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domingo, 16 de outubro de 2022
quarta-feira, 4 de julho de 2018
PROJETORES PRESTWITH E SIMPLEX: Marcos da tecnologia de projetores cinematográficos [Metodologia da Pesquisa Historia em Museus 2018]
Disciplina: Metodologia da Pesquisa Historia em Museus
Aluno: Boris Christoff
Prof.: Luiz H. Garcia
Quando iniciamos os trabalhos para a montagem de uma exposição, matéria curricular do curso de museologia da UFMG, optei pelo trabalho de escolha e pesquisa do acervo tridimensional a serem expostos, que incluía equipamentos cinematográficos e suas tecnologias.
O tema da exposição, escolhido pelos professores e alunos, foi os primórdios e a evolução do cinema em Minas Gerais até os anos 60.
Até então, era um tema que não me agradava porque não sou muito interessado por esta 7ª arte. Para combater esse bloqueio inicial, passei a estudar a tecnologia aplicada nos projetores e acabei me entusiasmando, não somente pelos equipamentos, como também pela evolução do cinema em si.
Os equipamentos escolhidos por mim foram localizados no acervo da Escola de Belas Artes (EBA) da UFMG, na Faculdade de Ciências Econômicas (FACE) da UFMG e no Museu da Imagem e do Som (MIS).
Aqui falarei, em especial, sobre dois equipamentos: o projetor Prestwich do acervo da EBA e do projetor Simplex do acervo da FACE (infelizmente este projetor não pode ir para a exposição.
Para a investigação desses equipamentos foi aplicado o “método morelliano”, tal como descreve Ginzburg em seu livro: Mitos, Emblemas, Sinais, no capítulo Raízes de um paradigma indiciário. Pequenos detalhes, como: letras quase apagadas, tipo de material, qualidade de confecção de algumas peças e tipo de polimento, com esses indícios pude visualizar uma perspectiva que se abre no campo da investigação intelectual: características que até então não eram observadas por serem “insignificantes” podem oferecer todo um leque de possibilidades no desenvolver de uma investigação destinada a encontrar no diminuto, no micro, um panorama macro, envolto de detalhes significativos e simbólicos sobre o que ele mesmo se propõe a fornecer.
O projetor Prestwich (Fig. 1)
Esse projetor estava identificado como um equipamento artesanal fabricado por Bonfiolli, um dos precursores do cinema em Minas Gerais.
Tendo em vista a qualidade do mecanismo, algumas letras impressas e o tipo de madeira usada passei a pesquisar e estudar esse equipamento, chegando à conclusão que, na verdade, é um projetor fabricado na Inglaterra entre 1898 e 1906, denominado Genesis Prestwith “Kine Kamera” 4 para películas de 35mm, quando foram fabricados cerca de 1000 unidades.
Esse projetor foi um dos primeiros que foram produzidos para o uso comercial. É de grande raridade, nas lojas especializadas em equipamentos cinematográficos antigos, somente 3 destes foram disponibilizados a venda nos últimos 10 anos.
Os projetores Prestwich “Kine Kamera 4” estão integrados no início do cinema. Elas vieram antes do pensamento no conceito de filmes de longa-metragem. Na época em que foi produzido um longo filme, não passava de dez minutos. Por exemplo, o emblemático filme "The Great Train Robbery", de Edison, de 1903, foi de apenas 12 minutos.
Os primeiros projetores, que se tem conhecimento, foram produzidos por Lumière Brothers e, durante alguns anos foram considerados “os melhores projetores”, porém só conseguiam projetar 15 metros de filme. Já o modelo Prestwich Model 4, tendo o rolo de filme na parte exterior ao projetor foi o primeiro que conseguia projetar 122 metros de filme. Assim que foi lançado no mercado, os modelos 4 passaram a ser os melhores projetores em fabricação, enquanto os fabricados por Lumiere perdiam espaço. A concorrência fez com que a Lumiere Brothers vendesse seus direitos de fabricação de projetores para a Pathe Brothers.
