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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

O Surgimento dos Museus de História Natural

Universidade Federal de Minas Gerais
Escola de Ciências da Informação
Tipologia de Museus
Docente: Luiz Henrique Assis Garcia
Discentes: Esther Alice Lima Gonzaga; Guilherme Barbosa de Carvalho; Iara Suyane
Fernandes dos Santos
 
O Surgimento dos Museus de História Natural

O aparecimento de locais que reuniam diversos objetos oriundos de diferentes partes do mundo aconteceu durante o século XVI na Europa. Os gabinetes de curiosidade, como eram chamados, foram responsáveis por guardar as mais diversas coleções que algumas pessoas reuniam. Nesses espaços era possível encontrar tipologias variadas de “acervos”, desde objetos naturais como ossos, fósseis, plantas e animais empalhados, até grandes quantidades de objetos históricos.
Com o passar dos anos, essas coleções ganharam destaque e passaram a servir como um instrumento para medir o poder e o prestígio dos Estados Nacionais que emergiram entre os séculos XVII e XIX. Elas ajudavam a validar conquistas territoriais e avanços científicos, tornando-se símbolos do progresso dessas nações. Inicialmente, esses espaços, antes dedicados a uma pequena parcela da população, começam a ganhar uma nova funcionalidade e gradualmente são abertos para o público geral. A exemplo desses locais, podemos citar o Museu Britânico, fundado em 1753, e o Museu de História Natural de Paris, criado em 1793.
 
 

 
Figura 1 - British Museum. Fonte: Wikimedia
 
 

 
Figura 2 - Paris Grande Galerie de l’Evolution.Fonte: Wikimedia


No Brasil, a primeira instituição que apareceu seguindo os moldes de um gabinete de curiosidade veio a
surgir em 1784, quando D.Luís de Vasconcelos funda a casa dos pássaros que vai ser comandada pelo famoso taxidermista Xavier dos pássaros, e passa a funcionar para preparação dos exemplares coletados no território brasileiro a fim de serem enviados para Portugal. Ela também vai desempenhar um papel importante na catalogação da flora e fauna nacional. Com a sua extinção em 1813, as coleções que estavam no local foram alocadas em diferentes espaços. Posteriormente, esses materiais que estavam dispersos, passam a adquirir um novo destaque ao fazer parte da exposição do Museu Imperial, inaugurado em 1818 no estado do Rio de Janeiro. O primeiro museu do país segue os moldes das grandes instituições europeias, expondo enormes coleções com diferentes temáticas, desde mineralogia, botânicos, flora e fauna. O caráter enciclopédico vai ser uma marca dessa tipologia de museus no início de sua concepção, tendo a proposta de fazer o visitante conhecer o mundo inteiro sem precisar viajar longas distâncias.


 
Figura 3 - Palácio de São Cristóvão. Fonte: Wikiedia

Com o crescente interesse no estudo das Ciências Naturais, esses espaços se tornaram grandes centros de pesquisa, o que acabou possibilitando o avanço da compreensão de diversos campos científicos que estavam surgindo, impactando diretamente a maneira como olhamos para o nosso mundo. Reconhecer a importância dessas instituições é também atestar o papel de participação ativa que esses espaços nacionais adotaram ao contribuir com espécimes para as coleções do exterior e ao serem institucionalizadas como locais de estudo e pesquisa, fomentado a educação brasileira nos próximos anos, influenciado até os dias atuais. Esses locais carregam uma herança dos seus antecessores, atuando como centros de estudo e proteção dos registros naturais de nosso planeta, aplicando novos olhares e sendo mais inclusivos com os públicos que possuem curiosidade de conhecer mais sobre as diferentes temáticas que essas instituições podem abordar.
 
Bibliografia
LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo: Hucitec, 1997, p. 11-83

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

MUSEUS DE HISTÓRIA NATURAL E A ORGANIZAÇÃO DO CAMPO MUSEOLÓGICO


Já se perguntou como foi o surgimento dos principais gabinetes e museus de história natural do Brasil? Confira essas e outras informações sobre instituições museológicas como a “Casa dos Pássaros", o Museu Nacional, e o Museu Paraense Emílio Goeldi nesse breve histórico sobre a criação de museus de história natural no nosso país.

