quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Acervo de Escritores Mineiros [Função Social dos Museus 2019]

ECI-UFMG
CURSO: Museologia
DISCIPLINA: Função Social dos Museus
PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia
NOMES:  Ana Cristina Matias
                 Anita Helena Vieira de Souza 
                 Junia Mara A. de Souza
                 Luciano
                 Maria Bernadete de Almeida Assis

A função social da museologia é uma reflexão a respeito dos espaços museais enquanto lugares de crítica social e política, os museus guardam em suas coleções os traços de uma memória que gradativamente representa um locus do que, de alguma forma será guardado. 
    As discussões que motivaram esse trabalho levam em consideração a relação entre o estar no museu e a construção das narrativas sobre o que representa esse espaço para a sociedade. Assim as reuniões técnicas se fizeram no sentido de refletir a respeito da ocupação dos espaços museais de forma crítica e democrática. 
O presente relato propõe analisar a atividade de campo no Acervo de Escritores Mineiros localizado na Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais, o acervo é um equipamento permanente de exposição e pesquisa que tem por sua guarda livros, documentos e objetos de escritores referenciais da história literária de Minas Gerais.
    Essa intervenção é o encadeamento da pesquisa realizada em 2016 na disciplina Usuários da Informação que teve como objeto de estudo a avaliação de público de diversos espaços da Universidade, a partir desse diagnóstico realizado na Escola de Letras da UFMG, observou-se que grande parcela dos estudantes não conhecem ou nunca visitaram o acervo dos escritores mineiros. Conforme o gráfico gerado na pesquisa. 


O objetivo central da mediação é promover a apresentação do espaço visando contribuir para a formação de público com finalidade de conhecimento e pesquisa, na busca de novas possibilidades de estudo do patrimônio universitário.
Para isso, foi proposto uma visita mediada como forma de apresentação do acervo, houve ampla divulgação entre os meios do público-alvo, a comunicação se deu pensando nas possibilidades de uso do espaço, houve a apresentação dos escritores e de seu acervo, a visita foi guiada seguida de discussões a respeito das obras, ao final os participantes puderam apresentar suas impressões sobre o acervo e em relação a visita. 
Foram ainda instalados na FALE e na praça de serviços  trechos literários dos principais autores do acervo, promovendo o chamamento para o conhecimento do espaço.
As avaliações do trabalho foram positivas mesmo que não tenhamos atingido amplamente o público desejado, observou-se que o espaço do acervo é atraente para os visitantes e a mediação é uma boa forma de causar interesse.
Contudo pode-se avaliar que uma boa forma de divulgação do acervo foi a instalação de painéis na Universidade, pois, esse recurso gera curiosidade dentre os estudantes. 


Email para divulgação: acemg@bu.ufmg.br
Telefone para divulgação: (31) 3409-6079



Museu Clube da Esquina e as placas por Belo Horizonte [Função Social dos Museus 2019]


ECI- UFMG
Curso: Museologia
Disciplina: Função Social dos Museus
Professor Luiz H. Garcia

Grupo: Aida Araújo, Arthur Teixeira, Giovanna Gimenez, Nathália Peroni e Victoria Ballardin


MUSEU CLUBE DA ESQUINA E AS PLACAS POR BELO HORIZONTE


A importância do Clube da Esquina, tanto no âmbito musical quanto em relação à outras questões e espaços, já foi discutida diversas vezes através de artigos, dissertações, teses e outros projetos de pesquisa. Entretanto, em uma rápida pesquisa, percebe-se a dificuldade de encontrar informações sobre o projeto do Museu Clube da Esquina em Belo Horizonte. Em um rápido histórico sobre o Museu, ele se realizou primeiramente em parceria com o Museu da Pessoa, no ano de 2004, possuindo por um tempo site próprio, agora desativado.

