quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

O Surgimento dos Museus de História Natural

Universidade Federal de Minas Gerais
Escola de Ciências da Informação
Tipologia de Museus
Docente: Luiz Henrique Assis Garcia
Discentes: Esther Alice Lima Gonzaga; Guilherme Barbosa de Carvalho; Iara Suyane
Fernandes dos Santos
 
O Surgimento dos Museus de História Natural

O aparecimento de locais que reuniam diversos objetos oriundos de diferentes partes do mundo aconteceu durante o século XVI na Europa. Os gabinetes de curiosidade, como eram chamados, foram responsáveis por guardar as mais diversas coleções que algumas pessoas reuniam. Nesses espaços era possível encontrar tipologias variadas de “acervos”, desde objetos naturais como ossos, fósseis, plantas e animais empalhados, até grandes quantidades de objetos históricos.
Com o passar dos anos, essas coleções ganharam destaque e passaram a servir como um instrumento para medir o poder e o prestígio dos Estados Nacionais que emergiram entre os séculos XVII e XIX. Elas ajudavam a validar conquistas territoriais e avanços científicos, tornando-se símbolos do progresso dessas nações. Inicialmente, esses espaços, antes dedicados a uma pequena parcela da população, começam a ganhar uma nova funcionalidade e gradualmente são abertos para o público geral. A exemplo desses locais, podemos citar o Museu Britânico, fundado em 1753, e o Museu de História Natural de Paris, criado em 1793.
 
 

 
Figura 1 - British Museum. Fonte: Wikimedia
 
 

 
Figura 2 - Paris Grande Galerie de l’Evolution.Fonte: Wikimedia


No Brasil, a primeira instituição que apareceu seguindo os moldes de um gabinete de curiosidade veio a
surgir em 1784, quando D.Luís de Vasconcelos funda a casa dos pássaros que vai ser comandada pelo famoso taxidermista Xavier dos pássaros, e passa a funcionar para preparação dos exemplares coletados no território brasileiro a fim de serem enviados para Portugal. Ela também vai desempenhar um papel importante na catalogação da flora e fauna nacional. Com a sua extinção em 1813, as coleções que estavam no local foram alocadas em diferentes espaços. Posteriormente, esses materiais que estavam dispersos, passam a adquirir um novo destaque ao fazer parte da exposição do Museu Imperial, inaugurado em 1818 no estado do Rio de Janeiro. O primeiro museu do país segue os moldes das grandes instituições europeias, expondo enormes coleções com diferentes temáticas, desde mineralogia, botânicos, flora e fauna. O caráter enciclopédico vai ser uma marca dessa tipologia de museus no início de sua concepção, tendo a proposta de fazer o visitante conhecer o mundo inteiro sem precisar viajar longas distâncias.


 
Figura 3 - Palácio de São Cristóvão. Fonte: Wikiedia

Com o crescente interesse no estudo das Ciências Naturais, esses espaços se tornaram grandes centros de pesquisa, o que acabou possibilitando o avanço da compreensão de diversos campos científicos que estavam surgindo, impactando diretamente a maneira como olhamos para o nosso mundo. Reconhecer a importância dessas instituições é também atestar o papel de participação ativa que esses espaços nacionais adotaram ao contribuir com espécimes para as coleções do exterior e ao serem institucionalizadas como locais de estudo e pesquisa, fomentado a educação brasileira nos próximos anos, influenciado até os dias atuais. Esses locais carregam uma herança dos seus antecessores, atuando como centros de estudo e proteção dos registros naturais de nosso planeta, aplicando novos olhares e sendo mais inclusivos com os públicos que possuem curiosidade de conhecer mais sobre as diferentes temáticas que essas instituições podem abordar.
 
