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quarta-feira, 22 de junho de 2022

Museus de arte e formação de coleções no século XX

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

CURSO DE GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 

DISCIPLINA: Tipologia de Museus 

PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia 

ALUNOS:Alfredo Luis; Alinne Damasceno; Anselmo; Juliane F. Martins e Stéphane S.


O século XIX constitui um período de importantes acontecimentos para a arte e inicia a chamada “era dos museus”. É no século XIX que vai ocorrer a diferenciação entre museus de arte e outros artefatos.

No início do século XX, as múltiplas vanguardas artísticas passam a criticar a antiga ideia de museu, considerando-o lugar morto, onde a arte perderia seu vigor, propiciando múltiplas exposições de arte moderna, quando nascem as galerias de arte expondo os artistas e suas produções contextualizadas na época. As diferenças entre museu e galeria tornam evidente a arte que já foi institucionalizada. A partir disso, hoje se promove um renascimento e uma reestruturação da ideia do museu, prevalecendo a ideia de um museu interativo, onde o público relaciona-se diretamente com o que está exposto.

Durante a segunda guerra mundial, a arte foi vítima de um terrível episódio, os saques realizados pelos nazistas, motivados por racismo, xenofobia e sede de poder, os nazistas confiscaram mais de 20% das obras de arte europeias da época, eles possuíam vários alvos, mas o principal deles eram as obras modernistas, que de acordo com Hitler, iam contra o que os alemães consideravam como arte, e também uma ameaça a arte clássica alemã, também eram pilhadas obras de origem judaica, e de outros grupos inimigos do Führer. Estas eram destinadas aos leilões, onde eram vendidas para a arrecadação de fundos para o partido alemão, ou também para diversas coleções, de membros do alto escalão nazista.

Atualmente, diversas obras ainda estão longe dos seus donos originais, desde o final da segunda guerra até os dias atuais, várias obras estão sendo recuperadas, mas a lentidão e a burocracia destes processos, fazem com que diversos especialistas e governantes, debatam sobre a necessidade da criação de leis e projetos, que facilitem a localização e a devolução destas obras aos seus legítimos donos.

A cultura brasileira, até então sensível a padrões externos, passa a relatar seus cenários políticos, o que ganha ainda mais potência com a chegada das indústrias culturais. O surgimento de inúmeros movimentos culturais, como o I Congresso Brasileiro de Escritores, coordenado por Sérgio Miller, demonstra a motivação da comunidade artística e midiática através do período nacional pós Estado Novo. 

Movimentos como a "greve dos 100 mil", são necessários para compreender o que passava a ser de importante nas futuras galerias nacionais, a arte passa a expressar os desejos políticos da população. Neste período, nós temos a inauguração do MASP Museu de Arte de São Paulo, inaugurado por Adhemar Barros, no período onde queriam que São Paulo se tornasse a próxima New York, devido à grande sede pela intensificação da indústria e americanização do Brasil.

No que tange os aspectos culturais, durante o governo JK, surge em São Paulo capital, a Bienal e as emissoras TV Tupi, TV Record. A primeira bienal aconteceu quando ainda existiam apenas três no mundo, um verdadeiro marco para a cultura brasileira, ela se torna uma potência no despertar de artistas, e era de fato mais voltada a eles do que ao povo. Enquanto a TV, como indústria cultural, teria o poder de alcançar o povo, de formar opiniões, ela cresce enquanto instrumento de comunicação imbatível, enquanto os museus não acompanham as mudanças, a capacidade intimista dos museus de envolver público, agora estava na casa das pessoas.

A falta de medidas públicas eram ineficientes para os museus, seu capital quase sempre é proveniente do setor privado. Nesse sentido, o museu moderno é construído diante das dificuldades econômicas, à mercê do estado e de pessoas com maior poder aquisitivo, e devido a isso a história ilustrada ali ainda é dessas famílias com autoridade financeira. O que é controverso com a ideia de museu, é que nele para muitos, deve se destacar momentos mais relevantes da história, mas o ponto de vista de uma história automaticamente modifica o que é mais importante de ser contado ou não, e a construção histórica acerca disso é prejudicada.

Os museus nacionais podem ser formados a partir de dois segmentos: de direito civil e público.  Os museus públicos são criados seguindo um “modelo”  “Museu tradicional = edifício + coleção + público” (Mário de Souza Chagas), como exemplo:  Pinacoteca de São Paulo (1905) e no Museu Nacional de Belas Artes (1937), no Rio de Janeiro. Já os museus civis são criados a partir de associações civis de direito público e particulares ou aos formados a partir de coleções particulares, como exemplo: MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna de São Paulo. Os museus civis são patrocinados por mecenas. Os museus de arte moderna receberam grandes doações particulares de Nelson Rockefeller e Francisco Matarazzo Sobrinho e Yolanda Penteado.

As megaexposições possuem algumas demarcações específicas, as quais são, a propaganda maciça, pela qual é financiada por grandes empresas da telecomunicação; a produção, que é realizada  por uma equipe que contém conhecimentos bastante específicos sobre o acervo; elas viajam o mundo e por este motivo se tornam atração por onde passam; possui como patrocinadores as maiores empresas multinacionais; e por último, não menos importante o público presente é composto por pessoas muito bem informadas, o que exclui uma grande parte da população, vista a desigualdade.


