Mostrando postagens com marcador Belo Horizonte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Belo Horizonte. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Os espaços de socialização da comunidade LGBT de Belo Horizonte

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE CIÊNCIAS DA INFORMAÇÃO
DISCIPLINA METODOLOGIA HISTÓRICA EM MUSEUS

Beatriz Queroz Figueiredo
Camila Bueno Marques Salera
Ingrid Ferreira das Dores Andrade
Isabelle Iennaco
Maíra Paula Gil
Raphaela Luiza Damato Lima

O trabalho “Espaços de socialização da comunidade LGBTQIA +” foi concebido por alunas no sexto período do curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais. O intuito do estudo consistiu na busca de uma maior compreensão do porque esses espaços são considerados LGBT friendly, bem como entender as pessoas LGBTs como sujeitos sociais que circulam ao mesmo tempo de forma livre, segundo a lei escrita e restrita, levando em conta os espaços que são de fato seguros para a existência queer.


https://www.guiagaybh.com.br/a-cidade 


A escolha dos locais: Café Cultura Bar, Café com Letras, Café Cine Belas e o próprio Cine Belas ocorreu em virtude da presença desses espaços no Guia Gay BH. O fato de um encontrar-se relativamente perto dos demais foi fator fundamental na escolha. Outro ponto importante é a localização na região da Savassi, conhecido point LGBT da cidade onde andam, segundo as pessoas mais conservadoras,“pessoas estranhas” e com roupas igualmente estranhas. A presença dos locais supracitados no Roteiro GLBT BH do “Jornal Rainbow”, acervo do professor Luiz Morando foi essencial para a consolidação de nossa escolha. O trabalho do referido docente de coleta e seleção para a construção da coleção que foi ponto de partida para esse trabalho deu-se em virtude da ausência de um número significativo de publicações acerca da temática LGBT na atualidade, ao menos no que diz respeito à realidade brasileira.


Com a realização do trabalho, temos como objetivo a aplicação das metodologias para a realização de uma pesquisa histórica e a laboração da mesma baseada em bibliografia, trabalho de campo, análise e purificação das fontes para a construção de algo sólido acerca dos espaços de socialização da comunidade em questão. A metodologia aplicada foi: visita ao acervo do professor Luiz, pesquisa bibliográfica e realização de entrevistas. A efetivação das últimas foi primordial para entendermos a realidade desses estabelecimentos, suas relações com a população LGBT e a efetiva acolhida ou não da diversidade, tendo em vista duas negativas de entrevista quando o assunto foi revelado.


O Café Cultura Bar mudou de dono há onze anos e o local que antes era um café cultural atualmente apresenta a proposta de ser um bar. O público alvo aparentemente segue sendo, segundo a entrevista com um funcionário da casa “mais de esquerda”. A tentativa dupla de realização da entrevista com algum funcionário do Café com Letras foi frustrada, assim como ocorreu no Café Cine Belas. O Cine Belas Artes (atual Una Cine Belas Artes), que também fez parte de nossa pesquisa, foi inaugurado como cinema em 1992 e conta com um histórico cultural e de resistência que vai muito além de sua trajetória como cinema de arte. O local anteriormente era a sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG. Fomos bem recepcionadas quando em trabalho, contudo, tivemos que falar com várias pessoas até que alguém concedesse uma curta entrevista sobre os frequentadores LGBTs.


(...)os atuais grandes centros urbanos não podem ser considerados simplesmente como cidades que cresceram demais - daí suas mazelas e distorções. A própria escala de uma megacidade impõe uma modificação na distribuição e na forma de seus espaços públicos, nas suas relações com o espaço privado, no papel dos espaços coletivos e nas diferentes maneiras por meio das quais os agentes (moradores, visitantes, trabalhadores, funcionários, setores organizados, segmentos excluídos, “desviantes”, etc.) usam e se apropriam de cada uma dessas modalidades de relações espaciais. (MAGNANI, 2002, p.8)


Durante a realização da pesquisa foi possível constatar a presença senão de algum grau de preconceito, ao menos certo receio em tocar nesse “tema tabu” que é a população LGBT. Os espaços sociais podem, de acordo com Miége ser locais “ de resistência, uma auto-organização diante do espaço público burguês, no âmbito dos movimentos sociais”. Conseguimos constatar que mesmo sob uma represália muitas vezes sutil como “os olhares, as atitudes veladas, os comentários” descritos por Peret, a população LGBT segue frequentando os espaços e transformando ora um cinema de arte, ora um café em pontos de encontro relativamente seguros para a comunidade.