Bibliografia
LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo: Hucitec, 1997, p. 11-83

Museu Histórico Abílio Barreto e a exposição BH Fora dos planos

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Graduação em Museologia
Disciplina : Tipologia de Museu
Professor : Luiz Henrique Assis Garcia
Alunos: Gabriel Franklin de Araújo Porto
Geovana de Souza Guilherme
Geraldo Rodrigues da Silva
Maicon Douglas Carvalho Pereira


Museu Histórico Abílio Barreto e a exposição BH Fora dos planos


O Museu Histórico Abílio Barreto, museu da cidade de Belo Horizonte, possui
exposições de longa, média e curta duração, além de diversas atividades culturais,
que por meio destas busca registrar e difundir a história de Belo Horizonte,
promovendo e valorizando a identidade e a memória da sociedade, fortalecendo
assim os laços de pertencimento dos moradores. Ulpiano Meneses, em seus textos,
aborda a contribuição dos museus na produção e disseminação do conhecimento e
sobre como estes espaços evoluíram para atender às demandas científicas e
educativas de sua época. Ainda, nos diz que são históricos os objetos que são
capazes de permitir a formulação e encaminhamento de problemas históricos
(fenômenos que permitem conhecer a estruturação, funcionamento e mudança de
uma sociedade).




Na exposição de longa duração intitulada “BH fora dos planos”, os objetos se
comunicam através das linhas temáticas: soterramento, resistência, cidade como
obra coletiva e cidade vivida, que juntos evocam memórias de um momento de
grandes mudanças e sacrifícios. A sala propõe um olhar sobre a história do
município a partir de um ponto de vista diferente, onde os objetos expostos são
observados a partir de uma relação “objeto X sociedade”, para além da prometida
nova capital como cidade planejada, que também deixou para trás Ouro Preto e seu
passado colonial. Estão expostos registros do cotidiano da população, ferramentas
de trabalhos, mobiliários, entre outros artefatos que faziam parte da vida dos
povoados locais. Essa relação entre a identidade e a memória permite às pessoas, a
partir do conjunto de referências físicas e simbólicas, a se reconhecerem como parte
de um mesmo mundo.


A exposição propõe uma reflexão sobre as formas de vida e elementos da
natureza que foram “apagados”, como o Arraial do Curral Del Rei, os riachos e
córregos que foram soterrados, os instrumentos de trabalhos como símbolo e marca
daqueles que construíram a cidade; ou seja a cidade como obra coletiva. Os objetos
que antes estavam enquadrados em uma classificação padrão e impessoal agora
contém informações que propõem uma nova forma de olhar o mundo e suas
representações, sem perder sua biografia, mas sendo também ressignificados. Os
objetos do museu guardam a história da cidade, referências simbólicas, referências
emocionais e referências físicas. O museu é um espaço de fruição para todas as
gerações, um lugar de convivência e convergência cultural .

Myrian Sepúlveda em seu texto “A escrita do passado em museus históricos” analisa
como as narrativas museológicas contribuem para a escrita da história e destaca o
papel dos mediadores na construção deste conhecimento. Portanto, coube aos
museólogos do espaço a função de estudar os sistemas culturais em que os
sistemas de informações estão inseridos e comunicar seus processos para o
público.

REFERÊNCIAS
Belo Horizonte Fora dos Planos MHAB | Portal Oficial de Belo Horizonte. Disponível
em:
<https://portalbelohorizonte.com.br/visitas-virtuais/exposicoes/belo-horizonte-fora-do
s-planos-mhab>. Acesso em: 3 fev. 2025.
MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. Para que serve um museu histórico?
Como Explorar um Museu Histórico. Tradução. São Paulo: Museu Paulista-Usp,
1992. Acesso em:

https://www.sisemsp.org.br/wp-content/uploads/2023/03/1-como-explorar-um-museu-
historico.pdf

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Do teatro da memória ao laboratório da
História: a exposição museológica e o conhecimento histórico. Anais do Museu
Paulista. Nova Série, São Paulo, v.2, p. 9-42, jan./dez. 1994.
PBH inaugura exposição “Belo Horizonte Fora dos Planos” no Museu Abílio Barreto.
Disponível em:
<https://prefeitura.pbh.gov.br/noticias/pbh-inaugura-exposicao-belo-horizonte-fora-do
s-planos-no-museu-abilio-barreto>. Acesso em: 3 fev. 2025.
SANTOS, Myrian Sepulveda dos. A escrita do passado em museus históricos.Rio
de Janeiro: Garamond Universitária, 2006. 142 p.

