sábado, 15 de novembro de 2014

Paris no acervo do MET

Prestes a encerrar as atividades da disciplina Museu e Cidade no semestre, encontro essa maravilhosa exposição virtual de obras pertencentes ao Metropolitan Museum of Art (MET) de Nova York. Pena que não pude usar para as aulas, fica para uma outra oferta da disciplina.
View depictions of the fabled city on our Pinterest board: Paris: The City of Light and Love.

Félix Vallotton (Swiss, 1865–1925).Street Scene in Paris (Coin de rue à Paris), 1895. The Metropolitan Museum of Art, New York. Robert Lehman Collection, 1975.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Procure conhecimento, meu filho

O porteiro José Carlos da Silva, 52 anos, costuma repetir o mesmo programa nos dias de folga. Pega o metrô na rua da Consolação, desce na estação da Luz e adentra o seu paraíso: a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
"Gosto de passar o dia inteiro na Pinacoteca admirando a coleção do Almeida Júnior. Sou apaixonado por arte e louco por Caravaggio", diz. "Vou mais a museus e bibliotecas do que ao cinema, porque é de graça."

Uma história singular, mas que sugere várias reflexões interessantes, inclusive sobre os museus e seus públicos. Sempre acreditei que não se pode nivelar por baixo a linguagem e os conteúdos de uma exposição, e que ela deve oferecer justamente o estímulo para a busca do conhecimento. A história do José Carlos, ainda que só dele, diz muito sobre quão variado e fora do esperado pode ser o público que frequenta uma instituição museológica. É preciso aprender com ele, e estar à postos para oferecer mais possibilidades de estudo. Louvo a oferta de bolsa feita pelo MASP: "Um ano inteiro estudando arte, melhor ano da minha vida". Este público interessado, sedento pelo conhecimento, mas isolado dos museus por uma série de barreiras visíveis e invisíveis pode estar logo ali, no entorno mesmo.
Uma discussão que costumo propor em disciplinas como Função Social dos Museus e Museu e Cidade.Dentre tantas leituras indicadas eu destaco o texto de  Ana Rosas Mantecón. Usos y desusos del patrimonio cultural: retos para la inclusión social en la ciudad de México, publicada nos sempre bem cuidados Anais do Museu Paulista. Alguns trechos que destaco:

"La sacralización y monumentalización del patrimonio imponen barreras para que la población pueda apropiárselos en su vida cotidiana y están en la base de procesos de exclusión social"
[...] el reto no es aumentar audiencias, sino acrecentar la comprensión de los mecanismos de exclusión y las fuerzas actuantes en la institución y en el campo cultural, con el fin de poder intervenir en ellos; entablar diálogos cada vez más abiertos con sectores interesados y participantes y, de acuerdo con ello, de este modo brindar una gama variada y compleja de servicios adecuados, en relación con las colecciones u objetivos del museo y con las características socioculturales de los públicos efectivos y potenciales. El reto es que la relación museo-sociedad sea el verdadero soporte y fuerza de la institución.[...]
No se trata pues de simplificar o espectacularizar los recursos useográficos para hacer más rentable la institución, sino de atraer y atender a la mayor diversidad posible de públicos, reconociendo que el objetivo principal es el combate a la inequidad en el acceso a la cultura. [leia o texto completo]



Néstor García Canclini e Ana Rosas Mantecón

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Em dia com a museologia: podemos descolonizar os museus?

Essa pergunta, em outras palavras, já vem sendo feita desde a década de 1970. Desde a Mesa de Santiago. Entretanto, se perguntar é relativamente fácil, responder parece ser uma tarefa bem mais árdua. À qual não me furto. Por isso mesmo proponho disciplinas optativas como Museu, espaço e poder e Museu e cidade. Em alguns momentos parece que as respostas vêm de uma troca de sinal, de uma proposta muito repetitiva calcada na construção de identidade.  A fala de Javier Royer Rezzano, coordenador do Sistema Nacional de Museus do Uruguai, me parece que vai um pouco além:

“A colonização não vem apenas de fora, é feita também a partir de dentro, é como a divisão Norte/Sul, que não é só global, existe na nossa própria casa”, observa. “O museu tem de falar de todos e com todos – ricos e pobres, dominantes e dominados, elites e excluídos –, porque, quer queira quer não, é um espaço político.”

A matéria do Público [completa, aqui] lança uma visada crítica a partir de questionamentos como  "(...) esta mudança não se faz sem a consciência de que o museu é também um território de conflito, em que se vão cruzar visões díspares em resposta a perguntas fundamentais: O que é uma obra de arte? A que nos  referimos quando falamos de história nacional? Como se mostra o extermínio dos povos indígenas?

