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sábado, 3 de fevereiro de 2018

Optativa Museu e Cidade - edição 2018

Após um certo hiato, este semestre irei ofertar novamente a optativa Museu e Cidade. Já fiz algumas atualizações no programa e adianto que o diferencial dessa edição deverá ser a maior intensidade de trabalhos de campo. Espero também aproveitar material novo que recolhi durante a participação em eventos acadêmicos o ano passado e incorporar de forma bastante intensa as discussões, leituras e análise que estamos fazendo no contexto do grupo de pesquisa ESTOPIM, do qual sou um dos coordenadores. Nosso objetivo será refletir sobre o lugar dos museus na cidade, entendida como fenômeno histórico e social, considerando seu papel na cultura contemporânea. O foco principal será a questão do entorno dos museus, articulada a uma perspectiva de participação do público que ultrapasse a temática do acesso. 
Uma amostra do programa:

Ementa:
A cidade como fenômeno histórico e social. A experiência da modernidade e os museus no contexto urbano. Museus na cidade contemporânea: globalização, transformações no espaço e culturas urbanas. Cultura, memória e espaço público.










Bibliografia Básica
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes do fazer. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
HARVEY, David. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992.
SCHORSKE, Carl E. Viena fin-de-siècle: política e cultura. São Paulo: Cia. das Letras, 1990.
SENNETT, Richard. Carne e pedra: o corpo e a cidade na civilização ocidental. Rio de Janeiro: Record, 2003.