 Em 1784, surge no Brasil o primeiro Gabinete de História Natural do Brasil e das Américas chamada de “Casa dos pássaros", que mais adiante funcionaria como uma espécie de precursora do Museu Nacional, seu principal objetivo era enviar produtos naturais para Portugal, por esse motivo o mesmo funcionava como um galpão no qual animais - em sua maioria aves - eram alvejadas a tiros para serem taxidermizados, expostos ou enviados para a Europa (daí o nome “Casa dos Pássaros”). À frente do processo estava o taxidermista Francisco Xavier Cardoso Caldeira, apelidado de “Xavier dos Pássaros”, que ocupou o cargo de diretor de Gabinete por 20 anos. Alguns anos depois, com quase 30 anos de história, a “Casa dos Pássaros” tem seu fim decretado e o material que restou foi redirecionado para compor o acervo do Museu Nacional.

O Museu Nacional, aberto em outubro de 1821, foi inaugurado com um acervo que continha cerca de 300 pássaros, alguns insetos recolhidos da orla fluminense de Cabo Frio, máquinas industriais, um vaso de prata, antiguidades romanas, quadros e outros objetos, assim, ele é considerado o principal responsável por concretizar no Brasil o processo de institucionalização das ciências naturais, tornando-se um centro de ciência e cultura na corte. Apesar de sua grandeza, isso não impediria que o mesmo sofresse com o corte de verbas que anos mais tarde cooperariam para que o museu fosse vítima de um incêndio de grandes proporções que destruiria parte exorbitante de seu acervo, como veremos a seguir:

Vídeo “História em chamas: o trágico Incêndio do Museu Nacional”: https://www.youtube.com/watch?v=UlKEeszXQYw

Já o museu Paraense, reconstruído durante os governos republicanos, teve a criação de seu discurso voltado para a civilidade e as ciências. Sendo assim, o museu era utilizado em alguns momentos de sua história como um instrumento de civilização das populações que residiam ao seu entorno, mas para que esse processo se concretizasse e fosse possível, muitos nomes importantes passaram pela história do museu, adaptando e melhorando sua estrutura. Entre eles estão: José Veríssimo, Lauro Sodré e Emilio Goeldi, que foi o principal responsável por realizar as maiores mudanças na instituição ao longo dos anos em que permaneceu na direção do museu, entre elas a concretização de um parque zoobotânico que integraria os espaços do museu.

Vídeo “O Parque Zoobotânico do Museu Goeldi”: https://www.youtube.com/watch?v=1lg6aBZ2XgA&t=50s

Para finalizar, temos o texto “Exposição em museus de ciência: reflexões e critérios para análise” das autoras Maria-Júlia Estefânia Chelini e Sônia Godoy Bueno de Carvalho Lopes, que aborda em suas páginas, os principais objetivos dos museus, que vão desde lazer e educação até servir como meio de informação, para isso o utiliza a exposição para se comunicar com seus visitantes. 

Assim, podemos concluir que com o crescimento da divulgação científica, os museus eram reconhecidos como instituições de transmissão desse conhecimento de uma maneira educacional não formal, proporcionando experiências intelectuais e emocionais para o avanço do conhecimento e para educação do público.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo: Hucitec, 1997, p. 11-83 (intro e cap1); 323-335 (cap 5).

CHELINI, Maria-Júlia Estefânia; LOPES, Sônia Godoy Bueno de Carvalho. Exposições em museus de ciências: reflexões e critérios para análise. Anais do Museu Paulista. São Paulo. N. Sér. v.16. n.2. jul.- dez 2008, p. 205-238.

SANJAD, Nelson. Cap 3 - Agenda de pesquisa e autoridade científica. In: A Coruja de Minerva: o Museu Paraense entre o Império e a República, 1866-1907. 1. ed. Brasília: Instituto Brasileiro de Museus; Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi; Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2010. v. 1. 496 p.

HISTÓRIA em chamas: o trágico Incêndio do Museu Nacional. Roteiro: Edgar Maciel. Fotografia de AFP, Museu Nacional UFRJ, FAPERJ. [S. l.]: Veja, 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UlKEeszXQYw. Acesso em: 28 nov. 2022.