Alguns projetores Prestwith tiveram a lente original substituída pela lente Williamson (produzidas por James Williamson). A lente Williamson apresentava melhor óptica o que proporcionava uma projeção mais limpa e clara, principalmente nos detalhes menores da película, e, proporcionava o foco no plano do filme, que era um dos problemas encontrados na época.
Em 1908, Edwin S. Porter e dois engenheiros projetistas do Eden Musée, Francis B. Cannock e Mike Berkowitz começaram projetar, o que viria a ser o Simplex, nos fundos do O’Keef’s Saloon em Nova York.
O projetor Simplex introduzido entre 1909-1910 fez sucesso imediato, vendendo milhares e milhares por ano em todo o mundo. Parte de sua popularidade girava em torno de suas características práticas, que foram constantemente desenvolvidas, adicionadas e refinadas durante todo o período do cinema mudo.
A fonte de luz de projeção dos projetores Simplex era formada por dois eletrodos de carvão que gerava alta potência luminosa o que proporcionava projetar o filme a longa distância com total nitidez. Devido aos custos e a dificuldade de importação, alguns projetores tiveram as suas fontes luminosas substituídas por lâmpadas Xenon, piorando a qualidade de projeção.
Depois que a International Projector Corporation (IPC) foi formada, em 1925, a Simplex tornou-se a uma marca superior, facilitando a transição para a era do cinema sonoro. Já em 1930, o modelo Super Simplex foi introduzido no mercado com a unidade sonora. No Brasil, os projetores Simplex, foram os equipamentos mais utilizados nas salas de cinema durante o período entre 1950 e 1980. A escolha desses projetores, se deu pela sua robusteza e confiabilidade.
Cada projetor Simplex recebia um carretel com 600 metros de filme, o que permitia um pouco mais de 1 hora de projeção, portanto, os cinemas tinham pelo menos duas unidades e o funcionamento era uma máquina projetando e a outra em espera, a passagem de máquinas era automática, quase imperceptível aos olhos dos espectadores.
Os projetores Simplex, ao longo dos anos, foram recebendo melhorias tecnológicas e foram fabricados até o início dos anos 2000, na mesma época quando encerrou a produção comercial de filmes em películas de 35mm.
Referências:
Elias, Paulo Roberto. @Paulo_roberto_elias
Film Tech – www.film-tech.com
George Easteman Museum, NY.
GINZBURG, Carlo. Sinais: Raízes de um paradigma indiciário. In: _________. Mitos, Emblemas, Sinais: morfologia e história. Trad.: Federico Carotti. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 143-179.
Grauman’s Chinese.org
Sam Dodge, Antique Motion Picture Studio Cameras
Simplex Projector Museum
Simplex Projector Manual
Ontem e hoje: o relato oral como fonte de pesquisa sobre a história do cinema em Belo Horizonte. [Metodologia da Pesquisa Histórica em Museus 2018]
Disciplina: Metodologia da Pesquisa Histórica em Museus
Definindo este método a fim de refutar as principais críticas direcionadas ao uso da oralidade enquanto fonte informacional no que tange sua credibilidade, Selau (2004) aponta: a afetividade e memória, onde define a memória como seletiva uma vez que se relaciona afetivamente com o ambiente por ser construída através de acontecimentos; a subjetividade, definida uma vez que a memória é seletiva, ela reserva elementos da espontaneidade que não são acessíveis nos documentos escritos, assim como sua construção também depende da intencionalidade do pesquisador; e as dúvidas emergentes que demandam do pesquisar a leitura e análise crítica de todos os dados, aproximando as complicações do método à outras tipologias de fontes históricas.
Diante disso, como metodologia para a compreensão do contexto sócio histórico do cinema em Belo Horizonte sob a perspectiva do público frequentador, recorremos à aplicação de uma entrevista semiestruturada com uma residente da cidade de Belo Horizonte desde a década de 1930. Tal entrevista consistiu de um roteiro especialmente desenvolvido para esse estudo onde exploramos algumas hipóteses previamente definidas e toda a conversa foi realizada na casa da entrevistada, gravada e posteriormente transcrita para análise (disponível neste link). É importante apontar que antes de iniciarmos a entrevista, os objetivos da pesquisa foram explicados de maneira informal à entrevistada, sendo solicitado que assinasse um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (disponível neste link) dando ciência do estudo, cessão de imagens e divulgação das informações prestadas.
