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segunda-feira, 12 de abril de 2021

MUSEUS DE ARTE E FORMAÇÃO DE COLEÇÕES NO SÉC. XX - Tipologia de museus 2020

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Bacharelado em Museologia
Disciplina: Tipologia de Museus
Docente: Luiz Henrique Assis Garcia

Discentes: Alice Rodrigues, Amanda Peres, Daise Garcia, Lorrayne Pelizari, Natália Rocha, Odirlei Teixeira, Thamires Caetano


Você sabe o que é um museu de arte? Um museu de arte é um espaço para a exposição de arte, geralmente visual, mas podendo ser artes cênicas, musicais ou até mesmo poesias, que podem ser de propriedade privada ou do estado.

Eles nasceram quando a arte passa a ter um novo lugar em meio a sociedade, passando a representar o que estava acontecendo, a representar uma identidade nacional, a espalhar virilidade, energia e superioridade, a não ser somente representação de pessoas e paisagens para quem os via, as coleções religiosas, por exemplo, materializam passagens bíblicas e glorificam personagens da Igreja e isso levou a uma internacionalização da arte, da especialização e das novas finalidades das coleções, à medida que a curiosidade dá lugar à busca pelo saber.

Ah, importante lembrar que as guerras do séc. XIX e a revolução francesa tiveram influência nessa história toda, viu? Na revolução francesa tudo que fazia referência ao antigo regime o povo queria destruir, foi assim que o Louvre nasceu, ele foi um meio de preservar as peças e assim surgiram também as medidas de salvaguarda e o que as guerras tem com isso? Foram nelas que a arte veio como espólio de guerra e começou a compor museus. 
 
Imagem 1: Hubert Robert. Projeto de Organização da Grande Galeria do Louvre, 1796. Fonte: wikipedia.org.

E as coleções? Como surgiram? Bom, o colecionismo era, em sua maioria, funerário, sacro ou espoliante. Formaram-se coleções celebrativas que tinham por objetivo fabricar ídolos com valores conservadores e no século XVIII surgem os primeiros “catálogos” - pequenos livrinhos, com critérios, conceitos e valorações direcionadas para o público frequentador - e o primeiro estudo sobre a história da arte - obra de Johann Wincklelmann de 1764, que aborda o desenvolvimento artístico por épocas, acreditando que as condições físicas e materiais devem ser levadas em conta para o entendimento das singularidades.

E não podemos deixar de falar sobre os saques nazistas, responsáveis pelo confisco de obras de famílias judias e de museus alemães, as artes aprovadas pelo partido eram aceitas e exaltadas, pretendendo refletir ideais nazistas através de valores clássicos. Já as que iam contra a ideologia do regime foram exterminadas ou vendidas para arrecadar fundos. Era na Casa de Arte Alemã e no Museu de Linz, onde era exposto o que era considerado o ‘verdadeiro valor’ segundo a ideologia. Teve também em outra galeria, a “Exposição de Arte Degenerada”, a fim de ridicularizar a arte moderna. Esse foi considerado o maior saque de arte do mundo. 
 
Imagem 2: Saques alemães armazenados na igreja em Ellingen, Alemanha Fonte: National Archives and Records Administration

Depois da Segunda Guerra Mundial os museus passaram por uma transformação, passou a existir uma troca cultural, uma visão mais global e aqui no Brasil começaram a surgir os primeiros museus de arte sendo eles os MAM’s de SP e RIO e o Masp em SP, onde eram compostos principalmente de exposições temporárias, sendo que as megaexposições de grandes nomes têm um número muito maior de visitantes, sendo os internacionais os mais visitados, de acordo com Myrian dos Santos o brasileiro não tem o hábito de ir a museus mas temos que compreender a diferença econômica, social e cultural existente aqui. 
 

Imagem 3: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Centro de Documentação e Pesquisa do MAM

E uma curiosidade para finalizar, durante a pandemia foi criado o The Covid Art Museum autodeclarado “o 1° museu de arte do mundo nascido durante a crise do COVID-19". 


Referências

CAM The Covid Art Museum. Instagram: @covidartmuseum. Disponível em https://www.instagram.com/covidartmuseum/. Acesso em 02 de mar. de 2021.

DOS SANTOS, M. S. As Megaexposições no Brasil: democratização ou banalização da arte?. Cadernos de Sociomuseologia, 19 (19), 2006.