SERIAM OS MUSEUS ATUAIS APENAS UMA CONTINUIDADE DOS GABINETES DE CURIOSIDADES?

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

DEPARTAMENTO DE TEORIA E GESTÃO DA INFORMAÇÃO

ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

BACHARELADO EM MUSEOLOGIA

DISCIPLINAS DA GRADUAÇÃO

TIPOLOGIA DE MUSEUS

 
Prof. Dr. Luiz Henrique Assis Garcia

Discentes: Beatriz Barbosa Cavalcanti; Bruna Ribeiro Diniz; Cecília Ferreira de Almeida e Silva; Ingrid Duboc Ferreira Dias do Santos Brandão; Yan Nicholas Sauâne De Benedetti

SERIAM OS MUSEUS ATUAIS APENAS UMA CONTINUIDADE DOS GABINETES DE CURIOSIDADES?

Entender os museus, mesmo que de contextos históricos, tipologias ou localidades diferentes, pode depender de conhecimentos prévios sobre os gabinetes de curiosidade, já que estes são compreendidos por alguns autores como uma forma embrionária da formulação dos museus - ou seja, um fenômeno que deu origem aos museus como conhecemos hoje.


Você sabe o que são gabinetes de curiosidade? Como esse fenômeno, que teve seu auge na Europa dos séculos XV ao XVII, pode influenciar os museus nos dias de hoje? Além disso, como os museus podem dialogar com estas raízes sem repetir suas problemáticas?


O “MICROCOSMOS” DO SÉCULO XV


Frequentemente, o colecionismo do século XV ao XVII é ilustrado em livros didáticos com as clássicas figuras dos gabinetes de curiosidades de grandes colecionadores, como Manfredo Settala e Ole Worm (Imagens 1 e 2). Essas ilustrações retratam efetivamente a elaboração conceitual de que os gabinetes de curiosidades funcionavam como “microcosmos”. Essa definição expõe que as coleções do período em questão tinham como objetivo principal a representação máxima do mundo e da natureza em um só cômodo.

 


 

 





Estas coleções pertenciam a aristocratas, que as reuniam através de relações comerciais, proporcionadas pelo avanço naval da época. Os diversos tipos de objetos se dividiam em: Naturalia (objetos da natureza); Artificialia (objetos produzidos por pessoas) e Mirabilia (Objetos “maravilhosos”, “miraculosos” e “misteriosos”).


Justamente por buscarem abranger o mundo todo em um cômodo, para nós, essas imagens podem se mostrar, em um primeiro momento, como espaços bagunçados e confusos. No entanto, os gabinetes de curiosidades tratavam-se de métodos extremamente didáticos e, portanto, organizados, acerca do funcionamento da natureza e das relações humanas. Os objetos seguiam uma linha de pensamento e uma ordem lógica em sua exposição, diferente do que o imaginário popular supõe.


É necessário abordar, também, as questões sociais envolvidas no universo dos gabinetes de curiosidade. Os gabinetes possuíam uma tendência recorrente a estabelecer relações hierárquicas entre povos culturalmente distintos, sustentando uma narrativa de superioridade Europeia. Estas narrativas interessavam muito aos Estados Nacionais que se formavam na época, que precisavam se sustentar, e utilizavam da estratégia do nacionalismo para isso.



QUESTIONANDO OS MUSEUS


Atualmente, é comum encontrarmos instituições museológicas que passaram por transformações em seu caráter administrativo que, no passado, representavam ideologias totalizadoras e, nos dias de hoje, buscam por um maior percentual de participação e/ou representação social. Se antes traziam narrativas unilaterais que contavam uma história única, agora buscam por encontrar um equilíbrio entre os estudos acadêmicos e as vivências daqueles que são abordados em suas exposições, investindo em atividades interativas e acessíveis para diferentes públicos.


Um desses casos clássicos é o Museu Paulista, recorrentemente referido pelo nome Museu do Ipiranga (até mesmo pela própria instituição). Ele teve sua criação pautada em uma visão generalista da nação brasileira. Inclusive, sua abertura teve foco em processos educativos para a própria população brasileira, como forma de moldar a ótica popular sobre a sua própria identidade. Ainda hoje, é possível observar resquícios dessas escolhas realizadas no passado, ressaltando ainda a apresentação mantida do saguão, das escadarias e salão nobre; desde as ânforas dos rios do país, até as esculturas de bronze dos “grandes ícones nacionais”.


