O
Projeto Retratistas do Morro está na reta final da campanha de
financiamento coletivo de um livro que resulta de diversos esforços
empreendidos no âmbito do projeto. Para conhecer e apoiar: https://www.catarse.me/retratistasdomorro
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quinta-feira, 9 de junho de 2022
Colaboração Grupo de Estudos SOMMUS + Projeto de Extensão Engaja e Retratistas do Morro
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
Cidades mortas, acervos vivos
Cidades Mortas (2007), do historiador e estudioso do urbanismo Mike Davis, é um dos mais argutos diagnósticos do século XXI, publicado ainda na sua aurora (2002) e nos rastros de chamas e fumaça do 11 de setembro. O papel do medo na cultura contemporânea, a ascensão do fascismo, a perseguição aos imigrantes, o aperfeiçoamento do aparato de vigilância, a insustentabilidade do capitalismo e as contradições da globalização, tá tudo ali.
Seu segundo capítulo, Ecocídio na terra de Marlboro, é um contundente ensaio sobre a calamidade ambiental e social resultante da destruição e contaminação radiotiva pelo emprego reiterado de artefatos nucleares na "zona de sacrifício nacional" determinada pelo Pentágono no Oeste estadunidense, envolvendo estados como Califórnia, Nevada, Utah, e, em sua periferia, Colorado e Wyoming. O impacto de tais experimentos, cuja extensão talvez possa ser equiparada ao desconhecimento que os encobre, é de maior magnitude que o do desastre de Chernobyl, cuja exposição o autor compara, chamando a atenção para a relação do mesmo com o degelo e ocaso da antiga URSS. Uma das linhas de força do livro é mostrar que a Guerra Fria, mesmo sem ter se tornado "quente", deixou um rastro de vítimas e destruição, particularmente entre populações depauperadas e com pouco poder político, sobrevivendo em regiões que já eram inóspitas. [foto acima, Carole Gallagher]
Richard Misrach, Dead animals #1, acervo MAM Fort Worth
O que me fez escrever esse texto aqui é que essa denúncia contundente da calamidade atômica feita por Davis constitui-se como um ensaio sobre acervos fotográficos de caráter artístico e documental, como as séries "The Pit" e "Bravo 20" dos Desert Cantos de Richard Misrach [aqui para conhecer um pouco mais de sua obra] ao trabalhos de grupos de fotógrafos ativistas como os Fotógrafos Atômicos, como Carole Gallagher e seu trabalho American Ground Zero, que conjuga história oral e registro fotográfico, mas retomando as referências compartilhadas que conferem "autoridade histórica" (DAVIS, 2007, p.56) aos projetos, como o arquivo dos grandes levantamentos científicos e topográficos do Oeste feitos no século XIX e os registros da Grande Depressão pelos fotógrafos da FSA (Farm Security Administration), como Dorothea Lange [foto abaixo, dela, Migrant Mother, 1936].
O valor de manter e dar acesso, seja a pesquisadores ou ao público em geral, de acervos dessa natureza, é inestimável. Escrevo essas linhas com particular convicção na semana em que o grupo de pesquisa ESTOPIM, do qual sou um dos coordenadores, inicia a mostra e oficina Horizonte em Foco no Museu da Imagem e do Som BH, na sua unidade Cine Santa Teresa, cujo intuito é justamente mobilizar o acervo da instituição para refletir sobre a cidade, seu história e seu patrimônio cultural. Também me motiva o retorno às aulas nesta semana, até porque leciono Função social dos museus, além de Tipologia de museus na graduação em Museologia e da disciplina Memória, Patrimônio e Informação no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na ECI/UFMG. Estou fortemente inclinado a incluir o Mike Davis na bibliografia.
O valor de manter e dar acesso, seja a pesquisadores ou ao público em geral, de acervos dessa natureza, é inestimável. Escrevo essas linhas com particular convicção na semana em que o grupo de pesquisa ESTOPIM, do qual sou um dos coordenadores, inicia a mostra e oficina Horizonte em Foco no Museu da Imagem e do Som BH, na sua unidade Cine Santa Teresa, cujo intuito é justamente mobilizar o acervo da instituição para refletir sobre a cidade, seu história e seu patrimônio cultural. Também me motiva o retorno às aulas nesta semana, até porque leciono Função social dos museus, além de Tipologia de museus na graduação em Museologia e da disciplina Memória, Patrimônio e Informação no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na ECI/UFMG. Estou fortemente inclinado a incluir o Mike Davis na bibliografia.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Necromuseologia? O turismo da desolação
Impossível ficar incólume à constatação de que o mercado se apropria de toda forma de tragédia e que as pessoas se dispõe a explorar o sofrimento dos outros, e ainda outras se dispõe a consumi-lo. O profissional de museologia desse século precisa ser capaz de participar ativamente desse debate, manter os compromissos éticos e promover a reflexão crítica sobre um fenômeno como esse. É preciso saber onde está o limite entre o trabalho de memória que se propõe a ampliar nossa compreensão sobre a tragédia humana e negócio necrófilo que quer capitalizar sobre a desgraça alheia.
