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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Museus de Arte e Formação de Coleções no Séc. XX


UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Graduação em Museologia
Tipologia de Museus
Prof. Luiz Henrique Assis Garcia

Alunos: Bianca Portilho Marçal
Camila Amanda Moreira Baldassini
Julia Fernanda Pereira de Paula
Luciana Almeida Tonholli
Marcella Joana de Moura Belloni
 
Museus de Arte e Formação de Coleções no Séc. XX

Que o século XX trouxe grandes avanços para o mundo todos nós sabemos, mas você
sabia que os museus também tiveram uma grande “virada de chave” durante esse
período?! Pois é! Se você não sabia, vai ficar sabendo agora, e se já sabia... fica por
aqui pra saber um pouco mais.
 
Depois do grande boom dos museus no século XIX, o século XX trouxe para esses
espaços um papel fundamental de preservação, reflexão e construção de identidades
culturais, ao mesmo tempo em que se tornaram arenas de disputas ideológicas e
políticas. Isso porque, mais especificamente no contexto da Alemanha nazista, a arte
foi utilizada como uma ferramenta de controle, promoção e exclusão, em que a arte
moderna foi alvo de uma série de repressões.
 
Baldassare (2011), afirmou que na busca pela tal identidade cultural em Buenos Aires
por exemplo, o colecionismo de arte, tanto público quanto privado ajudaram a constituir
as coleções dos museus, se consolidando como uma narrativa cultural de uma
sociedade dita modernista “europeizada”, mas que também buscava (como no Brasil),
afirmar uma identidade latino-americana. Se você não viu a obra “Oca Maloca”, depois
dá uma espiadinha - foi uma instalação de Maria Tomaselli, em uma exposição que
reuniu artistas de cinco estados diferentes do Brasil que representasse o nosso país
através de suas obras.
 
 

 
A partir daí, o museu teve uma evolução em suas funções e seu papel dentro da
sociedade, marcada tanto pelas transformações que estavam ocorrendo, quanto em
termos de estrutura e de função social, discussão muito pertinente ao refletir sobre a
função educativa que tais instituições deveriam exercer. Logo, museus começaram a se consolidar como centros propulsores de cultura artística e contemporânea, e os dedicados à Arte Moderna, começaram a estabelecer um período de mudanças estéticas e preservacionistas. A chamada então arte moderna, nascida no final do século XIX e consolidada no século XX, vinha aí como uma revolução mesmo! Já imaginou?! Ela trouxe uma ruptura significativa com os estilos acadêmicos tradicionais, uma reavaliação do que constituía “arte legitima” e também do próprio papel dos objetos e sua cultura material, transformando tanto os espaços como as práticas curatoriais.

Você acha que foi fácil? É claro que não! Os museus tinham muitos desafios para
acolher o novo e moderno, como desafios curatoriais, institucionais, de infraestrutura
como Lourenço (1999) em “Museus Acolhem Moderno”, relatou ao falar sobre a crise
enfrentada pelos museus neste momento. Apesar das dificuldades, foram se adaptando às mudanças sociais, tecnológicas e políticas e se tornando museus como espaços de experimentação e interação,
rompendo com a ideia tradicional de museu como um local estático e silencioso. Dito
isso, grandes exemplos deste novo universo é o Museu de Arte Moderna de Nova York
(MoMA) e no nosso querido Brasil o Museu de Arte de São Paulo (MASP), que embora
não seja exclusivamente de arte moderna foi pioneiro ao trazer as novidades para cá!
 