INTERLENGHI, Isabela Ferrari. Arte Como Campo de Disputa: A Política Cultural Norte-Americana na Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro, 2018.

MACHADO, Cassiano Elek. Hitler e a poderosa engrenagem nazista de saquear obras de arte. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de nov. de 2013. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2013/11/1372085-hitler-e-a-poderosa-engrenagem-nazista-de-saquear-obras-de-arte.shtml>. Acesso em: 02 de mar. de 2021.

Museu de arte moderna de sp. Instagram: @mamoficial. Disponível em https://www.instagram.com/mamoficial/. Acesso em 02 de mar. de 2021.

SANTOS, LP; PELEGRINI, SCA. NS-RAUBKUNST: o saque nazista de obras de arte e suas representações nas narrativas midiáticas VIII CIH. 2649 – 2656

MUSEUS DE HISTÓRIA NATURAL E MATERIALIDADE CIENTÍFICA - Tipologia de museus 2020

ECI-UFMG
CURSO: Museologia
DISCIPLINA: Tipologia de museus
PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia

ALUNOS: Henrique dos Santos Vasconcelos, Vitor Gomes dos Santos, Jessica Mendes Baumgartner, Mayra Luiza Carvalho Marques

Para compreensão dos Museus de História Natural é preciso entender sua missão científica, e para tanto, é importante observar primeiro alguns eventos marcantes, na história das ciências, que se ligam a formação do pensamento moderno, e ao modelo racional, que embasa sua fundação. 

Assim, a primeira guinada científica a ser destacada é o Renascentismo, momento de superação das estruturas feudais ligados ao período medieval, e dentre elas, a influência do pensamento dogmático na cultura e sociedade, que era substituído por um crescente interesse nos valores da racionalidade, ciência e da natureza. O renascimento marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna, período em que as transformações epistemológicas e sociais culminaram no nascimento dos Museus de História Natural, que procederam aos gabinetes de curiosidade, porém com interesses bem específicos. Assim, com a queda da monarquia, e o ataque direto à propriedade daqueles que foram definidos como inimigos da liberdade BAEZ (2006, p. 204), houve a transposição dos objetos dos gabinetes de curiosidade para espaços comuns, e a consequente publicização desses acervos, iniciando o processo de estabelecimento daqueles que se tornariam os primeiros museus.

Concomitantemente às transformações político-sociais, acontecia uma transição epistêmica, surgindo aos poucos as diversas ciências no contexto do iluminismo. O século XVIII foi marcado também pela filosofia, que veio a reformular as bases do pensamento da época, aliando-se a matemática, e introduzindo duas noções marcantes para os museus europeus e toda sociedade ocidental: o pensamento racionalista moderno e o empirismo. Nesta época, há uma marcante vontade de unificação dos saberes através do método proposto por René Descartes (1596-1650), hoje conhecido como método cartesiano.

Tais mudanças colocam os museus e suas coleções em uma posição central para construção do conhecimento marcado pela compreensão de mundo daquele século, que buscava a empiria, e através do estudo comparativo, tecia leis de funcionamento do mundo, do ser humano, e da natureza. O museu, em sua potencial materialidade, torna-se um plateau para ordenamento do conhecimento produzido, e seus acervos, matéria-prima para proposições científicas a respeito da realidade. Redes e cooperações através de catálogos marcaram os séculos XVIII e XIX para os Museus de História Natural, além disso, também houve uma constante busca de acervo através de expedições científicas. O intuito era construir o conhecimento que possibilitasse direcionar o povo rumo à civilização. As expedições captavam o mundo e o museu através de suas exposições e catálogos classificava estes fragmentos.

Atualmente vemos que os museus de história natural mantêm seus esforços para a difusão do conhecimento universal através de exposições que partem, principalmente, da etnografia, da zoologia e das ciências da terra, com o uso de métodos pedagógicos distantes da erudição passada. Para isso é comum que essas instituições façam uso da interatividade, que possibilita a participação ativa da pessoa, ao invés de diretiva, e provocam curiosidade e reflexões através de estímulos subjetivos e intuitivos. Outro método comum é o uso de dioramas para materializar biomas e sistemas naturais.

Referência:

BÁEZ, Fernando. História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque. Tradução de Leo Schlafman. São Paulo: Ediouro, 2006. 512 p.


