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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Raiz - Ai Weiwei

Finalmente achei uma brecha na agenda combinada com boa logística para ir ao CCBB conferir RAIZ, com obras de (ou promovidas por) Ai Weiwei. Vi trabalhos instigantes de um rebelde com causas, conceito aliado a habilidade, diálogo com a tradição sem subserviência, entusiasmo pela novidade sem submersão. Achei também válido o esforço dele de criar obras novas em seu périplo pelo Brasil - a despeito de estereótipos que um contato tão imediato e mediado pelo curador Dantas não tinha a menor possibilidade de desfazer. Sem duvidar do impacto social "local" de trabalhos para os quais convoca artesãos e movimenta economias, saberes e comunidades, acho sempre estranho que esses artistas não problematizem nunca a dimensão de propriedade autoral que toca a si em contraponto ao anonimato que aliena do resultado os nomes e eventualmente os direitos daqueles que supostamente estão promovendo. Por fim, graças ao fortuito e agradável encontro com meu caríssimo Alex Cardoso, de quem cursei uma instigante optativa de Sociologia na graduação, e companheiro de inenarráveis noites enxadrísticas de uns anos atrás, acabei notando como o trabalho de Weiwei com os refugiados permite interrogar fronteiras entre arte e ciência, desde os recursos muito diversos que tem artistas e cientistas de renome para empreender, até como esse intercâmbio sugere que eventualmente os artistas saiam-se melhor como pesquisadores, do que estes últimos quando se pretendem artistas.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

100 anos de Athos Bulcão


Estive agora há pouco no CCBB conferindo a exposição "100 anos de Athos Bulcão" [informações gerais]. Fique agradavelmente surpreendido com o que vi. Se não há nada propriamente impressionante, em termos de pesquisa ou expografia, também não cai nas espetacularizações baratas ou lapsos graves que às vezes encontramos por aí. É, a meu ver, um trabalho correto, que não complica, não enche linguiça - fazia tempo que eu não sentia tanto a amplidão das salas do CCBB, invariavelmente preenchida por mobiliário expográfico em excesso para disfarçar a escassez de obras, o que desta vez não seria preciso - e consegue apresentar ao público um bom panorama retrospectivo da obra do artista, cumprindo o que se propõe numa exposição para celebrar esse tipo de efeméride. Sai-se particularmente bem em mostrar a diversidade de materiais e linguagens com que Athos Bulcão trabalhou, claro que inevitavelmente destacando a integração entre arte e arquitetura, com as obras para prédios públicos e o vínculo com o projeto modernista brasileiro. Claro que há um destaque para a azulejaria, mas talvez a promoção da mostra não esteja a contento, e ao centrar fogo nela, não consegue dar a ver antecipadamente ao público a multiplicidade de objetos e expressões que dispõe ao longo das salas. Além de obras acabadas que incluem pinturas, desenhos, fotomontagens, esculturas com finalidade acústica e até vestuário, maquetes, estudos, plantas e projetos deixam ver o processo de forma mais completa e esclarecedora. Combinado com depoimentos muito bem pinçados do artista - o que revela uma pesquisa competente - e com a alternância entre cinza e cores fortes nas paredes que conversam com o acervo exposto, esse material todo oferece ao público um bom ponto de partida para entender como Bulcão pensava e dava forma à sua criação, inclusive contando com a colaboração inadvertida dos operários da construção civil na colocação dos azulejos. Mas isso poderia, inclusive, se houvesse ousadia para tal, suscitar perguntas sobre autoria, colaboração e reconhecimento onde as fronteiras entre arte e trabalho, invenção e reprodução, entre outras, se borram. Nesse ponto esta e tantas outras exposições de arte silenciam, apesar de terem sido os próprios artistas os primeiros a brincarem com esse fogo.





