quarta-feira, 22 de junho de 2022

Museus Históricos, Modernidade e Nação

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ECI – ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
MUSEOLOGIA
DISCIPLINA: TIPOLOGIA DE MUSEUS
GRUPO:  BRUNA CAROLINE, JOSIANE LIMA, MARCELO HENRIQUE, MARCO DIAS, MAXWELL PÊGO E MAYRA MARQUES


Quando apresentamos a ideia de um Museu Histórico, a primeira coisa que nos vem à mente é um ‘local de memória’. Não sem um motivo, pois os museus nacionais brasileiros devem se portar como locais que guardam a história da nação e traçam a narrativa de uma sociedade. Ulpiano (1994, p.34) considera que “um museu histórico é aquele capaz de coletar, de preservar, de estudar e comunicar os documentos históricos ou objetos históricos presentes dentro desses museus e, que são capazes de inferir sobre um passado e sobre as dinâmicas e movimentos das sociedades.” Posto isso, tanto o Museu Histórico Nacional, quanto o Museu Paulista, devem possuir acervos e narrativas capazes de exibir momentos relevantes para a história nacional, ao mesmo tempo que possibilitem a reflexão acerca dos temas abordados. 

Analisando o contexto de criação das duas instituições, é possível traçar, desde a concepção inicial dos museus, a finalidade que receberiam. Inclusive nos prédios escolhidos para receberem as coleções. Enquanto o prédio utilizado pelo MHN já havia sido utilizado militarmente (à serviço da nação), o Palácio de Bezzi (que abriga as coleções do MP) fora construído como um monumento em homenagem à independência. Ademais, desde a inauguração das instituições, foi declarado por meio de decretos e leis que a finalidade dos museus seria a de documentar, classificar e expor objetos de relevância histórica e nacional, bem como a de celebrar o centenário da independência, que se aproximava. E foi isso que os diretores Taunay e Barroso buscaram realizar. Através da escolha de uma narrativa, os líderes das instituições construíram acervos que pudessem expor não somente a visão dos líderes sobre os acontecimentos na história, mas que refletissem uma versão dos fatos aceita por parte da população e, assim, criar um imaginário coletivo.

De certa forma, os dois museus buscam cumprir esta função. Mas em que ponto eles se desviam?

À época em que foram criados, num momento em que os museus buscavam firmar as tradições conservadoras e apresentar uma visão elitista dos fatos, era inteligível imaginar que a narrativa apresentada só retratasse um lado da história pátria. Entretanto, atualmente é incabível conceber que os Museus não apresentem outras versões sobre os fatos narrados, como dos povos originários ou dos negros escravizados. Afinal, os vultos históricos tão exaltados ao longo dos anos realmente eram heróis nacionais? Se apagarmos as narrativas daqueles que sofreram todos os processos de construção do país, quão autêntica será a narrativa apresentada nos museus históricos?

Enquanto a preleção destes povos estiver restrita às instituições etnográficas e fora das instituições nacionais de grande porte, os museus nacionais e históricos não conseguirão fruir de seu objetivo primário como museus nacionais: preservar e transmitir a história da sociedade.


Bibliografia:

BREFE, Ana Cláudia Fonseca. História Nacional em São Paulo o Museu Paulista em 1922. Na. Mus. Paul., São Paulo, v. 10-11, n. 1, 2003, p. 79-103

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Do teatro da memória ao laboratório da História a exposição museológica e o conhecimento histórico. Anais do Museu Paulista. Nova Série, São Paulo, v. 2, p. 9-42, jan./dez. 1994

Museus e indígenas: saberes e ética, novos paradigmas em debate/ Marília Xavier Cury, organizadora. -- São Paulo: Secretaria da Cultura: ACAM Portinari: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2016. 169 p.

SANTOS, Myrian Sepulveda dos. A escrita do passado em museus históricos. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2006, p. 16-54.