"(...) Fez da busca por uma resposta o projeto fotográfico que lhe consumiu seis anos de labuta (2008-14) e ao qual deu o título de Turismo da desolação. Ou, na versão em inglês, Eu estive aqui. O Les Rencontres de La Photographie, o prestigioso festival de Arles cuja edição de 2015 se encerra este mês, dedicou
uma de suas 35 mostras a esse trabalho. O evento de dois meses de
duração e que contou com um apaixonado público de 85 mil visitantes não
poderia ter escolhido tema mais oportuno. E que estava maduro para ser
retratado.
Antes de partir a campo para a longa empreitada, Tézenas foi procurar
o professor J. J. Lennon na Universidade de Glasgow. Criador do termo dark tourism,
ou turismo mórbido, que há uma década designa a indústria de roteiros
sombrios, Lennon o orientou na elaboração de um protocolo rígido e
coerente para o projeto.
A ideia, explicou ao Le Monde, era mostrar como a História está
sendo oferecida aos não especialistas. Explorar o hiato entre a
gravidade dos fatos ocorridos e a realidade trivial da atividade
turística. O confronto irreconciliável, num mesmo espaço, entre o horror
testemunhado por quem ali morreu e o cotidiano corriqueiro dos vivos
munidos de tablets, guarda-chuvas e lanchinhos. “E se, sob o
pretexto da memória, não estamos simplesmente na presença de um mercado
da barbárie?”, pergunta o autor na introdução de Turismo da desolação, publicado em 2014." Matéria completa em ZUM, aqui.
Ambroise Tézenas, tour pelas ruínas deixadas por um terremoto na região de Wenchuan, província de Sichuan, China, da série “Eu estive aqui/Turismo da desolação”.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Zoológicos humanos e o império em exibição
Parte da estratégia de dominação dos espaços colonizados recaia na afirmação de superioridade das nações imperialistas e de seus respectivos integrantes sobre os povos e territórios conquistados. Caracterizar o Outro como selvagem e inferior servia ao propósito de controlá-lo eficazmente nos domínios imperiais, e simultaneamente de construir uma justificativa legitimadora que caracterizava o empreendimento como missão civilizadora digna de apoio e aceitação nos centros metropolitanos. É nesse contexto que surgem os "zoos de humanos", ou mais precisamente uma série de práticas expositivas, orientadas pelas perspectivas científicas vigentes, associadas especialmente às exposições universais e congêneres, em que guerreiros Zulus, hindus encantadores de cordas, tuaregues em seus camelos, ou mesmo reconstituições de vilas coloniais inteiras eram apresentadas, "encenando" os comportamentos típicos dos grupos étnicos arregimentados (em geral de forma degradante) para o espetáculo, dando ao público um vislumbre de seus primitivos modos de viver.
Entre novembro 2011 e junho 2012 o Museu do Quai Branly apresentou a exposição Human zoos: a invenção do selvagem, que teve como curadores científicos Pascal Blanchard (associado ao grupo de pesquisa ACHAC) e Nanette Jacomijn Snoep, e como curador geral o ex-jogador da seleção francesa Lilian Thuram. Como mostra a boa matéria da BBC, a proposta visa justamente compreender essa estratégia de dominação que fabricava a alteridade do colonizado combinando as teorias raciais e as formas de exibição em espetáculos para as massas. Segundo a própria exposição a última dessas reconstituições foi montada na Exposição Universal em Bruxelas (Bélgica) em 1958.
Clique na imagem para acessar o folder de apresentação.
Algumas imagens referentes ao tema [fonte photo events]:
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Imagens que inventam nações
De Catraca Livre:
"Com a proposta de recuperar a história fotográfica do país entre 1833 e 2003, a mostra itinerante “Um olhar sobre o Brasil – A fotografia na construção da Imagem da Nação” desembarca no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH) entre os dias 26 de fevereiro e 28 de abril.
