sábado, 5 de agosto de 2023
terça-feira, 22 de novembro de 2022
Visita ao Intituto Tomie Ohtake - Exposição "O Rinoceronte: 5 séculos de gravuras do Museu Albertina"
No último dia de uma recente visita a São Paulo, aproveitei a dica do colega Amilcar Almeida Bezerra e fui conferir a exposição de gravuras da coleção do Museu Albertina no Instituto Tomie Ohtake. Obras de tirar o fôlego, inclusive a que dá título à mostra, da lavra de Albrecht Dürer, que ilustra um incontável número de livros, em campos tão diferentes quanto a biologia, a história e as artes. Entre outros trabalhos de artistas que admiro, me emocionou muito o "Modo de voar" de Goya, pela minha paixão de infância pela aviação, e por ilustrar a capa de um dos livros mais marcantes pra mim em toda a historiografia, "A noite dos proletários" de Jacques Rancière. Encontrei claro outros favoritos, como Klimt, Klee, Munch e Toulouse-Lautrec - evidente a preferência pela passagem século XIX-XX do coração... A disposição é essencialmente cronológica e não há maiores discussões ou criatividades expográficas. Depois de ter passado por exposições inovadoras no Museu do Ipiranga e na Pinacoteca, ficou uma certa sensação de acomodação, com seus prós e contras. Certamente que seria possível ir além da narrativa óbvia e valorizar mais o esforço de trazer uma coleção de valia como essa, e ainda precisamos insistir mais para que exposições de arte, mesmo canônicas, ambicionem ser mais efetivas em alcançar um público menos acostumado e familiarizado com tal linguagem e seus lugares-comuns, como já foi provado em outras ocasiões e instituições. Isso dito, é perfeitamente possível reconhecer a maestria dos traços de grandes artistas que atravessam os séculos.
Do site: https://www.institutotomieohtake.org.br/exposicoes/interna/gravuras-do-museu-albertina
"Os
trabalhos reunidos em O Rinoceronte: 5 Séculos de Gravuras do Museu
ALBERTINA são provenientes do maior acervo de desenhos e gravuras do
mundo, o The ALBERTINA Museum Vienna, fundado em 1776, em Viena, que conta com
mais de um milhão de obras gráficas. A seleção das 154 peças para esta mostra,
organizada pelo curador chefe do museu austríaco, Christof Metzger, em diálogo
com a equipe de curadoria do Instituto Tomie Ohtake, é mais um esforço da
instituição paulistana de dar acesso ao público brasileiro a uma coleção de
história da arte, não disponível em acervos do país.
Com
trabalhos de 41 mestres, do Renascimento à contemporaneidade, a exposição, que
tem patrocínio da CNP Seguros Holding Brasil, chega a reunir mais de dez
trabalhos de artistas célebres, para que o espectador tenha uma visão
abrangente de suas respectivas produções em série sobre papel. “A exposição
constrói uma ponte desde as primeiras experiências de gravura no início do
século XV, pelos períodos renascentista, barroco e romântico, até o modernismo
e à arte contemporânea, com gravuras mundialmente famosas”, afirma o curador.
O
recorte apresentado traça um arco, com obras de 1466 a 1991, desenhado por
artistas marcantes em suas respectivas épocas, por meio de um suporte que, por
sua capacidade de reprodução, desenvolvido a partir do final da Idade Média, democratizou
ao longo de cinco séculos o acesso à arte. O conjunto, além de apontar o
aprimoramento das técnicas, consegue refletir parte do pensamento, das
conquistas e conflitos que atravessaram a humanidade no período.
Do
Renascimento, cenas camponesas, paisagens, a expansão do novo mundo pautado
pela razão e precisão técnica desatacam-se nas calcogravuras (sobre placa de
cobre) de Andrea Mantegna (1431–1506), as mais antigas da mostra, e de Pieter
Bruegel (1525–1569), e nas xilogravuras de Albrecht Dürer (1471 - 1528),
pioneiro na criação artística nesta técnica, cuja obra “Rinoceronte” (1515) dá
nome à exposição. O artista, sem conhecer o animal, concebeu sua figura somente
por meio de descrições. O processo, que ecoou em Veneza, fez com que Ticiano (1488
– 1576) fosse o primeiro a permitir reprodução de suas obras em xilogravura por
gravadores profissionais. Já a gravura em ponta seca, trabalho direto com o
pincel mergulhado nas substâncias corrosivas, possibilitava distinções no
desenho e atingiu o ápice nas obras de Rembrandt (1606–1669), que acrescentou
aos valores da razão renascentista a sua particular fascinação pelas sombras.
