quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Relato sobre o XI ENEMU

Meu nome é Raphael Cassimiro e participei do último ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE MUSEOLOGIA (XI ENEMU), e este é meu depoimento.


Este foi uns melhores eventos acadêmicos que pude participar, pura e simplesmente pela percepção que tive. Este evento me enriqueceu politicamente sobre os assuntos da museologia tanto quanto um semestre letivo. Esse foi um dos sentimentos compartilhados por mim e outros estudantes em algumas das conversas duradouras que tivemos no alojamento do XI ENEMU, que aconteceu nos dias 24 a 28 de setembro de 2018, em Recife.


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(print tirado da primeira chamada do evento com tema no instagram em maio/2018)


Imaginávamos corpos se afetando, afinal era o tema do evento, mas não fazíamos ideia de como os nossos corpos iriam se afetar neste evento. Participaram cerca de 150 pessoas, o'que afeta bastante em questão de espaço físico, mas, afeta porque ultrapassou o número de estudantes dos últimos 3 anos de evento. E neste ano durante a plenária final, foram criados vários cargos e até nova comissão, o que mostra como os alunos da museologia estão interessados nacionalmente nos assuntos do curso.




O evento aconteceu em vários espaços museológicos importantes para o Brasil, como o Instituto Ricardo Brennand, o Museu do Homem do Nordeste, Fundação Joaquim Nabuco, onde aconteceram mesas redondas,e minicursos. Os GTS aconteceram na biblioteca central da UFPE, e a mesa redonda sobre criação do ENEMU e plenária final na ADUFEPE (Associação dos docentes da UFPE) , no auditório cujo espaço tinha vários registros da luta e memória dos professores na época e pós ditadura.



Este evento contou com mesas muito importantes para os museus na atualidade, algumas delas:


“Queer museu”, “Representatividade e Censuras na Atualidade”, “Acessibilidade nos Museais”, “Diálogo entre Ausências e Caminhos para Inclusão Museologia e Gênero: Construção Social da Mulher nos Espaços Museais.”

Outras temas também fizeram parte, como museologia e negritude, empoderamento LGBT nos museus, os rumos da museologia no Brasil, saúde mental e movimento estudantil.

Junto da programação, no último dia o circuito de museus e o minicurso. No circuito de museus foi possível visitar 3 instituições museológicas,o Museu do Trem, o Paço do Frevo, e Museu Cais do Sertão, ao final da visita, estávamos diante do marco zero, um ponto turístico muito importante em Recife Antigo, onde fizemos uma manifestação contra os cortes de gastos nos museus, contra as privatizações e contra a substituição do Ibram pela Abram. (video)



Uma das mesas que marcou bastante politicamente foi a Mesa de Representação estudantil como forma de resistência: ENEMU:14 anos de história, que trouxe Henrique de Vasconcelos Cruz- museólogo/FUNDAJ- museu Homem do Nordeste, representante da comissão Organizadora do ENEMU(2004); Paula Coutinho- Museóloga/ Instituto Ricardo Brennand- Co-Fundadora da executiva nacional de estudantes de museologia; e Edson Augusto Lima- estudante de museologia da UFMG, representante do sudeste na Executiva Nacional dos Estudantes de Museologia 2017/2018.

Entendi que essa mesa foi muito importante para o evento como um todo, primeiro porque trouxe o pessoal da primeira executiva do evento e do primeiro ENEMU, até um atual estudante e representante também da executiva. Essa disposição de falas fez entender que nas situações políticas conflituosas os alunos têm que se envolver, como eles fizeram com o posicionamento dos estudantes na política nacional de museus. E como nós agora estudantes estamos lutando pelas instituições. Eles nos mostraram porque eles precisavam se articular, e nós entendemos como foi importante nos articularmos neste evento de 2018 e as conclusões que tiramos como alunos sobre os acontecimento. E como vamos nos posicionar no próximo ano.

Tudo isso serviu para mim e acredito que para meus colegas, de inspiração. Inspiração que foi para plenária final, que durou incansáveis 4 horas, mas que nos deu indicativas de crescimento do movimento em todas as universidade que tiveram representantes no evento. E também, como foi sugerido, a eleição de novos cargos para expansão da executiva, democratizando-a e sendo mais participação. É  assim que venho acreditando que o movimento estudantil da museologia deve seguir.


Gostaria de pontuar também como foi e está sendo a representação dos alunos da UFMG. No último ENEMU que aconteceu em Aracaju, a delegação da UFMG alcançou 12 participantes e destes, foram eleitos na plenária final 4 estudantes para participarem da Executiva Nacional dos Estudantes de Museologia, executiva que organiza o ENEMU. Estes foram, Bruno Diniz, na comissão temática, Layla Merly, na comissão financeira, Edson Augusto, como representante do sudeste, e eu que também fiz parte da comissão temática. Apesar da vontade dos estudantes da UFMG e das várias tentativas de conseguir um ônibus esse ano, vários alunos se decepcionaram com a dificuldade de ir para o evento. Apesar disso, ainda conseguimos a participação de 5 estudantes da UFMG de museologia e 1 estudante de conservação e restauro. A maioria das viagens foi bancada pelos próprios alunos, uma ajuda financeira da PRAE (pró reitoria de assuntos estudantis) e com uma força de vontade imensa fomos para Recife. E desta vez, voltamos para UFMG com dois representantes na Executiva nacional, Edson Augusto(guto) foi eleito Vice Coordenador Geral da Executiva, e Marcus D’lazzari eleito como parte da comissão de comunicação.

Quando digo que esse evento foi um dos melhores que já participei, digo isso porque apesar de toda as cargas de discussões que tivemos, há toda uma imensa troca cultural. Me lembro dos primeiros períodos, quando estudávamos as festas religiosas. Achava que enquanto lia alguns textos sobre as mesmas, estava entendendo do que se tratava. Porém em uma das noites culturais indicadas pelas meninas da museologia da UFPE, fomos assistir a passagem do maracatu em uma das ruas de Recife. Foi maravilhoso, e o sentimento que eu tive assistindo, foi muito diferente da expectativa criada quando li textos e vi fotos, só lá , naquele momento, eu acho que entendi o'que aquelas pessoas estavam fazendo.



Obrigado! (Na foto, estão estudantes de museologia da UFMG que participaram do XIENEMU: Partindo da esquerda sempre! Raphael, Marcus D’lazzari, Nathália Marques , Edson Augusto, Amanda Marzano). 



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