Bibliografia Complementar
APPADURAI, Arjun e BRECKENRIDGE, Carol. Museus são bons para pensar: o patrimônio em cena na Índia. Musas: Revista Brasileira de Museus e Museologia, n.3, p.10-26. Rio de Janeiro: Iphan, Demu, 2007.
ARANTES, Antônio (org.) O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000.
ARANTES, Otília. Os novos museus. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, n.31, p.161-169, out. 1991.
BALIBREA, Mari Paz. Memória e espaço público na Barcelona pós-industrial. Revista Crítica de Ciências Sociais, 67, Dezembro, 2003, pp. 31-54.
BARBUY, Heloisa . O Brasil vai a Paris em 1889: um lugar na exposição universal. Anais do Museu Paulista (Impresso), São Paulo, v. 4, p. 211-261.
BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
BONATES, Mariana "El Guggenheim y mucho más" - monumental urbanism and signature architecture in Bilbao. Pós. v.16 n.26, São Paulo, dezembro 2009, p.62-90.
CHAGAS, Mário & ABREU, Regina. Museu da Maré: memórias e narrativas a favor da dignidade social. Musas: Revista Brasileira de Museus e Museologia, n.3, p. 130-152. Rio de Janeiro: Iphan, Demu, 2007.
CHARLOT, Monica; MARX, Roland (Org.). Londres, 1851-1901: a era vitoriana ou o triunfo das desigualdades. Rio de Janeiro: J. Zahar, c1993.
DICKINSON, Greg; BLAIR, Carole; OTT, Brian L. Places of public memory: the rhetoric of museums and memorials . Tuscaloosa: University of Alabama Press, c2010. viii, 282 p.
FABRIS, Annateresa. Fragmentos urbanos: representações culturais. São Paulo: Studio Nobel, 2000.
FREIRE-MEDEIROS, Bianca. Favela como Patrimônio da Cidade? Reflexões e polêmicas acerca de dois museus. Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro: FGV, Vol. 2, No 38, 2006, pp.49-66.
FORTUNA, Carlos; LEITE, Rogério Proença (orgs.). Plural de cidade: novos léxicos urbanos. Coimbra: Almedina, 2009.
GARCIA Canclini, Néstor. A globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2003.
GIANNOTTI, Marco. À margem da rua: o novo espaço público. ARS (São Paulo) [online]. 2010, vol.8, n.16, pp. 33-37.
HAYDEN, Dolores. The power of place: urban landscapes as public history. Cambridge, Massachusetts: The MIT press, 1996.
HARVEY, David. Espaços de esperança. São Paulo, Loyola, 2004.
HERZFELD, Michael. A place in history: social and monumental time in a Cretan town. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1991.
HUYSSEN, Andreas. Escapando da amnésia... in: Memorias do modernismo. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
LEFEBVRE, Henry. O Direito à Cidade. São Paulo: Centauro Editora, 2008.
LEITE, Rogerio Proença. Contra-usos da cidade: lugares e espaço público na experiência urbana contemporânea. 2. ed., rev e ampl. Campinas, SP: Ed. da UNICAMP; Aracaju: Ed. da UFS, 2007.
LEPETIT, Bernard. Por uma Nova História Urbana. São Paulo: Edusp, 2001.
LOW, Setha M. Cerrando y reabriendo el espacio público en la ciudad latinoamericana. Cuadernos de Antropología Social FFyL – UBA, Nº 30, pp. 17–38, 2009.
JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
MAGNANI, José G. C.; TÓRRES, Lílian. Na metrópole: textos de antropologia urbana. São Paulo: Edusp/FAPESP, 2000.
MASSEY, Doreen. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.
MARTÍN-BARBERO, Jesus Martin. De la ciudad mediada a la ciudad virtual. In: Innovarium. <www.innovarium.com/CulturaUrbana/VirtualJMB.htm> acessado em 10/10/2000.
MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. O museu na cidade/a cidade no museu: para uma abordagem histórica dos museus de cidade. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 5, n. 8/9, p. 197-206, set/1984-abril/1985.
OLIVEIRA, Lúcia Lippi (org.). Cidade: história e desafios. Rio de Janeiro: Ed.Fundação Getulio Vargas, 2002. 295 p.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Muito alem do espaço: por uma história cultural do urbano. Estudos Históricos. Rio de Janeiro. V. 8, n° 16, 1995. pp. 279-290.
POSSAMAI, Zita Rosane. Metáforas visuais da cidade. Urbana, ano 2, nº 2, 2007, pp.1-11.
RONCAYOLO, Marcel. Cidade. In: ROMANO, Ruggiero (org.). Enciclopédia Einaudi. v.8. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1986.
SANTOS, Maria Célia Moura, Uma abordagem museológica do contexto urbano. Cadernos de Museologia,  n°5. Lisboa: ULHT, 1996, pp.35-57.
SARLO, Beatriz. Cenas da vida pós-moderna. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997.
SCHORSKE, Carl.  Pensando com a história. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
WILLIAMS, Raymond. Cultura e materialismo. São Paulo: Unesp, 2011.

Avaliação: seminários, av. escrita e trabalho final

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Os museus na literatura

Acabo de ler o romance O pintassilgo, da escritora estadunidense Donna Tartt. Sem a pretensão de fazer uma resenha completa [aqui uma cópia do texto de orelha], quero recomendar fortemente a leitura e explorar ainda de forma bem inicial esse tema dos museus na literatura. O romance, apesar de não deixar de arriscar pequenas inovações aqui e ali ( como emular a mensagem de texto por celular, usando tipografia destacada ) é herdeiro direto da tradição dos grandes romances dezenovistas, sobretudo por sua tonalidade dickensiana. As 700 e algumas páginas fluem deliciosamente, seja na narrativa em primeira pessoa do protagonista, seja nos diálogos vivos entre personagens bem construídos e bastante carismáticos. Me impressiona isso virar assunto de resenhas e matérias, já li livros menores que eram bem mais árduos de percorrer (e não piores por isso, claro). Além de escrever bem, fica claro que Tartt tem uma excelente formação - e certamente, como ocorre com os romancistas best sellers de atualmente, tem uma grande equipe trabalhando e pesquisando para ela (como fica claro pelos agradecimentos finais). Obviamente isso não diminui em nada seu mérito para dar corpo a esse estofo todo, com palavras de tirar o fôlego. 