Apesar disso, algumas das exposições buscam transformar esse acervo em algo mais dinâmico e com reflexões que buscam contar outras histórias além da tradicional, como por exemplo a “Territórios em disputa” e a “Passados imaginados”.


https://museudoipiranga.org.br/exposicoes/



Se as sociedades se transformam, se as discussões sociais avançam e se nossas visões se ampliam, porque os museus também não podem sofrer esta metamorfose? Ao refletir sobre os gabinetes de curiosidade e sua influência nos museus de hoje, é possível notar de onde alguns elementos museais vêm, mas isso não pode se tornar um determinismo sobre para onde os museus vão. O que, hoje, nos ajuda a escapar da narrativa unilateral dos gabinetes? O que podemos aprender com eles, em questão de catalogação de objetos?


Analisando algum museu ou espaço museal, o que podemos discutir?



REFERÊNCIAS

Imagem 1 (Disponível em: https://boudewijnhuijgens.getarchive.net/amp/topics/manfredo+settala+s+cabinet)


Imagem 2 (Disponível em: https://www.meisterdrucke.pt/impressoes-artisticas-sofisticadas/G.-Wingendorp/200866/Frontisp%C3%ADcio-do-gabinete-de-curiosidades-de-Ole-Worm-do-&39;Museum-Wormianum&39;-de-Ole-Worm,-publicado-em-1655.html)


BIBLIOGRAFIA


CHAGAS, Mário de Souza. Os museus e os sonhos: panorama museológico brasileiro no século XIX e início do século XX. In: Há uma gota de sangue em todo museu: a ótica museológica de Mário de Andrade/Mário de Souza Chagas. Chapecó: Argos, 2006. 135 p.

BLOM, Philipp. O dragão e o carneiro tártaro. In: Ter e Manter. Uma história íntima de coleções e colecionadores. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 29-42.

BREFE, Ana Cláudia Fonseca. O Museu Paulista: Affonso de Taunay e a memória nacional. São Paulo: UNESP; Museu Paulista, 2005.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

A Escola de Ciências da Informação como objeto de memória

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Graduação em Museologia
Função social dos Museus.
Prof. Luiz Henrique Assis


Alunos: Frederico Augusto João B.M.S.
Gabriela Guerra Fortunato
Lorena Eduarda da Silva Luz
Lorena Gonçalves Moreira




A Escola de Ciências da Informação como objeto de memória





Belo Horizonte, 13 de Novembro de 2024


Introdução

A Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) possui uma rica história de 75 anos, marcada por transformações e memórias que refletem não apenas o desenvolvimento da instituição, mas também a experiência coletiva dos que a frequentam. Nosso grupo propõe uma intervenção focada em preservar e destacar as memórias afetivas ligadas ao prédio, reconhecendo seu valor como patrimônio tombado e seu potencial como objeto de memória coletiva.


Ao utilizarmos o prédio da Escola de Ciência da Informação como objeto de memória, buscamos enfatizar a função social da museologia de resgatar e valorizar as experiências e narrativas da comunidade. Ao criar uma intervenção de memória afetiva, queremos promover o engajamento da comunidade acadêmica com o espaço e ressignificar o prédio como um ‘museu vivo’ que abriga lembranças e histórias coletivas, transformando o prédio em um "objeto de memória", refletindo sobre seu passado e as mudanças que sofreu ao longo do tempo


As etapas consistiram em:


Coleta de depoimentos: Conduzir entrevistas presenciais ou virtuais com membros da comunidade acadêmica (alunos, professores, funcionários, ex-alunos) para capturar histórias e experiências afetivas relacionadas ao prédio.


Mapeamento Temático: Organizar os depoimentos em categorias como “Primeiras Impressões”, “Mudanças ao Longo do Tempo”, “Eventos Marcantes” e “Lugares Memoráveis”.