Além disso, se é legítimo trazer obras de outros artistas para mostrar diálogos e repercussões em produções posteriores, faltou algo mais que mencionar os nomes destes em legendas. Agora, escorregada mesmo foi o aparato de interação, bobo, previsível, sem maiores opções para impulsionar a criatividade do público ou dar algum entendimento prático do trabalho do artista. Dispensável. Finalmente, se a exposição nos situa bem quanto a forte presença da criação de Bulcão no espaço público de Brasília, para outras cidades em que ela se apresenta nem tanto. Caberá provavelmente ao programa educativo compensar a falta de ênfase ao laço dele com BH, como mostrou muito bem a reportagem de Gustavo Werneck no Estado de Minas.  No geral vale a pena dar uma conferida, para ver, além das obras, claro, uma exposição bem realizada acima da média, sem se complicar.
Ah, tem também uma de curta duração "Dragão Floresta Abundante", fruto da residência do artista Christus Nóbrega na China. Muita coisa é clichê mas não deixa de ser oportunidade rara de ver material vindo de lá. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ComCiência no CCBB - uma apreciação

Acabei de voltar de uma visita ao CCBB-BH para conferir a exposição ComCiência, de Patricia Piccinini. O site da instituição tem uma apresentação bastante completa, da qual reproduzo apenas a apresentação geral e deixo o link aos leitores:

Para trazer a questão das mutações genéticas para o território da arte, a artista australiana Patricia Piccinini se utiliza do realismo como linguagem, apresentando ao espectador um universo de criaturas desconhecidas, porém palpáveis e surpreendentemente afetuosas. ComCiência, um neologismo que carrega sentido duplo, conectando consciente e ciência, propõe ao público um percurso narrativo entre esculturas, desenhos, fotografias e vídeos. Curadoria: Marcello Dantas.