Links:

Cultura material: sobre uma vivência entre tangibilidades e simbolismos

http://dialogo.espm.br/index.php/revistadcec-rj/article/view/113


As expedições científicas e civilizadoras

https://drive.google.com/file/d/1bHI_5vAo-lywvCkuom7FuEc_0ncIjajk/view?usp=sharing



Decolonialismo em museus de história natural

https://www.facebook.com/142173402547084/videos/242658057038622/



Site do Museu Nacional

http://www.museunacional.ufrj.br/

Os museus comunitários: seus ideais e suas dificuldades - Tipologia de museus 2020

Universidade Federal de Minas Gerais
Escola da Ciência da Informação
Curso de Museologia
Disciplina: Tipologia de Museus
Professor: Luiz Henrique Garcia de Assis

Alunos: Bárbara da Silva, Camila Bueno, Lígia Dutra, Maíra Gil, Sâmara Rebeca.

Algumas das primeiras experiências de museus comunitários ocorreram no México(*), local onde o conceito foi estabelecido, esse tipo de museu tem sua base de criação fundamentada no movimento da nova museologia. O museu comunitário é considerado um processo, que deve estar em constante mudança, se adaptando de acordo com a realidade de seu ambiente. Diferentemente dos museus mais tradicionais, ele é criado pela própria comunidade, a partir de uma curadoria coletiva utilizando suas próprias referências culturais, o que possibilita o reconhecimento e um sentimento de pertencimento coletivo.

Tomemos como exemplo o Museu do Índio Luiza Cantofa. Localizado no Rio Grande do Norte, é considerado o primeiro museu indígena do estado, e foi inaugurado e idealizado pela liderança indígena Lúcia Maria Tavares em conjunto com os povos indígenas da região em fevereiro de 2013.

O Museu tem como objetivo principal resgatar e recontar a história dos Tapuias Paiacus (grupo indígena que habitava a região compreendida entre o rio Açu, na Chapada do Apodi e o baixo Jaguaribe no Ceará). É um Museu que tem em seu cerne honrar as dificuldades passadas por seus antepassados, suas lutas e suas glórias, assim como demarcar seu lugar de existência e ancestralidade, num triângulo perfeito de museu-corpo-território. Ele existe pois os Tapuias Paiacus ainda existem, apesar de sofrerem constantes apagamentos.
Imóvel atual do Museu do Índio Luiza Cantofa - Rio Grande do Norte


Museu do Índio Luiza Cantofa-Rio Grande do Norte: Antes e Depois

Fonte: Twitter


Fonte: Facebook/somsemplugs
 
Apesar dos ideais e das propostas dos museus comunitários, eles também carregam potenciais desafios, como os idealizadores do museu não serem imparciais em relação a seus gostos, crenças e ideologias pessoais, o que pode refletir no processo de criação do museu, que deveria se tratar dos interesses da comunidade; além dos museus comunitários muitas vezes acabarem enfrentando dificuldades relacionadas à área financeira, como falta de verba, que dificulta na conservação de seu acervo e na realização de projetos com a comunidade; ou ocorrerem conflitos de gerações, se um museu não se modificar com tempo, futuramente as prioridades, necessidades e os problemas da comunidade que ele está inserido não serão contemplados. Com relação a este último desafio, o Museu do Índio Luiza Cantofa se destaca por dar prioridade à narrativa de suas histórias através das gerações, o que cria um senso de intimidade entre a comunidade e o museu. Dessa forma, é importante que os museus comunitários se mantenham atentos a essas possíveis adversidades e busquem combatê-las, para que eles não se tornem equivalentes às instituições que contradizem os seus objetivos.


Referências bibliográficas

PRIOSTI, Odalice Miranda. A dimensão político - cultural dos processos museológicos gestados por comunidades e populações autóctones. SEMINÁRIO DE IMPLANTAÇÃO DO ECOMUSEU DA AMAZÔNIA E DO PÓLO MUSEOLÓGICO DE BELÉM/ PA, 8-10 de junho de 2007, 26p.

RUSSI, Adriana; ABREU, Regina. “Museologia colaborativa”: diferentes processos nas relações entre antropólogos, coleções etnográficas e povos indígenas, Horizontes Antropológicos [Online], n.53, p.17-46, jan./abr. 2019. Posto online no dia 18 maio 2019, consultado o 22 maio 2019.

Nota do editor:
(*)Há experiências iniciais em vários cenários museológicos diferentes, que merecem ser citadas, como nos EUA, Canadá e França. O Anacostia Neighborhood Museum em Washington, D.C., abriu em 1967, até antes da Mesa Redonda de Santiago do Chile, em 1972.