Uma questão que à primeira vista não ficou muito clara acerca dessas vivências tidas como “fora do normal” é o medo de simplesmente falar sobre a população LGBT. Após um exercício mental de ler nas entrelinhas à moda de Zadig no conto de Voltaire “O cão e o cavalo” - conseguimos perceber que a vida cor de rosa é apenas uma licença poética concedida à Édith Piaf, nem sempre as informações encontram-se claras o suficiente à primeira vista, logo, uma análise mais aprofundada pode acabar com construções utópicas. Sobre a prática da pesquisa em campo, nos conta Georges Duby que: “A distância entre essa verdade que o historiador persegue e que se esquiva sempre, e o que manifestam os testemunhos que está em condições de interrogar” é um processo inerente da purificação das fontes tão necessária para a construção de algo com alicerces sólidos.


Referências Bibliográficas


MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. Revista brasileira de ciências sociais, v. 17, p. 11-29, 2002.


MIÈGE, Bernard. Mutações no espaço público contemporâneo: Sete considerações fundamentais sobre o espaço público contemporâneo. In: SOUSA , Mauro Wilton de; 


PERET, Luiz Eduardo Neves. Pegação, Cidadania e Violência: as Territorialidades do Imaginário da População LGBT do Rio de Janeiro. Revista Contemporânea ed.14, vol.8, n1, 2010. p. 63 - 76


GINSBURG, Carlo. Sinas: raízes de um paradigma indiciário. Mitos, emblemas, sinais. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p.143-179. 


VOLTAIRE. O cão e o cavalo. In: CONTOS. São Paulo: Nova Cultural, 2003. cap. 3, p. 14-17.


DUBY, Georges. A História Continua. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1993, 162 p. (Caps. III, IV)

O QUE SÃO OS NOSSOS LUGARES DE ONTEM HOJE? UM ESBOÇO CARTOGRÁFICO DOS ESPAÇOS LGBTQIA+ DE BELO HORIZONTE (1970-1990)

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – UFMG

ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

CONSERVAÇÃO E MUSEUS II

PROFESSORA: Luiz Henrique Garcia

ALUNA: Alice Rodrigues, Elison Vitor, Flávia Torres, Daise Garcia, Evelyn 



Todos os dias, a gente acorda, se conecta à internet e se informa, informa e opina sobre o lugar que mora. Posta fotos, vídeos e faz outras infinidades de coisas que nos dizem sobre hábitos cotidianos dessa cidade. São coisas que dizem sobre o lugar e suas dinâmicas. Quando pensamos a cidade como geografia das experiências, os lugares adquirem identidades tão diversas quanto as subjetividades que os ocupam, sejam para construir experiências significativas, sejam como espaços de fluxo.

Nesse espectro das dinâmicas sociais (especialmente na modernidade e todo o seu aparato contemporâneo), o espaço acresce a elas o sentido do novo. Os lugares se movimentam dentre os espaços da cidade e a cidade se transforma a cada demanda da especulação imobiliária, tendências econômicas, políticas, demográficas e ideológicas. Ver imagens da Belo Horizonte dos anos 1970, nós, 90's e 00's kids, é como avistar o desconhecido e reconstruir imagens de um cotidiano desconhecido. E esse cotidiano está além da objetividade daquele lugar. O cotidiano dos anos 1970 está repleto de uma forma de se vestir, de falar, de uma estética material, ideologias e pessoas que minimamente compartilhamos o fundamental nos dias de hoje. Não porque se perde, mas porque a cidade é esse lugar rotativo e transformador a cada geração, a cada demanda de pensamento. 