De forma física, foi em dezembro de 2005, segundo uma reportagem do jornal O Tempo, que placas de metal começaram a ser colocadas pela cidade, em pontos que não só fizeram parte de forma direta para os integrantes do Clube, mas também espaços que faziam parte do cotidiano destes, tendo em vista que, de acordo com Márcio Borges, “a idéia do guia é, também, prestar uma homenagem à cidade” (apud BARBOSA, 2005). Destes espaços foi feito o Guia de Belo Horizonte – Roteiro Clube da Esquina (2005). Em 2011 houve também a notícia de que o Museu Clube da Esquina ganharia outro espaço físico no prédio onde funciona o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas). Porém, é notório que o projeto não foi levado até o final. Ademais, em 2015 foi inaugurado o Bar do Museu Clube da Esquina, o qual possui discos, fotos e outros itens relacionados ao Clube e, mais recentemente, aconteceu a exposição Canção Amiga – Clube da Esquina, no ano de 2017. Apesar de todos estes acontecimentos (e “desacontecimentos”), a forma física do Museu Clube da Esquina mais duradoura – as placas pela cidade – grande parte das vezes passa despercebida pela maioria da população de Belo Horizonte.

O grupo propôs, então, algo que tenta mudar esta situação de invisibilidade e esquecimento das placas sobre o Clube da Esquina pela cidade de Belo Horizonte. Nossa ideia foi dividida em duas etapas: a primeira parte foi realizada nos dias 25 e 26 de agosto de 2019 em quatro pontos da cidade de Belo Horizonte, sendo eles o Bar do Museu do Clube da Esquina, a esquina da Rua Paraisópolis com a Rua Divinópolis (no bairro Santa Tereza) e os Edifícios Maletta e Levy, no centro da cidade. A intervenção consistia em entrevistar rapidamente comerciantes ou moradores dos arredores e transeuntes questionando acerca das placas e do próprio Clube da Esquina.

As entrevistas feitas ficaram divididas: alguns conheciam o Clube da Esquina e a placa, outros nunca tinham ouvido falar do Clube, muitos não entendiam o significado da placa mesmo já tendo as visto, enfim, os relatos foram diversos. 

“Eu lembro muito do clube da esquina, porque meu cunhado também fazia parte deste grupo. A placa eu achei meio confusa, depois vi que tinha poesia nela”

“(...) eu vejo aqui muita gente que vem no período de férias pra ver só esta esquina, é visitada por quem conhece o Clube da Esquina, quem não conhece passa e não entende o que é esta placa, (...)os de fora dão mais valor dos que os daqui."

“(...) eu vi essa placa e não entendi, não vi nada relacionado ao museu do clube da esquina.”

“Sim, [conheço a placa] desde o início. (...) Inclusive eu conheço alguns deles né, que são até clientes aqui.Eles vinham aqui na loja. (...) São amigos nossos! "

De todo modo, sentimos que nosso objetivo foi cumprido. Estabelecemos conversas, trocamos experiências, alguns contavam detalhes e fatos que não sabíamos e, para aqueles que não conheciam o Clube e o Museu, tentamos levar até a pessoa um pouco do que sabemos, falando dos artistas e das placas pela cidade.

Na segunda etapa do projeto, colamos cartazes pelas ruas de BH e no Campus da UFMG que continham o link para um site que criamos, visando trazer visibilidade ao Clube da Esquina. Inicialmente pensamos em colocar os cartazes pela Praça da Liberdade, devido à grande circulação de pessoas ali. Porém, devido à incerteza quanto à possibilidade de colar cartazes no local, decidimos espalhar os mesmos na Rua da Bahia, Rua Aimorés e na Avenida João Pinheiro. Já na UFMG, os cartazes foram distribuídos na FALE, ECI, FAFICH e Praça de Serviços. 

Logo após colocarmos os cartazes no Campus UFMG e logo recebemos retorno de conhecidos, que nos enviaram fotos indicando que tinham visualizado os cartazes e se interessado pelo projeto, o que nos fez perceber que nosso objetivo estava sendo cumprido e que os lugares escolhidos para a realização da atividade foram estratégicos e eficientes, pudemos perceber o quão é importante que os museus conheçam e compreendam seus públicos, pois só assim será possível cumprir suas funções, levando em conta as demandas de cada um, fazendo com que a instituição museológica seja vista não só como uma forma de entretenimento, mas sim um meio de compartilhamento de conhecimentos, experiências e de aproximação com a sociedade e suas diversas realidades.