 


Museus, Identidade e Poder: o caso do Musée Du Quai Branly e os processos de Repatriação - Tipologia de museus 2020

 

Universidade Federal de Minas Gerais

Escola de Ciência da Informação

Curso: Museologia 

Disciplina: Tipologia de Museus                                       

Docente: Luiz Henrique Assis Garcia

Discentes: Alexsandro Claudio da Silva; Daniel Violante; Lorena Brandão; Marcus Vinicius Dlazzari; Nathália Marques; Thaís Diaz


Musée du Quai Branly: 


O Museu do Quai Branly foi inaugurado em 2006, seu intuito era reunir em um único lugar o Museé de L’Homme e o Museu Nacional de Artes Africanas e da Oceania, na França. A sua exposição de longa duração é dividida em três unidades: América, Ásia, África & Oceania e conta com mais de 300 mil objetos. Ao olhar esses objetos, nota-se uma ligação com o período da França colonialista. 

          Sua concepção se deu, em grande parte, com a influência de duas grandes exposições do século XX: Primitivism in 20th Century Art, realizada no MoMA de Nova Iorque em 1984; e a exposição Magiciens de la Terre, no Centro Pompidou em 1989. Ambas exposições colocavam os objetos coletados de sociedades não-ocidentais na categoria de “artes primitivas”, trazendo aos objetos um ar folclórico, mágico, arcaico e irracional. 

Houve grandes debates de como tratar os objetos africanos, a partir da perspectiva se seriam testemunhos etnográficos ou criações estéticas. A inauguração do Museu do Quai Branly aconteceu em meio a várias tensões. Houve uma grande acusação ao então diretor do museu pela compra ilegal de peças Nigerianas e o início do debate sobre um possível aumento da visibilidade das “artes primitivas” e, consequentemente, sua valorização no mercado de arte mundial.


          Na fundamentação do Branly ainda se carece uma falta de revisão do processo colonial que deu origem a suas coleções e também sobre o caráter “estetizante”. A certeza que se tem é que os museus europeus são repositórios de objetos que foram saqueados durante o processo de colonização, nesse sentido, o Musée du Quai Branly abriga a grande maioria desses objetos. O debate sobre a repatriação tem sido central nesses últimos anos e essencial para revisar essas exposições e pensar qual o papel esses museus têm cumprido e podem cumprir. 


Repatriação: 


           A repatriação de acervos coloniais(*) é uma proposta que vem sido discutida em várias instâncias recentemente, e essa discussão têm se tornado cada dia mais acalorada. Enquanto diversas instituições europeias se utilizam de subterfúgios e discursos pouco convincentes sobre a repatriação, vemos surgir um grande movimento por parte de pesquisadores descendentes de povos colonizados e também de seus países de origem. Um exemplo seriam os restos humanos presentes em diversos museus e coleções privadas por toda a europa - é caro para um povo poder enterrar seus ancestrais dentro de suas crenças, a devolução destes itens certamente causaria impactos inéditos na história humana e em suas várias configurações de civilizações e sociedades. 

           A repatriação desses acervos passa a ser muito mais do que a mera devolução de peças, tratamos aqui também de espécimes e artefatos diversos, é um fato que o inchaço das coleções européias se dão a pilhagens e aquisições injustas. Segundo Leo Frobenius, o colonialismo despejou uma grande quantidade de objetos nos acervos dos museus europeus. Um exemplo são os mais de 25 mil  artefatos da Namíbia, dos Camarões e da Oceania que pertencem ao Museu Linden, em Stuttgart, 91% foram adquiridos entre 1884 e 1920. Entre os principais responsáveis por este grande volume estavam militares, que apesar de leigos a respeito do tema, levavam das colônias o que lhes agradava. 

         A repatriação é prevista em duas resoluções da ONU, onde é dito que “[...] a herança cultural de um povo condiciona o florescimento de seus valores artísticos e seu desenvolvimento em geral”, e que os países que roubaram os bens “[...] e que ainda não o fizeram, a proceder com a restituição das obras de arte, monumentos, peças museais, manuscritos e documentos a seus países de origem, sendo tais restituições calculadas para fortalecer a compreensão e cooperação internacional. [...] E sem encargos [...] visto que constitui apenas a reparação pelos danos causados.”