Alunas:Aline
Melo, Daniela Barbosa, Elizabeth Moreno, Isabella Proença
Prof.: Luiz H. Garcia
Prof.: Luiz H. Garcia
“A história oral é uma metodologia de
pesquisa que consiste em realizar entrevistas gravadas com pessoas que podem
testemunhar sobre acontecimentos, conjunturas, instituições, modos de vida ou
outros aspectos da história contemporânea. ”(CPDOC, 2018)
Compreender a capacidade informacional da
oralidade enquanto meio de construção de uma perspectiva de passado permite ao
historiador, principalmente se vista como uma metodologia de consulta, ampliar
suas fontes disponíveis. Dessa forma, permite que o profissional que busca
elaborar uma exposição tenha em mãos ferramentas que possibilitam a concepção
de um projeto que se conecte com diversas visões do determinado assunto para
além do documento escrito. Partindo do princípio de que o passado não se
retoma, não se revive e não se restabelece (ALBERTI, 2004), ou seja, não é
possível estabelecer um resgate desta memória, assumimos como objetivo da
pesquisa a investigação de um relato oral para refletir algumas questões
levantadas durante o processo de elaboração da questão investigativa e da
própria exposição curricular realizada no primeiro semestre de 2018 abordando o
cinema em Minas Gerais e seus diferentes contextos e transformações como tema.
Definindo este método a fim de refutar as principais críticas direcionadas ao uso da oralidade enquanto fonte informacional no que tange sua credibilidade, Selau (2004) aponta: a afetividade e memória, onde define a memória como seletiva uma vez que se relaciona afetivamente com o ambiente por ser construída através de acontecimentos; a subjetividade, definida uma vez que a memória é seletiva, ela reserva elementos da espontaneidade que não são acessíveis nos documentos escritos, assim como sua construção também depende da intencionalidade do pesquisador; e as dúvidas emergentes que demandam do pesquisar a leitura e análise crítica de todos os dados, aproximando as complicações do método à outras tipologias de fontes históricas.
Diante disso, como metodologia para a compreensão do contexto sócio histórico do cinema em Belo Horizonte sob a perspectiva do público frequentador, recorremos à aplicação de uma entrevista semiestruturada com uma residente da cidade de Belo Horizonte desde a década de 1930. Tal entrevista consistiu de um roteiro especialmente desenvolvido para esse estudo onde exploramos algumas hipóteses previamente definidas e toda a conversa foi realizada na casa da entrevistada, gravada e posteriormente transcrita para análise (disponível neste link). É importante apontar que antes de iniciarmos a entrevista, os objetivos da pesquisa foram explicados de maneira informal à entrevistada, sendo solicitado que assinasse um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (disponível neste link) dando ciência do estudo, cessão de imagens e divulgação das informações prestadas.
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Para a análise da informação coletada
através da entrevista, abordamos todas as questões levantadas previamente no
roteiro. As principais perguntas foram: Cinema era programa de elite? Os
"trabalhadores" tinham acesso às salas de cinema? Os figurinos da
época eram inspirados no cinema? Os homens iam mais ao cinema que as mulheres?
As famílias frequentavam os cinemas de bairro, perto de casa, ou em todo o
entorno da cidade? Os filmes estrangeiros, os atores e diretores eram mais
conhecidos que os brasileiros? Os cineastas mineiros são desconhecidos do
público (representado pela entrevistada)?