 
Porém, ainda sim, nada era um conto de fadas... Muitas obras durante esse período
eram (pasmem!) SAQUEADAS - algumas até hoje disputam o retorno á suas origens -
Aham! Principalmente durante o chamado Terceiro Reich, baseado em dois pilares: a
supremacia cultural alemã (onde a Alemanha deveria liderar a cultura europeia,
destacando a "superioridade ariana" e onde obras de artistas como Da Vinci
tornaram-se alvos de pilhagem) e a exclusão cultural (com a tentativa de eliminar aquilo
que considerava "indesejável" na esfera artística). O bafafá da história quem explicou
com mais detalhes foi Nicholas (1996) em “Europa saqueada”.
Além disso tudo, ainda rolava os impactos da Segunda Guerra Mundial!!! Puro caos...
e no meio disso tudo, o patrimônio artístico europeu, marcado por grandes
bombardeios, devastação, perda e deslocamento das próprias coleções. Ou seja, a
guerra não devastou apenas territórios e economias, mas também redesenhou o mapa
do patrimônio cultural mundial.
 

 
 
Portanto, você viu que foi uma loucura não é mesmo?! Museus se tornando espaços de
preservação e democratização cultural, marcados por conflitos, obras sendo
saqueadas, artístas sendo reprimidos, busca pela identidade cultural e tantos outros
aspectos! Assim foi como os Museus de Arte e as Coleções se formaram no século XX.

Referências

BALDASSARRE, Maria Isabel. As origens do colecionismo de arte pública e privada
em Buenos Aires . In: SOUZA, Eneida Maria de; MIRANDA, Wander Melo(Orgs.). Crítica e coleção. Belo Horizonte: UFMG, 2011. pp. 308-326.
 
LOURENÇO, Maria Cecília França. Museus acolhem moderno.São Paulo: EDUSP,
1999, p.11-81.
 
NICHOLAS, Lynn H. Europa saqueada: o destino dos tesouros artísticos europeus no
Terceiro Reich e na Segunda Guerra Mundial. Cap 1 e 3. São Paulo: Companhia das
Letras, 1996, p.13-36, 70-95.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

MUSEUS DE ARTE E FORMAÇÃO DE COLEÇÕES NO SÉCULO XX

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

MUSEOLOGIA 2022/2


ALICE RODRIGUES

BLENDA CARVALHO

INGRID GABRIELE FERNANDES FONSECA

LUÍSA MARANGONI

LETÍCIA COUTINHO

 

MUSEUS DE ARTE E FORMAÇÃO DE COLEÇÕES NO SÉCULO XX


 O homem é um ser colecionador a muito tempo. A base de um museu são as coleções, a exposição destas para que as pessoas a vejam. Não há exato motivo do porquê ou o que colecionar, a autora Maria Cecília França Lourenço coloca em seu livro “Museus acolhem moderno” essa perspectiva, onde a coleção dentro de um museu deve ser constituída fundamentada nos valores estipulados pela instituição, sendo resultado de demanda e de pesquisas. Assim passam pelos processos de investigação, conservação e extroversão. E nesta visão são desenvolvidos, também, a magnitude desses objetos de vestígio, raridade e preciosidade, tal qual a relevância para as ciências. Os objetos são organizados pelo seu valor como patrimônio e de testemunho e trazem também outras características reunidas através das décadas ( LOURENÇO 1999, P. 31).

A formação de coleções de arte no Século XX funcionava distintamente de acordo com a parte do mundo em questão. Enquanto no Brasil havia uma discussão, e até rebeldia com a arte e a modernidade, na Europa, obras de artes estavam sendo roubadas, destruídas e escondidas devido a Segunda Guerra Mundial, durante a década de 1940. Em paralelo, na Argentina já havia começado a difusão dos museus de arte moderna, porém com pouca arte moderna e mais arte europeia que nacional. 

Figura 1 - El primer luto (1888) - William Bouguereau


Fonte: Arts And Culture


O século XX é dividido entre o período da modernidade e o período modernista. Um se dá antes da guerra e o outro após. Os museus modernos no Brasil começaram na década de 40-50, sendo então no período de guerra e pós-guerra do século XX.  Os MAMs - Museus de Arte Moderna - no Brasil começam a adotar um estilo diferente de arquitetura. Anteriormente definidos pelos padrões parisienses, os museus agora adotam a ideia de arquitetura dos Estados Unidos, novo centro cultural mundial. 