Devolver a seus países e povos de origem estes acervos é um primeiro passo para uma reparação histórica. As chagas causadas pelo colonialismo são incontáveis, a retomada de seus objetos pelos diversos povos é um movimento fundamental e no mínimo ético, se tratando do campo museal. A retirada destes objetos de seus locais de origem geraram mudanças culturais abruptas, restituí-las é para os povos uma forma de ressignificar suas existências, buscando resgatar o que lhes foi roubado e valorizar as práticas ancestrais.  


Coleção dos objetos roubados pela polícia civil do RJ
Foto: Oscal Liberal lPHAN


Caso esse tema te interesse, você pode ler mais sobre em:

Revista online “Latitude”, publicada pelo Goethe-Institut
Não faça isso por mim sem mim!, sobre participação e cooperação nos museus  
O patrimônio cultural imaterial e a globalização, sobre igualdade e globalização
Da vitrine para o espaço aberto, sobre concepção de museus
Coleções controversas, sobre a pilhagem colonial e os museus
Repensando o legado colonial, sobre a repatriação e seus debates
A herança colonial, sobre pesquisas de procedência
Post Sobre o “plágio” ou não de artistas europeus de obras, no perfil do …, 2019
Post sobre a devolução por parte da Holanda de bens roubados, no perfil museo.deleite, 2021

Referências:
DURAND, Jean-Yves. Este obscuro objecto do desejo etnográfico: o museu. in: Etnográfica, 2 (11). Revista do Centro de Estudos de Antropologia. Lisboa: CEAS / ISCTE. pp 373-385.

GOLDSTEIN, Ilana. Reflexões sobre a arte "primitiva": o caso do Musée Branly. Horiz.antropol. [online]. 2008, vol.14, n.29 [cited  2013-08-27], pp. 279-314.

ONU. Resolução 3187 sobre Restituição de trabalhos de arte para países vítimas de

expropriação. Assembleia Geral das Nações Unidas, 1973. Disponível em:

<http://www.unesco.org/culture/laws/pdf/UNGA_resolution3187.pdf

Acesso em 10 de Março de 2021

ONU. Resolução 3391 sobre Restituição de trabalhos de arte para países vítimas de

expropriação. Assembleia Geral das Nações Unidas, 1975. Disponível em:

<http://www.unesco.org/culture/laws/pdf/UNGA_resolution3391.pdf

Acesso em 10 de Março de 2021

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lista de links na ordem

https://www.goethe.de/prj/lat/pt/spu/21736768.html
https://www.goethe.de/prj/lat/pt/spu/21761229.html
https://www.goethe.de/prj/lat/pt/spu/aus.html
https://www.goethe.de/prj/lat/pt/spu/21652951.html 

https://www.goethe.de/prj/lat/pt/spu/21677593.html 

https://www.goethe.de/prj/lat/pt/spu/21653138.html
https://m.facebook.com/photo.php?fbid=2917651218464452&id=100006588074778&set=pb.100006588074778.-2207520000..&source=42&ref=content_filter
https://www.instagram.com/p/CMZp-xjpBp1/ 

 *Nota do Editor:

Merece menção que o debate sobre repatriação de acervos, intensificado na segunda metade do século XX, incorpora também questões fora do recorte internacional, pois se debate por exemplo as restituições de acervos pertencentes a grupos ditos indígenas em museus do mesmo  território nacional em que estes vivem 

Museus históricos, modernidade e nação - Tipologia de museus 2020

ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO: Museologia
DISCIPLINA: ECI 097 - Tipologia de Museus
PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia

Membros: Ingrid Ferreira das Dores Andrade / Isabelle Iennaco / Lara do Prado Cunha / Lucas Henrique de Souza / Mariana Oliveira Ferreira / Marina Ramos Isaias Vale / Raphaela Luiza Damato Lima


Com as várias transformações de ordem política e econômica do século XIX, foi possível a formação do museu público, que se direcionou para a afirmação de uma identidade nacional. Boa parte das coleções dos monarcas se converteu em museus nacionais, e muitos objetos advindos das colônias, ganharam seu lugar em museus de história natural, onde eram vistos como representação de sociedades em seus diferentes estágios civilizatórios. No Brasil, D. Pedro II procurou constituir uma ponte entre suas relações e sua representação ao expor os presentes que recebia durante viagens ao exterior ou que recebia de pessoas que visitavam seu museu: o Museu do Imperador (*), reproduzindo a sua imagem. Para o imperador, era preciso uma memória nacional unificada e harmônica para apresentar aos seus visitantes (escolhidos pelo próprio). Durante a fundação dos museus brasileiros já havia uma preocupação de quais memórias (quais histórias) estariam na instituição.