Seleção dos Espaços: Identificar locais específicos do prédio para a instalação dos relatos de acordo com o conteúdo de cada um, criando uma ligação entre a memória e o espaço físico.


Montagem: Posicionamos os murais de memória e interativos para que os visitantes pudessem interagir adicionando suas próprias memórias.

A intervenção foi organizada em pontos estratégicos das escolas, com cada relato sendo feito em locais relevantes e simbólicos, criando uma conexão entre a memória relatada e o espaço onde ocorreu. Os depoimentos foram disponibilizados em murais colaborativos nos corredores da ECI e FAFICH nos dias 04 e 11 de Novembro. O público alvo foram os servidores que atuam trabalhando diariamente no prédio da Escola de Ciências da Informação, alunos graduandos (prioritariamente museologia) e frequentadores diários que passam pelo local selecionado.


As perguntas para a intervenção:


1- Que sensação o prédio da ECI te passa?

2- Me fala uma memória, uma história que ficou marcada pra você que aconteceu no prédio da ECI?

3- O que você pensou quando pisou a primeira vez no prédio da ECI?

4- Porque você gosta do Prédio da ECI?

5- O que o Prédio da ECI te faz refletir?


Respostas obtidas


Um exemplo das respostas obtidas foi do seguinte estudante da UFMG do prédio Belas Artes:


1- Sensação de calma;

2- O dia que fui ver os gatinhos;

3- Gostei das plantinhas descendo nos andares;

4- Porque é bem arborizado e ventilado;

5- O convívio com a natureza.


Outra resposta obtida de um estudante da Faculdade de Letras foi:


1- Paz e quietude.

2- Eu ter ficado lendo no ECI até dar o horário de ir embora.

3- Que ele parece um cenário de ficção científica.

4- Porque ele não tem poluição visual e é pouco movimentado.

5- Que os outros prédios deveriam ser como ele.


Conclusão

Após entrevistar profissionais da ECI, estudantes da Belas Artes, Faculdade de Letras, Instituto de ciências exatas, Faculdade de veterinária, Faculdade de Ciências Humanas e demais departamentos concluímos que a divulgação e a lembranças das memórias afetivas em relação ao prédio da ECI são latentes. Grande parte do público se sente acolhida e deseja compartilhar o sentimento de calma com os outros alunos, servidores e transeuntes da ECI, tornando um ambiente que é ideal para criar novas memórias e descansar no tempo livre.

O edifício da ECI, portanto, não é apenas um espaço físico destinado ao aprendizado ou ao trabalho acadêmico; ele carrega uma carga simbólica e afetiva que, ao longo do tempo, vai se transformando e se fortalecendo. Para muitos, esse é um local que transcende a função estritamente institucional e vínculo com a UFMG. Ele se tornou um lugar de convivência, de pausas para o descanso mental, mas também de partilha e interação, criando uma rede de relações que ultrapassa as fronteiras do campus. Portanto, é fundamental que a universidade, os responsáveis pela gestão dos espaços acadêmicos e os alunos reconheçam essa relação afetiva com o prédio da ECI, não apenas como um símbolo de história e tradição, mas como um ativo que promove o bem-estar e a coesão social.

A ECI não é apenas um prédio: ela é um lugar de vivência, de expressão e de reflexão, onde as memórias construídas são parte de uma história maior que se renova constantemente, mantendo viva a identidade do campus e a conexão entre as pessoas que o habitam.





Bordado Livre


Universidade Federal de Minas Gerais
Faculdade de Museologia
Função Social dos Museus
Docente: Luiz Henrique Assis Garcia
Discentes: Aparecida Milena Rocha, Kamila Ferreira, Monaliza Melo, Sofia de Carvalho, Vitor Santos


Bordado Livre



Belo Horizonte, 21 de novembro de 2024


Introdução

A oficina “Bordado Livre”, que ocorreu no dia 01 de Novembro de 2024, se desenvolveu a partir de uma exposição realizada pelo Centro de Memória da Educação de Contagem baseada no projeto da professora Rosana Araújo, que tinha como objetivo ensinar mulheres idosas a bordar. A exposição em si mantinha o foco na história e percurso da professora, do projeto, além da ancestralidade e o saber-fazer do bordado.

