS, 2007.
LEPETIT, Bernard. Por uma Nova História Urbana. São Paulo: Edusp, 2001.
LOW, Setha M. Cerrando y reabriendo el espacio público en la ciudad latinoamericana. Cuadernos de Antropología Social FFyL – UBA, Nº 30, pp. 17–38, 2009.
JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
MAGNANI, José G. C.; TÓRRES, Lílian. Na metrópole: textos de antropologia urbana. São Paulo: Edusp/FAPESP, 2000.
MASSEY, Doreen. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.
MARTÍN-BARBERO, Jesus Martin. De la ciudad mediada a la ciudad virtual. In: Innovarium. <www.innovarium.com/CulturaUrbana/VirtualJMB.htm> acessado em 10/10/2000.
MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. O museu na cidade/a cidade no museu: para uma abordagem histórica dos museus de cidade. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 5, n. 8/9, p. 197-206, set/1984-abril/1985.
OLIVEIRA, Lúcia Lippi (org.). Cidade: história e desafios. Rio de Janeiro: Ed.Fundação Getulio Vargas, 2002. 295 p.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Muito alem do espaço: por uma história cultural do urbano. Estudos Históricos. Rio de Janeiro. V. 8, n° 16, 1995. pp. 279-290.
POSSAMAI, Zita Rosane. Metáforas visuais da cidade. Urbana, ano 2, nº 2, 2007, pp.1-11.
RONCAYOLO, Marcel. Cidade. In: ROMANO, Ruggiero (org.). Enciclopédia Einaudi. v.8. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1986.
SANTOS, Maria Célia Moura, Uma abordagem museológica do contexto urbano. Cadernos de Museologia,  n°5. Lisboa: ULHT, 1996, pp.35-57.
SARLO, Beatriz. Cenas da vida pós-moderna. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997.
SCHORSKE, Carl.  Pensando com a história. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
WILLIAMS, Raymond. Cultura e materialismo. São Paulo: Unesp, 2011.

Avaliação: seminários, av. escrita e trabalho final

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Comentários sobre a exposição Zeitgeist no CCBB

"A exposição “Zeitgeist – Arte da nova Berlim”  reúne, pela primeira vez no Brasil, um panorama consistente da respeitada comunidade artística de Berlim, traduzindo o espírito de uma época marcada por contradições e reinvenções. A mostra reúne pintura, fotografia, videoarte, performance, instalação e a cultura dos clubs berlinenses, na visão de 29 renomados artistas.
Marcada por duas guerras mundiais e dividida pelo Muro durante quase três décadas, a capital da Alemanha se reergueu das cinzas.  Da vida improvisada dos anos 1990, as contradições que caracterizaram a cidade, reinventada a partir de dois mundos, acabaram por formar, pouco a pouco, o Zeitgeist – espírito de uma época, a partir do qual a arte, a cultura e as relações humanas evoluem – que hoje projeta sua influência muito além da Europa Central e atrai artistas do mundo todo com seu magnetismo.
O percurso concebido para a mostra Zeitgeist é uma oportunidade de vivenciar alguns dos aspectos que fazem de Berlim um lugar encantado entre extremos, e que são recorrentes no modo de existir da metrópole. Como observadores atentos da vida da cidade, do mesmo modo que o pintor Adolph von Menzel (1815-1905), um dos maiores representantes do realismo alemão, os artistas da mostra exibem aspectos marcantes da capital da Alemanha."