Referências:

BARBOSA, Daniel. Muito além da esquina. Disponível em: https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/muito-alem-da-esquina 1.328875 Acesso em 01 de outubro de 2019.

GARCIA, Luiz Henrique Assis. Coisas que ficaram muito tempo por dizer: o Clube da Esquina como formação cultural. 2000. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em História. Belo Horizonte.
____________. Na esquina do mundo: trocas culturais na música popular brasileira através da obra do Clube da Esquina (1960-1980). 2006. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em História. Belo Horizonte.
GARCIA, Luiz Henrique Assis; ARAÚJO, Marcos Sarieddine; PÚBLIO, Hudson Leonardo Lima. “Mesmo assim não custa inventar uma nova canção”: o Clube da Esquina e a redemocratização no Brasil (1978-1985). In: Música Popular em Revista, Campinas, ano 5, v. 2, p. 61-87, jan.-jul. 2018.

MUSEU DA PESSOA. Museu Clube da Esquina – 2004. Disponível em: <da-esquina-2004>. Acesso em 12 de agosto de 2019.

PREFEITURA DE BELO HORIZONTE. Guia turístico de Belo Horizonte: roteiro Clube da Esquina /Museu Clube da Esquina. Belo Horizonte, 2005.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Intervenção no Parque Lagoa do Nado e Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional - CRCP [Função Social dos museus 2019]


Disciplina: Função Social dos Museus
Prof.: Luiz Henrique Garcia

Integrantes: Bruna Ferreira, Erika Gonçalves, Maxwell Pêgo, Mayra Marques


Intervenção no Parque Lagoa do Nado e Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional - CRCP

A ideia de se fazer uma intervenção no Parque Lagoa do Nado se deu principalmente pelo fato de, anteriormente já termos realizado uma pesquisa de público no local. Na pesquisa analisamos que muitos frequentadores das quadras esportivas não frequentam as exposições do Centro de Referência, inserido no parque, sendo a falta de informação e sinalização sobre o CRCP um importante fator para tal. Assim, a intervenção teria o objetivo de comunicar com esse público sobre a existência do CRCP e suas exposições, atraindo principalmente os frequentadores das quadras.

A exposição atual “Quilombos Urbanos e a Resistência Negra em Belo Horizonte” apresenta um rico acervo das comunidades quilombolas Luízes, Mangueiras e Manzo Ngunzo Kaiango, situadas em Belo Horizonte. Em nossa intervenção houve a implementação de quatro placas indicativas no espaço, com setas e desenhos do baobá, importante símbolo da África e dos quilombos, para que seja seguida uma “trilha dos baobás”, com frases de resistência: “Quilombo é resistência”, “Quilombo é liberdade”, “Quilombo é negritude”, “Quilombo é ancestralidade”. As placas se iniciavam na entrada do parque mais próxima às quadras e iam passando por elas.






Depois do trajeto, há uma quinta placa, próxima ao casarão, informando melhor do que se trata: “Você sabia que ainda existem quilombos em BH? Visite a exposição no casarão!”. E também foram instalados dois quadros interativos próximos aos bebedouros do parque, que ficam perto das quadras, mas em diferentes locais, com copos de gizes pendurados, para que o público respondesse às perguntas: “Onde estão suas raízes?” e “O que te faz resistir?”, convidando-o não somente a visitar a exposição, como também a interagir com a intervenção, se expressando.

Após a fixação das placas e com a participação dos visitantes nos quadros interativos, desenvolvemos algumas críticas em relação à intervenção e o espaço. Como o problema da falta de pertencimento de muitos visitantes do parque, que não frequentam as exposições do CRCP, o que pode ser analisado a partir das reflexões sobre identidade cultural. Como é refletido no texto A Democratização da Memória: a Função Social dos Museus Ibero-Americanos, de Mário de Souza Chagas, Rafael Zamorano Bezerra e Sarah Fassa Benchetrit, em que se debate sobre o fato de que nem todos os indivíduos de uma sociedade possuem as mesmas oportunidades de representatividade, produção de identidades e memórias. Assim como boa parte do público do Parque Lagoa do Nado, que vem de favelas próximas e não possui poder socioeconômico significativo para afirmar sua identidade e se sentir pertencente ao CRCP. Pois, como pode-se observar, este público de baixa renda se apropria muito mais facilmente às quadras de esportes do parque, mas não tanto ao CRCP. Com isso, também é possível refletir sobre muitas respostas aos quadros interativos terem sido em forma de pichação, que é a forma de boa parte de tal público se manifestar artisticamente e socialmente. 