Luís Miguel Queirós fez um boa síntese para o Público, explicando a partir do título:

Já a pintura de Fabritius está no epicentro da intrincada intriga do romance The Goldfinch, de Donna Tartt, que depois de dois best-sellers, A História Secreta (1992) e O Pequeno Amigo (2002) – ambos publicados em Portugal pela D. Quixote –, esteve 11 anos a escrever este seu terceiro livro. Theo, o protagonista, é um adolescente que vê a sua mãe morrer, vítima de um atentado terrorista no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, onde esta o levara a ver uma exposição de obras-primas da pintura holandesa. Num momento de pânico – e por razões que não vêm ao caso –, Theo rouba O Pintassilgo de Fabritius, que era a pintura favorita da sua mãe.   
Como diz a orelha : O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino. O jogo entre a morte, o desfazer do tempo, e as possibilidades de busca de transcendência, mesmo que inúteis - pois, diz Tartt pela voz de Theo, "a vida é catástrofe" - estão no cerne do romance, e também nas nossas preocupações quando tentamos entender porque guardamos certos objetos e tentamos enfrentar a irrefreável voragem do tempo. Demandaria um ensaio muito mais bem acabado destrinchar as profundas e variadas inter-relações traçadas ao longo do livro entre os museus, a experiência de vida dos personagens, o fio da narrativa e as reflexões conceituais que ensejam. A autora nos deixa, ao final, preciosos pensamentos que tangem as relações entre arte, vida, colecionismo, memória, cultura. Uma parte das suas observações sobre o quadro de Fabritius são aquelas que certamente diversos historiadores da arte já fizeram, mas, provavelmente, expressas de uma forma mais descompromissada com maneirismos dos textos acadêmicos típicos. Da boca de seu sócio, mentor e pai adotivo, por assim dizer, ele ouve que "se uma pintura realmente afeta  e muda sua maneira de ver, de pensar, de sentir, você não pensa 'ah, eu amo essa pintura porque ela é universal'. 'Eu amo essa pintura porque ela fala com toda a humanidade'. Não é por isso que você ama uma obra de arte. É um sussurro secreto vindo de um beco. Psst, você. Ei, garoto. Sim, você." 

A matéria do Público versa justamente sobre o impacto desse e de outro best-seller baseado em obra de sua coleção (Moça com brinco de pérola) no aumento da frequência de público no Museu Mauritshuis [conheça], em Haia, Holanda [vale ler toda]. O assédio às obras motiva alterações inclusive na expografia, como comenta Queirós no trecho: 

E os responsáveis do museu de Haia parecem partilhar a sua convicção, uma vez que já mudaram o seu Fabritius (o único que possuem) da parede lateral de uma escadaria, onde sempre estivera, para um lugar de honra na sala Jan Steen, onde passará a figurar isolado, num generoso espaço entre duas janelas.
Tal fenômeno guarda um nó interessante a ser desdado, que implica em buscar tanto a compreensão de como, nesse tempo que privilegia o texto curto, a assimilação rápida, um romance como O pintassilgo vira campeão de vendas, e, consequentemente, eleva o público de um museu. O livro, de certa forma - e claro, sem escapar da ambígua condição produzida por tomar corpo no contexto de produção, circulação e consumo em escala massiva - realiza assim o próprio leitmotiv que permeia suas páginas, o de que a arte - ou toda forma humana de impingir uma imortalidade, por mais ameaçada que seja - encontra um modo de perpetuar-se, até quando parece improvável:

"Ela existe; e continua existindo. E eu acrescento meu próprio amor à história das pessoas que amaram coisas belas, e cuidaram delas, e tentaram preservá-las e salvá-las enquanto as passavam literalmente de mão em mão, cantando de forma brilhante pelos destroços do tempo para a próxima geração de amantes, e a próxima".