SANTOS, Myrian Sepulveda dos. Os museus Brasileiros e a constituição do imaginário nacional. Rio de Janeiro, 2010.


Imagem 1: Estátua de Raposo Tavares no Museu Paulista. Raposo Tavares foi um bandeirante paulista, reconhecido pelo trabalho de colonização no interior do Brasil. Também foi responsável pela morte de milhares de indígenas. Ainda assim, sua imagem é exaltada como patrono brasileiro.



Imagem 2: Juntamente a Raposo Tavares, Fernão Dias ficou conhecido como um dos mais famosos bandeirantes paulistas. Com o apelido de “Caçador de Esmeraldas”, Fernão Dias desbravou o litoral nordestino em busca de mão de obra indígena para arrebata-los como escravos.

GABINETES DE CURIOSIDADES: HÁ ORDEM NA DESORDEM

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

CURSO: Museologia

DISCIPLINA: Tipologia de Museus

PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia

ALUNAS: Cristiane Lei, Esther Inácio, Hellen Batista, Kezia Miguel, Núbia Gonçalves e Thais de Souza.

GABINETES DE CURIOSIDADES: HÁ ORDEM NA DESORDEM

      

A coleção, compreendida como um somatório de objetos de toda espécie, escolhidos, reunidos e preservados por um protagonista com uma finalidade particular própria, tem por vocação apresentar ao olhar um conjunto de objetos. Lugar que questiona a percepção e também um espaço de celebração da memória dos homens e da memória do tempo através dos olhos. Os gabinetes de curiosidades surgem na época onde o mundo se expandiu por intermédio das Grandes Navegações.  “Nesse período, o homem vivia uma verdadeira revolução do olhar resultado do espírito científico e humanista do Renascimento e da expansão marítima, que revelou à Europa um novo mundo.” (JULIÃO, 2006, p.20). O imaginário medieval foi atingido por um saber cientificamente estabelecido e seu horizonte geográfico ampliava-se a cada nova descoberta.  

 

01 - Gravura do Gabinete de Ole Worm datada de 1655 (foto à direita) e reprodução do mesmo gabinete no Museu Wormianum (foto à esquerda).

Os gabinetes de curiosidades não eram homogêneos e nem padronizados. As mais diferentes coleções eram apresentadas nos mais variados formatos que podiam se restringir a uma peça de mobiliário ou até ocupar uma sala inteira para expor uma grande quantidade de objetos coletados, nos mais distintos locais, reunidos e exibidos em um só lugar. Para Pomian: “Um gabinete é então o universo inteiro que se pode ver de um só golpe, é o universo reduzido, por assim dizer a dimensão dos olhos” (1982, p.342 apud RAFFAINI, 1993, p. 160). Paredes, estantes, gavetas e até mesmo tetos abrigavam objetos que representavam o exótico e as terras longínquas numa forma de colecionar que inseria a peça em uma rede de sentidos e de correspondências a partir de um paralelismo único em cada coleção.  

Apesar do que possa parecer atualmente, os gabinetes não eram como um amontoado de curiosidades dispostas a esmo. Muitos princípios organizadores, que parecem sempre terem existido, na verdade não datam de antes do Iluminismo. O sistema usado na organização e na disposição desses objetos está intrinsecamente ligado ao entendimento de como o homem daquela época compreendia o mundo. É preciso entender que a ordem nesses locais refletia a riqueza, a instrução, e o gosto do seu proprietário. Desta forma, os sistemas classificatórios eram bem variados e baseavam-se em características, associações e similaridade sempre relacionadas ao conhecimento e à vivência de quem expunha. Apesar das diferenças na forma de organizar, todas as coleções expressavam um microcosmo reunido em um único espaço. Entre as organizações utilizadas, a mais citada na literatura é a que ordenava a coleção em naturalia e artifitialia. O primeiro item englobava todos os elementos encontrados na natureza e o segundo tudo aquilo criado ou modificado pelo homem. Alguns acrescentavam um terceiro tópico a essa classificação, a mirabilia, que dizia respeito às maravilhas do mundo.  