Outro fator é o tombamento do casarão onde fica o CRCP, que não permite a inserção de placas de identificação, dificultando a visibilidade e conhecimento das funções do espaço, o que deixa-o com uma aparência menos acessível e faz com que muitos não se sintam convidados a entrar.

Foi realizada essa intervenção, pois vemos nos visitantes a potencialidade de serem atores do espaço, instigando suas percepções acerca do contexto social dos quilombos e convidando-os a se apropriarem do próprio CRCP, conhecendo-o e frequentando-o. Além de que pensamos no local como um transformador social, onde o objetivo da exposição e da nossa intervenção é o diálogo com a comunidade a sua volta, sendo uma referência de espaço cultural que abraça a comunidade. 



Referências Bibliográficas:



CHAGAS, Mário de Souza; BEZERRA, Rafael Zamorano.; BENCHETRIT, Sarah Fassa. A democratização da memória: a função social dos Museus Ibero-Americanos . Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2008. 278 p.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Intervenção na Casa do Baile [Função Social dos museus 2019]

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
ECI – Escola de Ciência da Informação
Curso: Museologia
Disciplina: Função Social dos Museus
Professor: Dr. Luiz Henrique Assis Garcia

Alunos: Aline Melo, Cristina Fonseca, Daniela Tameirão, Nárrima Nacur, Marco Antônio Ferreira e Ronaldo Rodrigues


INTERVENÇÃO NA CASA DO BAILE























A proposta de intervenção foi realizada na Casa do Baile – Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design, visando por uma mediação educativa e cultural. Foi realizada concomitantemente à programação da 13ª Primavera dos Museus, cujo tema é “Museus por dentro, por dentro dos museus”. 


A ação foi executada, em especial, com os funcionários de estabelecimentos comerciais próximos que utilizam o horário do almoço para descanso e contemplação da paisagem da lagoa nos bancos próximos à Casa. Consistiu na disposição de 11 esteiras no jardim externo, com vista para a lagoa e a Casa. Em cada esteira havia uma foto antiga da Casa ou de seus arredores e uma frase: “Esta esteira é para você descansar. Fique à vontade! E esta foto? Você sabe onde é?”. O grupo ficou espalhado pela área da intervenção observando, disponível para a abordagem e o diálogo sobre a ação. A finalidade foi proporcionar, a essas pessoas um maior grau de percepção da conformação do espaço do centro de referência. 



Foi constatado por meio das observações feitas e de alguns diálogos com os frequentadores, que: a própria construção (edificação em estilo moderno, ponte, ilha,) parece ser um inibidor para a utilização da Casa; os frequentadores do entorno da Casa no horário de almoço querem simplesmente “curtir” o ócio e que a maioria desconhece a real função da Casa. Além desses fatores, houve também muitos elogios feitos pela intermediação que permitiu melhor conhecimento sobre à Casa do Baile e o conforto que as esteiras promoveram. Assim, a intervenção se mostrou positiva proporcionando o uso do espaço de maneira incomum e oportunizou ao público vivenciar o urbano e o seu entorno o que fez com que o museu cumpra sua função social além-muros. 


Fotos da Intervenção 


Casa do Baile – Centro de Referência de Arquitetura, urbanismo e Design 



Pampulha – Belo Horizonte / MG – 04/09/19





Referências bibliográficas:

EIDELMAN, Jacqueline; ROUSTAN, Mélanie; GOLDSTEIN, Bernadette. O lugar público: sobre o uso de estudos e pesquisas pelos museus. São Paulo: Iluminuras: Itau Cultural, 2014.

GONZÁLZ, L. Los museos como herramientas de transformación...in: JUNIOR, José do Nascimento (org.) Economia de Museus. Brasília : MinC/IBRAM, 2010.