O PARQUE Zoobotânico do Museu Goeldi. [S. l.: s. n.], 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1lg6aBZ2XgA&t=50s. Acesso em: 28 nov. 2022.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Museus de história natural e a organização do campo museológico

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 

ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

TIPOLOGIA DE MUSEUS 

PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia 

ALUNOS: Cinthia Esteves Alves Cardoso, Jéssica de Freitas Rabelo Amorim, Maria Beatriz de Morais Silva, Maria Elisa Pereira Aguiar, Rafael Pereira Santos.

O que são museus de história natural?

Os museus de história natural são instituições de comunicação, educação e difusão cultural de elementos voltados à ciência e à tecnologia. Ambientes de caráter dinâmico, têm como principal objetivo a disseminação de princípios científicos e tecnológicos, geralmente destinados a um público amplo e diversificado. Neste sentido, as exposições são utilizadas como uma ferramenta de propagação desses conceitos, e geralmente possuem linguagem simples e acessível aos visitantes. Assim, a comunicação nas exposições funciona como mediadora entre os indivíduos e o conhecimento. 

Principais características:


  • Disseminam conteúdo informativo sobre as ciências ao público. As exposições são, em geral, temáticas, e possuem caráter interativo; 

  • Realizam exposições que possuem dioramas, modelos e réplicas de diversas espécies de seres vivos e ambientes, podendo pertencer a diversos períodos da História; 

  • Fazem uso de uma linguagem didática adicionada aos itens expostos, acompanhada do objetivo de construir uma relação entre público e ciência;

  • Geralmente pertencem a universidades, que os utilizam como uma ferramenta de elaboração e divulgação de pesquisas. Nesse caso, o acervo é de extrema importância tanto para a realização de mostras quanto para a produção de conhecimento. 

  • Configuram-se como instituições que possuem objetivos além de apenas servir interesses de Estados que se voltam ao reconhecimento de território e construção de identidades nacionais calcadas em representações da natureza, representando também os interesses da comunidade científica. 

Exemplos de museus de história natural


Entre os museus de história natural mais conhecidos do território brasileiro, é possível citar algumas instituições, entre elas: 

O Museu Paulista, localizado em São Paulo. Um dos primeiros museus públicos de São Paulo, possui um importante papel no que diz respeito à ampliação de espaços institucionais destinados à ciência. 


01 - Museu Paulista

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, que foi fundado em 1818 e é conhecido como uma das maiores instituições museológicas da América Latina. Após sofrer um incêndio em 2018, perdeu parte significativa de seu acervo. Entretanto, apesar do ocorrido, segue sendo um dos museus mais importantes para a ciência e história do território brasileiro.


02 - Museu Nacional do Rio de Janeiro



Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado em Belém - Pará. Além de possuir um acervo didático e de extrema importância para a divulgação científica, possui área na qual o público pode obter, por meio da observação, contato com espécies de plantas e animais do local.

03 - Museu Paraense Emílio Goeldi


Gerações dos museus de história natural


Os museus de história natural podem ser divididos em três gerações, cada uma com determinadas características. A 1ª geração se inicia em meados do século 18, incluindo museus derivados de gabinetes de curiosidades, saturados de objetos (inclusive duplicatas), e geralmente possuíam vínculo com universidades e academias. A 2ª geração foi estabelecida na virada do século 18 para o 19 e se voltava para os avanços tecnológicos, com exposições temáticas de vocação didática. Além disso, tem início a separação entre a pesquisa que é feita da exposição que se apresenta, pois, nesse contexto, as galerias perderam seu caráter de bibliotecas e se tornaram espaços de comunicação. Por fim, a 3ª geração se iniciou na década de 1930 e preocupou-se mais com a transmissão de conhecimentos científicos do que com a contemplação de objetos ou a história do desenvolvimento científico. Havia uma ênfase na ciência e na tecnologia por meio de exposições interativas, tendo início também a afirmação da ecologia como uma das principais ciências utilizadas nesses museus. Ademais, há a divisão definitiva entre o processo de pesquisa e de exposição, permitindo ao visitante obter conclusões diferentes das de um pesquisador a respeito da temática abordada na exposição, mas também fornecendo a ele as ideias do idealizador da exposição de forma atrativa. 