Nos
séculos XVII e XVIII, possibilitou-se com a meia tinta, o efeito sfumato, e com
a água tinta, a impressão de diversos tons de cinza sobre superfícies maiores.
Francisco José de Goya y Lucientes (1746–1828) foi um dos mestres desta
técnica, aprofundando a questão da sombra em temas voltados à peste e à
loucura. Enquanto Giovanni Battista Piranesi (1720–1778) tem a arquitetura como
tônica de suas gravuras em água forte, na mesma técnica Canaletto (1697–1768)
constrói panoramas de Veneza.
No
século XIX com a descoberta da litografia, com o clichê e a autotipia foi
possível realizar a impressão em grandes tiragens sem desgaste da chapa de
impressão e a consequente perda de qualidade associada ao processo. Diante
disso, artistas tiveram disponível um amplo espectro de técnicas, a exemplo de
Henri de Toulouse-Lautrec (1864–1901), o primeiro pintor importante a se
dedicar também ao movimento artístico dos cartazes. A metrópole, sua face
boêmia e libertina foram amplamente reproduzidas pelo francês, um dos
pós-impressionistas, como Édouard Vuillard (1868–1940), que revolucionaram a
cromolitografia e influenciaram artistas do final do século XIX e começo do XX,
como Edvard Munch (1863–1944), precursor do Expressionismo, movimento no qual
notabilizaram-se Ernst Ludwig Kirchner (1880–1938), Max Beckmann (1884–1950) e
Käthe Kollwitz (1867–1945). Das joias da coroa austríaca estão dois de seus
principais representantes: Gustav Klimt (1862–1918) e Egon Schiele (1890–1918).
Como reação ao expressionismo, encontra-se George Grosz (1893–1959), um dos
fundadores da Nova Objetividade, corrente de acento realista e figurativo que
respondeu ao febril Período entreguerras.
A exposição, realizada com a colaboração da Embaixada da Áustria no Brasil, reúne outros nomes seminais da história da arte moderna como Paul Klee (1879–1940), um conjunto de várias fases de Pablo Picasso (1881–1973), Henri Matisse (1869–1954), Marc Chagall (1887–1985); alcança ainda artistas pop, que se utilizaram particularmente da serigrafia a partir de 1960, como Andy Warhol (1928–1987), até chegar nos mais contemporâneos como Kiki Smith (1954–), além de outros mestres do século XX."
| Francisco Goya, Os provérbios: modo de voar. 1810-1815 |
| Jacopo Barbari, Vista de Veneza. 1500 |
| Pieter Brugel, o velho. A tentação de St. Antônio, 1556 |
| Paul Klee, Virgem na árvore. 1903 |
| Gustav Klimt, põster da 1ª Exposição de Arte da Associação dos Artistas Plásticos de Sucessão Austríaca (após a censura). 1898 |
| Albrechet Dürer, O monstro marinho. 1493 |
| Marc Chagall, Os Pintores. 1923-1927 |
| Edvard Munch, Madonna. 1895-1902 |
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Exposição celebra os 50 anos de carreira de Rita Lee
Exposição do Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, celebra os 50 anos de carreira de Rita Lee
[matéria do Jornal Nacional, aqui]
texto: Bernardo Ferreira Campos
editor: Luiz H. Garcia
Sucesso, Aqui Vou Eu
Meu nome brilhando
E o mundo aplaudindo
Ao me ver cantar
Ao me ver dançar
I wanna be a star!
Como Ginger Rogers, vou sapatear
Mais de mil vestidos vou poder usar
Num show de cores em cinemascope
Eu direi adeus
Aos sonhos meus
Sucesso, aqui vou eu!
Luzes, câmera... ação... eu vou lutar, eu vou subir... eu vou ganhar e conseguir... será que algum dia famosa eu seria? Rita Lee já sabia que alcançar a fama não seria um problema e que todos os caminhos a levariam a ser a nossa eterna Rainha do Rock.