Durante a pesquisa que empreendemos sobre os espaços de sociabilidade LGBTQIA+ em Belo Horizonte dos anos 1970 e 1980, nós nos deparamos com um universo social totalmente adverso ao de 2022. Durante o levantamento dos dados, encontramos muitas saunas e boates inauguradas na cidade, primordialmente nos anos 1980 (e essa abertura advém do fortalecimento das lutas LGBTQIA+ ao longo do século XX). Ao filtrarmos os metadados de pesquisa, nós nos deparamos com vários artigos de opiniões, peças teatrais, entrevistas em jornais de grande circulação na cidade dedicadas ao tema. Isso demonstra a significância da cidade e seus lugares para as subjetividades que nela habitam, que os lugares não são espaços neutros e a sua edificação, especialmente os lugares de sociabilidade, expressam as lutas daqueles que dedicam as suas vidas pelo direito de ocupá-los. Falar de cidade é falar de direitos, e assim cartografamos alguns desses lugares e os apresentamos tal qual são hoje mediados pela seguinte pergunta: o que a imagem do presente permite narrar sobre o passado? Nessa pesquisa, ao fotografarmos o hoje com o intento de sabermos que há naqueles endereços hoje, questionamos como seria? Quem frequentaria? Quais vivências ocorreram ali? Essa a intrigante pergunta sobre o lugar; para além do que era, quais memórias se constituíram ali? Qual o significado desses lugares quando se pensa a sociabilização? Dentre esses lugares há saunas dedicadas ao público masculino. Qual a importância desse espaço para a promoção de encontros, o conforto e segurança para a expressão da sexualidade, afetos e dos encontros? Quando se pensa em bares ou nas festas LGBTQIA+ em que havia um círculo principal de amigos e se estendia à agregados e pessoas recém conhecidas que encontravam ali um ambiente seguro para experienciar o universo queer ou até mesmo as festas panfletadas entre os membros da comunidade… há tudo nisso uma dinâmica social e a rotatividade ou, melhor dizendo, a revitalização, a reinvenção e as novas significações desses lugares e do espaço urbano em si. Isso diz sobre as nossas lutas diárias enquanto pessoas, enquanto coletivos, independente das classificações das nossas identidades e dos interesses que sustentam as nossas ocupações.

0 - Cartografia de Belo Horizonte: locais visitados

01 - SOHO: Rua Santa Rita Durão, 674. Funcionários

02 - TOCA: Rua Aimorés, 1855. Lourdes

03 - ALIÁS: Rua Gonçalves Dias, 2217. Lourdes


04 - ZUUM: Av. Bias Fortes, 541; esquina com Bernardo Guimarães. Lourdes

05 - LULU: Rua Leopoldina, 415. St. Antônio

06 - CARBONARA RESTAURANTE: Praça Raul Soares, 350. Centro

07 - VAPORE - Rua Timbiras, 2523. Lourdes

08 - SAUNA NETURNO: Rua Guajajaras, 2099. Barro Preto

09 - PHSYQUE AND BODY THERMAS: Rua Timbiras, 2040. 
Lourdes

10 - EROS MIX CLUB: Rua Aimorés, 1840. Lourdes

11 - JOSEFINE: Rua Antônio Albuquerque, 729. Savassi

12 - RAINBOW: Rua Goitacazes, 1361. Barro Preto


13 - BELAS ARTES, ESPAÇO URBANO: Rua Gonçalves Dias, 1581. Lourdes

14 - CINE SHOPPING ROMA: Av. Santos Dumont, 477. Centro

15 - CAFÉ BELAS ARTES: Rua Aimorés, 1840. Lourdes

16 - CAFÉ COM LETRAS: Rua Antônio Albuquerque, 718. Lourdes

17 - CAFÉ DO CASTELO: Rua da Bahia, 1149. Centro

18 - GIZ BAR: Av. Contorno, 2395. St. Tereza 


REFERÊNCIAS


BOURDIEU, Pierre. Espaço físico, espaço social e espaço apropriado. São Paulo: Estudos Avançados. 2013.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. Revista Brasileira de Ciências Sociais [online]. 2002, v. 17, n. 49 [Acessado 13 Abril 2022] , pp. 11-29.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. Volume 1. São Paulo: Editora Terra e Paz S.A, 1999. Pp. 571

MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. Revista Brasileira de Ciências Sociais [online]. 2002, v. 17, n. 49 [Acessado 13 Abril 2022] , pp. 11-29.

