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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O Surgimento dos museus de ciências no Brasil e sua importância para a sociedade brasileira [Tipologia de Museus 2019]

Universidade Federal de Minas Gerais
Escola de Ciência da Informação – Graduação em Museologia
Disciplina: Função Social dos Museus - Atividade: Trabalho Final
Professor: Luiz Henrique Garcia de Assis

Autora: Camila Pinho

     A história da concretização da instituição museu no Brasil teve seu inicio, como já muito estudado na museologia, com a vinda da corte Portuguesa e da família imperial para as colônias no ano de 1808. Com intuito virado primeiramente para a corte, o Museu Nacional fundado no ano de 1818, também teve um imenso impacto para a documentação e estudo das Américas vinculado principalmente com o estudo das ciências naturais do novo mundo. O local desenvolveu uma série de pesquisas da fauna e da flora até então desconhecida pelos europeus, o que acabou auxiliando para o desenvolvimento da então colônia e também da América Latina onde se documentou grande parte da história de todo um novo continente através da ciência.

     Porém, é apenas após a segunda metade do século XIX, que se começa a debater a ideia a utilidade do museu para a sociedade. No caso dos museus de ciências, inicialmente a proposta era a divulgação para o grande publico de suas coleções e conhecimentos. Já no inicio do século XX, começou-se a trabalhar a ideia de democratização e de uma maior participação do público crescente.

     Com a chegada da década de 1980, começou a surgir no Brasil, as primeiras aparições de museus de ciências e tecnologias com um caráter voltado para se desenvolver uma comunicação com o indivíduo. A ideia de comunicação se soma com a ideia de promover a educação através do museu para assim, se alcançar uma difusão cultural para um público cada vez maior e diversificado.

     Olhando o contexto histórico dessa maior propagação de museus de ciências e tecnologias na década de 80, é visto que, após a grande guerra, o desenvolvimento tecnológico e científico no mundo atingiu um imenso impulso criando milhares de novas vertentes e formas de ciência. O mundo se viu desenvolvendo em massa, ideias e questões voltadas ao desenvolvimento científico no final do século XX. Um pouco antes, no período da década de 1960, o papel de muitos museus de ciências era difundir princípios científicos e tecnológicos para difundir princípios científicos e tecnológicos induzindo carreiras voltadas para a ciência.

     Voltando para a atualidade, se entende a importância desses locais para o registro histórico do continente. Mas, acima de tudo, levando em consideração todo o contexto atual e toda a conjuntura política que impacta o mundo inteiro, os museus de ciências e tecnologias tem sido de grande importância para se entender a grande crescente de agressões ecológicas que é visto por todos. Em um país vendo seu fim através de queimadas, barragens rompidas, secas e milhares de efeitos climáticos no cotidiano, é de extrema importância ter conhecimento na área da ciência para se pensar meios sustentáveis, pesquisas, estudos e formas de combater e “freiar” os impactos disso para o planeta.


     E é o papel do museu divulgar esse conhecimento científico para a nação, principalmente para a grande maioria que tem pouco ou nenhum conhecimento sobre. Logo, a organização e expografia de um museu de ciências, a dedicação e o olhar para a cenarização, o uso de esquemas e dioramas, fotografias e outras ferramentas, é de extrema importância para conseguir passar um conhecimento coeso e eficiente para se atingir o máximo de público possível como se é o objetivo.

     Pensar sobre os museus de ciências do Brasil, é reconhecer o quanto ele impactou e impacta na construção, na documentação e na preservação do país e como este é um dos maiores mecanismos de se passar uma informação extremamente essencial para o nosso futuro.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo: Hucitec, 1997

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O Museu vai à escola: o Centro de Memória da Medicina [Função Social dos Museus 2019]




Universidade Federal de Minas Gerais 
Escola de Ciência da Informação – Graduação em Museologia
Disciplina: Função Social dos Museus - Atividade: Relatório Final
Professor: Luiz Henrique Garcia de Assis 

Alunos: Alessandra Menezes, Daniel Batista, Débora Calixto, Lucas Thiago e Silvia Maria.

O MUSEU VAI À ESCOLA: O CENTRO DE MEMÓRIA DA MEDICINA


Museus Universitários, o que são? São denominados “museus universitários” museus e coleções que são de responsabilidade de uma instituição de ensino superior e/ou universidade, que adquire, conserva, pesquisa, comunica e expõe objetos para estudo, educação e apreciação; as coleções universitária são exibidas de forma limitada ou mesmo não exibidas, sendo utilizadas, principalmente, para o ensino universitário. (ALMEIDA, 2002. p.205)

Atualmente a Universidade Federal de Minas Gerais possui 24 espaços de ciência e cultura que variam entre museus, centros de memória e centros de pesquisa. Dentre estes espaços chamamos a atenção para o Centro de Memória da Medicina - CEMEMOR, nosso objeto de pesquisa e investigação.