Como sempre manda o figurino, antes de qualquer coisa fui à cata de material para não fazer uma apreciação fundada apenas nas minhas próprias impressões e reações. Achei desde matérias que são pouco mais que press releases mais recheados (G1) , chiliquinhos curtos e grossos de críticos que esperam que suas opiniões impactantes nos façam relevar a preguiça de uma análise mais atenta (Folha) e até um texto bastante generoso, até demais (JB). Quando se trata de arte contemporânea ou trabalhos que a margeam, fico com a sensação de que se o conceito for minimamente instigante, nem precisa de muito desenvolvimento ou coerência, pois há um batalhão de críticos e meios prontos a lhe conceder uma consistência que muitas vezes o próprio trabalho não apresenta. Sinto que é bem o caso, como pretendo mostrar mais adiante.
Bem, sem mais delongas, passemos ao assunto da postagem. O conceito e a proposta estética são, a meu ver, bastante óbvios. As criaturas do mundo imaginário de sua criadora seriam aparentemente surpreendentes e eventualmente repulsivos, mas no fundo são bastante familiares e capazes de despertar empatia. Fica fácil percebê-las como pertencentes ao conjunto de uma mesma obra e a esse suposto mundo intermediário entre o presente e o futuro. Nas palavras de Piccinini "O mundo que crio existe em algum lugar entre o que conhecemos e o que está quase sobre nós (a imaginação, ou o futuro).". Sim, mas de fato nesse sentido são homogêneas até demais, ou seja, podemos dizer que pertencem a um mesmo set de filmagem. Isso se reflete nas escolhas de formas, de cores e até mesmo dos certos bichos que servem de inspiração para os devaneios genéticos bastante limitados que apresentam. Uma das primeiras sensações que me causou foi justamente de enfado pela monotonia das cores das peles dos seres, quebrada aqui e ali numa ou noutra sala, exceções fazendo valer a regra. Diz a matéria do JB "O incômodo provocado por esses monstrengos de silicone concebidos por Patricia nos mostra sobre nossos próprios sentimentos, ampliando nossa compreensão sobre questões complexas e delicadas como a imposição de padrões de beleza, o racismo e a xenofobia". Será mesmo? Se a tônica é a da aceitação, sem qualquer sugestão do conflito entre as possibilidades de interação entre as criaturas e as invariáveis crianças - aliás, pasteurizadas numa suposta postura sem pré-conceitos. Falta humanidade às crianças.
As esculturas, destaque entre as diversas linguagens artísticas empregadas, em seu hiper-realismo "pseudo-mágico" - já que representam um universo imaginado, ainda que não propriamente imaginativo - não alcançam nem de longo a visão especulada nos melhores trabalhos da ficção científica. Pense aí por exemplo na visão de H.G. Wells em A ilha do Dr. Moreau, há mais de cem anos. Fábio Cypriano, na Folha, ao menos intuiu a falta de originalidade ao comparar as obras aos personagens hollywoodianos de E.T. e Guerra nas Estrelas da vida. Essa comparação é reforçada pela informação de que seu estúdio de Melbourne "(...) em muito se assemelha a um espaço de criação de efeitos especiais para o cinema, com seus ateliês de pele, unha ou cabelo" (JB, 24/04/2016). Aliás, por relatos que obtive da apresentação que a própria artista fez na casa quando da inauguração, há um trabalho em série industrializado e standartizado, emprego ad nausea dos mesmos materiais, em que qualquer apuro técnico fica diluído. O hiper-realismo aí, longe de dar asas à imaginação, a prende a um universo referencial já esgarçado,do cinema blockbuster e do videogame, eventualmente do desenho animado e dos quadrinhos - a própria artista parece, inadvertidamente, dar a pista da banalidade que cerca hoje temas como bioengenharia e tecnologia: "Somos cercados por modificações genéticas escondidas em nossos alimentos e animais, sem ao menos dar conta! Eu não induzo o visitante a pensar qualquer coisa sobre engenharia genética, mas pergunto como eles se sentem frente a essas possibilidades". Ora, me parece que ela não entendeu bem que isso está é naturalizado. Aquele filminho manjado de microrganismos se reproduzindo que o diga. Aliás, tratando-se de animais domésticos, plantas, já estamos brincando de deus há milênios. Assim, fica evidente essa retórica pós-moderna de que tenho enorme preguiça, em que o desconhecimento mínimo de história faz as pessoas se sentirem à vontade para apresentar como uma sacada surpreendente algo óbvio, ou fenômenos antiquíssimos como novidades ou, no mínimo, famigeradas "releituras". Parece estar aí parte da explicação para o grande sucesso da exposição entre jovens e crianças, parcelas do público acostumadas a consumir essa estética, que portanto lhes é completamente familiar e confortável. Os jovens também se divertem com as fixações anais, sexuais, corporais. Também pode estar nessa correspondência com a experiência de transformação de seus corpos a empatia com a exposição - de resto, com o tema da mutação, como já nos ensinou o mestre Stan Lee ao criar os X-Men, algumas décadas atrás. Aliás, num dos poucos pontos em que a monotonia é quebrada de fato, na sala que expõe as "máquinas orgânicas", mais uma vez é fácil reconhecer a remissão à cultura de massa, desde a proposta dos robôs emocionais de Guerra nas Estrelas, Carangos e Motocas (esse só quem tem de 40 pra cima saberá...) aos onipresentes Transformers. Não vejo problema em que se estabeleça diálogo com essa estética da cultura massificada, seja qual seu formato. A arte tem bebido nessa fonte faz tempo, mas os bons trabalhos são os que não se limitam a emulá-la. 
Falo por fim alguma coisa de expografia. Basicamente, me pareceu em primeiro lugar que o discurso do curador Marcelo Dantas não encontra ressonância no que nossos sentidos nos informam. “É como se você tivesse entrado nesse circo, nessa casa mal-assombrada”. Hein? Teria sido interessante brincar com o conceito dos Freak Shows, mostras itinerantes de aberrações que povoaram o imaginário de outras gerações num tempo em que o espanto não era fornecido em lata pelo cinema. Mas isso iria chocar-se frontalmente com o conceito de aceitação proposto na fala da autora. Não há horror algum, e sim uma empolgação que se reflete no comportamento do público, sempre soltando exclamações e interrogando alguém se já viu isso ou aquilo. Pra não falar das recorrentes fotos e selfies. O outro ponto que destaco, que me causou profundo incômodo, foram os textos de parede, da autora ou do curador, excessivamente descritivos e explicativos. Não deixam nenhum espaço à interpretação, mastigando demais. Passam do ponto. Isso vindo de mim, eterno crítico das paredes lacônicas, é de se notar. Nisso concordo com o Cypriano, ainda que deixe pra ele o tom bombástico. Acho que se tem que explicar tanto é porque a obra não tem tanta capacidade de comunicação. Pra muita coisa basta um título bem bolado, ou poucas frases. Nem sei se é populista, porque afinal sem dados não podemos saber quanto do público lê os textos. Parece que alguns foram substituídos ou melhorados desde as mostras anteriores em CCBBs de outras cidades.  Que o CCBB tem sido eficiente em apresentar exposições de atração de público em massa, estamos cansados de saber. O que falta é ir além dos números. Essa afluência de um público que não está acostumado a frequentar museus e centros culturais deve ser celebrada, mas não acriticamente. Nesse sentido seria salutar que as instituições promovessem pesquisas qualitativas de público para gerar um conhecimento relevante sobre a forma como são percebidas as exposições e se é pertinente ou não a suspeita de que as obras são "diminuídas" quando a proposta adere a essa perspectiva de consumo cultural.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Comentários sobre a exposição Zeitgeist no CCBB