Professora Rosana durante a oficina - Fotografia: Kamilla Ferreira



Para a realização da oficina, foi mantido a ideia principal de tentar manter a intimidade trazida nas aulas do projeto, onde as alunas sentavam em círculo e podiam compartilhar histórias e experiências sobre a prática, e pelo ato de bordar em si, pois, sabendo que os participantes da oficina seriam trabalhadores da Secretaria de Educação de Contagem, onde o Centro de Memória se encontra, a intervenção surge como uma nova forma de interação com o espaço, que também é um ambiente de trabalho, com o Centro de Memória e com a exposição.


Desenvolvimento

Dessa forma, a oficina ocorreu durante aproximadamente 2 horas no refeitório da Secretaria, sendo organizada em conjunto com o Centro de Memória da Educação de Contagem, com o limite de 20 participantes. A professora Rosana disponibilizou material próprio para o desenvolvimento da oficina, com intuito de ensinar dois pontos básicos de bordados aos participantes. Como resultado da oficina, seria produzida uma manta de “retalhos” com as obras feitas pelos participantes.

Por fim, a oficina ocorreu de forma onde foi possível manter uma energia intimista com bastante conversa entre os participantes e a professora, sendo estas mais focadas na relação das mesmas com o bordado, resgatando memórias de parentes que também bordavam e outros aspectos.

Posteriormente à oficina, foi realizada uma pequena entrevista com alguns dos participantes a fim de saber qual foi o impacto da oficina. Uma das participantes comentou como seria difícil, em seu dia a dia, conseguir tempo para aprender algo na área e que essa teria sido uma ótima oportunidade para isso. Isso pode mostrar uma ressignificação do espaço de exposição que, por estar dentro da Secretaria, acaba recebendo mais visitas de seus próprios trabalhadores e, através da oficina, pode servir como um tipo de escapatória para arriscar um tipo de arte nova ou apenas ter um momento bom, como apontado por algumas, mesmo em ambiente de trabalho.

 

Participantes da oficina - Fotografia: Kamilla Ferreira


Conclusão


A arte da costura e bordado são íntimas e todo, desde as mãos ao material usado, assim como o lugar e companhia que é feito significam muito no processo. Ertzogue, em seu texto “Quando o Bordado e a Memória se Entrelaçam”, nos diz sobre o processo de produção de arpilleras feitas por mulheres durante o regime de Pinochet que “é no modo de costurar que a memórias e a oralidade se entrelaça, pois nas oficinas onde produziam uma peça coletiva, elas compartilhavam histórias de vida” (p.106), uma situação que também pode ser observada no caso apresentado, porém em situação bem mais feliz.


Referencias:

ERTZOGUE, M. H. Quando o bordado e a memória se entrelaçam: imagem e oralidade em Arpilleras amazônicas. História Revista, Goiânia, v. 23, n. 3, p. 104–120, 2019. DOI: 10.5216/hr.v23i3.51464. Disponível em:https://revistas.ufg.br/historia/article/view/51464. Acesso em: 20 nov. 2024.

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM CENTROS DE MEMÓRIA DA JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARA DISCUTIR A DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA

 
Universidade Federal de Minas Gerais

Escola da Ciência e da Informação

Disciplina: Função Social dos Museus

Professor: Luiz Henrique Assis Garcia

Aluno(a): Alessandro De Oliveira Rezende, Camila Amanda Moreira Baldassini, Isabela Taylor Santos, Luciana Almeida Tonholli, Maria Moreira Rodrigues


RODA DE CONVERSA


PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM CENTROS DE MEMÓRIA DA JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARA DISCUTIR A DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA


Os museus e centros de memória possuem uma função social fundamental: preservar o patrimônio cultural e histórico, além de promover a democratização do conhecimento. No âmbito das instituições de Justiça, esses espaços se tornam ferramentas valiosas para conscientizar a sociedade sobre seus direitos e aproximá-la do sistema judiciário.




No contexto de um projeto acadêmico da disciplina Função Social dos Museus, do curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi proposta uma intervenção educativa nos centros de memória das instituições de Justiça de Minas Gerais. O objetivo foi discutir como esses espaços podem contribuir para a democratização do acesso à justiça e aproximar a população dos valores e práticas judiciais.