Durante a década de 1950 inicia-se a conversa entre o moderno e modernista. O primeiro, agora mais jovem, tem visões para um futuro melhor, ele se direciona a instituições, rádio, TV e jornais e julga que a arte tem o poder de mover o mundo. A arte fica novamente chamativa  nas bienais. 


Figura 2: Projeto MAM - Affonso Eduardo Reidy


Fonte:   LOURENÇO, Maria Cecília França (1999, P. 20)


Este modernismo começa como algo marginalizado, quase até considerado de primitivo. Fortifica-se na década de 50 devido aos jovens modernos que divulgam a arte. A arte moderna agora entra para os MAMs e é apreciada e vista pelo público.

 O Museu agora se torna também uma obra de arte, um aperitivo para o olhar do visitante antes de conhecer as obras que ele abriga. Não somente no Brasil como no mundo, como o Guggenheim de Nova York. Os modernistas e arquitetos modernos pretendem criar museus que não são só instituições que abrigam obras de arte, mas lugares públicos para todos, não só para apreciar obras, mas para também conviver e passear. Com lanchonetes, lojas, espaços abertos com praças e águas, os designs dos museus ficaram mais abertos, grandes e chamativos, lugares especialmente feitos para a grandiosidade que é o momento moderno.



Figura 3: Museu Solomon R. Guggenheim 


Fonte: www.historiadasartes.com/

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BALDASSARRE, Maria Isabel. As origens do colecionismo de arte pública e privada em Buenos Aires.  In: SOUZA, Eneida Maria de; MIRANDA, Wander Melo(Orgs.). Crítica e coleção. Belo Horizonte: UFMG, 2011.

LOURENÇO, Maria Cecília França. Museus acolhem moderno. São Paulo: EDUSP, 1999.



terça-feira, 22 de novembro de 2022

Visita ao Intituto Tomie Ohtake - Exposição "O Rinoceronte: 5 séculos de gravuras do Museu Albertina"

No último dia de uma recente visita a São Paulo, aproveitei a dica do colega Amilcar Almeida Bezerra e fui conferir a exposição de gravuras da coleção do Museu Albertina no Instituto Tomie Ohtake. Obras de tirar o fôlego, inclusive a que dá título à mostra, da lavra de Albrecht Dürer, que ilustra um incontável número de livros, em campos tão diferentes quanto a biologia, a história e as artes. Entre outros trabalhos de artistas que admiro, me emocionou muito o "Modo de voar" de Goya, pela minha paixão de infância pela aviação, e por ilustrar a capa de um dos livros mais marcantes pra mim em toda a historiografia, "A noite dos proletários" de Jacques Rancière. Encontrei claro outros favoritos, como Klimt, Klee, Munch e Toulouse-Lautrec - evidente a preferência pela passagem século XIX-XX do coração... A disposição é essencialmente cronológica e não há maiores discussões ou criatividades expográficas. Depois de ter passado por exposições inovadoras no Museu do Ipiranga e na Pinacoteca, ficou uma certa sensação de acomodação, com seus prós e contras. Certamente que seria possível ir além da narrativa óbvia e valorizar mais o esforço de trazer uma coleção de valia como essa, e ainda precisamos insistir mais para que exposições de arte, mesmo canônicas, ambicionem ser mais efetivas em alcançar um público menos acostumado e familiarizado com tal linguagem e seus lugares-comuns, como já foi provado em outras ocasiões e instituições. Isso dito, é perfeitamente possível reconhecer a maestria dos traços de grandes artistas que atravessam os séculos.

Do site: https://www.institutotomieohtake.org.br/exposicoes/interna/gravuras-do-museu-albertina

"Os trabalhos reunidos em O Rinoceronte: 5 Séculos de Gravuras do Museu ALBERTINA são provenientes do maior acervo de desenhos e gravuras do mundo, o The ALBERTINA Museum Vienna, fundado em 1776, em Viena, que conta com mais de um milhão de obras gráficas. A seleção das 154 peças para esta mostra, organizada pelo curador chefe do museu austríaco, Christof Metzger, em diálogo com a equipe de curadoria do Instituto Tomie Ohtake, é mais um esforço da instituição paulistana de dar acesso ao público brasileiro a uma coleção de história da arte, não disponível em acervos do país.