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Pesquisa em História sobre museus

Como parte de suas atividades como bolsista CAPES/Reuni, a pesquisadora Joelma Nascimento, que recentemente defendeu sua tese de doutorado no PPGHIS-UFMG, realizou um  pequeno levantamento de trabalhos recentes produzidos em Programas de Pós-graduações em História concernentes ao campo da museologia, selecionando pesquisas de doutorado e mestrado em História que estritamente possuam os museus como objeto central de análise. O levantamento foi realizado através dos sites dos sistemas de buscas das Bibliotecas Digitais das Universidades.

Considero essas referências para compor a bibliografia complementar das disciplinas que leciono na graduação em museologia da UFMG, especialmente Tipologia de Museus e Metodologia da Pesquisa Histórica em Museus. Como isso no fundo é uma pesquisa em andamento, irei fazendo atualizações periódicas nesta postagem.



Documento: Tese de Doutorado

Título em português: Darwinismo, raça e gênero: conferências e cursos públicos no Rio de Janeiro (1870-1889) [link]
 

Palavras-chave em português: Ciência, Darwinismo, Gênero, Raça.

Resumo em português: O presente trabalho pretende delimitar os contornos de um discurso científico/cientificista, presente de modo mais intenso no último quartel do Oitocentos, que fundamentou argumentos de projetos modernizadores da nação, quais sejam, a aplicação da teoria de Darwin à sociedade, a hierarquização racial da sociedade e a criação de uma boa mãe de família burguesa, nos moldes europeus. Estas três propostas modernizadoras foram apresentadas e discutidas nos seguintes espaços públicos de vulgarização científica as Conferências Populares da Glória, os cursos públicos do Museu Nacional e as que denominei Avulsas, pois não se encaixavam nas duas categorizações anteriores todos realizados na capital imperial entre os anos de 1870 e 1889.

Documento: Tese de Doutorado

Título em português: Os estudos físicos de antropologia no Museu Nacional do Rio de Janeiro: cientistas, objetos, idéias e instrumentos (1876-1939) [link]

Palavras-chave em português: Antropologia (pesquisa e história), Museus, Rio de Janeiro. 

Resumo em português: Este trabalho analisa o processo de institucionalização da Antropologia no Museu Nacional do Rio de Janeiro entre 1876-1939. Operando com as continuidades e descontinuidades do período, a pesquisa foca nas mudanças políticas e institucionais e tenciona observar o desenvolvimento da atividade científica da Antropologia. Pretendemos caracterizar esta prática científica, identificar os cientistas, reconstruir sua rede de intercâmbio entre cientistas e instituições, conhecer seus problemas e questões discutidas, e como eles faziam suas pesquisas e construíam conhecimento.




Data de Defesa 2012-03-16



Título em português A formação do Museu Republicano Convenção de Itu (1921-1946) [link]
Palavras-chave em português: Cultura material; Exposições; História dos museus; Museologia
Museus de história; Primeira República

Resumo em português:Esta dissertação, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo (USP), vincula-se também ao Programa de Pesquisas em História da Cultura Material do Museu Paulista/USP, na linha de pesquisa História dos Museus e das Exposições. Seu objeto de estudo é a formação do Museu Republicano Convenção de Itu, extensão do Museu Paulista no interior do Estado (o primeiro museu histórico brasileiro dedicado à República), emblemático por ter-se constituído como projeto de alguns dos chamados republicanos históricos, que estiveram à frente do governo brasileiro na Primeira República. Seu recorte cronológico abrange desde o momento que antecede a inauguração do Museu, realizada em 1923, até o final da gestão de Affonso Taunay, seu primeiro Diretor, em 1946. Os museus de história têm suscitado reflexões de diferentes autores, em diferentes perspectivas. A contribuição que pretendemos dar para esta discussão desenvolve-se não na perspectiva da História Política, mas sim da Cultura Material e da Museologia, isto é, a partir do exame de seu acervo e sua exposição.