A pesquisa abrangeu várias instituições da Justiça de Minas Gerais. Destacam-se:


Centro de Memória da Justiça Eleitoral: Focado em processos eleitorais e sua evolução. Contato: smemo@tre-mg.jus.br.

Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho: Resgata a história de conflitos trabalhistas e sua resolução. Contato: memoria@trt3.jus.br.


Embora esses espaços tenham grande potencial, foram identificadas dificuldades, como falta de organização e limitações no acesso, que impactam negativamente sua capacidade de engajamento público.


Roda de Conversa com Estudantes


Como parte da intervenção, foram organizadas rodas de conversa com estudantes de Direito, visando discutir a relevância dos centros de memória para a democratização do acesso à justiça. O diálogo foi enriquecido por visitas a centros de memória, onde se analisaram os seguintes pontos:


Importância dos espaços de memória para a formação cidadã.
Desafios para torná-los mais acessíveis e participativos.
Contribuições para o aprendizado sobre o sistema judiciário e seus serviços.





Resultados da Intervenção


As atividades mostraram que os centros de memória podem ser efetivos na educação sobre direitos e no fortalecimento da cidadania, especialmente ao informar sobre:


O papel da Defensoria Pública e dos juizados especiais no acesso à justiça.
Caminhos para acessar serviços jurídicos e compreender os processos judiciais.
No entanto, os estudantes ressaltaram que a falta de divulgação e algumas dificuldades estruturais prejudicam a visibilidade e o impacto desses espaços.


Conclusão

Os centros de memória das instituições de Justiça possuem um enorme potencial para promover o acesso à justiça e à educação cidadã. No entanto, é essencial superar desafios organizacionais e ampliar ações educativas, garantindo que esses espaços cumpram plenamente sua função social.


Sugestões de melhoria:

Aumentar a divulgação dos centros de memória.
Oferecer mais atividades interativas, como rodas de conversa e oficinas.
Estimular parcerias com instituições de ensino para engajar novos públicos.


Referências bibliográficas


A importância dos centros de memória para as instituições e para a sociedade. Disponível em: <https://www.itaucultural.org.br/a-importancia-dos-centros-de-memoria-para-as-instituicoes-e-para-a-sociedade>. Acesso em: 20 nov. 2024.

Acesso à Informação. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/transparencia-cnj/acesso-a-informacao>. Acesso em: 20 nov. 2024.

Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Disponível em: <https://www.tre-mg.jus.br/institucional/memoria-eleitoral/centro-de-memoria-TRE-MG>. Acesso em: 20 nov. 2024.

Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. Disponível em: <https://portal.trt3.jus.br/escola/institucional/centro-de-memoria>. Acesso em: 20 nov. 2024.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Democratizando o acesso à Justiça: 2022. Brasília: CNJ, 2022. Acesso em: 20 nov. 2024.

O Acervo Artístico da UFMG e sua função social



Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Ciências da Informação

Bacharelado em Museologia - Função Social dos Museus

Docente: Luiz Henrique Assis Garcia
 
 
Discentes: Alice Martins; Clarissa Tomasi; Helen Batista; Letícia Albuquerque; Rafael Pereira Santos e Suzane Rodrigues Brito

O Acervo Artístico da UFMG e sua função social

O intuito dessa atividade é traçar uma discussão com um grupo de pessoas que frequentam o campus Pampulha da UFMG, e que, em teoria, têm contato com as obras do Acervo Artístico da UFMG (AAUFMG) que estão em espaços externos. A proposta está em abordar os usos e percepções atuais dessas obras, como ocorre o contato do público com esse acervo, sobre as dificuldades atuais e necessidades de acessibilidade, e quais seriam as propostas ideais de usos e atividades para esses objetos, em consonância com uma visão social do patrimônio e da arte, onde estes, em conjunto com os museus e demais instituições culturais, devem atuar de forma ativa e conjunta com a sociedade. Para isso, foram selecionadas 15 obras, entre painéis e esculturas, e suas imagens foram impressas, juntamente com um mapa do campus Pampulha, para facilitar a identificação do local ao qual cada obra pertence. Foi proposto aplicar essa dinâmica com os discentes do 1º período do curso de museologia da UFMG, intencionando por adiantar uma abordagem social da museologia com esses estudantes.