A resposta portando não deverá ser a de um museu ecumênico, neutro, no fundo impossível, mas de um museu que se posiciona e explicita seu posicionamento. Que diz de onde fala. Que não esconde os conflitos, e sim os assume como constitutivos da experiência social e da construção dos conhecimentos. Não um museu espelho, que sacia a demanda narcisista, mas um museu que promove a reflexão, que desloca o público, que interfere no cotidiano.

Julgo oportuna a inclusão inclusão do link para o texto completo da tese "Máscaras guardadas: musealização e descolonização" de Bruno Brulon Soares, de quem já conheço alguns trabalhos voltados para o contexto recente da museologia. Um estudo de caso, voltado para o cenário francês, mas que permite embasar reflexões interessantes. Transcrevo o resumo, abaixo:

 RESUMO:
 A tese tem o objetivo de investigar os processos de musealização na França, entre os museus dos Outros e os museus de Si, como classificados por especialistas da antropologia, refletindo sobre as especificidades e a historicidade dessas categorias a partir do estudo de museus etnográficos tradicionais e ecomuseus. A  pesquisa tem como objeto social de análise os enunciados das instituições e a construção de performances culturais nas diferentes matrizes de museus colocadas em  perspectiva pela teoria antropológica. Através de uma análise etnográfica e histórica  procura-se entender os processos de musealização atualmente no  Musée du quai Branly, considerando a vida museal dos objetos transformados em ‘obras de arte’ e os seus sentidos para os atores desse museu. Na análise do desenvolvimento dos ecomuseus na França, buscou-se, com o estudo do Ecomuseu da comunidade urbana do Creusot Montceau-les-Mines, esboçar uma reflexão sobre a musealização dos contextos através da valorização do ‘patrimônio íntimo’, ressignificado pelo grupo social local. À luz dos casos selecionados, interessa analisar os movimentos identitários da representação do Outro e a de si nos museus. É este permanente construir-se e ver-se através do Outro, que caracteriza a relação etnográfica que queremos entender para elucidar os processos  pelos quais os museus escolhem o que“guardar para transmitir”.
 

Palavras-chave:
Museu. Museu etnográfico. Ecomuseu. Processos de musealização


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Espíritos do Antigo Egito

Ando pensando que seria interessante discutir especificamente o caso do colecionismo de objetos do Egito Antigo no século XIX, considerando o contexto brasileiro.

Da matéria do Jornal Hoje [completa aqui]

"(...) O Brasil é um dos poucos países a manter intacta uma múmia do Antigo Egito. Isso porque os pesquisadores do Museu Nacional do Rio estão usando a tomografia computadorizada para desvendar os segredos guardados durante milhares de anos. (...) É a maior coleção da América Latina. As relíquias do Egito Antigo foram compradas em 1826 por Dom Pedro I. Elas mostram a importância da mumificação para os egípcios. “Até recentemente era comum desenfaixar as múmias. Você pegava o corpo, e pra saber o que tinha lá dentro, você acabava destruindo o corpo. Hoje em dia a gente consegue ter uma visão até melhor do que se abrisse o corpo”, explica o egiptólogo Antonio Brancaglion Junior.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

sábado, 6 de setembro de 2014

“Leopoldina – Imperatriz do Brasil”

"No dia 5 de novembro de 1817, chegou à corte do Rio de Janeiro a primeira esposa de Dom Pedro I, Maria Leopoldina da Áustria. Acompanhada por numerosa comitiva de cientistas, botânicos e pintores, a então arquiduquesa teve papel importantíssimo no desenvolvimento da política do Brasil independente. A imperatriz é tema do Seminário Internacional “Leopoldina e seu tempo: sociedade, política, ciência e arte no século XIX” de 2014, que acontecerá em outubro, promovido pelo Museu Histórico Nacional." [completa, no site da Revista de História da Biblioteca Nacional]


O governo francês pode vender a Mona Lisa?

Poderia o governo francês vender a Mona Lisa para pagar parte de sua dívida? Ainda que com alguns números desencontrados, entre vários portais que estão dando a notícia [aqui, aqui e aqui] que pode não passar de mera especulação, seu valor é estimado em torno de 1 bilhão de dólares, algo em torno de 1% da dívida do país. Entretanto, as leis que tratam do patrimônio cultural proíbem expressamente que o Estado se desfaça dela ou de outros bens públicos da mesma natureza. Além de difícil e aparentemente pouco efetiva, tal venda parece que é aventada para gerar polêmica, mais que por outros motivos. Aparecem aí temas como o preço da arte, o valor do patrimônio cultural, a relação do mercado com os museus enquanto espaços públicos, as tramas entre cultura e economia na conjuntura mundializada. Achei uma curiosa coincidência (ou será que não foi) ter debatido questões assim durante as aulas das disciplinas Tipologia de Museus e Função Social dos Museus, obrigatórias que estou lecionando na graduação neste semestre.