Eu particularmente confesso que esperava mais. Em alguns módulos fiquei com a sensação de que a exposição não conseguiu traduzir tão bem a diversidade e a dinâmica que se atribui ao cenário artísticos berlinense contemporâneo, e até evidencia como o "alternativo" pode ser monótono e homogêneo. A única seção que me cativou especialmente foi a que expunha os panfletos com as programações das casas noturnas - emblematicamente em contraste com os fragmentos alusivos às trilhas sonoras e espaços, que em geral me pareceram indecisos entre a reconstituição e a insinuação, sem definitivamente estabelecer uma ponte sensível com os lugares, pois faltou história, contada com palavras ou com imagens. Claro, são as opiniões de um historiador de cidade e de música popular, não de um estudioso das artes, por exemplo. Estou mais que curioso para saber o que vocês acharam...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Os museus vão às ruas

Inspirado no  projeto “Grand Tour” da National Gallery de Londres, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) de Lisboa realizou a a exposição "Coming Out — e se o museu saísse à rua?" [matéria completa] .  Sou desde sempre um entusiasta das ações extra-muros, em especial do que denomino intervenções museais, assim definadas por mim em trabalho apresentado em 2009:

"Não é possível catalogar a cidade. A idéia de uma intervenção museal coloca a história em seu lugar, na cidade, apostando numa ferramenta que desloca recursos de expressão próprios do museu para o espaço urbano, sem, contudo, pretender que o primeiro abarque o segundo."

Propor esse tipo de ação depende de uma concepção de cidade que considera que:



“(...) o espaço urbano, ao ser construído e disputado, é atravessado por múltiplas temporalidades, modos de apropriação e usos sociais diversificados, e, muitas vezes, conflitantes. (...) Deste ponto de vista, tornou-se fundamental para o museu contemplar a diversidade dos documentos e das representações socialmente engendradas sobre a cidade e sua história, bem como democratizar a definição do acervo a ser adquirido, considerando os vários atores sociais que delas participam.”



Por isso...

"Para perceber e dar voz a diversos atores, até então silenciados, esquecidos, a dimensões da experiência urbana até então negligenciadas, era indispensável ir à cidade, e, mais ainda, não esperar que “ela” fosse ao museu. (...) Nesse sentido, se o museu, em seu lugar tradicional, representa para grande parte do público uma espécie de “templo” ou “castelo” inexpugnável ou inacessível, o expositor posicionado na rua permite uma apropriação cotidiana, menos contemplativa e sacralizadora. (...) Assim concebidas, as intervenções museais dialogam com o próprio espaço urbano em que são instaladas, possibilitando a reflexão sobre os significados atribuídos e ações protagonizadas, de modo a articular a produção de memória e sentido às práticas e relações dos grupos sociais no contexto da cidade. "

Para quem se interessar e quiser conhecer com mais detalhes estes trabalhos realizados à frente do setor de pesquisa do Museu Histórico Abílio Barreto, em Belo Horizonte (MG), indico:

O lugar da História: intervenções museais no espaço urbano em Belo Horizonte.  VII Semana dos Museus USP, 2009, São Paulo. VII Semana dos Museus, 2009. 

Intervenção museal no espaço urbano: história, cultura e cidadania no Parque "Lagoa do Nado" História (São Paulo. Online) , v. 32, p. 87-104, 2013. 

 

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P.S. Quadros roubados da exposição nas ruas.

Estou absolutamente impressionado com a postura preparada e inteligente do diretor do MNAA de Lisboa. Ele informa que a possibilidade das réplicas colocadas nas ruas serem roubadas era prevista, e além de tudo responde de forma a aumentar a problematização, sem cair em lugares comuns tão típicos. Confira abaixo um trecho da entrevista ao Expresso:

O diretor do museu sublinha ainda a qualidade do trabalho do “bandido sofisticado” que levou as réplicas: “Não há destruição, levaram-nos os suportes e tudo. Foi um trabalho absolutamente limpo. Parece aquelas aventuras do bandido sofisticado que passa e leva dois quadros”. Mas o que leva alguém a levar um destes quadros? “Eu acho que levam porque gostam dele. Se furtam algo para seu próprio consumo é porque gostam”, justificou António Filipe Pimentel. Tal como alguém que rouba um livro - embora “não seja algo ético, nasce da vontade de o ler”. No entanto, é tirado às outras pessoas a possibilidade de usufruir do que foi roubado.“É um ato egoísta, mas não deixa de ser um ato de amor”, refere o diretor do MNAA.

[completo, aqui]