Sobre o Acervo Artístico da UFMG

Trata-se de um acervo que se constituiu desde a formação da UFMG, em 1927, sendo composto por aproximadamente 1500 obras de arte de diferentes tipologias, datadas desde o século XVI até a atualidade. Foram adquiridas, em sua maioria, por meio de doação e se encontram espalhadas entre 33 prédios dos diferentes campi da UFMG e em locais externos aos prédios, no campus Pampulha.


A proposta

Foram elaborados um cronograma e um roteiro com perguntas norteadoras das discussões, embasadas nos textos e discussões da disciplina Função Social dos Museus. A atividade se iniciou com uma apresentação da dinâmica; a divisão da turma em 3 grupos, cada um recebendo um kit de imagens e um mapa. Com isso foram propostas perguntas sobre o reconhecimento das obras, sua possível localização, como aconteceu a descoberta dessas obras, se estas estão bem localizadas e possuem uma relação evidente com os prédios próximos ou deveriam estar em outras localidades. Após essa etapa, foi realizada uma explanação sobre o Acervo Artístico da UFMG, sua formação, usos dos acervos e disponibilização de informações, visando fornecer insumos para as discussões seguintes. Na sequência, foi proposto que os grupos conversassem sobre as formas como as obras são expostas atualmente e quais pontos seriam essenciais para uma melhor apreensão dessas para o público, assim como possíveis novas abordagens, apresentações desses objetos e a composição atual e futura desse acervo, os alunos foram convidados a escolherem uma única palavra para definir suas ideias.

Como ocorreu a dinâmica e impressões do grupo

Durante o andamento da dinâmica, percebeu-se que a maioria dos estudantes teve contato com pelo menos alguma das obras selecionadas, ainda que não tivesse conhecimento de todas elas, e suas localizações. Como o grupo era bastante heterogêneo - daí a escolha pelo 1º período - foi possível colher percepções distintas sobre a composição desse acervo. A atividade evidenciou a necessidade da gestão do AAUFMG ter mais ações que permitam à comunidade uma melhor fruição desse acervo, seja disponibilizando-o na sua totalidade de forma virtual, inserindo mais informações sobre as obras nos seus locais de exibição e, talvez o ponto mais significativo, estabelecer diretrizes mais democráticas e plurais na aquisição de novas obras. Palavras como “acessível, disponível, diverso, valorizado e digitalizado” apareceram como mote de “como esse acervo deveria ser”, em contraponto a palavras como “inacessível, omisso, elitizado, restrito, estático” apareceram quando perguntamos como esse acervo aparenta ser atualmente. Ao fim, foi possível perceber que ações, de certa forma simples, como ofertar mais informações sobre as obras, ou mesmo ações de divulgação, pavimentam um caminho de maior aproximação com o acervo como um todo. Entretanto, como desdobramento dessas ações, fica claro que a percepção e desejo do público por um acervo diverso, que retrate questões contemporâneas da arte da sociedade, bem como a reflexão sobre como grafites podem fazer parte desse acervo, são prementes e devem ser incorporadas pela gestão de modo que a comunidade possa se apropriar e estabelecer outros vínculos com o acervo artístico da UFMG.

 


 

                Seleção de obras para a dinâmica                              Mapa do campus Pampulha

 


Aplicação da dinâmica com os alunos do 1º período de museologia.


Bibliografia

ARANTES, A. A. Revitalização da capela de São Miguel Paulista, in: Produzindo o passado: estratégias de construção do patrimônio cultural. São Paulo: Brasiliense: CONDEPHAAT, 1984. 255p.

CURY, Marília Xavier et al. Repensar o museu e a museologia a partir da prática colaborativa com os povos indígenas: Entrevista com Marília Xavier Cury. MIDAS, [S. l.], ano 2024, n. 18, p. 1-1, 13 jun. 2024. Disponível em: <http://journals.openedition.org/midas/5097>. Acesso em: 6 nov. 2024.

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