Estratégias de expografia e tipos de exposições


Entre as estratégias de expografia utilizadas por essa tipologia de museu, é possível citar algumas formas, que se dividem em: a estratégia estética, na qual a expografia procura informar ao público por meio de estilos de montagem expositiva com foco no conteúdo visual, e a estratégia lúdica, que conta com a interatividade para captar a atenção do indivíduo. 

Além das ferramentas utilizadas, é possível destacar os tipos de exposições utilizadas para a apresentação da temática da exposição ao público, que podem ser: as exposições educativas, que possuem o conceito como elemento central, utilizando materiais que colocam a ideia da mostra em destaque; e as exposições temáticas, que dão ênfase ao objeto como elemento central, colocando uma premissa por valores estéticos ou abordagens classificatórias. Somado a isso, também é viável classificar a exposição em três categorias:

  • 1ª: exposições que propõem o encontro do visitante com os objetos, nas quais a prioridade é permitir ao visitante ver, contemplar e estar “em contato” com o objeto. 

  • 2ª: exposições que se fazem como vetores de uma estratégia de comunicação. Há a utilização de uma cenarização e apresentação dos objetos por existir a necessidade de transmissão de uma mensagem ao público receptor. 

  • 3ª: exposições que visam um impacto social e tem como característica marcante a proximidade que se propõem, expõem e com a qual trabalham entre tema e/ou objetos e público. 


REFERÊNCIAS 


CHELINI, Maria-Júlia Estefânia; LOPES, Sônia Godoy Bueno de Carvalho. Exposições em museus de ciências: reflexões e critérios para análise. Anais do Museu Paulista. São Paulo. N. Sér. v.16. n.2. jul.- dez 2008, p. 205-238.

FERREIRA, Maria de Simone. Museus imperiais: uma viagem às imagens do Brasil na narrativa de Carl von Koseritz. 1. ed. Rio de Janeiro: Cassará, 2012. 

GROLA, Diego Amorim. Coleções de História Natural no Museu Paulista, 1894-1916. Dissertação (mestrado). PPGHIS/USP, 2014, 190p.

LOPES, Maria Margaret. A mesma fé e o mesmo empenho em suas Missões Científicas e civilizadoras: os museus brasileiros e argentinos do século XIX. Rev .bras. Hist., São Paulo, v. 21, n. 41, 2001, p. 55-76. 

O MUSEU Nacional vive. Alexandre Kellner. Produçao: ((o))eco. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7pokqNN1qFI&t=52s. Acesso em: 15 fev. 2022. 



segunda-feira, 12 de abril de 2021

MUSEUS DE HISTÓRIA NATURAL E MATERIALIDADE CIENTÍFICA - Tipologia de museus 2020

ECI-UFMG
CURSO: Museologia
DISCIPLINA: Tipologia de museus
PROFESSOR: Luiz Henrique Assis Garcia

ALUNOS: Henrique dos Santos Vasconcelos, Vitor Gomes dos Santos, Jessica Mendes Baumgartner, Mayra Luiza Carvalho Marques

Para compreensão dos Museus de História Natural é preciso entender sua missão científica, e para tanto, é importante observar primeiro alguns eventos marcantes, na história das ciências, que se ligam a formação do pensamento moderno, e ao modelo racional, que embasa sua fundação. 

Assim, a primeira guinada científica a ser destacada é o Renascentismo, momento de superação das estruturas feudais ligados ao período medieval, e dentre elas, a influência do pensamento dogmático na cultura e sociedade, que era substituído por um crescente interesse nos valores da racionalidade, ciência e da natureza. O renascimento marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna, período em que as transformações epistemológicas e sociais culminaram no nascimento dos Museus de História Natural, que procederam aos gabinetes de curiosidade, porém com interesses bem específicos. Assim, com a queda da monarquia, e o ataque direto à propriedade daqueles que foram definidos como inimigos da liberdade BAEZ (2006, p. 204), houve a transposição dos objetos dos gabinetes de curiosidade para espaços comuns, e a consequente publicização desses acervos, iniciando o processo de estabelecimento daqueles que se tornariam os primeiros museus.