02 - As estantes do Gabinete do Museu Wormianum mostram a classificação escolhida pelo seu proprietário.

Ainda cabe a observação que é preciso ter cuidado ao apresentarmos os museus como uma evolução dos gabinetes de curiosidades. Essa espécie de atalho pode ser atraente, todavia, os museus possuem uma outra lógica e organização uma vez que surgiram como iniciativas governamentais ou universitárias baseadas no saber científico e abertos ao público, tornando assim a ideia de progressão um tanto imprecisa. É necessário contemplar os gabinetes com outra extensão do olhar sem a atitude que se implantou a partir do século XVIII onde não se queria ou não se podia mais entendê-los.



03 - Gabinete de Curiosidades - Domenico Remps, 1690

Referências:
 

BLOM, Philipp. O dragão e o carneiro tártaro. In: Ter e manter. Rio de Janeiro; São Paulo: Record, 2003, p. 29-42.


JANEIRA, A. L. A configuração epistemológica do colecionismo moderno (séculos XV-XVIII). Episteme, Porto Alegre, n.20, janeiro/junho 2005, pp 23-36.

JULIÃO, Letícia. Apontamentos sobre a história do museu. Caderno de diretrizes museológicas, v. 1, n. 2, p.19-32, 2006.

RAFFAINI, P. T. Museu Contemporâneo e os Gabinetes de Curiosidades. Rev. do Museu de Arqueologia e Etnologia, S. Paulo, 3: 159-164, 1993.


segunda-feira, 20 de junho de 2022

MUSEUS, IDENTIDADE E PODER

 Universidade Federal De Minas Gerais

Escola de Ciência da Informação - ECI - Curso de Graduação em Museologia

Disciplina: Tipologia de  Museus

Professor: Luiz Henrique Garcia

Grupo: Adriana Lage Borges Souza,  Ana Carolina Gomes Fiuza, Bia Pimentel, Gabriella Maria de Assis Pereira e Laura Braga Melo


Introdução: Antropologia, etnografia e museologia possuem interseções no campo das ciências sociais aplicadas, principalmente quando nos referimos a suas construções teórico-metodológicas. Essas ciências humanas são construídas em meio a expansão imperialista europeia, e, portanto, muitas de suas visões ainda estão "contaminadas" por esse eurocentrismo branco. Georges-Henri Rivière, museólogo francês, em meio a uma tentativa de trazer seu campo para um estudo dos subalternos, cria o conceito de etnomuseologia, que seria um estudo das culturas, dos povos, do etno, a partir de um olhar museológico, ou seja, toda conceituação, seu histórico e desenvolvimentos de museus indígenas, comunitários e etnológicos voltando pra uma musealização crítica. A partir dessa musealização crítica surge a crítica de Ilana Goldstein (2008) ao conceito de arte primitiva/arte primeira, voltada principalmente aos museus europeus.

Museu e Sociedade: Após finalizar seu trabalho de reorganização do Musée Trocadéro, Rivet anunciou seu novo projeto, o Musée de l'Homme, que se tornou referência internacional, mas, décadas mais tarde, se tornou antiquado e pouco visitado. Por isso, os acervos do Musée de l'Homme e também do Musée National des Arts d’Afrique et d’Océanie foram transferidos para o que posteriormente viria a ser o Musée du Quai Branly. A criação do Musée du Quai Branly foi possível pela existência de outras mostras que classificavam como arte objetos coletados em sociedades não-ocidentais, como a Primitivism in 20th Century Art: Affinity of the Tribal and the Modern, que redescobriu a art nègre. A polêmica desta exposição foi que a percepção dos “povos primitivos” não foi requisitada e artistas dos países em desenvolvimento não foram convidados a expor. A mostra Magiciens de la Terre contrapõe a primeira. Ela se pretendia “pós-moderna”, dando ao Outro voz, nome e rosto. Artistas não-ocidentais foram convidados pelo curador Jean-Hubert Martin para a criação da exposição. Essas duas grandes exposições pioneiras somadas aos interesses particulares de Chirac e Kerchache montam o contexto do surgimento Musée du Quai Branly.