O que pode ser considerado nacional? Todas as identidades de uma nação estão ali representadas? No caso do Museu Nacional, fundado em 1818 no Rio de Janeiro, é visto um exemplo de instituição em que foi feita uma “nacionalização dos outros”, a narrativa do museu ia para além da história do povo brasileiro e incorporava elementos de outros países. Podemos dizer que o Museu Nacional(**) se apresentava como um “microcosmo” da nação, pois apresentava de forma muito rasa a riqueza do Brasil, resumindo sua diversidade natural e cultural às manifestações de outros continentes que não dialogam diretamente com a nossa nacionalidade.

No Museu Paulista, Affonso Taunay mudou o perfil do Museu de Ciências Naturais para de História, dando em pouco tempo de sua gestão um caráter de um lugar de memória nacional. Essa reformulação feita por Taunay fez da instituição mais que um lugar de exposição, e exemplifica a criação de um suporte que beneficia a comunicação dos objetivos de uma exposição ao público, de uma forma a atingir até os visitantes que apresentam menos imersão no assunto, onde certamente entra o papel da iconografia. 


 

Um ponto a ser notado nos museus históricos é a colocação de que estes são compostos unicamente por objetos históricos, porém um museu dessa tipologia também é responsável por comunicar um conhecimento histórico através do seu acervo. No caso do Museu Histórico Nacional, fundado em 1922, é possível identificar uma preocupação com a identidade nacional, para que fosse privilegiada a memória monárquica em detrimento da memória republicana, por parte de Gustavo Barroso, fundador e primeiro diretor do museu. Assim, o Museu Histórico Nacional representou uma tentativa de consagrar a construção de uma visão da história brasileira.

Como pode ser observado, os museus brasileiros constituíram-se na tentativa de estabelecer uma identidade nacional unificada, sem qualquer problematização e com apagamentos da memória de grupos minoritários. O Museu Histórico deve-se configurar não como instituição voltada para objetos históricos, e sim para propor problemas históricos. Os problemas históricos são as propostas de articulação de fenômenos que tornam possível o conhecimento de estruturas, funcionamentos e mudanças de uma sociedade, enquanto os objetos históricos seriam os objetos capazes de permitir a discussão de problemas históricos.

Bibliografia

BREFE, Ana Cláudia Fonseca. História nacional em São Paulo: o Museu Paulista em 1922. An. mus. paul., São Paulo, v. 10-11, n. 1, 2003, p. 79-103.

BREFE, Ana Cláudia Fonseca. O Museu Paulista: Affonso de Taunay e a memória nacional 1917-1945. São Paulo; Ed. da UNESP, 2005, 333 p.

COSTA, JF  - O “Culto da Saudade” nas Comemorações do Centenário da Independência do Brasil: A Criação do Museu Histórico Nacional, 1922. Em Tempo de Histórias Brasília: UnB, 2011, p.49-64.

L`ESTOILE, Benoît de. Museus nacionais como paradigma. In: NACIONAL (BRASIL). Museus nacionais e os desafios do contemporâneo. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2011, p. 32-51.

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Do teatro da memória ao laboratório da História: a exposição museológica e o conhecimento histórico. Anais do Museu Paulista. Nova Série, São Paulo, v.2, p. 9-42, jan./dez. 1994.

SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. A escrita do passado em museus históricos. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2006. 142 p.

SCHWARCZ, Lilia Moritz e DANTAS, Regina. O Museu do Imperador: quando colecionar é representar a nação. Rev. Inst. Estud. Bras. 2008, n.46, pp. 123-164.


Notas do editor:

(*) O “museu do Imperador” não era propriamente um museu, consistindo essencialmente nas coleções privadas de D. Pedro II, segundo Schwarcz e Dantas (2008). Também não confundir com o Museu Imperial, sediado em Petrópolis, RJ.

(**) Trata-se de um museu enciclopédico, aos moldes do Museu Britânico, posto em um contexto periférico, mas com a peculiaridade de ter instalado a partir da transferência da Coroa Portuguesa para o Brasil e adoção do Rio de Janeiro como capital do Império.