JEUDY, Henri Pierre. Memórias do social. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1990.


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Instável Movimento


 
Subi João Pinheiro e me ocorreu ir ao CCBB ver a exposição Paul Klee - equilíbrio instável. Numa primeira visita, deixando de lado implicâncias com exposições "empacotadas", há qualidades a ressaltar, para além da óbvia relevância da arte de Klee. Gostei dos textos concisos, claros e consistentes, e da perspectiva didática assumida, com uma abordagem eminentemente cronológica que assume sem drama o caráter monográfico. Num bem bolado nicho, alia-se um vídeo bem produzido a alguns textos e uns poucos instrumentos de trabalho para elucidar as técnicas usadas pelo artista, de forma bastante compreensível para quem não lida com pintura ou conhece história da arte. Foge da marmota de reproduzir ateliê ou de usar interações digitais que se convertem em boas distrações lúdicas mas em si não são capazes de revelar a técnica em aplicação, como o vídeo logra razoavelmente bem – mais que isso, só praticando mesmo. Ali, talvez até mais do que no contato direto com as obras – aliás um problema é que várias que surgem nos vídeos, bem impactantes, não se encontram na exposição – revela-se ao olhar menos treinado a forma como um pintor é um investigador e um inventor. A mostra se ressente de ser centrada num único acervo, por mais que o Centro Paul Klee tenha 4 mil obras, das quais ali vemos pouco mais de uma centena. Esse porém se revela sobretudo na decisão que julgo equivocada de incluir a solitária cópia fac-símile de Angelus Novus, como um pedágio pago à expectativa do admirador de Benjamin que já decorou mentalmente aquela famosa tese sobre o “anjo da História”. Uma tremenda “auto-armadilha” dar um destaque todo especial justamente a uma obra que está ali apenas como pálida cópia. Essas exposições empacotadas, ainda que milionárias, muitas vezes não trazem as “joias da coroa” e tentam compensar no volume, muitas vezes com trabalhos preliminares ou redundantes, que podem interessar aos muito especialistas mas dificilmente captam a imaginação do grande público. 

As obras que mais me cativaram foram “Jovem proletário” e “Equilibrista”, esta última porque ressoou O trapezista de Kafka, inspiração de outros carnavais. Destaco justo aí as seções Fantoches e O mundo como palco, que trazem trabalhos que remetem figurativamente ao núcleo conceitual da exposição, com acrobatas, marionetes, palhaços e outros personagens que dizem da instabilidade e dos altos e baixos da vida de artista. Muito revelador aí o pequeno trecho de entrevista de seu filho Felix e outro vídeo contíguo que mostra uma das encenações dele com fantoches que ironiza o tempo de Klee na Bauhaus, tendo sido muitas vezes o pai e seu gato a sua única plateia. Uma última consideração cabe ante a insistência dessas curadorias empacotadas com o percurso linear. Nesta em especial será particularmente difícil voltar de trás pra diante, criando situações chatas junto a guardas de galeria, que não tem culpa do treinamento que recebem.
  
 
Depois, ainda deu tempo de uma corrida à Casa Fiat de Cultura para ver “Beleza em Movimento”, outra onda, exposição de design, especialmente de carros. Vou me permitir aqui sintetizar que curiosamente a sensação predominante foi de nostalgia, e nem tanto pelo inescapável DeLorean de De volta para o futuro (conto do nosso passado nos primórdios da globalização) mas por outros carros que me deram a nítida sensação de estar dentro do meu Supertrunfo de carros, em que inclusive muitos automóveis de salão, apresentados ali como “do futuro”, agora são exibidos como testemunhos do design do pretérito. Ainda deu tempo de encontrar uma querida colega de trabalho de meus primeiros tempos de prefeitura. Nesse ramo aqui, quando não vamos de encontro ao passado, é ele que vem em nossa direção.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

A volta ao mundo em 80 museus: Museu Picasso e Museu D'Orsay

Nova edição da série, com o convidado Túlio Ceci Villaça, meu caro amigo e autor/editor do excelente blog Sobre a canção, profissional de comunicação, músico, crítico cultural de gabarito com o qual já tive a satisfação de colaborar com linhas para a Revista Terceira Margem no artigo O pós-futuro do pós-brasil / notas a “o pós-futuro do pós-brasil”.  