"A exposição “Zeitgeist – Arte da nova Berlim”  reúne, pela primeira vez no Brasil, um panorama consistente da respeitada comunidade artística de Berlim, traduzindo o espírito de uma época marcada por contradições e reinvenções. A mostra reúne pintura, fotografia, videoarte, performance, instalação e a cultura dos clubs berlinenses, na visão de 29 renomados artistas.
Marcada por duas guerras mundiais e dividida pelo Muro durante quase três décadas, a capital da Alemanha se reergueu das cinzas.  Da vida improvisada dos anos 1990, as contradições que caracterizaram a cidade, reinventada a partir de dois mundos, acabaram por formar, pouco a pouco, o Zeitgeist – espírito de uma época, a partir do qual a arte, a cultura e as relações humanas evoluem – que hoje projeta sua influência muito além da Europa Central e atrai artistas do mundo todo com seu magnetismo.
O percurso concebido para a mostra Zeitgeist é uma oportunidade de vivenciar alguns dos aspectos que fazem de Berlim um lugar encantado entre extremos, e que são recorrentes no modo de existir da metrópole. Como observadores atentos da vida da cidade, do mesmo modo que o pintor Adolph von Menzel (1815-1905), um dos maiores representantes do realismo alemão, os artistas da mostra exibem aspectos marcantes da capital da Alemanha."



Eu particularmente confesso que esperava mais. Em alguns módulos fiquei com a sensação de que a exposição não conseguiu traduzir tão bem a diversidade e a dinâmica que se atribui ao cenário artísticos berlinense contemporâneo, e até evidencia como o "alternativo" pode ser monótono e homogêneo. A única seção que me cativou especialmente foi a que expunha os panfletos com as programações das casas noturnas - emblematicamente em contraste com os fragmentos alusivos às trilhas sonoras e espaços, que em geral me pareceram indecisos entre a reconstituição e a insinuação, sem definitivamente estabelecer uma ponte sensível com os lugares, pois faltou história, contada com palavras ou com imagens. Claro, são as opiniões de um historiador de cidade e de música popular, não de um estudioso das artes, por exemplo. Estou mais que curioso para saber o que vocês acharam...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Museus numa encruzilhada contemporânea

"Um papel central do museu é, dessa forma, operar como uma máquina do espaço-tempo, transportar-nos para diferentes períodos e culturas – para diversos modos de perceber, pensar, representar e ser –, a fim de que possamos testá-los em relação a nossas próprias época e cultura, e vice-versa, e, nesse processo, quem sabe transformarmo-nos um pouco. Esse acesso a vários passados e a vários presentes se reveste de particular urgência numa era de um presentismo consumista, de paroquialismo político e de cidadania truncada. No fim das contas, se os museus não são locais em que se cristalizam diversas constelações de passado e presente, para que precisamos deles? " Hal Foster, Museus sem fim. Artigo publicado na revista Piauí, edição 105. (link)

Obs: esclareço que esse é um blog de finalidade cultural e educativa, sem qualquer função comercial. O conteúdo completo do artigo é acessível apenas a assinantes.