Com trabalhos de 41 mestres, do Renascimento à contemporaneidade, a exposição, que tem patrocínio da CNP Seguros Holding Brasil, chega a reunir mais de dez trabalhos de artistas célebres, para que o espectador tenha uma visão abrangente de suas respectivas produções em série sobre papel. “A exposição constrói uma ponte desde as primeiras experiências de gravura no início do século XV, pelos períodos renascentista, barroco e romântico, até o modernismo e à arte contemporânea, com gravuras mundialmente famosas”, afirma o curador.

O recorte apresentado traça um arco, com obras de 1466 a 1991, desenhado por artistas marcantes em suas respectivas épocas, por meio de um suporte que, por sua capacidade de reprodução, desenvolvido a partir do final da Idade Média, democratizou ao longo de cinco séculos o acesso à arte. O conjunto, além de apontar o aprimoramento das técnicas, consegue refletir parte do pensamento, das conquistas e conflitos que atravessaram a humanidade no período.

Do Renascimento, cenas camponesas, paisagens, a expansão do novo mundo pautado pela razão e precisão técnica desatacam-se nas calcogravuras (sobre placa de cobre) de Andrea Mantegna (1431–1506), as mais antigas da mostra, e de Pieter Bruegel (1525–1569), e nas xilogravuras de Albrecht Dürer (1471 - 1528), pioneiro na criação artística nesta técnica, cuja obra “Rinoceronte” (1515) dá nome à exposição. O artista, sem conhecer o animal, concebeu sua figura somente por meio de descrições. O processo, que ecoou em Veneza, fez com que Ticiano (1488 – 1576) fosse o primeiro a permitir reprodução de suas obras em xilogravura por gravadores profissionais. Já a gravura em ponta seca, trabalho direto com o pincel mergulhado nas substâncias corrosivas, possibilitava distinções no desenho e atingiu o ápice nas obras de Rembrandt (1606–1669), que acrescentou aos valores da razão renascentista a sua particular fascinação pelas sombras.

Nos séculos XVII e XVIII, possibilitou-se com a meia tinta, o efeito sfumato, e com a água tinta, a impressão de diversos tons de cinza sobre superfícies maiores. Francisco José de Goya y Lucientes (1746–1828) foi um dos mestres desta técnica, aprofundando a questão da sombra em temas voltados à peste e à loucura. Enquanto Giovanni Battista Piranesi (1720–1778) tem a arquitetura como tônica de suas gravuras em água forte, na mesma técnica Canaletto (1697–1768) constrói panoramas de Veneza.

No século XIX com a descoberta da litografia, com o clichê e a autotipia foi possível realizar a impressão em grandes tiragens sem desgaste da chapa de impressão e a consequente perda de qualidade associada ao processo. Diante disso, artistas tiveram disponível um amplo espectro de técnicas, a exemplo de Henri de Toulouse-Lautrec (1864–1901), o primeiro pintor importante a se dedicar também ao movimento artístico dos cartazes. A metrópole, sua face boêmia e libertina foram amplamente reproduzidas pelo francês, um dos pós-impressionistas, como Édouard Vuillard (1868–1940), que revolucionaram a cromolitografia e influenciaram artistas do final do século XIX e começo do XX, como Edvard Munch (1863–1944), precursor do Expressionismo, movimento no qual notabilizaram-se Ernst Ludwig Kirchner (1880–1938), Max Beckmann (1884–1950) e Käthe Kollwitz (1867–1945). Das joias da coroa austríaca estão dois de seus principais representantes: Gustav Klimt (1862–1918) e Egon Schiele (1890–1918). Como reação ao expressionismo, encontra-se George Grosz (1893–1959), um dos fundadores da Nova Objetividade, corrente de acento realista e figurativo que respondeu ao febril Período entreguerras.