01 - Trocadero - Musée Trocadero, reorganizado por Paul Rivet.


02 - Musée de l’Homme - Antecessor do  Musée du Quai Brainly.

03 - Mostra - Mostra Primitivism in 20th Century Art: Affinity 
of the Tribal and the Modern.

 

Etnografia - Contexto de Surgimento: A etnografia pode ser definida como: “Parte da antropologia que se dedica ao estudo das múltiplas etnias, de suas implicações antropológicas e sociais. As discussões e estudos sobre esse tema surgiram na década de 70, com a exigência de muitos países sobre seus artefatos e obras, que durante muito tempo foram saqueados e expostos de forma descontextualizada. Registro feito com o intuito de descrever a cultura material de um povo.” O Museu Etnográfico pode ser caracterizado como uma instituição que valoriza as manifestações culturais e locais de uma população, priorizando a preservação da tradição de uma cultura. A criação desses espaços, permite que os objetos, artefatos, obras de arte e mercadorias sejam inseridos em seu contexto de origem. A relação do Brasil com os museus etnográficos, iniciou-se ao longo do século XX. O maior destaque dessa mudança foi o modo como os povos indígenas brasileiros passaram a ser enxergados, transformando a relação entre a cultura nativa e seu apagamento durante séculos. Desta forma, políticas de proteção foram implementadas assegurando individualidade, preservação em âmbito demográfico e cultural. No entanto, são poucas instituições etnográficas que têm destaque e conhecimento no país. Isso porque, grande parte desses espaços são mantidos através de ações não-governamentais. O Museu Casa dos Açores é um exemplo e possui um acervo muito rico culturalmente, localizado em Biguaçu, São Miguel da Terra Firme - Santa Catarina. Retrata o contexto escravista e imigratório durante o século XVIII. Muitas são as discussões sobre a formação e configuração desses espaços. Encontrar o equilíbrio entre a desassociação e a instituição clássica, ou reproduzir, mesmo que minimamente, os padrões seguidos por esta, além de se tornarem descaracterizadas de uma instituição museológica é um grande desafio.



04 - Primitivism

05 -Magiciens de la Terre

06 - Máscara Cara Grande - Ypé, de etnia Tapirapé

Criação do Museu Quai Branly: O Museu foi aberto em junho de 2006, e a ideia da criação, em Paris, de um museu para abrigar e expor a chamada arte primitiva, partiu do então presidente da França Jacques Chirac, apaixonado por arte africana. Na época da criação/construção, diretores do Museu chegaram a ser acusados de comprar peças de origem ilegal, a preços milionários, inclusive estátuas nigerianas. Pairava no ar a suspeita que essa súbita visibilidade das artes primitivas teria como finalidade principal a valorização deste segmento do mercado de arte, o que de fato ocorreu. A maioria das peças expostas no Museu não foi criada como obra de arte e sim para servir a funções práticas e triviais do dia-a-dia (ex caça), ou funções transcendentais (ex. cultos religiosos).

Hoje o Branly conta com mais de 370 mil objetos, e é dedicado às civilizações e à arte da Oceania, Ásia, África e América, antigas civilizações não europeias. 


07 - Musée du Quai Branly - fachada

08 - Quai Branly - interior


09 - Artigos da Nigéria


Expressões artísticas no mundo - Primitivismo: No início do Século XX, alguns artistas modernistas do Fauvismo, Surrealismo, Cubismo exploravam as coleções etnográficas de museus de todo mundo em busca de inspiração,  que, de certa forma, não tinham questionamentos políticos e morais da época, como é destacado por GOLDSTEIN (2008). A arte moderna buscava referências da arte feita por povos e tribos primitivas. Por exemplo a semelhança entre os rostos angulosos, geométricos e coloridos das Demoiselles d’Avignon (1907) de Picasso e certas máscaras africanas. 