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Em que medida conhecer os museus de uma cidade é conhecer a cidade, ou o país? Vim conhecer Londres e Paris ou seus museus? Flanar é sem dúvida a melhor maneira de conhecer Paris, e estar hospedado no banlieu (até amanhã, quando mudamos para mais para o Centro para os últimos dias) tem sido uma chave para o entendimento da cidade. Mas sim, conhecer museus também é conhecer lugares. Museus dialogam com suas cidades, não só com suas histórias, mas também com seus valores.


Fui ao Museu Picasso (A) e ao d'Orsay (B), este principalmente com a coleção impressionista, que é - impossível evitar - impressionante. Mas Picasso também é, talvez ainda mais por ser um só. Incrível como sua produção tão caudalosa não se dilui, como seu traço mesmo tão variado tem assinatura, e nunca se converte de assinatura a caricatura de si mesmo, como nada parece gratuito mesmo quando a liberdade é extrema. Que traço! Que capacidade criativa! Ele pintou telhas, pratos, pedras, fez esculturas usando carrinhos de brinquedo, usa a chuva como pretexto para dividir a imagem da cidade. É como se não bastasse, o Museu faz exposições temporárias de outros artistas relacionando suas obras com a do Picasso, e o da vez era o Alexander Calder! Sensacional. Botei dois vídeos no Integram, vejam porque vale a pena.



E o d'Orsay. Morei na Rua Rodin, num conjunto habitacional só de ruas com nome de impressionistas. E hoje a turma estava toda lá: Monet, Corot, Sisley, Vlaminck, Van Gogh, Gauguin e, claro, a Praça Manet, aquela da festa junina famosa. E outro raio de aula inesquecível. Ver quatro catedrais de Rouen lado a lado com suas variações de luz (aqui em fotos furrecas, preço desculpas, mas eu é que não vou botar filtro em impressionistas, eles inventaram os filtros) ver as bailarinas de Degas (outra Rua do IAPC), ver as luzes do Taiti e comparar com as de Arles, tudo isso é uma aula, não vejo outra palavra. E ver o Dejeuner sur l'herbe do Manet num Museu e sua releitura pelo Picasso no outro, ai é pós-graduação.
























Ora, claro que museus dialogam com a cidade, são a cidade, e é possível inclusive flanar neles. O impressionismo é Paris, Paris está impressa naquelas telas, assim como Debret é Di Cavalcanti são o Rio ou o holandês Franz Post é Recife, assim como o Museu Nacional é o Rio (não registrei, mas usei a camisa do Museu ontem). Lamentável é não conhecermos bem nossos próprios, porque eles são nós, assim como os de Paris são ela. A diferença entre nós e eles não está tanto na qualidade das obras e acervos. A, diferença é talvez que os franceses sabem disso.


Por Túlio Villaça, agosto de 2019. 


Imagens (fotos do autor, da esq. para dir., de cima para baixo):
1. Picasso, Boisgeloup sous la pluie;
2. Picasso, Le guenon e son petit;
3. e 4. Monet, Catedral de Rouen;
5. Monet, La rue Montorgueil, fête du 30 juin1878
6. Degas, Le foyer de la dance à l"Opéra de la rue Le Peletier
7. Manet, Le deujener sur l'herbe
8. Picasso, Le deujener sur l'herbe d"aprés Monet



 

 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Museus em alta

Acompanhei a matéria na tv mais cedo, deste mesmo órgão de mídiaO aumento do público em si é fato relevante e suscita bons debates. Mas cabe ir um pouco além dos números. Tem hora que eu gostaria que o WB estivesse errado, mas "Nunca há um documento da cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento da barbárie"(a quem quiser se aprofundar, indico esse texto curto de Jeanne Marie Gagnebin).
Convido à reflexão, e a título de incentivo, vamos fazer uma enquete depois e o melhor comentário ganhará créditos bárbaros com o professor. Prometo considerar a opinião do público rsrs.