PERET, Luiz Eduardo Neves. Pegação, Cidadania e Violência: as Territorialidades do Imaginário da População LGBT do Rio de Janeiro. Revista Contemporânea ed.14, vol.8, n1, 2010. p. 63 - 76.

QUEIROZ, Luiz Gonzaga Morando. Vestígios de proativismo LGBTQIA em Belo Horizonte (1950-1996). Revista Unilab. vol 1, n. 4, 2008.

SANTOS, Leonel Cardoso dos. Gradientes Hierárquicos ‘na Balada’: Etnografia, Corpos e Sociabilidades nas Boates GLS de Belo Horizonte. 2012. 116 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2012.

MIÈGE, Bernard. Sete considerações fundamentais sobre o espaço público contemporâneo. 2014

Scott, J. (2017). Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade.  V. 20 n. 2. Porto Alegre, 1995


quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Museu Clube da Esquina e as placas por Belo Horizonte [Função Social dos Museus 2019]


ECI- UFMG
Curso: Museologia
Disciplina: Função Social dos Museus
Professor Luiz H. Garcia

Grupo: Aida Araújo, Arthur Teixeira, Giovanna Gimenez, Nathália Peroni e Victoria Ballardin


MUSEU CLUBE DA ESQUINA E AS PLACAS POR BELO HORIZONTE


A importância do Clube da Esquina, tanto no âmbito musical quanto em relação à outras questões e espaços, já foi discutida diversas vezes através de artigos, dissertações, teses e outros projetos de pesquisa. Entretanto, em uma rápida pesquisa, percebe-se a dificuldade de encontrar informações sobre o projeto do Museu Clube da Esquina em Belo Horizonte. Em um rápido histórico sobre o Museu, ele se realizou primeiramente em parceria com o Museu da Pessoa, no ano de 2004, possuindo por um tempo site próprio, agora desativado.

De forma física, foi em dezembro de 2005, segundo uma reportagem do jornal O Tempo, que placas de metal começaram a ser colocadas pela cidade, em pontos que não só fizeram parte de forma direta para os integrantes do Clube, mas também espaços que faziam parte do cotidiano destes, tendo em vista que, de acordo com Márcio Borges, “a idéia do guia é, também, prestar uma homenagem à cidade” (apud BARBOSA, 2005). Destes espaços foi feito o Guia de Belo Horizonte – Roteiro Clube da Esquina (2005). Em 2011 houve também a notícia de que o Museu Clube da Esquina ganharia outro espaço físico no prédio onde funciona o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas). Porém, é notório que o projeto não foi levado até o final. Ademais, em 2015 foi inaugurado o Bar do Museu Clube da Esquina, o qual possui discos, fotos e outros itens relacionados ao Clube e, mais recentemente, aconteceu a exposição Canção Amiga – Clube da Esquina, no ano de 2017. Apesar de todos estes acontecimentos (e “desacontecimentos”), a forma física do Museu Clube da Esquina mais duradoura – as placas pela cidade – grande parte das vezes passa despercebida pela maioria da população de Belo Horizonte.

O grupo propôs, então, algo que tenta mudar esta situação de invisibilidade e esquecimento das placas sobre o Clube da Esquina pela cidade de Belo Horizonte. Nossa ideia foi dividida em duas etapas: a primeira parte foi realizada nos dias 25 e 26 de agosto de 2019 em quatro pontos da cidade de Belo Horizonte, sendo eles o Bar do Museu do Clube da Esquina, a esquina da Rua Paraisópolis com a Rua Divinópolis (no bairro Santa Tereza) e os Edifícios Maletta e Levy, no centro da cidade. A intervenção consistia em entrevistar rapidamente comerciantes ou moradores dos arredores e transeuntes questionando acerca das placas e do próprio Clube da Esquina.

As entrevistas feitas ficaram divididas: alguns conheciam o Clube da Esquina e a placa, outros nunca tinham ouvido falar do Clube, muitos não entendiam o significado da placa mesmo já tendo as visto, enfim, os relatos foram diversos. 