O Centro de Memória da Medicina da UFMG foi criado em 1977 e seu principal idealizador foi João Amílcar Salgado, professor dedicado e conhecedor da história e da área da saúde. Em virtude de uma ampla reforma da grade curricular do curso de medicina, e a implementação de uma disciplina sobre a História da Medicina, viu-se a necessidade de criação de um espaço que se dedicasse a memória da Faculdade. O primeiros espaço destinados a abrigar o museu foi inaugurado em 1980. 

O acervo do CEMEMOR é composto por objetos que foram usados no ensino e na pesquisa universitárias e é constituído de várias coleções. Dentro dessas coleções encontram-se uma multiplicidade de objetos, como: seringas de diversos tamanhos e modelos, microscópicos, índices de periódicos da faculdade, ampolas de medicamentos, frascos de soro, além de teses de ex-alunos, livros publicados nos séculos XVIII e XIX - incluindo algumas edições raras, entre outros objetos tridimensionais, fotografias e documentos.

Pensando na possibilidade de desenvolver no Centro de Memória uma atividade que atraísse um público em potencial, visto que, cada vez mais, se discute a importância das universidades desenvolverem atividades e programas que aproximam as comunidades externas ao ambiente acadêmico, não somente em seus museus, mas também em suas faculdades e escolas, decidimos tirar o CEMEMOR da Faculdade de Medicina e apresentá-lo em um outro local.

A ideia inicial do projeto O Museu Vai à Escola nasceu de um antigo projeto educativo do CEMEMOR que visava visitar escolas da rede municipal e estadual que se encontram no entorno da instituição, apresentando-lhes o espaço e o acervo do museu. Este projeto tinha como objetivo ampliar o contato do público com o museu, bem como levar seus valores para a sociedade. Utilizando da concepção base da ideia original, reformulamos o projeto e elaboramos uma ação que consistiu em apresentar o Centro de Memória da Medicina UFMG à uma turma do EJA - Educação de Jovens e Adultos, de forma a expor não somente a patrimônio universitário e científico da Faculdade de Medicina, mas também discutir a importância dos museus universitários na educação e pesquisa científica, tentando criar um paralelo entre o que se produz na academia e o resultado dessa produção aplicada diretamente na sociedade.

O CEMEMOR VAI À ESCOLA

Realizada no dia 25 de setembro de 2019 em uma turma de Educação de Jovens e Adultos - EJA - do Colégio Imaculada Conceição, a mini-palestra, com duração de 60 minutos, abordou o conceito de museu, o que são museus universitários, apresentação do CEMEMOR e discussão acerca do papel dos museus (científicos ou não) na sociedade. 
Com um público de 35 pessoas, com idades entre 16 e 61 anos e de perfil variado, mas principalmente pessoas em vulnerabilidade social e de baixa renda, a aula/palestra contou com o auxílio de duas professoras da escola, que muito ajudaram com a didática, incentivando os alunos a participarem e mostrarem seus pontos de vista e compreensão acerca do tema proposto e de seus hábitos frente aos patrimônios culturais.

A intervenção também teve como princípio o exercício da cidadania: evidenciar aos estudantes que museus existem em função da sociedade e que cada cidadão deve se apropriar de espaços públicos como praças, prédios históricos e também outros museus. Citando Jaramillo:

“(...)para liderar cambios profundos en la forma como se vive y se ofrece la cultura en la comunidad, y que son una simple escala para conseguir otros objetivos de corte social más fuerte y más profundo, como el de la ciudadanía educada y el de la convivencia que revierte en una profundización del ejercicio de la democracia.” (JARAMILLO, 2010,p.5)


No decorrer da aula o maior número de questionamentos foram sobre o acesso aos museus. Grande parte dos alunos não se sentem à vontade para entrarem em museus estando sozinhos ou acompanhados de familiares, o que não acontece quando estão acompanhados da escola. O que se percebe é que apesar do estímulo da escola e professores em promover visitas a espaços museais, para os alunos a escola, de certa forma, legitima a presença dos mesmos no espaço museal, situação que não permite que se sintam autônomos e seguros a repetirem as visitas sem a presença da escola. Essa realidade pode ser vista nas respostas colhidas em um formulário respondido pelo alunos ao final da aula. Quando perguntado se eles tinham o costume de irem a museus 77,1% respondeu que “sim, vista museus. Mas com pouca frequência”, contra 22,0% que respondeu “Sim, sempre visito museus, centros culturais e outros espaços com exposições.” Mas ao serem questionados sobre quais museus costumam ir as respostas se mantiveram dentro do leque de museus que eles visitaram junto a escola e que se encontram no Circuito Liberdade. Nos parece, por meio das respostas, que as visitas se limitam às excursões escolares.