Dividida em sete grandes períodos, as mais de 300 imagens recuperam
esses 170 anos da nossa história sob quatro principais eixos temáticos –
política, sociedade, cultura/artes e cenários. A curadoria é do
especialista em fotografia Boris Kossoy e da antropóloga Lilia Moritz
Schwarcz.
A exposição reúne fotografias do império, início da urbanização,
revoluções, ditaduras militares, industrialização, redemocratização do
país e dias contemporâneos. O visitante também encontra uma micro-história ao lado de cada obra,
com informações sobre o seu tema ou período. A proposta é destacar os
elementos anônimos e cotidianos ocultos, além de provocar uma reflexão
mais crítica sobre fotos já conhecidas."
Uma mostra de grande interesse para as discussões que venho conduzindo na disciplina "Museu, espaço e poder" este semestre. Veremos como os museus, constituindo acervos, realizando exposições e financiando pesquisadores participam dessa construção das nações e dos impérios. O trabalho da Lilia Schwarcz, O Espetáculo das Raças, figura na bibliografia e será discutido em aula.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Barbearias revelam 'estilo da África'
"Uma exposição de fotos em Londres explora o visual de barbearias em
várias cidades africanas para fazer um perfil social e estético do
continente.
As imagens são do fotógrafo nigeriano
Andrew Esiebo, que visitou barbearias em oito países da África
Ocidental, entre eles Benim, Gana, Mali e Costa do Marfim.
Nos ensaios de Esiebo, as barbearias
contam histórias e fazem comentários sobre a coexistência de tradição
com modernidade, de 'estilo' social com expressão de identidade
individual.
A exposição 'fica em cartaz em uma galeria
voltada para arte contemporânea africana, a Tiwani Contemporary, até o
dia 8 de fevereiro."
http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/01/140114_galeria_barbearia_africa_fn.shtml
http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/01/140114_galeria_barbearia_africa_fn.shtml
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Tipologia de Museus: Visita à exposição O Fotojornalismo no Brasil
Na quinta-feira (17/10/2013) a turma da disciplina de Tipologia de Museus, do curso de Museologia da UFMG, ministrada pelo professor Luiz Henrique Garcia, visitou a exposição As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre O Cruzeiro (1940-1960), que se encontra no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e o Instituto Moreira Salles) em Belo Horizonte. A exposição tem curadoria da professora e curadora do Museu de Arte Contemporânea da USP, Helouise Costa, e de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles.
Os alunos puderam apreciar e ao mesmo tempo analisar a exposição, cujo acervo é composto principalmente de fotografias (entre originais, novas tiragens e reproduções) e exemplares de revistas “O Cruzeiro” (originais e reproduções), além de alguns vídeos e documentos. Fruto de uma pesquisa minuciosa, a narrativa abarca duas décadas da história do Brasil e do mundo no século XX, apresentando questões políticas, econômicas, culturais e socais nacionais e internacionais referentes ao período. Um de seus maiores méritos é mostrar o papel dos indivíduos nas transformações do fotojornalismo, sem com isso desconsiderar o contexto histórico e social em que a revista estava inserida.
A visita destacou áreas da exposição em que se apresentam as representações sobre populações indígenas em foto-reportagens (a serem abordadas em seminário proposto sobre Museus Etnográficos) e algumas matérias sobre museus de arte, além de uma reflexão sobre o próprio status da fotografia (a serem retomadas em seminário sobre o tema). Os alunos são incentivados a formar uma percepção crítica sobre a exposição, levando suas colocações para as discussões em sala de aula.terça-feira, 10 de setembro de 2013
Viagem e pesquisa
Fazendo, de certa forma, o caminho inverso ao dos viajantes europeus, naturalistas e artistas que se aventuraram em terras brasileiras,
o historiador teresopolitano
o historiador teresopolitano Marcos Lopes acaba de visitar o Museu de Etnologia de Viena, na Áustria, onde encontra-se metade do acervo do fotógrafo austríaco de renome internacional Mario Baldi. A outra metade do acervo está conservada no Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secretaria de Cultura de Teresópolis, cidade onde o fotógrafo viveu, o que já rendeu boas parcerias entre a Prefeitura de Teresópolis e o Museu de Viena. Agora, com a viagem de Marcos, primeiro pesquisador brasileiro a visitar a parte austríaca da coleção, a Secretaria de Cultura de Teresópolis colherá novos frutos da parceria, recebendo a reprodução de fotos e documentos inéditos, que se somarão ao arquivo já existente.
[completo - A Serra, 10/09/2013]
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