A exposição, realizada com a colaboração da Embaixada da Áustria no Brasil, reúne outros nomes seminais da história da arte moderna como Paul Klee (1879–1940), um conjunto de várias fases de Pablo Picasso (1881–1973), Henri Matisse (1869–1954), Marc Chagall (1887–1985); alcança ainda artistas pop, que se utilizaram particularmente da serigrafia a partir de 1960, como Andy Warhol (1928–1987), até chegar nos mais contemporâneos como Kiki Smith (1954–), além de outros mestres do século XX."

 

Francisco Goya, Os provérbios: modo de voar. 1810-1815

Jacopo Barbari, Vista de Veneza. 1500
Pieter Brugel, o velho. A tentação de St. Antônio, 1556

Paul Klee, Virgem na árvore. 1903

Gustav Klimt, põster da 1ª Exposição de Arte da Associação dos Artistas Plásticos de Sucessão Austríaca (após a censura). 1898 

Albrechet Dürer, O monstro marinho. 1493  
Marc Chagall, Os Pintores. 1923-1927 


Edvard Munch, Madonna. 1895-1902




Algumas obras pela Folha de São Paulo

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Museus de arte e formação de coleções no século XX

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

CURSO DE GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 

DISCIPLINA: Tipologia de Museus 

PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia 

ALUNOS:Alfredo Luis; Alinne Damasceno; Anselmo; Juliane F. Martins e Stéphane S.


O século XIX constitui um período de importantes acontecimentos para a arte e inicia a chamada “era dos museus”. É no século XIX que vai ocorrer a diferenciação entre museus de arte e outros artefatos.

No início do século XX, as múltiplas vanguardas artísticas passam a criticar a antiga ideia de museu, considerando-o lugar morto, onde a arte perderia seu vigor, propiciando múltiplas exposições de arte moderna, quando nascem as galerias de arte expondo os artistas e suas produções contextualizadas na época. As diferenças entre museu e galeria tornam evidente a arte que já foi institucionalizada. A partir disso, hoje se promove um renascimento e uma reestruturação da ideia do museu, prevalecendo a ideia de um museu interativo, onde o público relaciona-se diretamente com o que está exposto.

Durante a segunda guerra mundial, a arte foi vítima de um terrível episódio, os saques realizados pelos nazistas, motivados por racismo, xenofobia e sede de poder, os nazistas confiscaram mais de 20% das obras de arte europeias da época, eles possuíam vários alvos, mas o principal deles eram as obras modernistas, que de acordo com Hitler, iam contra o que os alemães consideravam como arte, e também uma ameaça a arte clássica alemã, também eram pilhadas obras de origem judaica, e de outros grupos inimigos do Führer. Estas eram destinadas aos leilões, onde eram vendidas para a arrecadação de fundos para o partido alemão, ou também para diversas coleções, de membros do alto escalão nazista.

Atualmente, diversas obras ainda estão longe dos seus donos originais, desde o final da segunda guerra até os dias atuais, várias obras estão sendo recuperadas, mas a lentidão e a burocracia destes processos, fazem com que diversos especialistas e governantes, debatam sobre a necessidade da criação de leis e projetos, que facilitem a localização e a devolução destas obras aos seus legítimos donos.

A cultura brasileira, até então sensível a padrões externos, passa a relatar seus cenários políticos, o que ganha ainda mais potência com a chegada das indústrias culturais. O surgimento de inúmeros movimentos culturais, como o I Congresso Brasileiro de Escritores, coordenado por Sérgio Miller, demonstra a motivação da comunidade artística e midiática através do período nacional pós Estado Novo. 