10 - Les Demoiselles d'Avignon - Picasso, 1907



11 - A dança, Paul Gauguin -1909


Os cientistas, os antropólogos na sua maioria, são contra a expressão arte primitiva. Pois no contexto intelectual seria a crença na existência de sociedades “primitivas”, no sentido de “menos evoluídas”, que foi muito pontuada no evolucionismo, na segunda metade do século XIX. No século XX, a noção de arte “primitiva” engloba manifestações tão distintas como: a arte “bruta”, a arte naïf ou popular, a arte pré-histórica e as artes indígenas, que são classificadas como artes “primitivas” devido ao seu processo de criação seguindo os impulsos humanos instintivos e “genuínos”, ou de sua forma inconsciente, pela qualificação marginalizada de seus produtores, seja em relação à “normalidade” psíquica (arte bruta), seja em relação à cultura erudita (arte naïf ou popular), seja em relação a um menor grau evolutivo (arte pré-histórica) ou à supremacia econômica e tecnológica da sociedade Ocidental (artes indígenas).



12 - Arte Bruta: O Normal é Psicótico - Jean Dubuffet, 1962

13 - Arte Bruta no Brasil: Obra de Arthur BispoFavela

14 - Arte naif ou popular: o sonho, Henry Rousseau - 1910

15 - Arte naif no Brasil: Heitor dos Prazeres, 1965


16 - Pinturas rupestres - Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, Januária - MG

17 - Arte indígena: Apapaataí Atujuwá Ajou, Jatobá fêmea

Conclusão: Ao examinarmos as artes não-ocidentais, estamos diante de objetos que operam, simultaneamente, como testemunhos etnográficos de outras culturas aos olhos ocidentais, como manifestações estéticas com forte poder de comunicação, no seio das comunidades em que são produzidas, e como mercadorias com valor de troca, no mercado global. […]  Assim, a abordagem predominantemente estética que deu a tônica do projeto Branly, desde o início, continua a merecer debate. (GOLDSTEIN, 2008, p. 310)


Referências Bibliográficas:

AIDAR, Laura. Fouvismo, In.: Toda a Matéria, Artes. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/fauvismo/>. Acesso em : 3, jan de 2022


CONVERSANDO SOBRE NAIF, In.: Arte Naïf (2020) – Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. Disponível em:: <https://youtu.be/DaMGT9QotRQ> Acesso em 03, jan de 2022.


DURAND, Jean-Yves. Este obscuro objecto do desejo etnográfico: o museu. in: Etnográfica, 2 (11). Revista do Centro de Estudos de Antropologia. Lisboa: CEAS / ISCTE. pp 373-385.


GOLDSTEIN, Ilana. Reflexões sobre a arte "primitiva": o caso do Musée Branly. Horiz.antropol. [online]. 2008, vol.14, n.29 [cited  2013-08-27], pp. 279-314.


HENRI ROUSSEAU, sua arte e sua história, In.: Arte e Blog, em 21 de maio de 2016. Disponível em: <https://www.arteeblog.com/2016/05/henri-rousseau-sua-arte-e-sua-historia.html>. Acesso em 3, jan de 2022

LES DEMOISELLES D’AVIGNON, In.:  Wikipédia, a enciclopédia livre, 2012. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Les_demoiselles_d%27Avignon> Acesso em: 03, jan de 2022.


NETO, Aristóteles Barcelos. O despertar das máscaras grandes do Alto Xingu: Iconografia e transformação. In.: A Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCar, 2010, v.2, n.2, jul.-dez., p.43-66. Disponível em: <http://paineira.usp.br/cema/images/ProducaoCEMA/AristotelesBarcelosNeto/O_despertar_das_mascaras_grandes_do_Alto.pdf> Acesso em 03, jan de 2022.