A entrevistada, uma senhora 91 anos que,
como previamente estabelecido, residiu por toda sua vida na cidade de Belo
Horizonte se mostrou à vontade ao responder todas as questões da
entrevistadora. Em tempos sugerindo tópicos que não prevemos, a senhora
evidenciou o interessante da aplicação deste método, que é justamente essa
oportunidade de interação entre o entrevistado e as questões elaboradas, onde a
condução do entrevistador dialoga diretamente e de maneira rica com o processo
de relato do entrevistado. No que tange as questões levantadas podemos afirmar
que foi possível discutir todas e validar a maioria delas através da
entrevista.
Com a presente pesquisa,
abarcamos pelo menos três resultados: Primeiramente, foi possível, a partir da
história oral, descortinar o cinema em Belo Horizonte nas décadas de 30 e 40, o
imaginário e as representações da sociedade da época, sobre o passado do
entrevistado, desde que estávamos cientes das armadilhas resultantes da
oralidade e da memória. Segundo, as hipóteses investigadas foram retificadas
pelos relatos orais, muito pelo viés de uma seleção adequada de questões e de
imagens, que possibilitaram o emergir das lembranças da entrevistada e por fim,
foi possível discutir e complementar a pesquisa realizada pela turma para a
exposição curricular através do relato oral, assim como perceber as diversas limitações
e vantagens do método. A análise mais extensa da entrevista pode ser acessada
através deste link.
O conteúdo audiovisual produzido a partir da entrevista também pode ser
acessado através deste link.
Deste modo, entendemos que o trabalho de
pesquisa oral é laborioso e nunca atinge uma completude, pois não é somente
ligar o gravador e registrar uma entrevista, um depoimento, ou uma história de
vida. Nosso trabalho se iniciou justamente no momento em que se tornou
necessário organizar, relacionar a textos e analisar o relato fornecido pela
entrevistada para que nossos resultados fossem satisfatórios.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
O
que é história oral. Disponível em:
<http://cpdoc.fgv.br/acervo/historiaoral> . Acesso em: 30/04/18.
ALBERTI,
Verena. O lugar da história oral: o fascínio do vivido e as possibilidades de
pesquisa. In: Ouvir Contar: textos em história oral. Rio de Janeiro: Editora
FGV, 2004. p.13-31.
________________.
O acervo de história oral do CPDOC: trajetória de sua constituição. Rio de
Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
(CPDOC) 1998. 18f. Disponível em: <cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/863.pdf>
SELAU,
Mauricio da Silva. História Oral: uma metodologia para o trabalho com fontes
orais. In: Esboços – Revista de Pós – Graduação em História da UFSC: Dossiê
Cidade e Memória. Santa Catarina: v. 11, n. 11, 2004
O Som do Filme [Metodologia da Pesquisa Histórica em Museus 2018]
Disciplina: Metodologia da Pesquisa Histórica em Museus
Alun@s: Carlos Alexandre Madalena e Lucineia Maria Bicalho
No
atual cinema, o som natural, os recursos de sonoplastia têm sido cada vez mais
substituídos pelo som digitalizado. Seja qual for a origem do som a utilizar,
quer pelo recurso a novas tecnologias, sintetizadores ou misturas, quer pela
captação direta de sons, o único critério é o do efeito que vai produzir, pela
natureza dos sons e pela integração no bloco de que fará parte.
Alun@s: Carlos Alexandre Madalena e Lucineia Maria Bicalho
Prof.: Luiz H. Garcia
Um filme
sem som não desperta o mesmo interesse de um sonorizado, pois sabemos que o uso
dos recursos sonoros aumenta a emoção das cenas, na ação, na tristeza, paixão,
comédia, drama e violência, alcançando um dos objetivos do cinema que é proporcionar
emoções ao espectador, de maneira que ele saia de sua realidade e mergulhe na
do filme. Mas para isso é necessário que o próprio filme envolva o público ao
ponto de fazer com que aquele novo universo pareça real aos olhos de quem o vê.
Somente desta maneira é que se concretiza a experiência cinematográfica.
Os
primeiros momentos do cinema foram conhecidos como “cinema mudo” e tinham uma
função de criar o hábito e o gosto das pessoas de irem ao cinema assistirem um
filme. Como os sons não podiam vir em auxílio do público, a compreensão dos
filmes era realizada através da inserção de legendas, com o objetivo de tornar
os acontecimentos mais claros para os que assistiam a película.