Movimentos como a "greve dos 100 mil", são necessários para compreender o que passava a ser de importante nas futuras galerias nacionais, a arte passa a expressar os desejos políticos da população. Neste período, nós temos a inauguração do MASP Museu de Arte de São Paulo, inaugurado por Adhemar Barros, no período onde queriam que São Paulo se tornasse a próxima New York, devido à grande sede pela intensificação da indústria e americanização do Brasil.

No que tange os aspectos culturais, durante o governo JK, surge em São Paulo capital, a Bienal e as emissoras TV Tupi, TV Record. A primeira bienal aconteceu quando ainda existiam apenas três no mundo, um verdadeiro marco para a cultura brasileira, ela se torna uma potência no despertar de artistas, e era de fato mais voltada a eles do que ao povo. Enquanto a TV, como indústria cultural, teria o poder de alcançar o povo, de formar opiniões, ela cresce enquanto instrumento de comunicação imbatível, enquanto os museus não acompanham as mudanças, a capacidade intimista dos museus de envolver público, agora estava na casa das pessoas.

A falta de medidas públicas eram ineficientes para os museus, seu capital quase sempre é proveniente do setor privado. Nesse sentido, o museu moderno é construído diante das dificuldades econômicas, à mercê do estado e de pessoas com maior poder aquisitivo, e devido a isso a história ilustrada ali ainda é dessas famílias com autoridade financeira. O que é controverso com a ideia de museu, é que nele para muitos, deve se destacar momentos mais relevantes da história, mas o ponto de vista de uma história automaticamente modifica o que é mais importante de ser contado ou não, e a construção histórica acerca disso é prejudicada.

Os museus nacionais podem ser formados a partir de dois segmentos: de direito civil e público.  Os museus públicos são criados seguindo um “modelo”  “Museu tradicional = edifício + coleção + público” (Mário de Souza Chagas), como exemplo:  Pinacoteca de São Paulo (1905) e no Museu Nacional de Belas Artes (1937), no Rio de Janeiro. Já os museus civis são criados a partir de associações civis de direito público e particulares ou aos formados a partir de coleções particulares, como exemplo: MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna de São Paulo. Os museus civis são patrocinados por mecenas. Os museus de arte moderna receberam grandes doações particulares de Nelson Rockefeller e Francisco Matarazzo Sobrinho e Yolanda Penteado.

As megaexposições possuem algumas demarcações específicas, as quais são, a propaganda maciça, pela qual é financiada por grandes empresas da telecomunicação; a produção, que é realizada  por uma equipe que contém conhecimentos bastante específicos sobre o acervo; elas viajam o mundo e por este motivo se tornam atração por onde passam; possui como patrocinadores as maiores empresas multinacionais; e por último, não menos importante o público presente é composto por pessoas muito bem informadas, o que exclui uma grande parte da população, vista a desigualdade.


01 - Louvre (vista de fora)

02 - Louvre (por dentro)

03 - Vaticano


04 - Juízo Final, Michelangelo (dentro da Capela Sistina no Vaticano)


05 - Museu Metropolitano de Arte de Manhattan 

06 - Primeira edição da Bienal de São Paulo

07 - MASP em construção

08 - Ciccillo Matarazzo ao lado de Yolanda Penteadom assina com Nelson
 Rockefeller (dir.) acordo de cooperação com o MoMA

09 - Teatro Cultura Artística

10 - MASP

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

*LOURENÇO, Maria Cecilia França. Museus acolhem moderno.São Paulo: EDUSP, 1999, p.11-81.

*NICHOLAS, Lynn H. Europa saqueada: o destino dos tesouros artísticos europeus no Terceiro Reich e na Segunda Guerra Mundial. Cap 1 e 3. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p.13-36, 70-95.

MACHADO, Fernanda Tozzo. Os museus de arte no Brasil moderno: os acervos entre a formação e a preservação.  Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. 2009, 187 p.