OLIVEIRA, Alecsandra Matias, Jean Dubuffet, In.:Das Artes 109 / Destaque 17/07/21

Disponível em : <https://dasartes.com.br/materias/jean-dubuffet/> Acesso em 03, jan de 2022.


SCHWARCZ, Lilia Moritz. Os museus etnográficos brasileiros: “Polvo é povo, molusco também é gente”. In: O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p.67-98.


TOMBADA PELO IPHAN, obra de Arthur Bispo do Rosário ganha mostra no Rio, com peça inédita - In.: Jornal O Globo, Cultura › Artes visuais. 24, set. 2019. Disponível em : <https://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais/tombada-pelo-iphan-obra-de-arthur-bispo-do-rosario-ganha-mostra-no-rio-com-peca-inedita-23968582>Acesso em: 03, jan de 2022.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Colaboração Grupo de Estudos SOMMUS + Projeto de Extensão Engaja e Retratistas do Morro

O Projeto Retratistas do Morro está na reta final da campanha de financiamento coletivo de um livro que resulta de diversos esforços empreendidos no âmbito do projeto. Para conhecer e apoiar: https://www.catarse.me/retratistasdomorro
 

 
Como forma de contribuir para este esforço final até dia 12/06/2022, o Grupo de Estudos SOMMUS e o projeto de extensão Engaja (clique para saber mais) vão sortear 2 exemplares do livro a todos que compartilharem este conteúdo no intuito de fortalecer a campanha. Basta compartilhar a postagem nas respectivas redes sociais, deixar o nome nos comentários ou enviar um email para portfoliomuseologia@gmail.com após o compartilhamento. Faremos o sorteio no dia seguinte ao encerramento da campanha e comunicaremos o resultado através deste blog e da página do SOMMUS no Instagram. Os ganhadores deverão buscar o livro no local na data de lançamento a ser divulgada oportunamente.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

O entorno da história: o Museu das Minas e do Metal e sua edificação em diferentes tempos de BH

Realizei ontem, a convite da equipe do Museu das Minas e do Metal, uma palestra que marcou minha volta às atividades externas presenciais abertas ao público. Eis uma descrição sintética, da forma como consta no canal do Youtube do museu:

"No ano em que o Prédio Rosa, sede do MM Gerdau, faz 125 anos, o Museu traz conversas e ações ao longo de 2022 para celebrar esse edifício histórico e a cidade de Belo Horizonte, também inaugurada em 12/12/1897. A proposta desta conversa é abordar as transformações no prédio e no espaço urbano ao seu redor, destacando as modificações no uso e consequentemente nas formas de apropriação por parte dos citadinos, especialmente a partir de sua conversão em museu. Essa atividade pertence ao ciclo "Patrimônio em foco" de atividades de extensão do grupo ESTOPIM, grupo de pesquisa do Prof. Luiz Henrique Assis Garcia, convidado desse encontro, mestre e doutor em História pela UFMG, onde é professor do curso de Museologia e do PPG em Ciência da Informação da ECI/UFMG. A mediação ficará por conta de Luiza Macedo, assessora da Direção do MM Gerdau, Doutoranda e mestre (2020) em Estudos do Lazer pela UFMG."
 
 
Tenho recebido ótimos retornos de colegas e pessoas próximas que assistiram, e realmente fiquei muito satisfeito com o resultado, mérito que divido com a ótima mediação da Luiza e o trabalho da equipe que operou câmeras e computadores garantindo ótima qualidade de imagem, som, e direção da transmissão que deu dinâmica ao alternar entre a palestra em si e os slides que elaborei. Além de tudo, eu estava muito à vontade e me diverti bastante, o que pra mim não é incongruente com o rigor acadêmico de tudo que falei. Convido os leitores do blog a dar uma conferida!