Outra questão presente no formulário e que vale destaque é se eles acreditam, de alguma forma, se museus contribuem para a sociedade, unanimemente, 100% das respostas foram positivas, sendo citados “memória da cidade”. “conhecimento”, “cultura para a população” e “história” os motivos mais dissertados. 

Levar o “museu à escola” permitiu que muitos alunos rompessem estereótipos e concepções acerca do acesso livre ao museu, para a maioria museus são intimidadores o que os inibem de entrar no espaço. Em um bate papo bem informal conversamos sobre a quantidade de instituições museais e de cultura que existem em Belo Horizonte e que são espaços abertos para todos, sendo a maioria gratuita, o que muito os animou. Finalizando a proposta de levar o museu à escola, distribuímos a cada aluno e professor um pequeno kit com uma pequena amostra do CEMEMOR, cartão postal, marca página, informativo e folder institucional compuseram o nosso modesto presente. 


Como feedback dos alunos recebemos mensagens - deixadas nos formulários - de agradecimento como essa: “Muito bom, pois me instruiu sobre as dúvidas que eu tinhas sobre visitação aos museus de Minas. Obrigado.”. E no final percebemos que para o museu desenvolver a sua função social, antes, a população precisa compreender o que é um museu. Tarefa essa, nossa.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

GUSMÃO, S.N.S. 85 anos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Centro de Memória da Medicina de Minas Gerais. Cooperativa Editora e de Cultura Médica, 1997.

JARAMILLO, C. Los Museos como Herramientas de Transformación Social del Territorio El caso del Museo de Antioquia Medellín – Colombia ...in:JUNIOR , José do Nascimento (org.) Economia de Museus. Brasilia : MinC/IBRAM , 2010.

RIBEIRO, Emanuela Sousa . Museus em universidades públicas: entre o campo científico, o ensino, a pesquisa e a extensão. Museologia & Interdisciplinaridade Vol.I1, nº4, maio/junho de 2013, p.88-102.






segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um museu cultural focado na história da medicina



"Beate Kunst, pesquisadora associada e curadora do Berlin Museum Of Medical History [visite a página do museu] , (...) participou de um seminário sobre acervos científicos e museológicos promovido em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC). O evento integrou a programação do Ano Alemanha + Brasil 2013-2014.

Localizado na capital alemã, o museu é vinculado ao Charité - Universitätsmedizin Berlin, hospital universitário da Universidade Humboldt e da Universidade Livre de Berlim. A instituição pública tem em seu acervo permanente cerca de 750 objetos, compreendendo espécimes anatômico-patológicos, entre outros. Em suas exposições temporárias, o museu utiliza-se frequentemente da arte para falar da história da medicina. Em entrevista ao portal da COC, Beate falou sobre as atividades do museu. Confira os principais trechos." [via Casa de Oswaldo Cruz].

Separei aqui um trecho de interesse que evidencia a importância da pesquisa na montagem de exposições e na realização de várias das funções de um museu: 

Havia um projeto para trabalhar com os registros escritos de oito consultórios médicos diferentes do século 17 ao 19. Esses registros não foram procurados antes porque os pesquisadores não imaginavam a riqueza que poderia haver neles. Mas, com esse projeto, os pesquisadores encontraram e acessaram esse material, o que foi difícil, pois alguns escritos estavam em latim ou tinham uma caligrafia muito antiga. Depois, estudaram os casos contidos nesses registros. Uma constatação interessante é que, naquela época, pacientes que eram mais pobres pagavam menos aos médicos do que alguém que tinha mais dinheiro. Esse lado social já existia nesses consultórios. Outro resultado é que, nos séculos 17 e 18, médicos e pacientes conversavam em pé de igualdade. No século 19, com a especialização crescente dos médicos, começou a haver uma hierarquia na relação entre médico e paciente, O projeto durou três anos. Depois [de concluído o trabalho], pagou-se um outro grupo de pesquisadores, que teve acesso aos resultados da pesquisa e organizou uma exposição. A mostra aborda o trabalho de pesquisa, informando sobre médicos, alguns pacientes, os problemas daquela época, mas também sobre como os pesquisadores trabalharam no projeto.