SANTOS, Myrian Sepúlveda. As megaexposições no Brasil: democratização ou banalização da arte?. Cadernos de Sociomuseologia, [S.l.], v. 19, n. 19, june 2009, pp.83-114.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

A Invisibilidade das mulheres artistas dentro do campus Pampulha da UFMG

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Metodologia da pesquisa histórica em museus

Professor: Luiz Garcia

Alunos: Erika Mendonça, Erika Santos, Jonathan Moura, Karla Santos, Natália Rocha

A Invisibilidade das mulheres artistas dentro do campus Pampulha da UFMG

 A invisibilidade da mulher na arte é uma questão que vem sendo discutida há alguns anos. Houve grandes artistas mulheres durante a história, mas a dificuldade em dar nomes e rostos se deve ao fato de que as mulheres não podiam frequentar uma Escola de Belas Artes. Elas sequer conseguiam frequentar uma escola de arte, pois o local era considerado impróprio para a “pureza feminina”.  Preconceitos da igreja, sociedade e família, também afetavam essas mulheres que acabavam desistindo de estudar sobre arte, e até mesmo seguir uma carreira para não ter que enfrentar a sociedade e evitar os problemas sociais que seriam gerados.

A história da arte (como disciplina) é contada de uma perspectiva masculina, branca e ocidental.  Essa narrativa patriarcal, não tinha olhos para os talentos nato dessas artistas, rotulando-as como amadoras, e o que era produzido por elas era  tachado como uma arte “feminina”, diferenciada, que pertencia a uma subcategoria dentro dos padrões antropocêntricos. A profissão “artista” foi, no final do século XIX e início do século XX,  dominada pelo gênero masculino onde o papel das mulheres foi exclusivamente o de “musas”, tendo os seus corpos pintados e esculpidos pelo olhar e desejo dos homens.

            Pensando nas obras que fazem parte do recorte escolhido para a exposição curricular do curso de Museologia em 2021, é possível notar a invisibilidade das mulheres artistas. Nas 26 obras expostas ao ar livre no campus Pampulha, apenas cinco foram produzidas por mulheres, sendo três produzidas por Yara Tupynambá e duas por Rachel Roscoe. Segundo a Revista Museu (2018), das quase 1.700 obras que constam na coleção do Acervo Artístico da UFMG (AAUFMG), menos de cem foram produzidas por mulheres, o que demonstra a dificuldade que as artistas encontraram para se inserir e serem reconhecidas nesse meio. Desse modo, é necessário conhecer mais a respeito da biografia das duas únicas artistas que fazem parte do recorte temático da exposição curricular “Arte (a) Caminho”,  Yara Tupynambá e Rachel Roscoe.

Yara Tupynambá Gordilho Santos nasceu em Montes Claros em 1932 e é uma pintora, gravadora, desenhista, muralista e professora. Se muda para Belo Horizonte em 1950 e inicia seus estudos com Guignard no período de onde aprende um pouco mais de desenhos e lirismo, a artista  estudou anos  também com Oswaldo  Goeldi em 1895 quando iniciou nas gravuras, e é a partir desses trabalhos como gravadora, que Yara passa a se interesse por murais. Em 1968, Yara começa a lecionar gravura na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, onde havia estudado anos antes.  


Fonte: https://abreu.digital/yara-tupynamba-a-vida-retratada-em-fases/

 Seu primeiro painel foi o da Casa da Jornalista, até que surge o convite para a criação da obra “Inconfidência Mineira” de 1969, que representa os primeiros encontros  dos inconfidentes e se encontra no prédio da Reitoria da UFMG e faz parte do Acervo Artístico da AAUFMG  assim como a obra  “Desbravamento do Rio São Francisco” de 1968 localizado na  Auditório Neidson Rodrigues da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, que representa a saga do Velho Chico e o desbravamento do território de Minas Gerais. O último painel que faz parte do AAUFMG é “O Trabalho Humano” de 1969  que fica localizado na Fachada do prédio da FUNDEP (Fundação de  desenvolvimento de Pesquisa) e narra o início da natureza, a criação da mulher e do trabalho e encerra com o ser humano colhendo palavras.