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Esta é uma perspectiva com a qual estou plenamente afinado. Em várias das disciplinas que leciono e textos que discutimos nas aulas apontam justamente para essa encruzilhada. Inclusive, sobre outro ângulo, o texto que publiquei recentemente na revista eletrônica Museus aborda os dilemas contemporâneos das instituições museológicas: Museus para uma sociedade (in)sustentável (completo, aqui). Um pequeno trecho...

Em meio às contradições de nosso tempo convulsionado, não sobrevivem ao exame crítico os apelos superficiais, o bom-mocismo politicamente correto que esconde sob o “selo” da “sustentabilidade” a estratégia de apaziguar e no fundo, perpetuar, esse estado insustentável de coisas. Cabe aos museus ir ao nervo do problema, afirmando assim seu propósito como foro público de debate e experimentação. Nesse sentido, precisam confrontar suas próprias fissuras, suas próprias incongruências defrontadas no cerne de suas operações, e não apenas em atividades esporádicas que se dão em suas dependências mas em nada alteram seu modus operandi. 

Boa reflexão a todos!

sábado, 9 de maio de 2015

Uma breve história da Bienal de Veneza

O curta de Oscar Boyson “A Short History of the World’s Most Important Art Exhibition,” (Uma breve história da mais importante mostra de arte do mundo), nos leva aos bastidores do evento e contextos históricos e políticos abarcados  ao longo de sua história, intercalando uma narração tradicional, informativa, com outra mais acelerada, encadeando elementos com em um videoclipe, e ainda um terceiro fio narrativo que corre através do depoimento de artistas e curadores. 


Completo a postagem com um link para um álbum fotográfico que faz a síntese visual da edição 2015 da Bienal, publicada pelo jornal The Guardian [completo, aqui].

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Tipologia de Museus: Visita à exposição O Fotojornalismo no Brasil



Na quinta-feira (17/10/2013) a turma da disciplina de Tipologia de Museus, do curso de Museologia da UFMG, ministrada pelo professor Luiz Henrique Garcia, visitou a exposição As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre O Cruzeiro (1940-1960), que se encontra no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e o Instituto Moreira Salles) em Belo Horizonte. A exposição tem curadoria da professora e curadora do Museu de Arte Contemporânea da USP, Helouise Costa, e de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles.



 Os alunos puderam apreciar e ao mesmo tempo analisar a exposição, cujo acervo é composto principalmente de fotografias (entre originais, novas tiragens e reproduções) e exemplares de revistas “O Cruzeiro” (originais e reproduções), além de alguns vídeos e documentos. Fruto de uma pesquisa minuciosa, a narrativa abarca duas décadas da história do Brasil e do mundo no século XX, apresentando questões políticas, econômicas, culturais e socais nacionais e internacionais referentes ao período. Um de seus maiores méritos é mostrar o papel dos indivíduos nas transformações do fotojornalismo, sem com isso desconsiderar o contexto histórico e social em que a revista estava inserida.



A visita destacou áreas da exposição em que se apresentam as representações sobre populações indígenas em foto-reportagens (a serem abordadas em seminário proposto sobre Museus Etnográficos) e algumas matérias sobre  museus de arte, além de uma reflexão sobre o próprio status da fotografia (a serem retomadas em seminário sobre o tema). Os alunos são incentivados a formar uma percepção crítica sobre a exposição, levando suas colocações para as discussões em sala de aula.