“Eu lembro muito do clube da esquina, porque meu cunhado também fazia parte deste grupo. A placa eu achei meio confusa, depois vi que tinha poesia nela”

“(...) eu vejo aqui muita gente que vem no período de férias pra ver só esta esquina, é visitada por quem conhece o Clube da Esquina, quem não conhece passa e não entende o que é esta placa, (...)os de fora dão mais valor dos que os daqui."

“(...) eu vi essa placa e não entendi, não vi nada relacionado ao museu do clube da esquina.”

“Sim, [conheço a placa] desde o início. (...) Inclusive eu conheço alguns deles né, que são até clientes aqui.Eles vinham aqui na loja. (...) São amigos nossos! "

De todo modo, sentimos que nosso objetivo foi cumprido. Estabelecemos conversas, trocamos experiências, alguns contavam detalhes e fatos que não sabíamos e, para aqueles que não conheciam o Clube e o Museu, tentamos levar até a pessoa um pouco do que sabemos, falando dos artistas e das placas pela cidade.

Na segunda etapa do projeto, colamos cartazes pelas ruas de BH e no Campus da UFMG que continham o link para um site que criamos, visando trazer visibilidade ao Clube da Esquina. Inicialmente pensamos em colocar os cartazes pela Praça da Liberdade, devido à grande circulação de pessoas ali. Porém, devido à incerteza quanto à possibilidade de colar cartazes no local, decidimos espalhar os mesmos na Rua da Bahia, Rua Aimorés e na Avenida João Pinheiro. Já na UFMG, os cartazes foram distribuídos na FALE, ECI, FAFICH e Praça de Serviços. 

Logo após colocarmos os cartazes no Campus UFMG e logo recebemos retorno de conhecidos, que nos enviaram fotos indicando que tinham visualizado os cartazes e se interessado pelo projeto, o que nos fez perceber que nosso objetivo estava sendo cumprido e que os lugares escolhidos para a realização da atividade foram estratégicos e eficientes, pudemos perceber o quão é importante que os museus conheçam e compreendam seus públicos, pois só assim será possível cumprir suas funções, levando em conta as demandas de cada um, fazendo com que a instituição museológica seja vista não só como uma forma de entretenimento, mas sim um meio de compartilhamento de conhecimentos, experiências e de aproximação com a sociedade e suas diversas realidades.








Referências:

BARBOSA, Daniel. Muito além da esquina. Disponível em: https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/muito-alem-da-esquina 1.328875 Acesso em 01 de outubro de 2019.

GARCIA, Luiz Henrique Assis. Coisas que ficaram muito tempo por dizer: o Clube da Esquina como formação cultural. 2000. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em História. Belo Horizonte.
____________. Na esquina do mundo: trocas culturais na música popular brasileira através da obra do Clube da Esquina (1960-1980). 2006. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em História. Belo Horizonte.
GARCIA, Luiz Henrique Assis; ARAÚJO, Marcos Sarieddine; PÚBLIO, Hudson Leonardo Lima. “Mesmo assim não custa inventar uma nova canção”: o Clube da Esquina e a redemocratização no Brasil (1978-1985). In: Música Popular em Revista, Campinas, ano 5, v. 2, p. 61-87, jan.-jul. 2018.

MUSEU DA PESSOA. Museu Clube da Esquina – 2004. Disponível em: <da-esquina-2004>. Acesso em 12 de agosto de 2019.

PREFEITURA DE BELO HORIZONTE. Guia turístico de Belo Horizonte: roteiro Clube da Esquina /Museu Clube da Esquina. Belo Horizonte, 2005.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Cine Teatro Brasil enquanto patrimônio cultural [Metodologia da Pesquisa Histórica em Museus 2018]

Disciplina: Metodologia da Pesquisa Histórica em Museus
Alunas:  Eliana Rodrigues, Jéssica Tôrres, Letícia Zignago, Maria Celina Machado, 
Viviane Ferreira
Prof.: Luiz H. Garcia