Concomitantemente às transformações político-sociais, acontecia uma transição epistêmica, surgindo aos poucos as diversas ciências no contexto do iluminismo. O século XVIII foi marcado também pela filosofia, que veio a reformular as bases do pensamento da época, aliando-se a matemática, e introduzindo duas noções marcantes para os museus europeus e toda sociedade ocidental: o pensamento racionalista moderno e o empirismo. Nesta época, há uma marcante vontade de unificação dos saberes através do método proposto por René Descartes (1596-1650), hoje conhecido como método cartesiano.

Tais mudanças colocam os museus e suas coleções em uma posição central para construção do conhecimento marcado pela compreensão de mundo daquele século, que buscava a empiria, e através do estudo comparativo, tecia leis de funcionamento do mundo, do ser humano, e da natureza. O museu, em sua potencial materialidade, torna-se um plateau para ordenamento do conhecimento produzido, e seus acervos, matéria-prima para proposições científicas a respeito da realidade. Redes e cooperações através de catálogos marcaram os séculos XVIII e XIX para os Museus de História Natural, além disso, também houve uma constante busca de acervo através de expedições científicas. O intuito era construir o conhecimento que possibilitasse direcionar o povo rumo à civilização. As expedições captavam o mundo e o museu através de suas exposições e catálogos classificava estes fragmentos.

Atualmente vemos que os museus de história natural mantêm seus esforços para a difusão do conhecimento universal através de exposições que partem, principalmente, da etnografia, da zoologia e das ciências da terra, com o uso de métodos pedagógicos distantes da erudição passada. Para isso é comum que essas instituições façam uso da interatividade, que possibilita a participação ativa da pessoa, ao invés de diretiva, e provocam curiosidade e reflexões através de estímulos subjetivos e intuitivos. Outro método comum é o uso de dioramas para materializar biomas e sistemas naturais.

Referência:

BÁEZ, Fernando. História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque. Tradução de Leo Schlafman. São Paulo: Ediouro, 2006. 512 p.


Links:

Cultura material: sobre uma vivência entre tangibilidades e simbolismos

http://dialogo.espm.br/index.php/revistadcec-rj/article/view/113


As expedições científicas e civilizadoras

https://drive.google.com/file/d/1bHI_5vAo-lywvCkuom7FuEc_0ncIjajk/view?usp=sharing



Decolonialismo em museus de história natural

https://www.facebook.com/142173402547084/videos/242658057038622/



Site do Museu Nacional

http://www.museunacional.ufrj.br/

sábado, 13 de abril de 2019

Museus de História Natural e a difusão de conhecimento - Tipologia de Museus 2018

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG
ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - ECI

TIPOLOGIA DE MUSEUS - MUSEOLOGIA 2018/2
PROFESSOR: LUIZ HENRIQUE GARCIA
ALUN@S: DANDARA TEIXEIRA, JADE DRUMOND, MARINA
REBUITE, MAXWELL E POLLYANA SOUSA.


Museus de História Natural e a difusão de conhecimento



Os primeiros museus a aparecerem no país no decorrer do século XIX foram os
Museus de História Natural, como o Museu Nacional, o Museu Paraense Emílio
Goeldi e o Museu do Ipiranga, este também conhecido como Museu Paulista. Suas
formações estiveram sempre muito ligadas ao desenvolver do ensino das matérias
de ciências naturais e da ciência no país. Se ministravam no interior dessas
instituições aulas, cursos, palestras, pesquisas relacionadas ao mundo natural e
científico, o que não diferencia-se em muito do que vemos hoje.

O Museu de História Natural Capão de Imbuia (MHNCI), localizado no estado
de Curitiba, é uma das instituições que surgiram do desmembramento do Museu
Paraense, em 1956. Atualmente o MHNCI pertence ao Departamento de Pesquisa e
Conservação da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente da Prefeitura de
Curitiba e “mantém um banco de dados zoológico que se constitui no melhor
documento de história natural de Paraná”. Seguindo o legado do Museu Paraense,
o MHNCI continuou realizando pesquisas científicas e atividades de educação e
conscientização ambiental.