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Repatriamento de acervos sonoros de Madagascar

O repatriamento de acervos sonoros de Madagascar

Texto: Lígia Dutra

Edição: Luiz H. Garcia

O repatriamento de acervos tornou-se um tema constante nas últimas décadas, principalmente quando se trata da restituição dos diferentes tipos de acervos sob o domínio dos países europeus para os países africanos. De acordo com os autores Karine Lima da Costa e Kimberly Terrany Alves Pires, esses movimentos em torno da repatriação tornaram-se expressivos nos últimos 50 anos, devido à percepção sobre a importância da cultura material de variados povos. Diante desse clima e em conjunto com a data comemorativa criada pela UNESCO para destacar a importância do Patrimônio Audiovisual, a Academia Austríaca de Ciências resolveu restituir acervos fonográficos fruto da coleta e pesquisa da diversidade sonora de Madagascar, realizada pelos etnólogos da Universidade de Viena, como August Schmidhofer, Gerhard Kubik, Lotte Schomerus-Gernböck, e Michael Weber, ambos com interesse na musicalidade da cultura africana [aqui para ler mais sobre o projeto].

Madagascar é um país situado próximo à costa sudeste da África, possui um panorama musical bastante diferenciado, talvez devido a diversidade de etnias, dialetos, crenças e culturas, que podem estar conectadas pela música e os objetos que a reproduzem. E depois deste contexto, que tal desfrutar um pouco da rica sonoridade coletada por estes pesquisadores? Os áudios a seguir são das regiões de Província de Fianarantsoa e Província de Toliara produzidos sob o estudo da Lotte Schomerus-Gernböck e através do link do site worldmusicstore, sinta-se livre para fruir os diferentes tipos de informações sobre a musicalidade malgaxe como as variadas cerimônias, rituais e instrumentos tradicionais classificados por August Schmidhofer, como maravony (cítara de caixa), gorodo (acordeão) e bandolim. Por fim, quem tiver o interesse, comente abaixo quais foram suas sensações, lembranças e percepções após a fruição desses arquivos sonoros.



Título Música: Convocação para a luta [para ouvir, clique]
Projeto: Schomerus-Gernböck: expedição a Madagascar 1961
Região: Província de Toliara
Conteúdo: Peça instrumental; Canções do Mahafaly com acompanhamento instrumental
Instrumento (s): Amponga2 (cilindro de cone) ; Sodivina1 (flauta longitudinal)
Execução de vogal: Cantor principal (solo vocal) ; Coro feminino (coro) , duas partes
Arquivo: B 7562 (trecho)
Duração (hh: mm: ss): 00:00:20

Título Música: Música de premiação e parabéns [para ouvir, clique]
Projeto: Schomerus-Gernböck: expedição a Madagascar 1961
Região: Província de Fianarantsoa
Conteúdo: Canções do Betsileo
Instrumento (s): Lukanga (cuspir alaúde, cancelado)
Execução de vogal: Cantor principal (solo vocal) ; Canto masculino (grupo de canto) , duas partes
Arquivo: B7568 (trecho)
Duração (hh: mm: ss): 00:00:20

Para consultar os arquivos de áudio:https://catalog.phonogrammarchiv.at/ausgabe_laender.php?sortieren=0&action=uebersicht&vonBis=0-9&id_land=28&art=alphabetisch&anfangsb=m

 
Mireille Rakotomalala and August Schmidhofer (Antananarivo, 26 September 2012)
Imagem de Arquivo sendo repatriado
Fonte: site iasa-web
Disponível em: https://www.iasa-web.org/phonogrammarchiv-repatriates-madagascar%E2%80%99s-acoustic-heritage


 
Imagem de encarte Gravado por August Schmidhofer do Instituto de Musicologia da Universidade de Viena.
Fonte: site worldmusicstore
Disponível em:https://www.worldmusicstore.com/collections/africa/products/mcm-3011

 

Referência:

COSTA, Karine Lima da; PIRES, Kimberly Terrany Alves.Repatriação e Restituição de bens culturais: caminhos possíveis. Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, V. 6, ed. especial, p. (1-12), mar. 2020.