O Cine Brasil foi inaugurado em 1932, possuindo arquitetura no estilo art déco, muito difundido no período. Ir ao prédio era um evento por si só, já que era a construção mais alta da cidade e o terraço permitia o vislumbre de toda a Serra do Curral. Acompanhou a grande revolução cinematográfica do cinema mudo para o falado, do preto e branco ao colorido. O espaço foi concebido para receber várias formas de arte, como a ópera, música, teatro e o “carro chefe”, o cinema. Este tinha salas de espera e muito luxo em todas as instalações. Espaço importante de sociabilidade e tornou-se ponto de encontro e recebia até mesmo bailes de carnaval. Frequentar um cinema era um acontecimento social, e não somente diversão, era fonte de conhecimento. Celina Albano diz sobre a assiduidade dos freqüentadores: “Em bando, assistíamos à maioria dos filmes em cartaz, bons e ruins. Nós víamos o mundo por meio do cinema. Ele era nossa religião.” (ALBANO,  2008, p.51).

A pesquisa histórica nos permite conhecer e refletir sobre as relações da História com o tempo, com a memória e com o espaço, ampliando possibilidades para a construção do conhecimento, nesse caso, de um bem cultural, que engloba além da pesquisa, a preservação e a comunicação. No texto “Possibilidades abertas: relações entre pesquisa e acervo em uma exposição de museu histórico” o autor Garcia cita Mario Chagas, propondo os seguintes questionamentos:




“O que fazer com o objeto preservado? A preservação por si só não lhe confere, ou mesmo não lhe restitui, o caráter de documento. A preservação não justifica a si mesma, ela é um meio e não um fim. É necessário que ao lado da preservação se instaure o processo de comunicação. (...) Em contra partida, o processo de investigação amplia as possibilidades de comunicação do bem cultural e dá sentido à preservação. A pesquisa, compreendida como produção de conhecimento.” (p.24)


Podemos direcionar todas essas questões para o Cine Brasil enquanto patrimônio cultural: Por que preservá-lo? O que fazer com um monumento preservado? Em qual contexto social, político, econômico e cultural ele foi construído e utilizado? Qual relação que manteve com as diversas conjunturas sociais? Para conduzir essas interrogações, Garcia diz que a cidade, seu tempo e espaço devem ser problematizados. Um bem cultural tem valores culturais, simbólicos, financeiros e estéticos. O Cine Teatro Brasil é um monumento histórico local, um testemunho vivo, um “lugar de memória”. Faz parte de uma herança cultural da cidade, na época áurea do cinema de rua. Foi muito representativo para a sociedade belorizontina, “dos bons costumes” e ao mesmo tempo foi um espaço de diferenciação social, e não de inclusão. Faz parte de uma memória coletiva, e segundo Le Goff (1990), a memória é a propriedade de conservar informações a partir de um conjunto de funções psíquicas que nos permitem acessá-las e reinterpretá-las. Essas informações não são nada menos do que nossas lembranças.

 “O historiador, ocupado em compreender e fazer compreender, terá como primeiro dever recolocar em seu meio, banhados pela atmosfera mental de seu tempo, face a problemas de consciência que já não são exatamente os nossos” (BLOCH, 2001, p.64).


O Cine Brasil é um monumento histórico local, um “lugar de memória” que guarda uma herança cultural da cidade e da população belo horizontina. Faz parte de uma memória coletiva, que, conforme Le Goff, é constantemente reinterpretada e ressignificada. Assim, é certo que tanto o uso quanto a importância do prédio mudaram para a sociedade contemporânea, mas é inegável a história dos cinemas de rua de Belo Horizonte que o Cine Brasil carrega.


“Para interpretar os raros documentos que nos permitem penetrar nessa brumosa gênese, para formular corretamente os problemas, para até mesmo fazer uma ideia deles, uma primeira condição teve que ser cumprida: observar, analisar a paisagem de hoje. Pois apenas ela dá as perspectivas de conjunto de que era indispensável partir. Não, decerto, que se trate — tendo imobilizado, de uma vez por todas, essa imagem — de impô-la, tal qual, a cada etapa do passado sucessivamente encontrado, da montante à jusante” (BLOCH, 2001, p. 67).















Fontes

ALBANO, Celina. “Cine Pathé”. Belo Horizonte; Conceito, 2008.