No cinema
mudo usava-se o recurso do som ao vivo ou músicos para auxiliar a história, mas
também pela dramaticidade, utilizando os acompanhamentos de piano, órgão, ou às
vezes até de uma pequena orquestra, que serviam para ambientar o filme e
aproximar mais o espectador da história. Ao longo de anos o que se conhecia por
cinema se resumiu a esta modalidade, que já transmitia à plateia a magia do
cinema para a época. O cinema mudo havia criado tradições e formas de linguagem
que, de fato, sofreram grandes reconfigurações ou mesmo se perderam em algum
sentido com a presença da voz.
No universo
cinematográfico muitos são os componentes sônicos que amplificam as
possibilidades criativas de realização audiovisual. O som de um filme e a soma
das partes de voz, efeitos sonoros e música, formando a trilha sonora que,
atrelada à imagem, maximiza o efeito dramático do filme e chama a atenção do
espectador. Esses sons no cinema, colocados de maneira certa, ajudam na
narrativa e na composição de uma cena, de um personagem, de um momento no
filme. Mas deve-se lembrar de que o termo “trilha sonora” não se aplica apenas
à música composta para o filme, mas sim a todos os barulhos e sons, como ruídos,
narração, silêncio, entre outros. É, portanto um diferencial, um recurso
fundamental para qualquer obra cinematográfica que dá ritmo ao filme, faz o
espectador se emocionar, ficar com medo ou empolgar-se. Ou seja, tudo que é
audível no filme. Mais do que um aprimoramento tecnológico, o cinema com som representou
uma série de alterações nos modos de produção, na forma das histórias e no
conteúdo narrativo e dramático a ser explorado.
A
sonoplastia no cinema consiste na grafia do som empregada em alguma produção
com determinado fim e intenção. A palavra sonoplastia é exclusivamente
portuguesa e surgiu na década de 60, mas desde muito tempo ela sempre existiu
no nosso mundo. Sonoplastia define a comunicação a partir do som, seja ele
natural ou modelado em estúdios. Desde os primórdios da humanidade, nós, seres
humanos, temos utilizado deste recurso para nos comunicarmos não apenas uns com
os outros como também com outras espécies de seres vivos. A sonoplastia é a
comunicação pelo som. É de suma importância na linguagem cinematográfica.
Originalmente
os profissionais do som no cinema não criavam coisas de outro mundo: estavam
ocupados criando sons do dia-a-dia, pois a tecnologia ainda era pequena e o uso
de muita a criatividade na manipulação de materiais para produzir os sons
necessários para o filme. Assim, pentes, folhas de papel,
areia, caixas de diversos materiais e modelos, folhas de flandres, cascas e
galhos, e outros que a imaginação do profissional recrutava, eram os recursos
utilizados para extrair os mais variados sons, de acordo com o objetivo
pretendido. Materiais como celofane amassado para fazer barulho
de fogo, gravetos os para madeira quebrando, cocos para os cascos dos cavalos
galopando, folhas de zinco para trovões, pisos elevados para gravar passos e
muitos, muitos outros truques interessantíssimos.
Nesse
mundo de simulações das situações as mais diversas, anteriormente, os
sonoplastas tinham que criar de alguma forma o som que se assemelhasse às
necessidades das cenas dos programas. Com recurso a novas tecnologias quer com
inventividade e imaginação, o trabalho de um sonoplasta baseia-se sempre na
avaliação da perceptibilidade que o ouvinte terá dos efeitos que se criam para
transmitir as imagens ou sensações.
No
atual cinema, o som natural, os recursos de sonoplastia têm sido cada vez mais
substituídos pelo som digitalizado. Seja qual for a origem do som a utilizar,
quer pelo recurso a novas tecnologias, sintetizadores ou misturas, quer pela
captação direta de sons, o único critério é o do efeito que vai produzir, pela
natureza dos sons e pela integração no bloco de que fará parte.
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