A Exposição “SAMSUNG ROCK EXHIBITION RITA LEE”, que ficará disponível até 20 de fevereiro de 2022, foi inaugurada no Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) e conta com a exibição dos acervos pessoais da cantora e a curadoria de seu filho João Lee: “Convido você a dar uma espiada nas lembranças que minha mãe guardou dos seus 50 anos trabalhando com música por este mundo afora, quando subia no palco e dividia com o público suas peripécias, cantando e dançando. Tempos inesquecíveis, maravilhosos e divertidos”.
Após sua saída turbulenta dos Mutantes e do início de sua carreira solo, Rita desde então produziu intensamente e teve várias parcerias ao longo de sua trajetória, como Lucinha Turnbull, conhecida como a primeira mulher a tocar guitarra no Brasil; a banda Tutti Frutti e seu esposo Roberto de Carvalho. Rita Lee representou a loucura, a rebeldia e a irreverência de ser mulher e roqueira em tempos de caretice, conservadorismo e Ditadura Militar. Coisas de quem canta e se orgulha de ser a ovelha negra da família...
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Instável Movimento
Subi João Pinheiro e me ocorreu ir ao
CCBB ver a exposição Paul Klee - equilíbrio instável. Numa primeira
visita, deixando de lado implicâncias com exposições "empacotadas", há
qualidades a ressaltar, para além da óbvia relevância da arte de Klee.
Gostei dos textos concisos, claros e consistentes, e da perspectiva
didática assumida, com uma abordagem eminentemente cronológica que
assume sem drama o caráter monográfico. Num bem bolado nicho, alia-se um
vídeo bem produzido a alguns textos e uns poucos instrumentos de
trabalho para elucidar as técnicas usadas pelo artista, de forma
bastante compreensível para quem não lida com pintura ou conhece
história da arte. Foge da marmota de reproduzir ateliê ou de usar
interações digitais que se convertem em boas distrações lúdicas mas em
si não são capazes de revelar a técnica em aplicação, como o vídeo logra
razoavelmente bem – mais que isso, só praticando mesmo. Ali, talvez até
mais do que no contato direto com as obras – aliás um problema é que
várias que surgem nos vídeos, bem impactantes, não se encontram na
exposição – revela-se ao olhar menos treinado a forma como um pintor é
um investigador e um inventor. A mostra se ressente de ser centrada num
único acervo, por mais que o Centro Paul Klee tenha 4 mil obras, das
quais ali vemos pouco mais de uma centena. Esse porém se revela
sobretudo na decisão que julgo equivocada de incluir a solitária cópia
fac-símile de Angelus Novus, como um pedágio pago à expectativa do
admirador de Benjamin que já decorou mentalmente aquela famosa tese
sobre o “anjo da História”. Uma tremenda “auto-armadilha” dar um
destaque todo especial justamente a uma obra que está ali apenas como
pálida cópia. Essas exposições empacotadas, ainda que milionárias,
muitas vezes não trazem as “joias da coroa” e tentam compensar no
volume, muitas vezes com trabalhos preliminares ou redundantes, que
podem interessar aos muito especialistas mas dificilmente captam a
imaginação do grande público. 
As obras que mais me cativaram foram
“Jovem proletário” e “Equilibrista”, esta última porque ressoou O
trapezista de Kafka, inspiração de outros carnavais. Destaco justo aí as
seções Fantoches e O mundo como palco, que trazem trabalhos que remetem
figurativamente ao núcleo conceitual da exposição, com acrobatas,
marionetes, palhaços e outros personagens que dizem da instabilidade e
dos altos e baixos da vida de artista. Muito revelador aí o pequeno
trecho de entrevista de seu filho Felix e outro vídeo contíguo que
mostra uma das encenações dele com fantoches que ironiza o tempo de Klee
na Bauhaus, tendo sido muitas vezes o pai e seu gato a sua única
plateia. Uma última consideração cabe ante a insistência dessas
curadorias empacotadas com o percurso linear. Nesta em especial será
particularmente difícil voltar de trás pra diante, criando situações
chatas junto a guardas de galeria, que não tem culpa do treinamento que
recebem.sexta-feira, 12 de abril de 2019
Raiz - Ai Weiwei
quarta-feira, 16 de maio de 2018
100 anos de Athos Bulcão













