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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O desafio da águia

A matéria Águia nazista continua sendo 'batata quente' no Uruguai [completa] evidencia bem a intensidade dos conflitos que se pode vivenciar quando o assunto é o patrimônio e a memória social:
"O conflito desta vez tem como motivo uma águia de bronze de quatro toneladas de peso e dois metros de altura que decorava a popa do Allmirante GrafSpee, o temido encouraçado alemão afundado na Baía de Montevidéu. Resgatada das águas em 2006, a águia é o símbolo de uma das embarcações mais notórias da Segunda Guerra, mas permanece trancada num armazém da Marinha uruguaia. Seu destino é incerto."
Enquanto governos, instituições, mídia e pessoas digladiam-se, penso se não seria melhor relegar o ornamento a uma apreciação menos espetacularizada, onde quer que fosse. Seria possível? 
E você leitor, qual solução iria propor?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Hildebrand Gurlitt, “o comerciante do Führer”

Enquanto não estreia The Monuments Men, filme sobre a brigada especial dedicada a recuperar o patrimônio extraviado e surrupiado pelos nazistas durante a 2a. Guerra Mundial , vale conferir o site oficial da fita [link] e essa matéria interessantíssima do El País (versão em português) sobre Hildebrand Gurlitt, “o comerciante do Führer”. A matéria, assinada por Felix Bohr e Lothar Gorrisel, mostra um pouco das nebulosas atividades de negociantes de arte como este.Um pequeno trecho como aperitivo:


"Diziam que Gurlitt era um “colecionador de Hamburgo ligado às altas esferas nazistas. Atuava em nome de outras autoridades nazistas e fez muitas viagens à França, de onde levou a seu país coleções de arte. Há razões para pensar que essas coleções particulares eram formadas por obras roubadas de outros países”. Para os Monuments Men, Gurlitt era um “comerciante de arte do Führer”.
Entre as obras encontradas recentemente em um apartamento no bairro Schwabing, em Munique, há 380 pinturas retiradas dos museus por serem consideradas em 1937 como “arte degenerada”. A descoberta incluía outras 590 obras que o regime nazista e seus seguidores possivelmente arrebataram de proprietários judeus. O dono do apartamento é filho de Gurlitt, Cornelius, atual herdeiro da coleção, que no fim da guerra tinha 12 anos e vivia em Aschbach.
O governo alemão está estudando a origem de cada obra de arte. Com a origem das pinturas individuais ainda a ser esclarecida, um grupo de trabalho nomeado pelo governo alemão está investigando a história de cada uma das obras. A tarefa será longa. Uma pesquisa jornalística realizada em locais como os arquivos do Ministério de Assuntos Exteriores francês e Museu Nacional de Breslau, na Polônia, revela o considerável alcance do tráfego de Gurlitt com a arte roubada e suas práticas cruéis.
Os monuments men interrogaram Hildebrand em Aschbach em junho de 1945. Estava “extremamente nervoso”; não parecia dizer a verdade. Foi, então, quando Gurlitt criou uma nova identidade: a de vítima dos nazistas, a de um homem que havia salvado valiosas obras de arte da destruição e que jamais havia feito mal a alguém. Nem tudo o que contou aos norte-americanos era mentira. Ele ressaltou que os nazistas o haviam considerado “mestiço” por causa de sua avó judia. Também disse que, depois de 1933, havia temido por sua vida, o que o levou a colaborar. Durante um interrogatório de três dias, Gurlitt declarou que, ao ser o que chamavam de “um quarto judeu”, havia o risco de que o recrutassem para fazer trabalhos forçados na Organização Todt, um grupo civil e militar de engenharia do Terceiro Reich. Gurlitt também afirmou: “Tive que escolher entre a guerra e o trabalho para os museus. Nunca comprei uma pintura que não me oferecessem voluntariamente”."

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um museu cultural focado na história da medicina



"Beate Kunst, pesquisadora associada e curadora do Berlin Museum Of Medical History [visite a página do museu] , (...) participou de um seminário sobre acervos científicos e museológicos promovido em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC). O evento integrou a programação do Ano Alemanha + Brasil 2013-2014.

Localizado na capital alemã, o museu é vinculado ao Charité - Universitätsmedizin Berlin, hospital universitário da Universidade Humboldt e da Universidade Livre de Berlim. A instituição pública tem em seu acervo permanente cerca de 750 objetos, compreendendo espécimes anatômico-patológicos, entre outros. Em suas exposições temporárias, o museu utiliza-se frequentemente da arte para falar da história da medicina. Em entrevista ao portal da COC, Beate falou sobre as atividades do museu. Confira os principais trechos." [via Casa de Oswaldo Cruz].

Separei aqui um trecho de interesse que evidencia a importância da pesquisa na montagem de exposições e na realização de várias das funções de um museu: 

Havia um projeto para trabalhar com os registros escritos de oito consultórios médicos diferentes do século 17 ao 19. Esses registros não foram procurados antes porque os pesquisadores não imaginavam a riqueza que poderia haver neles. Mas, com esse projeto, os pesquisadores encontraram e acessaram esse material, o que foi difícil, pois alguns escritos estavam em latim ou tinham uma caligrafia muito antiga. Depois, estudaram os casos contidos nesses registros. Uma constatação interessante é que, naquela época, pacientes que eram mais pobres pagavam menos aos médicos do que alguém que tinha mais dinheiro. Esse lado social já existia nesses consultórios. Outro resultado é que, nos séculos 17 e 18, médicos e pacientes conversavam em pé de igualdade. No século 19, com a especialização crescente dos médicos, começou a haver uma hierarquia na relação entre médico e paciente, O projeto durou três anos. Depois [de concluído o trabalho], pagou-se um outro grupo de pesquisadores, que teve acesso aos resultados da pesquisa e organizou uma exposição. A mostra aborda o trabalho de pesquisa, informando sobre médicos, alguns pacientes, os problemas daquela época, mas também sobre como os pesquisadores trabalharam no projeto.