01 - Louvre (vista de fora)

02 - Louvre (por dentro)

03 - Vaticano


04 - Juízo Final, Michelangelo (dentro da Capela Sistina no Vaticano)


05 - Museu Metropolitano de Arte de Manhattan 

06 - Primeira edição da Bienal de São Paulo

07 - MASP em construção

08 - Ciccillo Matarazzo ao lado de Yolanda Penteadom assina com Nelson
 Rockefeller (dir.) acordo de cooperação com o MoMA

09 - Teatro Cultura Artística

10 - MASP

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

*LOURENÇO, Maria Cecilia França. Museus acolhem moderno.São Paulo: EDUSP, 1999, p.11-81.

*NICHOLAS, Lynn H. Europa saqueada: o destino dos tesouros artísticos europeus no Terceiro Reich e na Segunda Guerra Mundial. Cap 1 e 3. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p.13-36, 70-95.

MACHADO, Fernanda Tozzo. Os museus de arte no Brasil moderno: os acervos entre a formação e a preservação.  Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. 2009, 187 p.

SANTOS, Myrian Sepúlveda. As megaexposições no Brasil: democratização ou banalização da arte?. Cadernos de Sociomuseologia, [S.l.], v. 19, n. 19, june 2009, pp.83-114.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Instável Movimento


 
Subi João Pinheiro e me ocorreu ir ao CCBB ver a exposição Paul Klee - equilíbrio instável. Numa primeira visita, deixando de lado implicâncias com exposições "empacotadas", há qualidades a ressaltar, para além da óbvia relevância da arte de Klee. Gostei dos textos concisos, claros e consistentes, e da perspectiva didática assumida, com uma abordagem eminentemente cronológica que assume sem drama o caráter monográfico. Num bem bolado nicho, alia-se um vídeo bem produzido a alguns textos e uns poucos instrumentos de trabalho para elucidar as técnicas usadas pelo artista, de forma bastante compreensível para quem não lida com pintura ou conhece história da arte. Foge da marmota de reproduzir ateliê ou de usar interações digitais que se convertem em boas distrações lúdicas mas em si não são capazes de revelar a técnica em aplicação, como o vídeo logra razoavelmente bem – mais que isso, só praticando mesmo. Ali, talvez até mais do que no contato direto com as obras – aliás um problema é que várias que surgem nos vídeos, bem impactantes, não se encontram na exposição – revela-se ao olhar menos treinado a forma como um pintor é um investigador e um inventor. A mostra se ressente de ser centrada num único acervo, por mais que o Centro Paul Klee tenha 4 mil obras, das quais ali vemos pouco mais de uma centena. Esse porém se revela sobretudo na decisão que julgo equivocada de incluir a solitária cópia fac-símile de Angelus Novus, como um pedágio pago à expectativa do admirador de Benjamin que já decorou mentalmente aquela famosa tese sobre o “anjo da História”. Uma tremenda “auto-armadilha” dar um destaque todo especial justamente a uma obra que está ali apenas como pálida cópia. Essas exposições empacotadas, ainda que milionárias, muitas vezes não trazem as “joias da coroa” e tentam compensar no volume, muitas vezes com trabalhos preliminares ou redundantes, que podem interessar aos muito especialistas mas dificilmente captam a imaginação do grande público. 

As obras que mais me cativaram foram “Jovem proletário” e “Equilibrista”, esta última porque ressoou O trapezista de Kafka, inspiração de outros carnavais. Destaco justo aí as seções Fantoches e O mundo como palco, que trazem trabalhos que remetem figurativamente ao núcleo conceitual da exposição, com acrobatas, marionetes, palhaços e outros personagens que dizem da instabilidade e dos altos e baixos da vida de artista. Muito revelador aí o pequeno trecho de entrevista de seu filho Felix e outro vídeo contíguo que mostra uma das encenações dele com fantoches que ironiza o tempo de Klee na Bauhaus, tendo sido muitas vezes o pai e seu gato a sua única plateia. Uma última consideração cabe ante a insistência dessas curadorias empacotadas com o percurso linear. Nesta em especial será particularmente difícil voltar de trás pra diante, criando situações chatas junto a guardas de galeria, que não tem culpa do treinamento que recebem.
  
 
Depois, ainda deu tempo de uma corrida à Casa Fiat de Cultura para ver “Beleza em Movimento”, outra onda, exposição de design, especialmente de carros. Vou me permitir aqui sintetizar que curiosamente a sensação predominante foi de nostalgia, e nem tanto pelo inescapável DeLorean de De volta para o futuro (conto do nosso passado nos primórdios da globalização) mas por outros carros que me deram a nítida sensação de estar dentro do meu Supertrunfo de carros, em que inclusive muitos automóveis de salão, apresentados ali como “do futuro”, agora são exibidos como testemunhos do design do pretérito. Ainda deu tempo de encontrar uma querida colega de trabalho de meus primeiros tempos de prefeitura. Nesse ramo aqui, quando não vamos de encontro ao passado, é ele que vem em nossa direção.