Desde 2017 o museu vem realizando atividades em conjunto com o projeto
Jardins de Mel, idealizado pela prefeitura, com o objetivo de orientar a população
sobre a importância das abelhas na polinização, além de reabrigar e manter a
permanência de suas abelhas nativas sem ferrão. O último dos encontros do
programa Nós e o Meio Ambiente, com o tema Conhecer e Vivenciar os Jardins de
Mel, promoveu aulas práticas sobre como manejar as abelhas sem ferrão tendo a
orientação de especialistas da área.
Grande parte da população não reconhece a importância das abelhas para a
produção de alimentos e, consequentemente, para a sobrevivência da população
mundial. Elas são responsáveis por 80% da polinização, o que tornaria difícil manter
a diversidade de alimentos que possuímos caso elas desapareçam. Einstein já
alertava que, “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá
apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há
reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça
humana”. E estamos vivendo o início do processo de extinção desses preciosos
insetos.
Por meio de exposições interativas percebemos a tentativa dos museus desta
tipologia da promoção do conhecimento, não apenas de informação, mas também
de conscientização da sociedade, se utilizando de sua produção acadêmica. Por
muito tempo tal ação comunicativa não era de fato direcionada para a população em
geral, vimos que a partir dos anos 70 com a aproximação das ciências com a
sociedade houve também uma preocupação com as funções sociais destas
instituições.

Foto: Joca Duarte/Museu Catavento

Os museus que estão sempre a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento,
e neste caso os museus científicos e de história natural, que se mantém ainda tão
próximos do processo de constituição do conhecimento científico, se apresentam
diretamente na difusão desse conhecimento, a exemplo está a realização dos
projetos e exposições que procuram nos conscientizar sobre a importância das
abelhas em nossa vida. Em dezembro de 2017, o Museu Catavento, em São Paulo,
inaugurou a exposição “Mundo das Abelhas”, que mostra a importância das abelhas
para a manutenção da biodiversidade. Quase um ano depois, em novembro de
2018, o Museu de Ciências Naturais (MCN) da Univates, no Rio Grande do Sul,
também inaugurou uma exposição sobre o assunto: “Ciências das abelhas: a vida
da colméia”, que além de mostrar o desaparecimento das abelhas e suas
conseqüências, a sua importância econômica para o estado.



REFERÊNCIAS

https://massanews.com/noticias/ciencia-e-saude/museu-de-historia-natural-tera-aula-gratuita
-sobre-abelhas-nativas-9p8nJ.html

http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/noticias/abelhas-sem-ferrao-sao-tema-de-enco
ntro-na-capela-santa-maria/

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35-atitude/5878-jardins-do-mel-em-curi
tiba-vao-espalhar-abelhas-nativas-por-parques-e-conscientizar-sobre-importancia-dos-polini
zadores.html

https://mhnci.webnode.com/

https://www.univates.br/noticia/18908-exposicao-destaca-importancia-ecologica-e-economic
a-das-abelhas

http://www.cultura.sp.gov.br/museu-catavento-inaugura-mundo-das-abelhas-2/
https://www.natgeo.pt/animais/2018/08/importancia-das-abelhas-e-porque-precisamos-delas

segunda-feira, 13 de março de 2017

O Museu Paraense Emílio Goeldi e seu principal personagem [Tipologia 2016]

disciplina: Tipologia de Museus (2º semestre 2016)
professor: Luiz H. Garcia
Alunas responsáveis Carlos Alexandre, Débora Tavares, Eliana Rodrigues, Liziane Silveira , Lucinéia Bicalho, Rháyza Lima e Vanessa Silva 


O Museu Paraense Emílio Goeldi e seu principal personagem 


(O pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna, conhecido como "Rocinha", é o prédio mais antigo do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. http://www.mcti.gov.br/noticia/-/asset_publisher/epbV0pr6eIS0/content/com-150-anos-criacao-do-museu-goeldi-foi-um-divisor-de-aguas-na-historia-da-amazonia)