Rachel Roscoe nasceu em 1976 na cidade de Belo Horizonte, a artista estudou Arquitetura e Urbanismo na instituição de ensino PUC-MG durante dois anos, e Artes plásticas, escultura, pintura e várias técnicas na instituição de ensino Escola de Belas Artes - UFMG no ano de 2002. A artista criou a sua técnica chamada “Circunscritos” e vem trabalhando com a mesma desde então, explorando suas diversas possibilidades. A técnica consiste no uso de círculos como conjuntos que constroem a imagem e geram a sensação de movimento, aliada ao uso de cores intensas que tornam suas telas vibrantes.

Fonte: https://www.obrasdarte.com/o-poder-da-arte-em-momentos-de-crise-por-edson-siquara/rachel_roscoe/

Em 2004 ela realizou a pintura do painel “Palas Athena” para a FAE/UFMG e participou da exposição coletiva “Retratos” que aconteceu na Galeria de Artes da Escola de Belas Artes/UFMG. Pela realização do painel, ela recebeu um diploma de Honra ao Mérito pela UFMG pelas contribuições artísticas à instituição em 2005. Cinco anos mais tarde, Rachel inaugura seu segundo trabalho na UFMG, o painel "Transmutação", uma doação dela e de seu tio, Eduardo Roscoe, para a Escola de Engenharia da UFMG, em comemoração ao centenário de nascimento de seu avô paterno. 

 

                Ainda assim, é preciso considerar que ambas vieram de ambientes privilegiados, uma vez que o contexto social não deve ser deixado de lado. Elas estariam expostas na universidade se vissem de outras regiões da cidade? Se fossem pertencentes a outros cenários, das classes menos privilegiadas da sociedade, ainda veríamos suas obras? Decerto que não, assim como não vemos artistas negras, periféricas ou transexuais. A universidade, mesmo sendo um lugar de conhecimento, democracia e pluralidade, ainda traz consigo resquícios da sociedade que a permeia. Tais aspectos também são percebidos no recorte produzido para a exposição curricular, não é preciso apenas ter mais mulheres, mas, que qualquer mulher tenha a possibilidade de se expor ao mundo da arte, se ela assim o quiser.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E LINKS

NOCHLIN, Linda. Por que não houve grandes mulheres artistas? In: Edições Aurora, isbn 978-85-5688-003-1 Tradução autorizada pela autora. São Paulo, maio de 2016. Disponível em: http://www.edicoesaurora.com/ensaios/Ensaio6.pdf

REVISTA MUSEU, Exposição reúne obras do acervo da UFMG produzidas por mulheres. Revista museu. Disponível em: https://www.revistamuseu.com.br/site/br/noticias/nacionais/4323-08-03-2018-exposicao-reune-obras-do-acervo-da-ufmg-produzidas-por-mulheres.html. Acesso em: 19 de Julho de 2021.

RODRIGUES, Rita Lages. ROSADO, Alessandra. SOUZA, Luiz. A.C 22 Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas.Conservação-Restauração e transposição dos murais Do Descobrimento do Brasil ao Ciclo Mineiro do Café de Yara Tupynambá. 2013. (Encontro).

SOUZA, Françoise Jean de O et al. Conjunto de Murais da artista Yara Tupynambá, 2009, 416 p. (Dossiê)

Disponível em : Notícias da UFMG - Paineis de Yara Tupinambá no campus Pampulha são tombados pelo patrimônio municipal Acessado em : 10 de julho de 2021 às 09:45

Disponível em: https://www.obrasdarte.com/o-poder-da-arte-em-momentos-de-crise-por-edson-siquara/rachel_roscoe/ Acessado em 17 de maio de 2021 às 10:30

Disponível em https://acaradorio.com/exposicao-preludio-da-artista-rachel-roscoe-no-centro-cultural-correios-no-rio/  Acessado em 17 de maio de 2021 às 11:17

Disponível em :<https://rachelroscoe.weebly.com/retratos---portrait.html> Acessado em 17 de maio de 2021 às 11:17