quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Ecomuseus /museus comunitários: O Ecomuseu de Santa Cruz [Tipologia de Museus 2019]

Universidade Federal de Minas Gerais
Escola de Ciência da Informação – Graduação em Museologia
Disciplina: Função Social dos Museus - Atividade: Trabalho Final
Professor: Luiz Henrique Garcia de Assis

Autores:  Ana Feitosa, Mateus Portugal, Priscilla Lacerda, Rafaela Brandão



Fonte: http://www.ecomuseusantacruz.com.br/uploads/Home/41ea471efeabc2113e1b1c6b70ed77e2.jpg


     Ecomuseus são museus voltados para o ambiente nos quais estão inseridos. Os Ecomuseus dão grande ênfase ao seu papel social e propõem formas de interação com a comunidade, sendo conhecidos por essas características. Os criadores do Ecomuseu nunca negaram a importância do objeto como documento histórico ou como documento de memória, como alguns estudiosos crêem. Já os museus comunitários são como processos e tratam da relação do homem com a sociedade em que vive.

     A tipologia foi definida a partir de estudos realizados na França em três momentos: o primeiro, pensado na criação dos parques nacionais do fim do séc. XIX até a década de 1930; o segundo, pensado na construção dos museus ao ar livre e etnológicos até a década de 60; e, por fim, o terceiro momento, pensado nos museus e na questão social a partir da década de 1970, com amplo apoio governamental. Nos últimos anos nos países nórdicos e a América do Norte (incluindo o México) o assunto da relação dos museus com a comunidade vem sendo explorando e aprofundando por estudiosos.

     Dentro dessa dinâmica, destaca-se a transformação de suas funções, diferenciando-se dos museus clássicos: o museu comunitário como processo, ou seja, um museu que acompanha o desenvolvimento da sociedade; a museologia comunitária que envolve a reivindicação e a consciência dos indivíduos com relação aos seus direitos de propriedade sobre o seu patrimônio material e imaterial e, por fim, o Ecomuseu urbano onde ocorre o deslocamento dessa dinâmica etnológica e rural para o território das cidades.

     Dessa forma destaca-se o Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro de Santa Cruz (1995) na cidade do Rio de Janeiro enquanto museu de território e o primeiro no Brasil. Criado em 1995, o ecomuseu possui 125km² de área, com objetivo de preservar e valorizar o patrimônio cultural e natural do bairro. Para além disso, desenvolve diversas atividades educativas, de comunicação e pesquisas realizadas à sua áreas descrita , sua história, seu território , seus habitantes e seu ecossistema. Coloca em prática uma nova museologia, inserida na vida cultural e nas lutas sociais da população em busca de educação de qualidade, saúde ambiental, cultura e lazer. Considerado um modelo de um museu ativo, educador-liberador, um museu processo.

     Toda a comunidade inserida dentro do espaço intercala a visitação às suas relações com o patrimônio, garantindo não só sua preservação, mas o diálogo com as demais partes da sociedade.




     Avaliando o caminho desses estudos e processos sobre os museus sociais e comunitários é necessário destacar que é preciso muito cuidado para que não haja uma espetacularização do Ecomuseu, fazendo com que este perca suas características essenciais, transmutando-se em aspectos próximos aos museus clássicos. Assim, após a implantação de um Ecomuseu é importante que se faça uma avaliação, contrabalanceando seus prós e contras. A comunidade deve pensar quanto à sua permanência: repensar suas ações e repercussão na sociedade, tarefa essa que será imcumbida à própria sociedade que o criou. Apenas quem participa ativamente do projeto pode dizer se o Ecomuseu ainda é porta-voz de suas reivindicações.

REFERÊNCIAS:

Ecomuseus de Santa Cruz, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.ecomuseussantacruz.com.br> acesso em 23 de Nov. 2019.

BARBUY, Heloísa. A conformação dos ecomuseus: elementos para compreensão e análise. Anais do Museu Paulista. São Paulo. N. Ser. v.3 p.209.236 jan./dez. 1995.

RIVIERE, Georges Henri. La museologia: curso de museologia / textos y testimonios. Madrid: Akal, 1993 p. 195-220

VARINE, Hugues de. O museu comunitário como processo continuado. Cadernos do CEOM - Ano 27, n. 41, 2014, p.25-35.

PRIOSTI, Odalice Miranda. A dimensão político - cultural dos processos museológicos gestados por comunidades e populações autóctones. SEMINÁRIO DE IMPLANTAÇÃO DO ECOMUSEU DA AMAZÔNIA E DO PÓLO MUSEOLÓGICO DE BELÉM/ PA, 8-10 de junho de 2007, 26p.

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