Conhecemos o Museu Paraense “Emílio Goeldi” por meio do livro “A coruja de Minerva”, de Nelson Sanjad, uma sugestão bibliográfica na disciplina Tipologia de Museus do Curso de Museologia da UFMG.
A partir de então, fizemos uma imersão na obra de Sanjad e em outras fontes referentes ao Museu Paraense, e estudamos a visionária trajetória de Emílio Goeldi, que tão logo assumiu a direção da instituição em 1894, e objetivou projetar ao mundo a potencialidade deste Museu.
A primeira proposta de criação do museu, em 1861, se deu em volta das expedições naturalistas que estavam sendo empreendidas na região da Amazônia e tinha como um dos principais objetivos formar cientistas e iniciar coleções de naturais que pudessem ser conservadas aqui, no Brasil.
A ascensão da borracha como maior produto de exportação do estado, e consequentemente, movimentando uma capital cada vez maior, operou significativas mudanças políticas e sociais que foram sendo experimentadas pela sociedade paraense do final dos oitocentos. Em meio a busca pela modernidade e progresso, foi inaugurado em 25 de março de 1871 o Museu Paraense.
O processo de criação do Museu, foi encabeçado por um grupo de intelectuais – Os Philomáticos[1] – que considerava necessária a criação de um museu em Belém, visando fins sociais, culturais, educativos e para dar conhecimento ao mundo sobre as riquezas daquela região. 
Com a instauração do museu, buscava-se ampliar as atividades econômicas para gerar a independência financeira dos seringais. Para além dos objetivos de progresso econômico, esperavam do museu uma fonte de “instrução pública popular” que promovesse exposições de acervos, ofertasse cursos e realizasse palestras.
(Capa do livro “A Coruja de Minerva”, de Nelson Sanjad. Ed.1 - 2010)

Em 1889, imerso em problemas, o museu fechou as portas. O Império caiu e, com a República, surgiu o desejo de tornar o museu uma referência internacional. Em 1891 ele foi reaberto e, em 9 de junho de 1894, Emilio Goeldi foi convidado a assumir a gestão da instituição.
O cientista suíço Emílio Goeldi (1859-1917) assumiu a direção do Museu Paraense entre 1894 e 1907, tendo conseguido mudar o panorama da Instituição; possuía formação acadêmica em Nápoles e em Leipzing, nas áreas de Zoologia, Ornitologia, estudos sobre evolução, interações, e pesquisas sobre vegetais. 



(Funcionários do Museu Paraense, com Emílio Goeldi ao centro, em 1907. Coleção Fotográfica / Arquivo Guilherme de La Penha / MPEG. http://www.museu-goeldi.br/portal/content/museu-goeldi-150-anos-nos-400-anos-de-bel-m-fotos-hist-ricas)

Além de um grande pesquisador atuante na ciência, Emílio Goeldi soube usar estratégias para valorizar os recursos e potenciais do museu e da região amazônica  para atrair o interesse da comunidade científica internacional, estabelecendo parcerias em pesquisas científicas com ênfase em  taxonomia, que resultaram em publicações inéditas sobre a “Fauna do Brasil”, com destaque a  aves e mamíferos, no “Boletim do Museu Paraense de História Natural e Etnografia”.



(Capa do primeiro fascículo do “Álbum de Aves Amazônicas”, de Emilio Goeldi, publicado em 1900.)

Emílio Goeldi parece ter encontrado a fórmula ideal para conseguir expandir e consolidar este Museu, pois a instituição continua hoje sendo importante no cenário nacional e mundial em pesquisas, não só de cunho Zoológico e botânico, mas também  nas Ciências Sociais, na Saúde e suas aplicações.[http://www.museu-goeldi.br/portal/content/peri-dico-do-museu-recebe-nota-m-xima-em-avalia-o-feita-pela-capes]
Atualmente as coleções científicas da Instituição somam cerca de 4,5 milhões de itens conservados e todo o acervo do museu, formado pelas coleções de botânica, zoologia e paleontologia, o coloca entre as três maiores instituições museológicas de caráter científico do país.


No ano de 2016, o Museu comemorou 150 anos [http://www.museu-goeldi.br/portal/content/museu-paraense-em-lio-goeldi-comemora-150-anos-nessa-quinta-feira-6], e não faltaram comemorações com a comunidade para celebrar o momento. Na mesma época, várias novas parcerias de estudos e pesquisas foram renovadas[2], conforme  inicialmente projetado.


(Nilson Gabas Junior, diretor do museu, discursa no evento de comemoração do aniversário da instituição. http://www.redenamor.org/noticia/545)


Referência
SANJAD, Nelson. A coruja de minerva: o Museu Paraense entre o império e a República,1866-1907. 1. ed. Brasília: Instituto Brasileiro de Museus; Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi; Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2010. V.1. 492p.