BLOCH, Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

CHAGAS, Mário de Souza. Em busca do Documento Perdido: a problemática da construção teórica na área da documentação. Novos rumos da Museologia. In: Cadernos de museologia. Lisboa: Centro de estudos de Sociomuseologia. U.L.H.T.v.2.1994, pp.29-47.
GARCIA, Luiz Henrique A. Possibilidades abertas: relações entre pesquisa e acervo em uma exposição de museu histórico. Cadernos de Pesquisa do CDHIS. Uberlândia: UFU, V. 23, N. 1 , 2010, pp. 23-39.

Site do Cine Brasil: https://cinetheatrobrasil.com.br

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Fazer pesquisa, formar público e criar sentido

Uma iniciativa simples dos Imperial War Museums do Reino Unido mostra como é possível fazer pesquisa, formar público e criar sentido para coleções e instituições.Para acompanhar clique aqui. Há também uma proposta de interação via internet. Talvez nem seja tão promissora...

Live events
Each artwork in the Imperial War Museums’ collection is full of unanswered questions, from its location to the types of planes depicted in a dogfight. To help solve these mysteries we will be running a series of live events around the country, bringing people together to help answer some of these tantalising questions. Will be posting more details about upcoming live events soon and updates on what has been discovered, so watch this space.



tradução:
Cada obra de arte na coleção dos  Imperial War Museums é cheia de perguntas sem respostas, de sua localização aos tipos de aviões descritos em um combate aéreo. Para ajudar a resolver estes mistérios, realizaremos uma série de eventos ao vivo em todo o país, reunindo as pessoas para ajudar a responder a algumas destas questões tentadoras. Serão postados mais detalhes sobre os próximos eventos ao vivo em breve e atualizações sobre o que foi descoberto, por isso esteja atento a este espaço.
 
Uma iniciativa nesta mesma linha ocorre há 10 anos no Arquivo Público  da Cidade de Belo Horizonte. O projeto Cestas da Memória "promove a valorização da memória dos funcionários públicos e dos cidadãos belo-horizontinos por meio do reconhecimento de fotos e documentos da cidade. Neste mês o projeto completa 10 anos de existência.Até agora, o projeto já identificou cerca de 18.000 fotografias do acervo do APCBH". (ver página do APCBH no facebook)
 
 
 
Nos trabalhos que realizei à frente do setor de pesquisa do Museu Histórico Abílio Barreto constatei a importância desse tipo de atividade, especialmente se conseguimos incluir o público de forma que sua participação se caracterize pelo diálogo com os pesquisadores, e que os resultados sejam compreendidos como contribuição que ajuda a reforçar o sentido público das ações das instituições museológicas.
Luiz H. Garcia

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Estagios



Bolsas de Extensão Universitária

Número de vagas: 02 
Cursos: Museologia, Teatro, Conservação e Restauração
Local: Centro Cultural UFMG - Ateliê Aberto do projeto " Grupo Galpão: Memória feita à mão"
Edital disponível no link www.centrocultural.ufmg.br 
Sobre o projeto: www.memoriafeitaamao.blogspot.com.br



 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Em dia com a museologia - A Terra vista de cima



Fonte: Jornal Estado de Minas


Teve início ontem, dia 16/07/2013, a exposição A Terra vista de cima, com fotografias de Yann Arthus-Bertrand. Com imagens feitas a partir de sobrevôos, o artista tem como objetivo chamar a atenção dos cidadãos, seu público-alvo, para as belezas do planeta e os resultados do impacto da ação do homem sobre a natureza. São 130 fotografias expostas nas grades do Parque Municipal René Gianetti, na Avenida Afonso Pena, e um mapa-mundi de 200 metros quadrados, onde estão indicadas as localidades onde as fotos foram realizadas. Depois de Belo Horizonte, a exposição seguirá para São Paulo, onde será acrescida de imagens de Minas Gerais (Belo Horizonte, Ouro Preto e Instituto Inhotim/Brumadinho). 

Período: 16/07/2013 a 01/09/2013
Local: grades do Parque Municipal Américo Renné Gianetti - avenida Afonso Pena

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/07/17/interna_gerais,424006/exposicao-a-ceu-aberto-encanta-quem-passa-pelo-parque-municipal.shtml

  Clique aqui para acessar o site da exposição